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10 de junho – Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas / June 10 – Day of Portugal, Camões and Portuguese Communities

 

10 de Junho – O Dia de Portugal.

Hoje comemoramos uma série de datas especiais: a morte de Luís de Camões, o dia do Anjo da Guarda de Portugal e das Comunidades Portuguesas ao redor do mundo.

Este é também o dia da Língua Portuguesa, do cidadão nacional e das Forças Armadas.

Para celebrar é muito simples: brinde com um bom vinho português esta terra M E R Ã V I L H O S A.

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June 10 – The Day of Portugal.

Today we celebrate a series of special dates: the death of Luís de Camões, the day of the Guardian Angel of Portugal and the Portuguese Communities around the world.

This is also the day of the Portuguese language, the national citizen and the Armed Forces.

The celetration  is very simple: toast with a good Portuguese wine to this W O N D E R F U L country.

Mais uma boa dica de vinho verde, também depois de tanto falar do Minho!

Já falamos muito sobre o Minho e temos um monte de razões para isso:

  • é uma região linda;
  • produz um vinho único e exclusivo, o vinho verde;
  • normalmente o vinho verde tem um preço mais acessível;
  • é muito leve e refrescante para o nosso clima;
  • combina muito com a nossa gastronomia conforme falamos no nosso post Você conhece vinho verde.
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Vinhas típicas do Minho.

Já contamos sobre a Sug-região de Monção e Melgaço que é o terroir onde a casta Alvarinho apresenta sua melhores características mais acentuadamente, mas não podemos esquecer que a região demarcada dos vinhos verdes é considerada a maior região de Portugal e uma das maiores regiões demarcadas do mundo, essencialmente devido à extensão da sua área e por isso existe uma grande variedade de bons vinhos verdes de outras sub-regiões. Saiba mais no site da COMISSÃO DE VITICULTURA DA REGIÃO DOS VINHOS VERDES.

Outra característica marcante da Região dos Vinhos Verdes é a produção dispersa por inúmeras propriedades agrícolas de pequena dimensão, geralmente pertencentes a famílias. O início do movimento cooperativo remonta à década de 50 justamente como resposta à necessidade de unir os milhares de pequenos e médios produtores de Vinho Verde para que pudessem obter escala na vinificação, comercialização e distribuição.

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Cultivo antigo e tradicional de vinhas no Minho.
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Vinhas “de Enforcado”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É o caso da Vercoope, situada pertinho do Porto, em Agrela/ Santo-Tirso fundada em 1964. A Vercoope é uma cooperativa de Adegas Associadas: Amarante, Braga, Guimarães, Famalicão, Felgueiras, Paredes e Vale de Cambra. É a união de cerca de 5.000 viticultores, resultando numa incrível variedade de marcas e vinhos de perfis diferentes.

Dentre as várias marcas da Vercoope no Brasil, encontramos a Adega de Braga, vinho verde das Sub-regiões do Cávado e Sousa, exclusiva de nossos amigos da Casa Palla. São 3 variedades:
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  1. O branco é um corte das castas: Arinto, Loureiro e Trajadura com notas de frutos cítricos, maçã verde e pêra fresca. Recomendo com um bom sushi.
  2. O da casta Loureiro apresenta aromas de maçã verde e abacaxi e na boca também entrega notas cítricas. Neste vou ousar e recomendar com um churrasco. Sim! Cai bem com linguiça, frango e costelinha suína na brasa. Prove e me conte.
  3. O rosé é da casta Espadeiro com notas de morango e framboesa. Leve e refrescante, recomendo como aperitivo.

Gosto de dizer sempre que somos independentes, mas a Casa Palla além de ser nosso cliente, são gente muito boa e praticam preços que valem a pena conhecer. Fica a dica.

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A Monção de uma brava heroína e sua história centenária

Anteriormente, falamos de Melgaço, uma das vilas que junto com Monção compõe a Região Demarcada dos Vinhos Verdes, uma das regiões vitícolas mais antigas de Portugal. Monção compartilha da magnífica beleza do anfiteatro natural que caracterizamos quando falamos de Melgaço.

As 2 vilas têm mais de 700 anos de história possuindo belos castelos, o Castelo de Melgaço que já vimos e o Castelo de Melgaço. Ambos defenderam este território fronteiriço desde a conquista da independência portuguesa.

