Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? / You already knew that alcohol affects a lot of things, but do you know how it changes the taste of your drink?

Você já reparou que ao adicionar água ao uísque, que reduz sua porcentagem de álcool, se revelam novos e sutis sabores? Ou que uma taça de vinho tinto tem menos sabor frutado do que suco de uva sem álcool? 

Já que nosso assunto principal é vinho, comecemos por inalar profundamente o vinho que está na sua taça para compreender este processo. Você pode descrever os aromas que detecta? Frutas secas, frutas frescas, flores, grama, madeira e/ou especiarias? Esqueça os caríssimos kits atopetados de aromas artificiais tipo morango de xarope ou cereja de balinha. Ou vice-versa. Uma boa maneira de treinar seu cérebro e aumentar a sua memória olfativa é treinar em feiras, jardins, floricultura e lojinhas de temperos.

 

 

 

 

Esta lojinha de temperos pode ser um banquete de aromas.

Graças ao nosso sentido do olfato,  podemos detectar até 10.000 odores diferentes, embora não possamos identificar todos eles. Isto acontece por causa do “limite de detecção” que é a concentração mínima de um aroma que deve estar presente para que possamos percebê-lo. Agora, atenção que isto é importante:

  1. Os aromas, também chamados de cheiros, odores e fragrâncias, consistem em uma ou mais moléculas de aroma. Os aromas são voláteis e atingem o nosso olfato através do intervalo entre os mesmos, ou seja, o espaço aéreo diretamente acima da superfície do líquido que vai eventualmente terminar nas nossas narinas.

2. Nós percebemos os aromas através do nariz (oronasal), bem como através da boca (retronasal). Cada vez que engolimos, a língua detecta os sabores (esse é outro papo) e os aromas sobem através pela parte traseira de nossa garganta e pela passagem nasal. Isto explica porque degustamos vinho usando uma técnica um tanto bizarra – fazendo ruído para movimentar e sacudir e arejar o vinho (e portanto, os aromas). Desta forma, não há necessidade de engolir o álcool, mas pode-se detectar melhor as moléculas de aromas voláteis do vinho.

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3. Muitos fatores influenciam os odores que podemos detectar durante uma degustação, inclusive o mecanismo de deglutição e o cérebro, porém o importante aqui é que cada molécula de aroma se comporta de forma diferente em distintos solventes, dependendo de suas propriedades físicas. As moléculas de aroma hidrofóbicas são adversas à água. Elas tendem a fugir quando cercadas por moléculas de água, subindo para o tal intervalo, onde é mais fácil serem detectadas pelo nosso olfato.

4. Por outro lado, as moléculas de aroma hidrofílico têm afinidade com moléculas de água e preferem permanecer em líquidos. O álcool (etanol) tem propriedades parcialmente hidrofóbicas. Isto explica porque as moléculas hidrofóbicas dos aromas encontrados em bebidas alcoólicas ainda permanecem em seu vinho apesar da presença do álcool.

5. A proporção de líquidos – água x álcool – determina quais aromas são mais fáceis de detectar do que outros: quanto mais álcool houver em sua bebida, os aromas mais hidrofílicos escaparão para o intervalo. Por outro lado, quanto maior o volume de água, mais aromas hidrofóbicos você terá escapando do líquido e se movendo para o intervalo.

Aqui vemos o Prof. Pedro detectando aromas no tal intervalo.

Na sua próxima degustação você pode ter certeza que o prazer da riqueza de aromas percebidos é devido também a este equilíbrio muito delicado de água x álcool. Graças à presença dele, conseguimos apreciar os sabores sutis dos nossos vinhos e bebidas alcoólicas favoritas e especialmente harmonizá-los com a comida!

 

 

 

 

 

Deguste os mesmos pratos com um vinho branco ou rosé (normalmente menos alcoólico) e com um tinto (tradicionalmente mais alcoólico) e tire suas próprias conclusões.

Fonte: O álcool e os aromas no vinho de Bernard Lahousse


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Have you ever noticed that adding water to whiskey, which reduces alcohol percentage, reveals new and subtle flavours? Or that a glass of red wine has less fruity flavour than grape juice without any alcohol?

