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Vindima no Dão / Winemaking in Dão

Que rufem os tambores!
Chegou o post sobre o tão esperado roteiro de Vindimas no Dão. Um convite para conhecer a fundo um dos segredos mais bem guardados de Portugal: o Dão, uma DOP que produz alguns dos mais elegantes Touriga Nacional do país.

No nosso mais tradicional roteiro oferecemos gastronomia, história e convivência na aldeia com o conhecimento aprofundado da elaboração do vinho, desde a vindima até a adega, em produtores artesanais, de médio e grande porte. Uma verdadeira imersão no mundo do vinho.

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Partiremos do ponto de encontro no Porto com destino à frequesia da Ínsua no conselho de Penalva do Castelo. Penalva possui uma das maiores concentrações de monumentos históricos de Portugal: sítios pré-históricos, romanos e medievais.

Já a Casa da Ínsua, uma das 4 casas que delimitam a região do Dão, foi construída na segunda metade do século XVIII. A quinta possuía a única fábrica de gelo na região, uma geradora hidroeléctrica, adegas e lagares. Tudo isso preservado com cuidados dignos de museu. Uma riqueza histórica marcante.

Dedicaremos todo um dia ao icônico Douro, berço do vinho do Porto e patrimônio mundial da humanidade. Desfrutaremos de um almoço nesta magnifíca paisagem, sua história marcante e degustaremos o mais conhecido dos vinhos portugueses: o Porto.

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Também dedicaremos um dia à Serra da Estrela, local da nascente do Rio Dão. Leve seu casaco, pois chegaremos ao ponto mais alto de Portugal, as Penhas Douradas.

Não deixaremos para tras o conhecido queijo da Serra, por isso vamos à premiada Queijaria de Germil a fim de compreender detalhadamente o rígido processo de elaboração do queijo da Serra da Estrela com direito a degustação.

Visitaremos uma oficina artesanal de cestaria, uma arte milenar cuja fabricação, decoração e utilização varia de acordo com cada país, região, povo, costumes, e tradição. Segundo a teoria de alguns pesquisadores existem muitas fontes sobre a origem da cestaria.

  • Origem Indígena, na fabricação de cestos para transportar objetos ou para armazenagens de alimentos.
  • Origem nômade, na procura de soluções do armazenamento e transporte de alimentos e na antiguidade.
  • Origem Persa, alguns escudos utilizados no batalhão dos imortais foram feitos de cestaria.
  • Origem Ibérica, outros dizem que a Vila de Gonçalo, localizada be perto de onde estaremos, foi o berço da cestaria em Portugal e Espanha.

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E por último, mas não menos importante teremos oportunidade de participar de 2 dias de vindima. É diversão da colheita ao lagar e à pisa, mas não se preocupe, se você se cansar é só parar para comer alguma coisa e tomar um copinho de água. Ou vinho. Uma experiência comunitária emocionante e que proporciona aos enófilos uma aprendizagem incrível.

Teremos 6 degustações exclusivas em produtores com perfis totalmente diferentes, proporcionando uma visão completa da região do Dão.

Fecharemos nossa viagem em Viseu que foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques que teria nascido ali a 5 de agosto de 1109. Só para lembrar, D. Afonso Henriques é considerado ninguém menos que o pai de Portugal por ter unificado todas as regiões do agora país e mandado para casa os mouros que estavam por lá já há alguns séculos.

Voltando a Viseu, esta data da época dos celtiberos, prova disso é que encontraram num altar pagão datado do séc. I, as seguintes inscrições: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.” Com a Romanização, a cidade ganhou grande importância, devido ao entroncamento de estradas romanas, por isso Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região.

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E outra lenda bacana que inclusive está representada no brasão da cidade. O rei Ramiro II de Leão, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, e se apaixonou a tal ponto que raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro teria escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, D. Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, aprisionado e condenado à execução, pede para, como último desejo, morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria nas mãos dos soldados do rei Ramiro. Parabéns a D. Urraca e pena que D. Ramiro se saiu com a sua, mas assim é a história.