Assim como Melgaço, Monção pertence ao Distrito de Viana do Castelo e tem cerca de 2.500 habitantes. O município é limitado a norte por Salvaterra do Minho e Arbo, ambas em Galicia e a leste por Melgaço.

Outro fato que compartilham é o terroir perfeito para o cultivo da Alvarinho. Aliás, o reconhecimento da qualidade do vinho de Monção e Melgaço vem do século XIV. Nessa época, o vinho desta região era extremamente procurado pelos ingleses que o trocavam por bacalhau.

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A beleza das águas do rio Minho.

Durante as guerras fernandinas (entre D. Fernando, rei de Portugal e D. Henrique de Castela, no séc. XIV) Castela impôs um duro cerco à vila de Monção. O cerco já durava muito tempo e a situação começou a ficar complicada dentro das muralhas. Foi aí que Deu-la-deu Martins, esposa do alcaide local, agiu. Mandou recolher a pouca farinha que restava e com ela fazer pães. Com os pães já cozidos nas mãos, a corajosa Deu-la-deu subiu à muralha e atirou-os gritando: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”. O blefe funcionou, o inimigo acreditou que ainda havia muita fartura dentro das muralhas, levantou o cerco e se mandou. Foi assim que a corajosa Deu-la-deu salvou a cidade e ficou, para sempre, ligada à história de Monção.Mas estes tempos vão longe e hoje a fartura marca a gastronomia desta região.

Além da gastronomia, da beleza natural, e do deliciosos Alvarinho, aliás um dos meus preferidos se chama justamente Deu-la-deu, Monção conta com um recanto muito especial para quem quer se hospedar por lá ou a caminho de Santiago de Compostela: o Solar de Serrade. Esta casa armoriada de meados do século XVII, de arquitetura típica solarenga altominhota parou no tempo. Tudo remonta a séculos anteriores, desde o interior até a capela e o jardim romântico.

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O morgado de Serrade foi instituído pelo Padre Dr. Belchior Barbosa e os seus sucessores foram personalidades importantes que andaram por Moçambique e pelas Índias. A imponência do Solar já diz tudo.

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Em 1801, o Solar chegou a abrigar o Quartel General das forças de vigilância de fronteira, sob o comando do Marquês de la Rosière e desde então, tem recebido a visita de diversas personalidades.

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Tetos tradicionais em masseira e salões com lareira, são um convite à tranquilidade e ao lazer. Tudo está arrumado para quem você se sinta em casa e não um hóspede.


O Solar de Serrade é um bom exemplo da recuperação do património arquitetônico da região Altominhota. Os quartos são um capitulo a parte, desde as namoradeiras nas janelas, banheiras antigas e inclusive… penico! E ao contrário de alguns hotéis deste gênero, este tem um  preço bem acessível.

O Solar produz um delicioso Alvarinho que apesar da produção relativamente pequena, segue até para exportação devido à reconhecida qualidade.

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Estando por estas bandas, não deixe de conhecer o imponente Palácio da Brejoeira, suas vinhas bosques e jardins, localizado só a 6 quilômetros a sul de Monção. O Palácio foi erguido nos primeiros anos do século XIX, tendo as obras se prolongado até 1834. Incrivelmente, não pertenceu a ninguém da nobreza. Dá para acreditar?

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Espero que tenham gostado e até o próximo post.

Fontes: Solar de SerradeRota do Vinho Verde

A beleza tranquila de Melgaço e um Alvarinho muito diferente

Adoro o norte de Portugal. Além das raízes de parte da família, o Minho, região que faz fronteira com a Espanha, é terra de gente amável, de paisagens verdejantes e da magnífica Alvarinho. E foi ali, no distrito de Viana do Castelo, que fui buscar Melgaço, uma vila de cerca de 1.500 habitantes, limitada a norte e leste pela Espanha e a oeste por outra jóia do Minho, a vila de Monção. É claro que o GPS aprontou das suas e eu acabei numa estradinha minúscula. Na Espanha!

Parece que este é o melhor caminho mesmo, mas com os mapas velhos do GPS e já bem dentro da Espanha, não consegui ativar o Waze que funciona com operadora de Portugal para checar o caminho. Então o jeito foi ir em frente. Normalmente eu não gosto de dirigir, mas confesso que esta paisagem é tão bonita que eu até curti.