Since our main subject is wine, let us begin by inhaling deeply the wine which is in our glass to understand this process. Can you describe any aromas? Dried fruits, fresh fruits, flowers, grass, wood and/or spices? Forget about the expensive kits with artificial aromas of strawberry syrup or baloney cherry. A good way to train your brain and increase your olfactory memory is to train at fairs, gardens, flower and spice shops.

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This spice shop can be a feast of aromas.

Thanks to our sense of smell, we can detect up to 10,000 different odours, although we can not identify all of them. This is because of the “limit of detection” which is the minimum concentration of an aroma that must be present before we can perceive it. Now, note that this is important:

1. The aromas, also called scents, odours and fragrances, comprise one or more aroma molecules. The aromas are volatile and reach our nostrils through the gap between them. It is the airspace directly above the surface of the liquid that will eventually end up in our nostrils.

2. We perceive the aromas through our nose (oronasal) and through our mouth (retronasal). Each time we swallow, our tongue detects flavours (this is another different post) and the aromas rise through the back of our throat and through the nasal passage. This explains why we taste wine using a rather bizarre technique – making noise to move, shake and aerate wine (and therefore the aromas). In this way, there is no need to swallow alcohol, but one can better detect the molecules of volatile wine aromas.

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3. Many factors influence odours we can detect during a tasting, including the swallowing mechanism and the brain, but the important thing here is that each aroma molecule behaves differently in different solvents, depending on its physical properties. Hydrophobic aroma molecules are averse to water. They flee when surrounded by water molecules, rising to such an interval where it is easier to be detected by our sense of smell.

4. On the other hand, hydrophilic flavour molecules have an affinity with water molecules and prefer to remain in liquids. Alcohol (ethanol) has partially hydrophobic properties. This explains why the hydrophobic molecules of the aromas found in alcoholic beverages remain in wine despite the alcohol.
5. The ratio of liquids – water to alcohol – determines which scents are easier to detect than others: the more alcohol in your drink, the more hydrophilic aromas will escape into the range. The higher the volume of water, the more hydrophobic scents you will have escaping from the liquid and moving into the range.

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Here we see Prof. Pedro detecting scents in such a range.

In your next tasting, notice the pleasure of the richness of perceived aromas is also due to this delicate balance of water vs. alcohol. Thanks to their presence, we have been able to enjoy the subtle flavours of our favourite wines and spirits and especially harmonize them with food!

Try the same dishes with a white or a rosé wine (usually less alcoholic) and a red wine (traditionally more alcoholic) and draw your own conclusions.

Source: Alcohol and aromas in the wine of Bernard Lahousse

Aposto que desta uva você nunca ouviu falar.

A uva Goethe, também chamada de Rogers 1, é uma híbrida, ou seja, uma uva criada pela mistura com outras. No caso da Goethe, ela foi criada por um cientista americano, E. S. Rogers, e faz parte de um grupo de 45 variedades criadas por ele, em meados do séc. XIX em Massachusetts. O conjunto delas foi chamado de Roger’s Hybrids e em 1862 já aparecia em catálogos de plantas. Ela apareceu no Brasil a partir de 1877 durante colonização italiana. Ou seja, não é exatamente uma novidade. Novidade é o sucesso que ela vem fazendo no sul de Santa Catarina.
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A Goethe é a soma por polinização de 13% de Vitis Labrusca (uvas de mesa, não viníferas ou também chamadas americanas), no caso, a variedade Carter com 87% de 2 uvas viníferas (uvas europeias próprias para a elaboração de vinhos), neste caso as variedades Moscatel de Hamburgo e Chasellas branca.

A Moscatel de Hamburgo é muito aromática, agradável e dá vinhos bem frescos e frutados. A Chasellas é uma das principais variedades suíças (da denominação de origem Valais) e da região fronteiriça francesa que resulta em brancos com boa acidez, vinhos ótimos para fondue, por exemplo. E quando a gente fala de uvas brancas com boa acidez, logo lembramos de espumante, como este produzido com a Goethe.

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Esta uva se adaptou bem às condições climáticas e aos solos da região de Urussanga, no sul de Santa Catarina e foi amplamente difundida entre os colonos da região. O cultivo da uva Goethe é raro por que sua acidez limita um pouco sua utilização enológica e além disso ela pode ser sensível sob certas circunstâncias climáticas. Porém, o entusiasmo econômico gerado pela casta, nesta região foi tanto que o selo de indicação geográfica de procedência Vale das Uvas Goethe foi conquistado em 2011 e implatado em 2013.