Viseu tem muita história, é uma cidade muito bonita (premiada várias vezes como a melhor cidade da Europa para se viver) e tem lojas, shoppings etc, para você poder levar além das lembranças, muita coisa bonita para casa.

Não perca tempo, como a hospedagem é em casa de proprietário rural (e que casa), as vagas são limitadas!

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Drums rolling!

The long-awaited post is finally here: Winemaking in Dão Tour. An invitation to know one of the best-kept secrets in Portugal: Dão, a DOP that produces some of the most elegant Touriga Nacional in the country.

In our most traditional itinerary, we offer gastronomy, history and living in a Portuguese village with in-depth knowledge of winemaking, from harvest to the winery, in small and medium-sized artisan producers. A true immersion in the world of wine.
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We will leave the meeting point in Porto to freguesía of Ínsua in Penalva do Castelo council. Penalva has one of the largest concentrations of historical monuments in Portugal: prehistoric, Roman and medieval sites.
Casa da Ínsua, 1 of the 4 houses that surround Dão, was built in the 2nd half of the 18th century. The “quinta” had the only ice factory in the region, a hydroelectric generator, wineries and mills preserved with museum-worthy care. An extraordinary historical richness.
We will dedicate a whole day to the iconic Douro, the cradle of Port wine and world heritage of humanity, enjoying lunch in this magnificent landscape, its remarkable history and tasting the best-known Portuguese wines: Porto.
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Likewise, we will dedicate one day to the Serra da Estrela, the source of the Rio Dão. Take your coat, because we will visit the highest point of Portugal, the Penhas Douradas.
We will not leave forget the well-known cheese from Serra, so we go to the award-winning cheese producer in Germil to understand the rigid handling of elaboration of the Serra da Estrela cheese. Tasting included.
We will visit a handmade basketwork workshop, an ancient art which manufacture, decoration and use vary according to each country, region, people, customs and tradition. As per researchers, the millenary art of basketry could have several origins:
  • Indigenous origin, manufacture of baskets for carrying objects or for storing food.
  • Nomad origin, in search of food storage and transport solutions.
  • Persian origin, the shields used in the battle of the immortals were made of basketry.
  • Iberian origin, others say the village of Gonçalo, near where we will be, was the cradle of basketry in Portugal and Spain.

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And last but not least we will participate in 2 days of harvest. It’s fun to harvest and drink, but do not worry, if you get bored or tired, just stop and have something to eat, drink a glass of water. Or maybe wine. An exciting community experience that gives oenophiles incredible learning.
We will have 6 exclusive tastings in producers with different profiles, providing a complete view of Dão.
We will finish our trip in Viseu that was a residence by counts D. Teresa and D. Henrique, parents of D. Afonso Henriques who was born there August 5th, 1109. Just as a reminder, D. Afonso Henriques is none other than the father of Portugal for having unified all regions of the now country and sending home the Moors who were there for several centuries.
Back to Viseu, that dates from the time of the Celtiberians, proof of this is they found on a pagan altar dated from the first century the following inscriptions: “To the Goddesses and the Gods Vissaieigenses. Albino, son of Quensas, fulfilled the vote willingly and deservedly”. With the Romanization, the city gained great importance, due to the intersection of Roman roads, so Viseu is linked with the figure of Viriato since the Lusitanian hero may have been born in this region.
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Another nice legend is represented in the coat of arms of the city: King Ramiro II of Leon, on a journey abroad, met Sara, the sister of Alboazar, king of the castle of Gaia, and fell so much in love he kidnapped Sara. On learning what had happened, Sara’s brother took avenge by kidnapping the king’s wife, D. Urraca. Wounded in pride, D. Ramiro chose in Viseu his best warriors, sneaked alone into the castle, and left his warriors nearby. While Alboazar was hunting, D. Ramiro found D. Urraca, who, knowing of her husband’s betrayal, refused to go with him. When Alboazar returned from hunting, D. Urraca took revenge on her husband by showing him the abductor. Ramiro, imprisoned and sentenced to execution, asks as his last wish to die at the sound of his horn, which was the signal for his soldiers to invade the castle. At the end of the sixth ring, the soldiers at once surround the castle, setting it on fire. Alboazar died at the hands of King Ramiro’s soldiers. Cuddles to D. Urraca and sorry that D. Ramiro could escape, but such is history.
Viseu historic heritage is vast, a delightful city (awarded several times as the best city to live in Europe) and it has shops, malls etc, so you can take not only memories but still something lovely home.
Lose no time, because accommodations are in a village house (and what a house, wow), spots are limited!
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Afinal para que mudar? / Why do we have to Change?