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Lindas paisagens pontuadas pelos típicos espigueiros.

Foi assim que Melgaço se revelou: como uma verdadeira rainha da beleza minhota, desfilando numa espécie de palco, cercada por montanhas que deslumbram e que parecem formar uma platéia de onde se pode em troca, contemplar o charme ancestral da cidadezinha.

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Cheguei por lá na hora do almoço e minha reunião só estava agendada para a tarde. Um momento tranquilo, numa vila já muito tranquila. Aproveitei para almoçar no parque, percorrer as ruelas e visitar os principais pontos turísticos. Veja só minhas companhias…

 

Hora do almoço + cidade pequena = tudo fechado. Gostaria de ter visitado o Solar do Alvarinho, mas não foi possível. É uma construção linda e vai ficar para a próxima com certeza. Veja por você mesmo: Solar do Alvarinho – Melgaço

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Outra visita que vale a pena são as 2 igrejas. Tudo muito pertinho num percurso que você faz a pé. Bem rapidinho, mas deixe tempo para desfrutar da beleza exterior e interior.

Outro ponto de visita imperdível é o Castelo de Melgaço, principal ponto de defesa fronteiriça do Alto Minho no século XII, localizado quase às margens do rio Minho cujas ruínas vigiam até os dias de hoje a travessia para a Galícia.

 

Mas já era hora de interromper o passeio e trabalhar. Então, rumei para a Soalheiro.

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A Quinta de Soalheiro está localizada bem pertinho do centro de Melgaço e também desfruta da beleza privilegiada da região, cercada por um conjunto de serras que além do visual fantástico, criam as condições de pluviosidade, temperatura e horas de sol necessárias à melhor maturação das uvas da casta Alvarinho. Este incrível terroir foi cuidadosamente composto pela natureza assim:

  • pluviosidade: regulada pelo Rio Minho que separa Portugal de Espanha.
  • temperatura: as colinas proporcionam as encostas que protegem e aquecem o vale, barrando o frio do norte ou do Oceano.

Esta peculiaridade se estende à cidade de Monção logo ali ao lado e o perfil do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço é reconhecidamente diferente. Aqui, apesar das condições favoráveis ao desenvolvimento de todo o potencial da Alvarinho, o custo de produção é bastante alto e o quilo da uva custa em média o triplo do que se paga no resto da região, devido às características do relevo e ao tamanho das propriedade.

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Mas voltando à Soalheiro, a quinta foi plantada em 1774 por João António Cerdeira que lançou em 1982, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço, a Soalheiro. Hoje, uma área significativa das vinhas se encontra em produção biológica, promovendo a biodiversidade da fauna e flora local. É exclusivamente destas vinhas que nascem as uvas que vão dar origem ao Soalheiro Primeiras Vinhas e ao Soalheiro Reserva.

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Uma característica interessante da Soalheiro é a maneira como utilizam a madeira em seus vinhos. Como exercício de degustação, é super legal perceber como um vinho branco, em especial feito de uva Alvarinho pode manter sua fruta e frescor e crescer com o uso da madeira. Este é um trabalho feito por poucos, pois qualquer equívoco pode arruinar o vinho e produzir algo parecido com “chá de madeira”. Na região do Minho existem apenas 3 ou 4 produtores que usam madeira com a devida maestria.

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Outros 2 vinhos que você não pode perder são os espumantes Rosé (feito com Alvarilhão e Touriga Nacional) e o de Alvarinho.

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Acho que são importados pela Mistral, e lembrando sempre que este blog é independente, convido vocês a conhecerem os vinhos da Soalheiro que vão proporcionar uma experiência fantástica e bem distinta quando você pensar em vinhos verde. Saúde!

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Casa de Mouraz, mergulhe numa explosão da natureza do Dão em cada garrafa

No mês de junho tive a oportunidade de desvendar mais um segredo vinícola do Dão, a Casa de Mouraz, localizada em Mouraz, uma das mais antigas aldeias de Portugal, já que o país nasceu oficialmente no século XII e Mouraz existe desde o século X. Mouraz é parte do concelho de Tondela, meia hora distante de Viseu, o coração administrativo desta região. Fui recebida pelo António Lopes Ribeiro que é advogado por profissão, mas que largou o Direito para cuidar de uma editora em Lisboa e lá conheceu a Sara Dionísio com quem criou 2 parcerias: a da vida pessoal e a de adotar técnicas pioneiras na prática de agricultura biológica nas vinhas que pertencem à sua família há muitas gerações. Se você der uma olhadinha aí embaixo, vai ficar na cara porque.