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O calcanhar de Aquiles de todo este sucesso é a utilização da uva americana Carter na formação da Goethe. Os híbridos são, por exemplo, proibidos na Europa e vêm sendo extirpados de várias partes do mundo, porque produzem aqueles vinhos com gostinho de vinho de garrafão. Aqui no Brasil, as uvas americanas ou de mesa são parte da cultura vitivinícola do país e bem aceitos pela maioria dos consumidores brasileiros.

E você, já parou para pensar na uva que compõe o seu vinho?

Fontes:  Vales da Uva GoetheProgoethe

1 drink fácil e refrescante para os amantes de vinho ou de cerveja

O calor está batendo forte em todo o país e para quem já cansou de cerveja ou mesmo de vinho (acho que nem é possível, né?) para combater o calorzão, temos uma sugestão muito refrescante do Prof. Pedro Cardoso com ingredientes fáceis e preparo rápido.

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Ingredientes:

  • 40 ml de Chartreuse verde ou amarelo. O Chartreuse é um licor francês à base de ervas com uma fórmula antiga e secreta… Lembre-se, você não precisa comprar uma garrafa, pode levar sua embalagem e pedir a um bom restaurante, padaria ou bar para lhe vender a quantidade que precisa!
  • 100 ml de suco de limão siciliano
  • 40 ml de suco de laranja
  • Vinho Moscatel (vinho da uva Moscatel, mais adocicado) ou Witbier (tradicionalmente produzida na Bélgica, significa “cerveja branca” devido à sua aparência clara e turva. Produzida com maltes de trigo e de cevada e seu sabor traz a refrescância cítrica da laranja)
  • Gelo

Instruções:

  • Bata o gelo no liquidificador para deixá-lo picado como numa raspadinha e junte os sucos de limão siciliano e de laranja até ter o sabor e a consistência de um sorbet, tipo um picolé moído.
  • Coloque o sorbet num copo longo ou numa taça balon como a da foto.
  • Acrescente o Chartreuse.
  • Complete com o Moscatel ou com a Witbier.
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Viu como ele é versátil? Saúde.

5 receitas de coquetéis com vinho para você fazer com o que tem em casa!

Abaixo você encontra 5 receitas bem simples para variar a maneira de servir seu vinho com ingredientes que você deve ter em casa. Se mesmo assim você achar muita coisa, tente colocar um picolé da sua fruta favorita na taça de espumante para um drinque super refrescante ou uma bola de sorvete com espumante por cima para um drinque diferente. Dependendo da quantidade de sorvete e creme, você pode preparar um drinque (mais espumante) ou uma sobremesa (mais sorvete).

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Por favor, não use o vinho super top que você ganhou no Natal para preparar estas receitas, mas também não use o vinho mais barato do mercadinho da esquina. O ideal é um vinho econômico, porém decente.

Velho cubano – Robert Simonson
Porção: 1
INGREDIENTES
22,5 ml de suco de limão fresco
30 ml de xarope simples (açúcar e água, no ponto de calda rala)
6 folhas de hortelã inteira
45 ml de rum
2 pitadas de Angostura
60ml de espumante
INSTRUÇÕES
Misture o suco de limão, o xarope e a hortelã em uma coqueteleira ou num copo grande.
Adicione o rum, o bitter, gelo a gosto e agite bem.
Despeje num copo de coquetel e complete com o espumante.

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Coquetel de espumante
Porção: 1
INGREDIENTES
1 cubo de açúcar ou 1 colher de sopa de açúcar
3 pitadas de Angostura
Espumante
Decoração: casca de limão longa e encaracolada
INSTRUÇÕES
Coloque o açúcar numa taça de espumante longa. Despeje a Angostura sobre o açúcar.
Lentamente complete com espumante.
Decore com uma casca comprida e encaracolada de limão.

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Espumante Julep
Porção: 1
INGREDIENTES
15 ml de conhaque
90 ml de espumante seco
1 cubo de açúcar
1 gota Angostura
6-7 folhas de hortelã
Decoração: folhas de hortelã e casca de limão
INSTRUÇÕES
Em uma taça, adicione folhas de hortelã e o açúcar. Pressione suavemente as folhas de hortelã para liberar os aromas.
Adicione o conhaque, o espumante, a Angostura, gelo esmagado a gosto e agite delicadamente.
Decore com a de hortelã e a casca de limão.