Durante uma transição de carreira eu conheci o mundo do vinho e imediatamente me apaixonei. E como toda apaixonada, meu amor não via limites, só oportunidades. Eram feiras e congressos, vinhos nacionais ou importados, viagens, palestras, blogs, posts, lojas, restaurantes, importadoras, representações, países, castas e métodos de vinificação distintos, enfim, um mundo sem fronteiras a explorar.

Meu encanto com todas estas opções vagarosamente, foi sendo cerceado pela realidade de uma micro-empresária no Brasil. O dilema entre o que eu queria fazer e o que eu podia fazer. O processo foi vagaroso porque sempre fui persistente (ahan teimosa) e focada em resultados (ahan super teimosa). Eu me esticava daqui, puxava dali e achava que ía conseguir conciliar inúmeros projetos, afinal, gerenciamento de projetos também era algo que eu mandava bem.

Porém eu estava acostumada com o mundo corporativo. Foram quase duas décadas trabalhando em estruturas que acomodavam inúmeros projetos, equipes diretas, indiretas etc. Agora era só eu. E estava na cara que eu não estava dando conta. Não quis aceitar. Afinal, pequenos empreendedores que querem ser grandes falam sempre de como trabalhavam muito. Só que tem um momento de dizer chega.

É terrível este momento. Doído demais. Porém necessário, convida a reflexão, à auto-avaliação e finalmente àquele abismo assustador: a mudança necessária. Porque tem a mudança desejada: você pinta a casa, muda a decoração, de romântica para gótica, pinta o cabelo preto de ruivo, sei lá, mas é fruto de sua criatividade, e não necessidade.

Enfim,  deste momento casulo, em que me fechei, me ausentei e refleti, a Eu Levo Vinho deu espaço para a Portugal com Alma. Neste processo, abri mão de muitas atividades com clientes queridos, mas eu precisava dar foco naquilo que durante uma rígida análise é evidentemente a minha maior paixão: Portugal.

O outro lado da moeda é que a Portugal com Alma já nasceu assim: amada, desejada e querida por quem a conheceu na barriga, ainda como a Eu Levo Vinho.

E como criança muito esperada nasceu espoleta, cheia de novidades, alegrias e com mais paixão ainda pela terra do meu coração. Novos roteiros, festas medievais, aldeias misteriosas, herança celta, roteiros de águas termais. Gente, muita coisa boa. E mais facilidades nos pagamentos!

O vinho não foi esquecido, claro que não. Nem as viagens por outros países. Vem mais posts por aí. No entanto, de hoje em diante, somos Portugal com Alma, porque para ser Portugal tem que ter muita alma e amor no coração.


During a career transition, I got to know the world of wine and immediately fell in love with it. Exactly like all other lovers, my passion saw no limits, only opportunities. It comprised all and everything: national and imported wines, fairs and congresses, trips, lectures, blogs, posts, shops, restaurants, importers, exporters, countries, varieties and different vinification methods. A world without limits to explore.

My infatuation was slowly being curtailed by the reality of a micro-businesswoman in Brazil. The dilemma between what I wanted to do and what I could do. The process was slow because I was always persistent (ahan stubborn) and focused on results (ahan super stubborn). I would stretch out from here, pull from there and think that I could reconcile countless projects, after all, project management was also something that I did well.

But I was used to the corporate world. Almost two decades working on structures that accommodated countless projects, direct and indirect teams, etc. However, it was just me now. And it was obvious that I couldn’t do it all. I did not want to accept it. After all, small entrepreneurs who want to grow to be the big guys always talk about how they worked sooo hard. But, there is a moment you got to say enough is enough.