Seja Bem-vindo!
Seja Bem-vindo!
A Casa é sua.
A Casa é sua.

 

 

 

 

 

Desde que começaram a cuidar das terras da família na década de 90, António e Sara decidiram mudar a maneira como as vinhas eram tratadas.  Munidos de dedicação, paciência e persistência que só os visionários possuem, trabalharam árduos 3 anos somente para a conversão da agricultura tradicional para a orgânica. Isso acontece porque com a utilização de químicos sintéticos, não se cura a origem da doença, apenas a controlamos, enquanto isso a terra enfraquece e “vicia” nestas substâncias, afetando seu sistema imunológico e perdendo sua energia natural. Aí toca estimular e esperar a natureza. Não sou médica, mas acredito que isso ocorra também conosco e com o uso continuo de certas medicações. Mas vamos juntos descobrindo mais sobre o assunto. Não esqueça que já abordamos o tema em Tudo o que Você Precisa Saber sobre Vinhos Orgânicos e Biodinâmicos

Alho selvagem, essencial para o equilíbrio da flora. Protege a vinha!
Alho selvagem, essencial para o equilíbrio da flora. Protege a vinha!

Os frutos desta dedicação não demoraram a aparecer e em 1996 a vinícola foi certificada pela Ecocert. As adubações dos solos são feitas com base em sementeiras de plantas, especialmente as leguminosas que fixam o azoto e adubos orgânicos. Os tratamentos baseiam-se na utilização de cobre, enxofre, algas marinhas, argila, infusões de plantas e outros produtos naturais. No final de 2006 iniciou-se também o trabalho em biodinâmica.

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A forração vegetal entre fileiras de vinhas tem o seu papel.
Repare que não há combate a "ervas daninhas".
Repare que não há combate a “ervas daninhas”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A propriedade da Casa de Mouraz, na verdade não é uma só, ela é composta por várias vinhas separadas, como uma linda colcha de retalhos de diferentes solos, altitudes e vegetação. Algumas vinhas velhas com mais de 80 anos e outras vinhas recém-plantadas dividem a paisagem com a floresta de pinheiros, carvalhos, castanheiros e sobreiros. Nos solos os granitos típicos do Dão e as argilas variam em altitudes entre os 140 e 400 metros. Na adega as vinificações são feitas do modo tradicional português, por vinhas e não por castas, com o objetivo de manter-se fiel à essência de cada terroir.

Penedos e pinheiros. Estamos no Dão!
Penedos e pinheiros.
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Estamos no Dão!

 

 

 

 

 

Esta é uma das bandeiras de António & Sara: a biodiversidade. Em sua colcha de solos, micro-climas e vegetação, eles cultivam castas como a tradicional Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen, Água-Santa, Baga, Tinta-Roriz,  Malvasia-Fina, Bical, Cerceal-Branco e Encruzado. E como Portugal tem mais de 250 castas autóctones, todas ainda utilizadas e eu adoro brincar de bingo de castas, pelos vinhedos de Mouraz eu aprendi mais 2:

  1. Alvadurão também conhecida como Siria e;
  2. Esgana Cão também conhecida como Uva Cão;
  3. A elegante Touriga é conhecida como Tourigo na região entre as cidades de Mortágua e de Tondela e durante muitas décadas foi improdutiva por não se adaptar ao mercado. Hoje é a queridinha de Portugal. O mundo dá voltas até para as uvas, né?!
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A biodiversidade é tanta que até lagostim na piscina de água absolutamente pura, aparece para uma visitinha.

E a diversidade reflete-se na personalidade, complexidade e carácter único dos vinhos por eles produzidos. Esquece esta história de vinho orgânico com gosto esquisito. Aqui a pureza da natureza traz aromas e sabores elegantemente engarrafados para você. O respeito à natureza é uma convicção!