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Slush de vinho com frutas vermelhas – Becky Hardin
Porção: 1
INGREDIENTES
36 ml de suco de frutas vermelhas
75 de vinho tinto
24 ml de ginger ale
açúcar (opcional)
INSTRUÇÕES
Coloque todos os ingredientes numa coqueteleira.
Misture bem.
Coloque gelo picado a gosto numa taça e complete com a bebida

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Vinho no Melão
Parece estranha, mas é perfeita (e sustentável) para ser levada à praia.
INGREDIENTES
1 melão
1 garrafa de vinho branco seco
INSTRUÇÕES
Corte a parte de cima do melão com cuidado para fazer um tipo de tampa.
Retire as sementes e encha  a fruta com vinho. Sirva depois de bem fresco.
Não esqueça que no dia seguinte, o melão pode ser uma ótima pedida para a sobremesa.

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Saúde e uma ótima passagem de ano.

O primeiro vinho cult do mundo, um escravo rebelde e nossa última história de 2016.

Quem acompanha a gente no Instagram, deve ter notado o nosso interesse pela série Spartacus. Spartacus foi um trácio (a Trácia ficava mais ou menos onde hoje é a Turquia) e de aliado dos romanos ele rapidamente se transformou em escravo deles, gladiador e líder da maior revolta de escravos durante o Império Romano (mais ou menos no ano 73 a.C.).

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A série, que eu assisti no Netflix,  é muito interessante para quem gosta de história, pois mostra vários elementos da vida romana na época. Um deles, é claro, é o vinho. Todo mundo sabe que os gregos trouxeram as videiras para a Itália e gostaram tanto do vinho resultante que chamaram esta terra de Enotria (terra das vinhas). Não demorou para que os romanos também adorassem seu vinho e o consumissem frequentemente.

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Os romanos achavam que deviam “popularizar” o consumo de vinho. Por isso, incentivavam o populacho a consumi-lo. Por exemplo, os escravos bebiam a  lora, feita com a imersão do mosto das uvas prensadas 2 vezes em água por um dia e então prensada uma terceira vez. O exército romano bebia a posca, uma mistura de água e um vinho quase tão ácido como o vinagre que fazia parte de sua ração, já que possuía níveis de álcool mais baixos. Não era à toa que o vinho era misturado à água do mar, mel, especiarias e ervas. O vinho do povão era feito com uvas tintas, pois a nobreza romana bebia vinho branco. E adorava o vinho de Falerno.

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O vinho de Falerno era produzido com uvas Aglianico (e possivelmente Greco também ) nas colinas do Monte Falernus, perto da fronteira do Lácio e da Campânia, onde se tornou o vinho mais famoso produzido na Roma antiga. Considerado o primeiro “vinho cult”, foi frequentemente mencionado na literatura romana, mas desde então desapareceu. Havia 3 vinhedos (ou denominações) reconhecidos pelos romanos: Caucinian Falernian das vinhas nas encostas mais altas do Monte Falernus; Faustian Falernian, o mais famoso, da terra nas inclinações centrais que correspondem às áreas montanhosas atuais da cidade de Falciano del Massico e Carinola di Casanova, propriedade de Fausto, filho do ditador romano Sila.

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O Falerno era um vinho branco com um índice relativamente alto do álcool, possivelmente  15%, por isso frequentemente pegava fogo se aproximada à chama de uma vela. O vinho era produzido a partir de uvas colhidas tardiamente após um breve congelamento ou uma série de geadas, era envelhecido por 15 a 20 anos em ânforas de argila e por isso possuía uma cor âmbar quase castanho escuro. Havia 3 variedades: Seco (Latino austerum), doce (Dulce) e leve (Tenue).

A qualidade e preço diferente para os vinhos romanos fica clara nesta antiga inscrição encontrada numa parede em ruínas de um bar em Pompéia.

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Invicto Castrense que seus 3 deuses sejam favoráveis e assim também seja para o leitor.

Viva Edoné! Boa saúde para o leitor.

Edoné diz:

Aqui você bebe por 1. Mas se você me der 2, você vai beber vinhos melhores e se você me der 4, eu vou fazer você beber um Falerno.