This moment is terrible. Awful. But necessary. It invites reflection, self-evaluation, and finally that frightening abyss: the necessary change. Because you have the desired change: you refurbish your house, change the decoration, you change your look from romantic to gothic, dye your black hair red, whatever, but it is the result of your creativity, not a necessity.

Finally, after this cocooning period, in which I closed myself and reflected, Eu Levo Vinho gave space to Portugal com Alma.

In this process, I gave up many activities with dear clients, but I needed to focus on what is obviously my greatest passion: Portugal.

The other side of the coin is that Portugal com Alma was born this way: loved, wanted and loved by those who knew her as an embryo, Eu Levo Vinho.

And as a very expected child, Portugal com Alma was born full of energy, full of news, joy and with more passion for the country of my heart. New tours, medieval festivals, mysterious villages, Celtic heritage, thermal water fonts. Guys, lots of good stuff. And a plus: easier payment methods!

The wine was not forgotten, of course not. Neither the trips to other countries. More posts out to come soon. However, from now on, we are Portugal com Alma, because to be Portugal you have to have a lot of soul and love in your heart.

Cortiça – do sobreiro à rolha

Tá super na moda o pessoal se lançar em debates frenéticos em defesa ou contra a utilização de rolha de cortiça no vinhozinho nosso de cada dia, pois a cada dia aparecem mais defensores da screwcap, rolhas plásticas, de vidro, etc. O certo é que este é o material vedante preferido para os vinhos, principalmente os de mais alta qualidade, pois a absoluta maioria dos consumidores o associa a este tipo de vinho e inclusive se dispõe a pagar mais pelo produto, de acordo a pesquisas em vários países. No fim das contas, mais de 12 milhões de garrafa por ano são vedadas com rolhas de cortiça.

9 entre 10 consumidores preferem... rolha!
9 entre 10 consumidores preferem… rolha!

A árvore que fornece a cortiça é da família do carvalho e é chamada de sobreiro, o bom e velho Quercus Suber L. Esta árvore é mais facilmente encontrada em Portugal, Espanha, Marrocos e Argélia, onde também se encontram os grandes centros beneficiadores de cortiça.

Nos sobreirais, as árvores se encontram espaçadas, naturalmente, pois não podem estar próximas a outras árvores já que necessitam de muito sol. Gostam também de terrenos mais arenosos e pedregosos, os muito argilosos podem deixar marcas na cortiça, pois a árvore absorve o barro. Um sobreiral, ou seja, um conjunto de sobreiros, é chamado de montado. E é uma das paisagens mais típicas e bonitas do Alentejo.

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Alentejo no inverno.
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Alentejo no verão.

A cortiça é reconhecida por ser:

  1. muito leve;
  2. elástica, por isso pode ser facilmente comprimida para entrar pelo gargalo de uma garrafa;
  3. impermeável a líquidos e quase impermeável a gases, protegendo o conteúdo da garrafa com perfeição;
  4. e imputrescível, pois resiste à ação da humidade.
A bolota também vem de um tipo de sobreiro.
A bolota também vem de um tipo de sobreiro.
E dá um sabor delicioso ao porco preto ibérico.
E dá um sabor delicioso ao porco preto ibérico que se alimenta dela.

A cortiça tem estas características, em parte, pela formação de anéis. Cada anel representa 1 ano de vida da árvore e é uma resposta ao risco de desidratação, pois a árvore é nativa de regiões muito secas. Outro ponto é que ela é bastante resistente a altas temperaturas e esta característica ajudou o sobreiro a sobreviver aos incêndios que destroem grandes florestas nos verões escaldantes destas regiões.

O sobreiro agradece tantas bênçãos de 2 formas:

  • tendo folhas verdes durante todo o ano e assim realizando fotossíntese por mais tempo que as árvores que perdem suas
  • folhas no inverno … e nós humanos certamente precisamos deste oxigênio;
    fornecendo a cortiça, é claro!