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Este é o António e o carinho que ele tem com seu vinhedo.
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Olha essa belezinha antiga ornada de beleza e frutos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 2009 a Casa de Mouraz passou a ser a única vinícola portuguesa a integrar o prestigiado grupo de produtores biodinâmicos La Renaissance dês Appellations, também conhecido, em inglês como Return to Terroir. Um grupo que propõe um sistema de avaliação que não está baseado em termos de “bio ” ou  “não bio”, mas em ações que permitem que uma denominação de origem se expresse naturalmente. Assim, com cada grupo de ação adotado, pode-se ir de 1 a 3 estrelas “verdes”,  o que incentiva o produtor a fazer o seu melhor e informa o consumidor sobre o que foi ou não efeito no vinhedo ou e adega.

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Agora me diga, esta é uma planta saudável ou não?
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Já pensou se tudo o que comêssemos fosse saudável e absolutamente natural assim?

Hoje, encontramos os vinhos da Casa de Mouraz não só em Portugal, mas em mais 18 países como Inglaterra, Alemanha, Brasil, EUA e até nas feras da produção de vinhos França e Espanha.

Banquinho estratégico perto das vinhas e do rio que banha a propriedade. Propício para um momento com a natureza.
Banquinho estratégico perto das vinhas e do rio que banha a propriedade. Propício para um momento a sós com a natureza.

Não é a toa que em 2014, a Casa de Mouraz foi eleita 1 das 12 vinícolas nas quais ficar de olho pela revista americana Wine & Spirits 12 Wineries to Watch.

E como sempre, depois do nosso papo, vamos aos vinhos.

Um tanto inquieto, o António decidiu que após o pioneirismo em sua terra Natal, ele devia se aventurar pelos tradicionalíssimos Douro & Alentejo e pela região do Minho para fazer vinho verde orgânico.

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Os vinhos do Douro e Alentejo.
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A linha Caruma, também do Dão.

 

 

 

 

 

  • Air

Um Loureiro (80%) com toques de Arinto (10%) e Trajadura (10%), fermentação natural a temperaturas muito baixas.  Nesta mini vertical, degustei as safras de 2014, 2013 e 2011.

O 2014 mostrou-se leve, com um pouco de açúcar residual e muito frescor;

Já o 2013 é mais untuoso e menos ácido.

O 2011 era logicamente mais evoluído, com deliciosos aromas de mel e boca com notas peroladas. Ainda mais untuoso que o 2013.

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  • Casa de Mouraz 2013

Um floral delicado com notas de flor de laranjeira. É um incrível corte de 9 castas. No rótulo porque na garrafa são 15, mas onde todas se unem para um  delicioso frescor frutado e muito equilibrado.

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  • Casa de Mouraz 2012

Também um incrível corte das mesmas 15 castas, mas se mostrou mais cítrico e fresco.

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  • Casa de Mouraz Encruzado 2013

Novamente me impactou o frescor que aliás é uma característica deste produtor, fruto da altitude do terroir. Vinho muito gastronómico, untuoso e mineral.

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  • Casa de Mouraz Rosé 2014

Ao contrário dos tradicionais claretes produzidos com 85% de uva tinta e 15% de uva branca este Rosé leva só castas tintas e é produzido através de sangria, conferindo-lhe personalidade, um bom corpo, acidez importante com notas de morangos e cerejas delicadas. Amei de paixão.

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  • Casa de Mouraz 2010

Um fantástico corte de castas: Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Alfrocheiro, Jaen, Água-Santa, Tinta-Pinheira e Baga.  Vindas de parcelas com características diferentes. Manja? Não? Então prova. 15% passa em carvalho francês por 8 meses.

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  • Casa de Mouraz Elfa 2010

Museu  a céu aberto. Vinha velha, castas misturadas como manda a boa tradição. 30 castas como Baga, Jaen, Tinta-Pinheira, Alvarelhão, Alfrocheiro e muitas outras, com excepção de Touriga-Nacional (quase inexistente nesta vinha). Milagre!. Tudo vinificado junto misturado. Vinho autêntico e elegante. Sem barrica, faz um estágio de 2 anos em cuba de inox. Harmoniza com fungi.

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  • Casa Mouraz Private Selection 2011

Touriga-Nacional (70%) e castas misturadas de uma vinha velha, como Jaen, Baga, Água Santa, Alfrocheiro, Trincadeira e outras (30%). A fermentação sem engaço decorreu em inox, seguindo-se uma maceração longa. 50% do vinho estagiou em barricas de carvalho francês durante cerca de 1 ano. Presença nacional de Touriga Nacional.