Vida longa a Castrense.

Exatamente, para os romanos, o vinho nobre era o branco. Muita gente tem reservas com este tipo de vinho, mas eu proponho que em nosso verão de 42 graus, você se abra e prove o vinho branco, seja o tranquilo, o espumante e inclusive o vinho verde português. Atreva-se a combiná-lo com nosso pratos de fim de ano: salmão, bacalhau, pernil, peru e claro o nosso tradicional churrasco do dia 1º. Tudo depende do grau de doçura e açúcar para combinar bem.

Provavelmente este será nosso último post em 2016, já que estamos na praia curtindo a preguiça de final de ano. Um maravilhoso 2017 com mais histórias e vinhos!

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10 presentes para você NÃO dar para seu amigo enófilo neste Natal

Então é Natal. Em épocas de crise a gente se vê forçado a usar a imaginação, sabe o ditado chatinho: na crise, crie. Aham, então tá.

Mas você tem aquela amiga(o) fanática(o) por vinho, quer agradar, não sabe como escolher um presente para ela/ele que não seja o Chatô Carô e se vê forçado a escolher uma lembrancinha criativa, talvez algo que você mesmo possa fazer?! Pode ser uma alternativa, porém não caia nas seguintes tentações:

1) Garrafa de vinho disfarçada de abacaxi.

Olha só o tempo que você vai gastar para fazer esta tralha, fora que vai danificar o chocolate com a cola quente. De quebra ainda vai acabar desmontando a coisa inteira no caminho. Tudo isto para cobrir uma garrafa e um rótulo que são por si só um ótimo presente.

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2) Roupinha para garrafa de vinho.

Um caso semelhante ao anterior, menos trabalhoso já que acho que dá para comprar pronta. Porém igualmente ridículo. Seu amigo quer colocar roupinha em algo? Adote um animalzinho ou compre uma boneca…

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3) Cinta para segurar copo de vinho.

Muito útil quando você é um profissional do vinho e precisa degustar, cuspir, fazer anotações, cumprimentar produtores e vendedores e ao contrário do polvo possui apenas 2 braços. Se não é caso da presenteada, você concordaria comigo que irá ser um tanto estranho quando toda a família andar pela casa com um raio de uma taça pendurada no pescoço. Sei lá. Só acho.

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4) Garrafa + taça de vinho.

Adoro as duas, mas quando você as junta num mesmo objeto é sinal que está bebendo no gargalo mesmo. A presença da taça ali não disfarça nada, ok? Sugira ao presenteado uma consulta com um bom médico quando ele chegar neste ponto. Será um presente muito mais útil.

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5) Xícara de café para vinho.

Nada contra tomar vinho seja onde for, aliás muito produtores franceses provam seus vinhos em xícaras quando trabalhando na adega. No entanto, este caso é muito parecido com o anterior. Quando você precisa disfarça vinho numa xícara, já era. Troque igualmente pelo presente anterior.

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6) Meia de Natal pedindo vinho para os moradores do lar.

Digo moradores do lar porque acho que a família deste ser já se mandou. Pinguça, folgada e não muito educada, já tá demais. Evite o divórcio de quem você quer bem e escolha outra coisa.

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7) Acessórios para vinho com cunho sexual. 

No caso temos 3 exemplos: um abridor, uma tampa para garrafas que ajuda a conservar o vinho e um porta garrafa. Nem vou entrar em muitos detalhes, apenas peço que imagine aquele clima felizão de Natal, família toda reunida e a doce vovozinha vai pegar o vinho, o abridor ou a tampa na cozinha. E apesar do que diz a legenda, não é sexy. Acredite.

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8) Meia de Natal para colocar vinho dentro.

Por que? Só pergunto porque? Expõe o vinho à oxigenação, põe o coitadinho em contato com plástico (horror, ó horror) e vai expor os convidados de quem usar este treco a um tremendo perrengue na hora de se servir. Tenho pena dos tapetes. Então, leva a garrafa mesmo, tá?

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9) Roupa porta garrafa. 

Disponível na versão inverno se o presenteado está em algum lugar onde está frio nesta época e também no modelito verão, caso dos habitantes do nosso amado país tropical. Seja como for, quando alguém precisa guardar a garrafa dentro da própria roupa é hora de ter uma conversa muito séria com a pobre criatura.