Além disso o beneficiamento da cortiça é bastante ecológico. Até suas aparas viram aglomerados, moídos e com cola. Ou combustível para as caldeiras.

Só depois da árvore alcançar 25 anos de vida é retirada a primeira cortiça, a cortiça virgem como chamam os produtores, que não pode ser usada. A segunda é chamada amadia e daí por diante se segue um ritual que se repete a cada 9 anos. Não é anormal que só após a quarta retirada de cortiça se possa produzir rolhas. Para elas a vida começa mesmo aos 50! O ano que a gente vê marcado na árvore é o ano da extração. Um sobreiro dá cortiça por cerca de 200 anos.

Mas há que se ter cuidado! A cortiça é basicamente a casca da árvore e só pode ser retirada por profissionais habilitados e com muita cautela, pois um corte errado pode destruir a produção da árvore para sempre. Por exemplo, não se retira cortiça da parte de cima da árvore para não estragar a copa. A extração se dá no final da primavera e no verão.

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A rolha pode ser:

  1. natural: extraída por brocagem da cortiça;
  2. natural colmatada: tem seus poros preenchidos por pó de cortiça;
  3. de champagne: possuem um corpo aglomerado e 1, 2 ou 3 discos num dos topos, mas com diâmetro maior que as rolhas normais;
  4. técnica: possui um corpo de cortiça aglomerada muito densa e com discos de cortiça natural colados em 1 ou 2 topos;
  5. técnica micro-granulada: de nova geração com um corpo de cortiça aglomerada de granulometria específica;
  6. capsulada: rolha natural cujo topo é colada uma cápsula de madeira, PVC, metal, vidro, etc.

Tudo isso visa se adequar às necessidades do vinho e seu produtor. A rolha para vinho de mesa, por exemplo, tem diâmetro superior à rolha para o vinho do Porto, pois o vinho do Porto não gasifica e não precisa de rolha tão forte. Já a rolha de espumante, como vimos, é super reforçada. Faz todo sentido, né?

Tá vendo?
Tá vendo?

Mas o destino da cortiça, em termos de rolha, é selado já na sua pré-seleção após a extração, a primeira de 3. Vamos ver como é o beneficiamento, passo a passo?

  1. Secagem. Ela passa 6 meses secando antes do beneficiamento. Esta fase é fundamental para a qualidade. Aqui ocorre a primeira separação de acordo a cor e textura.
  2. Cozedura em caldeira a lenha. Só água para esterilização e amolecer, assim se pode aplainar por 1 hora, pois fica mais maleável. Após o processo, ela deve repousar, de acordo com a cortiça, mais ou menos 8 dias;
  3. Corte / rabaneira;
  4. Fura / broca;
  5. Pré-escolha, a segunda classificação;
  6. Secagem em estufa por 1 noite mais ou menos;
  7. Retificagem de calibres e topos;
  8. Pré-seleção classe, a terceira e ultima triagem;
  9. Limpeza;
  10. Revestimento;
  11. Gravação de nome do produtor, etc;
  12. Tratamento com silicone;
  13. Embalagem;
  14. Teste de humidade, densidade e diâmetro com 20 rolhas a cada lote no vinho para macerar e analisar.
Cozedura.
Cozedura.
Rol.has cortadas.
Rolhas cortadas.
Seleção final.
Seleção final.

Você já deve imaginar que com tudo isto, a simples e inocente rolha que você parte no meio ao abrir sua segunda garrafa tem um custo significativo. Pois bem, os preços variam de 70 a 800 euros o milhar.… Existem 7 classes de rolha: a flor ou super extra é a de melhor qualidade.

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Os cuidados com limpeza e qualidade são muito bem explicados pelo TCA. Quem? Um composto químico, o TCA, o que o pessoal do vinho chama de bouchonné, que pode ser originário da cortiça. Ou não, já que o TCA é encontrado em barris de madeira, e pode ser causado por más condições de armazenamento e pelo transporte da cortiça e do vinho. Mas a rolha de cortiça é normalmente considerada a responsável pelo odor característico, descrito como semelhante a jornal mofado, cachorro molhado, pano úmido ou porão úmido.