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Lembrando sempre que este blog é independente, deixo vocês com 5 convites:

  1. Visite Tondela que é uma cidade muito fofa no pé da majestosa Serra do Caramulo.DSC00901
  2. Estando lá compre uma bonita Bilha do Segredo e aproveite para tirar um barato de seus amigos, como se pode ver no vídeo.
  3. Conheça a Casa de Mouraz que além de interessante é um terroir deslumbrante.
    Ciclovia que acompanha os vinhedos.
    Ciclovia que acompanha os vinhedos.

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  4. Enquanto estiver por Tondela, não deixe de visitar o Restaurante 3 Pipos. Comida típica portuguesa de comer de joelhos. Chegue apostando nos bolinhos de bacalhau ou nas moelas e depois sofra para decidir-se entre polvo frito com migas ou o cabrito. Ou peça tudo, se acabe de tanto comer e peque pela gula.

 

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Polvo frito com migas.
Moelas.
Moelas.
Cabrito.
Cabrito.

 

 

Aqui no Brasil, a Casa de Mouraz é representada pela Azavini e importada/distribuída pela Vinhos do Mundo. Entre em contato e pergunte pelo seu.

Ahhhh, em São Paulo, você pode provar o seu Casa de Mouraz na Enoteca Saint Vin Saint, especializada em vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais.

Você conhece vinho verde? / Do you know “vinho verde”?