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10) Sutiã com canudo para vinho.

Nem sei o que dizer. Vai servir a família com este treco? Tomar sozinha? Bizarro? Assustador? Pervertido? Arrepiante? Asqueroso? Tantas perguntas. Uma resposta: Não. Não mesmo. Em hipótese alguma.

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Se você quer boas dicas de presentes para enófilos, procure aqui Acessórios especiais e úteis para quem ama vinho ou aqui Quiosque da Eu Levo Vinho

Hohoho!

Quando criatividade e marketing perdem a chance de achar mais o que fazer….

Lembra de quando preparamos um artigo sobre os acessórios para vinho mais interessantes para você ter? Então, olha ele aqui: 8 Acessórios Especiais e Úteis para Quem Ama Vinho  Continuamos ligados nas tendências e acabamos de perceber que uns memes de internet acabam de virar realidade.

Aquele que diz: Foi uma semana daquelas, preciso de 1 copo de vinho kkkkkkk.

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Ou ainda o outro: Os médicos recomendam 1 copo de vinho por dia, invariavelmente seguido pelo kkkkkkk.

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Memes, kkkkks e brincadeiras à parte, uma empresa americana realmente lançou um artigo especialmente desenhado para quem não quer se dar ao trabalho nem de colocar vinho no copo. O artefato em questão se chama Guzzle Buddy e consiste basicamente num copo que você atarraxa na sua garrafa de vinho.

 

 

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Segundo o fabricante, o artefato foi projetado para evitar derrames e “fazer o vinho mais fácil de beber”. Até parece que beber vinho é um trabalhão… A sugestão é dá-lo a enófilos como presentinho em casamento, despedida de solteiro(a), inauguração de lares, aniversários, etc.

Como era de se esperar o mimo tomou conta das redes sociais e até apareceu numa série de televisão americana, o Cougar Town, protagonizada pela atriz Courtney Cox (a Mônica do Friends), hoje uma senhora de meia idade que nesta série, entre uma desventura e outra afoga as lágrimas com vinho. Com todo este barulho, este promete ser um dos presentes mais desejados do Natal 2016.

O fabricante também afirma que o produto é original. Disto não temos dúvidas. E que também é engraçado e divertido. Bom aí, nos unimos à Organização Mundial de Saúde e lembramos que o consumo excessivo de álcool não é aconselhável. E para termos uma idéia clara sobre o que estamos falando, uma garrafa de vinho contém 10 unidades de álcool, o máximo semanal recomendado para as mulheres é de 14 unidades, e para os homens é 22. Ou seja, beber a dose semanal numa golada só é altamente desaconselhável.

Taí um acessório que achamos que você NÃO precisa. Mas se quiser comprar ou ganhar, use com muita parcimônia. Fica a dica. 

 

Dia 1 – A emoção da chegada.

Nosso grupo de visita eno-gastronômico e histórico-cultural chegou. Um nome grande para coisas simples como devorar a tradicional comida portuguesa, beber seu delicioso vinho e conhecer tesouros antigos e escondidos que só mesmo os locais conhecem e compartilham com o carinho do povo da aldeia.

Para isso, recebemos nossos convidados com um delicioso almoço na Casa Aleixo no Porto e fomos direto ao Hotel Palácio do Bussaco para conhecer um pouco da história, ver de perto um dos mais belos monumentos deste país e brindar com um tradicional espumante da região a chegada de novos amigos.

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Depois, já em casa, foi hora de relaxar e conhecer o que atraiu todos até aqui: a adega do Há Pão.

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Final perfeito para um dia corrido, mas muito legal.

BiBs. 4 razões porque eles são bem legais.

Semana passada falamos sobre como conservar seu vinho de maneira a preservar da melhor maneira possível suas características no 4 Erros ao Armazenar seu Vinho Aberto.

E não é que de todas as pessoas, justo a Rô teve uma duvida sobre o seu consumo? Explico porque estou perplexa: porque a Rô além de ser minha irmã é uma grande enófila, assim como meu cunhado. Depois fiquei pensando, será que muita gente tem a mesma dúvida da Rô? Então aqui vai a resposta.