O limiar humano para a detecção de TCA depende da sensibilidade de cada indivíduo, mas é sempre inofensivo para a saúde. A taxa de incidência do TCA é de 0,7 a 1,2%. Para nossa alegria, os resultados de testes, mostram uma forte redução nos níveis de TCA, de cerca de 81% na última década.

Nosso amado Portugal é responsável por cerca de 50% da produção mundial de 200 mil toneladas de cortiça. Aproximadamente 1/3 da cortiça é transformada em rolha, pois o material é muito versátil e não só origina roupas, calçados, bolsas, bijuterias, mas também serve por exemplo, de revestimento para foguetes. Isso mesmo. Foguetes…

A indústria da cortiça é hoje um verdadeiro pilar social para milhares de pessoas, muitas vezes em regiões onde representa a principal fonte de renda das famílias, pois em Portugal deram origem a 8.000 postos de trabalho diretos em mais de 600 empresas e mais de 6.000 postos de trabalho na área de exploração florestal. Isso fora os postos de trabalho indiretos.

Quem diria...
A rolha. Quem diria…

Nosso agradecimento especial ao Sr. Elisio Ferreira dos Santos, 97 anos, proprietário da Elisio e da JJ, fábricas que tem mais de 70 anos de história beneficiando cortiça e a seus filhos que nos acolheram com tanta consideração.

Não tá a fim de ler tanto? Vê o filme, mas tem menos detalhes porque é material de aula.

Cortiça do sobreiro à rolha. Cada passo da transformação desta matéria-prima incrível desde o Alentejo onde cresce em abundância até a região do Porto onde é beneficiada.

Fonde de dados: APCOR

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Presently it is quite popular that people enter into frantic debates in defense or against the use of cork in wine, specially as screwcaps, plastic stoppers, glass stoppers, etc become more and more common. The fact is that this is the preferred stopper for wines, especially those of higher quality, since the absolute majority of consumers associate it with this type of wine and are even willing to pay more for the product, according to research in several countries. More than 12 million bottles per year are sealed with cork stoppers.

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9 out of 10 consumers prefer … cork!

The tree that provides the cork is from the oak family and is called cork oak, the good old Quercus Suber L. This tree is most easily found in Portugal, Spain, Morocco and Algeria, where we also find the large cork producing companies .

In the fields, trees keep a certain distance from each other, because they can not be close to each other as they need a lot of sun. They also like more sandy and stony soils. Soils high in clay can leave marks in the cork, because the tree absorbs the clay. A Montado is a set of cork trees. And it is one of the most typical and beautiful landscapes of Alentejo.

 

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Alentejo in the winter.
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Alentejo in the summer.

 

Cork is known for being:

  1. very light;
  2. elastic, so it can be easily compressed to pass through a bottleneck;
  3. impermeable to liquids and almost impermeable to gases, protecting the contents of a bottle to perfection;
  4. and it does not rotten, because it resists to humidity.
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The acorn also comes from a type of cork tree.
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And it gives a delicious flavor to the black Iberian pig that feeds on it.

Cork has these specific characteristics, in part, by the formation of rings. Each ring represents 1 year of the life of the three and is a response to the risk of dehydration because the tree is native to very dry regions. Another point is that it is quite resistant to high temperatures and this helps cork trees to survive the fires that destroy large forests in the scorching summers of these regions.

The cork tree thanks so many blessings in 2 ways:

  1. having green leaves throughout the year and thus performing photosynthesis for longer than the trees that lose their leaves in winter … and humans certainly need this oxygen;
  2. providing cork, of course!

The processing of cork is also very ecological. The left overs from production can be agglomerated by being ground and glued. Or it can be used as fuel for boilers.

The first cork extraction happens after the oak is 25 years old. This is the “virgin cork”, as the producers call it. However, it is useless. By the second year, the tree produces the  “amadia”, and thereafter follows a ritual that is repeated every 9 years. It is not unusual for cork stoppers to be produced only after the fourth cork removal. For them life begins at 50! The year that we see marked in the tree is the year of extraction. A cork tree gives corks for about 200 years.