Obviamente os vinhos em garrafa contém toda tradição, ritual e charme que o caracteriza há décadas. E tem que ser assim para vinhos premium e super premium, cujo preço é bem mais alto porque são elaborados de maneira mais custosa do que os vinhos do dia-a-dia. Porém, veja bem, o Bib (Bag in Box, uma caixinha como esta aí em cima) permite que você:

  1. beba seu vinho com moderação. Eles têm entre 3 e 5 litros, então não tem aquela história de “não vou deixar só este golinho” e tomar a garrafa toda.
  2. economize. O litro do vinho em BiB custa cerca de 30% menos do que o vinho em garrafa.
  3. proteja a natureza. Os Bibs são mais baratos e fáceis de transportar e sua matéria-prima é mais fácil de reciclar que o vidro.
  4.  E óbvio, graças à tecnologia do Bag-in-Box, quando você se serve, o ar não é capaz de entrar. Isso significa que cada taça retirada da caixa é praticamente uma garrafa recém-aberta.

Aí vem a pergunta do milhão: como saber se um BiB é bom? Resposta simples: provando o vinho dentro dele. Uma boa idéia é escolher um vinho de uma garrafa que você provou e se gostar, leve um BiB para casa.

Eu tenho um exemplo bem prático sobre isto. Provei estes dias o Vinho Arbo Cabernet Sauvignon produzido pela Casa Perini no Vale Trentino no Berço da Imigração Italiana (Caxias do Sul / Serra Gaúcha), ou seja uma região respeitada pela qualidade de seus vinhos e uma das maiores vinícolas do país.

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Este é um vinho simples, jovem, sem compromisso com o envelhecimento. Mostra uma linda cor vermelho-rubi e tanto no nariz quanto na boca entrega uma fruta madura muito saborosa.Vai arrasar com sua pizza, com uma boa macarronada e enfrenta sem medo um bife de picanha.

Tem graduação alcoólica de 11,5%, o que um dos indícios que seja realmente um Cabernet mais leve, para ser consumido jovem.

De novo e sempre, este blog é independente. A defesa do Bib é pelo meio-ambiente que deixaremos para nossos filhos e a Casa Perini um dentre centenas de exemplos. E agora, está mais confiante em provar um BiB?

 

 

 

8 Acessórios Especiais (e úteis) para Quem Ama Vinho

Quando começamos a beber vinho, tudo o que precisamos é uma garrafa cheia deste líquido precioso, algo para abrí-la e um copo.  Ao longo do tempo é provável que nosso gosto pelo vinho fique mais sofisticado e com ele nossa necessidade de acessórios para desfrutá-lo. Alguns destes itens vão melhorar a experiência de beber vinho. Sim, ela pode realmente ficar melhor. Vamos por ordem de importância e utilidade.

1. Sacolinha apropriada para transportar vinho

Começando do princípio: tenha uma sacolinha específica para carregar suas garrafas de vinho. Você pode usar a sacolinha para levar vinho às festas com seus amigos ou ao nas compras de reabastecimento da adega. Pense bem, a maioria dos supermercados dá sacolas de papelão na compra de vinhos ou coloca umas redes de um material que obviamente representa um risco ao meio ambiente. Por favor, use sempre sua sacolinha, seja para 2, 4 ou 12 garrafas, que é super útil no caso de viagens e protege o meio ambiente.

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2. Saca-Rolhas

Dahhnnn, jura? Juro. Deixa este negócio de abrir vinho com sapato e maçarico para youtubers sem amor ao vinho e aos próprios dedos. Existem dezenas de modelos de saca-rolhas, só eu tenho 3 tipos em casa. Um que ganhamos de presente e é muito sofisticado, o outro que está no logotipo da Eu levo Vinho, o de 2 bracinhos e que provavelmente você tem em casa (mas com este você precisará de um corta cápsula)  e o profissional ou de garçom como é conhecido. Este é o que recomendamos, depois que você pega o jeito ele é mais simples, rápido e dá a oportunidade de você se exibir para a família e amigos.

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3. Termômetro

Um basicão, deste de encaixar na garrafa já completa o serviço para você. A utilidade dele é esclarecer aquela dúvida que temos quando o vinho ainda está “fechado”, ou seja você não sente gosto nem cheiro de nada. Isso pode se dever à temperatura errada ou porque ele é ruim mesmo.

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4. Uma “manga” para manter a temperatura dos vinhos.