But you have to be careful! The cork is basically the bark of the tree and can only be removed by qualified professionals and with great caution, because a wrong cut can destroy the production of the tree forever. For example, no cork is removed from the top of the tree to avoid ruining the canopy. Extraction occurs in late spring and summer.

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A cork can be:

  1. natural: extracted by cork drilling;
  2. colmated natural: has its pores filled with cork dust;
  3. of champagne: they have an agglomerated body and 1, 2 or 3 discs in one of the tops, but with a larger diameter than the usual corks;
  4. technical: has a very dense cork body with natural cork disks glued in 1 or 2 tops;
  5. micro-granulated technique: new generation with a cork body agglomerated of specific granulometry;
  6. capsulated: natural cork whose top is glued with a wooden cap, PVC, metal, glass, etc.

All this aims to adapt to the needs of the wine and its producer. The cork for table wine, for example, has a bigger diameter than the cork for Port wine, because Port wine does not gasify and does not need such a strong cork. The sparkling cork, as we have seen, is super-strengthened. Makes all the sense, huh?

 

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Can you see it?

 

But the fate of raw material, in terms of which kind of cork it is going to be, is sealed already in its pre-selection after the extraction. Let’s see the processing, step by step?

  1. Drying. It spends 6 months drying before processing. This phase is key to quality. Here the first classification occurs according to color and texture;
  2. Cooking in a wood burning boiler. Only water is used for sterilization and softening, so then it can be pressed flat for 1 hour, as it becomes more malleable. After the process, it must rest, depending on the cork, for about 8 days;
  3. Cutting;
  4. Drilling;
  5. Pre-choice, the second classification;
  6. Greenhouse drying for 1 night or so;
  7. Rectification of gauges and tops;
  8. Preselection class, the third and last sorting;
  9. Cleaning;
  10. Coating;
  11. Name engraving of the producer, etc;
  12. Treatment with silicone;
  13. Packaging;
  14. Moisture, density and diameter test with 20 corks per lot in the wine to be macerated and analyzed.
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Cooking.
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Cut cork.

 

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Final selection.

 

You should imagine that with all this, the simple and innocent cork you go in the middle when opening your second bottle has a significant cost. Well, prices range from 70 to 800 euros a thousand … There are 7 classes of cork: the flower or super extra is the best quality.

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All the care with hygiene and quality are very well explained by TCA. What? TCA is a chemical compound, that wine people call bouchonné, which can be originated in cork. Or not. TCA is also found in wooden barrels, and can be caused by poor storage and transportation conditions of cork and wine. But the cork stopper is usually considered to be responsible for the characteristic odor, described as similar to moldy newspaper, wet dog or damp cloth.

The human threshold for the detection of TCA depends on the sensitivity of each individual, but is always harmless to the health. The incidence rate of ACT is 0.7 to 1.2%. Test results show a strong reduction in TCA levels of around 81% in the last decade.

Our beloved Portugal accounts for about 50% of the world’s production of 200 thousand tons of cork. Approximately 1/3 of raw material is turned into cork, since the material is very versatile and not only produces clothes, shoes, handbags, jewelry, but also serves, for example, for rocket lining. That’s it. Rockets …

The cork industry is today a true social pillar for thousands of people, often in regions where it represents the main source of income for families, since in Portugal they support 8,000 direct jobs in more than 600 companies and over 6,000 jobs in the area of ​​logging, considered indirect jobs.

 

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The cork. Who would say …

 

Our special thanks to Mr. Elisio Ferreira dos Santos, 97 years old, owner of Elisio and JJ, factories that have more than 70 years of history processing cork and his family who welcomed us with so much attention.

Don’t like to read this much? See the movie, but it has less details as it is used as classes material. Link below.

Cork from oak to bottle. Every step of the transformation of this incredible raw material from Alentejo where it grows in abundance until Porto city where it is industrialized.

Source: APCOR