Este é um elemento essencial, prático e barato para os amantes de vinho branco e espumantes (embora possa ser muito útil para os tintos em algumas partes do Brasil).

A manga é mantida na geladeira (no congelador, ela resseca e pode estragar) e você usa na hora que precisar. É muito mais barata e prática que várias opções de manter a temperatura do seu vinho. O balde de gelo destrói o rótulo e encharca tudo ao seu redor. Os coolers realmente bons são difíceis de encontrar, alguns são ruidosos ou não mantém a temperatura correta, além de serem comparativamente caros.

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5. Corta gotas

Não é apenas uma afetação, não. Quem serve muito vinho para os amigos, sabe bem como é difícil para encher taças e taças e evitar que as irritantes e no caso dos profissionais, humilhantes, gotas caiam em toalhas de mesa ou pior, na pessoa que está sendo servida. Eles têm vários formatos: pequenos discos descartáveis (ou não) de alumínio maleável e bicos de acrílico. Os dois vão deixar você fazer bonito.

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6. Uma tampa substituta para o vinho

Você retirou a rolha da garrafa, curtiu seu vinho, mas ainda tem metade para ser bebida em outra ocasião. Uma coisa é certa, se você não fechar a garrafa direito, você vai perder seu líquido. Então você busca a rolha e descobre que ela dilatou tanto que se recusa a regressar à garrafa ou pior, algum obsessivo por limpeza já jogou a rolha fora. Que fazer? Tenha sempre à mão um veda garrafas. De novo, existem inúmeros. Estes de metal, me deixam com a pulga atrás da orelha porque nunca se sabe a qualidade deles… A última coisa que queremos é consumir alumínio com nosso sagrado néctar. Existem os de rolha mesmo, mas que podem não vedar tão bem e os meus preferidos os de plásticos que são super difíceis de achar. Eles servem até para espumante, que vale dizer têm um substituto de tampa próprio que é difícil encaixar em todas as garrafas.

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7. Adega

Nada mais vai garantir que seus vinho envelheçam saudavelmente como uma boa adega. Ahhh, mas eu já tenho uma geladeira… Na adega não há aromas fortes que podem contaminar o vinho, nem alimentos ou outras bebidas que podem respingar sobre as garrafas e a temperatura não é a de serviço, a não ser no caso dos espumantes. Mas até que vale, pois mantêm as garrafas longe da luz, do calor e na horizontal.

8. Decanter

Raramente um vinho tem de ser decantado, mas alguns (incluindo vinhos brancos) podem beneficiar-se do procedimento.  A idéia é expor a maior superfície possível do vinho ao oxigênio, principalmente vinhos com uns 10 anos ou mais para que seus aromas e sabores se soltem com mais facilidade. Não se entusiasme e lembre da “falsiane”, o melhor amigo do vinho pode ser seu maior inimigo e você vai terminar com um horrível vinho oxidado mas mãos. Muita atenção, foco, calma e cuidado devem dar conta do recado. Isso sem contar que decanters são super charmoso e te fazem parecem muito descolado.

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A lista de brinquedos pode seguir em frente:

. marcador de taças que na verdade acho bem útil em reuniões, porque na segunda taça, por aqui ninguém mais lembra onde pôs o copo. Afffff

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. aerador. Faz exatamente o mesmo trabalho que o decanter, mas não detém as borras (sedimentos sólidos) comuns em vinhos mais velhos, portanto seria para “decantar” vinhos mais jovens. Não é tão descolado quanto o decanter, mas é bem bacana. O exemplo abaixo é de um aerador com filtro tipo peneira.

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. caderninho para anotações de degustação. Se não tiver, não ha problema, a Moleskine oferece um modelinho no seu site e em português.

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. Taças e mais taças.

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. garrafa pequena para armazenar vinhos sem deixar tanto ar como numa garrafa grande, mas cuidado, não vai esquecer de anotar o que tem dentro…

. Guia Básico de Vinho para consultar rapidinho e saber mais sobre a região ou uva que você está curtindo.

. tastevin que faz qualquer um parecer profissional.

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. etiquetas com notas sobre o vinho.

. sabre para abrir espumantes, mas por favor certifique-se de aprender com um profissional porque isso pode ser mesmo perigoso.

Viu como tem cacareco? Agora cabe a você, selecionar com cuidado o que realmente serve ou não no seu dia-a-dia.