Acha que vinho é tinto? Talvez branco? Puxou no fundo da memória um rosé? Mas saiba que existe vinho verde e é um vinho que tem muito a dizer.
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Ao contrário do que muita gente pensa, o vinho verde não é feito de uvas verdes, principalmente porque vinho (suco de uva alcoólico) é o resultado da fermentação de leveduras (normalmente da própria fruta, localizadas na casca dela) com o açúcar também da própria fruta. E a uva, como qualquer fruta, só contém açúcar quando está madura.
Agora que você já sabe o que o vinho verde não é, vamos saber suas principais características.
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Rótulo de vinho verde, apenas especificando o produtor.
A casa dele é o noroeste de Portugal. É uma região basicamente demarcada pelos rios Minho ao norte (divisa com a Espanha) e um pouco além do Douro ao sul. E que recebe grande influência do Oceano Atlântico ao oeste. Finalmente a leste estão diversas serras, o que dá à região uma aparência de anfiteatro, se você a imaginar da costa para o interior, vista de cima. Uma área, portanto, muito húmida, cercada de água por quase todos os lados. O nome vinho verde vem da paisagem característica desta região: extensas planícies verdejantes com algum relevo diferente ocasional.
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O rio Minho, na fronteira da Espanha com Portugal e a sua paisagem verde exuberante.
Tanto verde acaba por originar muita matéria em decomposição na terra, o que aliado a um solo de granito com um PH baixo por sua vez origina terrenos com caraterísticas muito especiais.
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O solo granítico que aliado ao clima origina um terreno com características muito particulares.
Mas se fosse só isso, seria o vinho branco do norte de Portugal, certo? O que caracteriza o vinho verde, além de ser elaborado nesta região específica de Portugal, com as mencionadas características especiais, é a leveza, o frescor e o menor teor alcoólico. Atenção pessoal da dieta, menos álcool significa menos calorias. Então vale a pena conhecê-lo melhor, por que além de tudo, os vinhos verdes são aromáticos e gastronômicos, reunindo qualidades perfeitas para a nossa culinária e clima.
Detalhe importante: este vinho único no mundo apresenta exemplares brancos (o mais comum por aqui), rosés, tintos e espumantes.
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Exemplo de vinho verde rosé e de vinho verde espumante.
Esta região, acredita-se, foi originalmente ocupada pelos celtas. Fãs de cidra e cerveja, os celtas estavam acostumados com bebidas mais leves e de menor teor alcoólico que os vinhos em geral. Durante a ocupação romana e a introdução da cultura da vinha pelos mesmos, esse estilo de vinho, de maior afinidade com a cerveja, se popularizou. Não se parece com o gosto do brasileiro?
Mas não só com o gosto dos brasileiros. Estes vinhos são os mais exportados de Portugal logo depois do emblemático vinho do Porto. Os países que mais importam vinho verde de Portugal são Estados Unidos, Alemanha e França. Imagine, o país símbolo do vinho, é fã de vinho verde!
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Lindas paisagens verdejantes do noroeste de Portugal.
A uva estrela desta região é a Alvarinho. Originária da Espanha (Albariño), esta casta encontrou nesta região, especificamente na sub-região de Monção e Melaço, as melhores condições para potencializar o que tem de melhor.
Outras castas são a Trajadura, Loureiro e a Arinto, também conhecida como Pedernã.
A casta Alvarinho tem muito aroma e sabor de fruta (pêssego, laranja, maçã verde) e de flor (acácias, flor de laranjeira).
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Cacho de Alvarinho com sua característica “orelinha”.
As uvas Loureiro agregam aromas e sabores similares ao da Alvarinho e um toque herbáceo, de louro.
A Trajadura possui aromas delicados de frutas (maçãs, pêssegos e peras).
A casta Arinto, além de um fundo cítrico, agrega principalmente o maravilhoso frescor que caracteriza o vinho verde e o faz delicioso para acompanhar, mariscos, peixes e carnes brancas.
Normalmente são consumidos jovens (no máximo com 2 ou 3 anos) e entre 8º e 12ºC. Evite servir com molhos cítricos, a base de iogurte ou muito apimentados.
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O serviço do vinho verde utiliza a mesma taça de vinho branco.
Voltando à culinária brasileira, vinho verde combina bem com:
Norte: costela de tambaqui grelhada.
Nordeste: torta e bobó de camarão, casquinha de siri e acarajé. Só evite se o prato for muito picante.
Centro-oeste: sopa paraguaia (bolo típico, feito com queijo minas) e empadão goiano.
Sudeste: lombo assado, cuscuz paulista e leitão à pururuca.
Sul: tainha na telha e galeto grelhado.
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A versatilidade do vinho verde permite combinações com peixe ou carne.
Combina perfeitamente bem com outros pratos como sushi ou sashimi, filé de peixe com molho camarão ou alcaparras, carne seca com purê de abóbora e bisteca de porco.
E é ideal para comida de boteco: bolinho de mandioca, frango a passarinho, coxinha e o meu predileto, pastel de palmito.
Eu sei que estamos acostumados com o Cabernet chileno e o Malbec Argentino, mas com a chegada da primavera, lhes convido a se aventuraram pelo mundo dos vinhos brancos em geral e pelos caminhos florais do vinho verde, em especial. Especialíssimo. E variedade é o que não falta.
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Agradecimento: Eng. Enólogo José Domingues.
Não gosto de dizer quais sensações, aromas e sabores que você vai encontrar no vinho porque essa é uma experiência pessoal, para mim é como contar fim de filme. Deixo uma listinha de 12 preferidos.
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Até R$ 50
1) Casal Garcia (Trajadura, Loureiro, Pedernã e Azal) 2011 no site da Wine a R$ 30
2*) Tapada dos Monges (corte de Arinto, Trajadura e Padernã) 2012 a R$ 37 no Makro
3) Varanda do Conde (Alvarinho e Trajadura) a R$ 42 no Pão de Açucar Delivery.
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4) Muralhas de Monção (Alvarinho e Trajadura) 2012 a R$ 47 no site da Wine.
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Até R$ 100
5) Quinta da Aveleda (Trajadura) a R$ 54 no site da Americanas.
6*) Quinta da Gomariz Grande Escolha (Loureiro) 2012. Encontrei o 2011 a R$ 80 no site da importadora, a Decanter.
7) Deu la Deu (Alvarinho) 2011 a R$ 91 no site da wine.
8*) Portal do Fidalgo (Alvarinho) a R$ 95 no site da Bebida on Line.
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9*) Muros Antigos (Alvarinho) 2012 a R$ 100 no site da importadora, a Decanter.
Mais de R$ 100
10*) Soalheiro (Alvarinho) 2012 indisponível no site da importadora, a Mistral, mas encontrei no site do Varanda a R$ 115.
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11*) Muros de Melgaço (Alvarinho) 2011 a R$ 160 no site da importadora, a Decanter.
12*) Covela (Avesso) Escolha 2012 não tem o preço no site da importadora Magnun, mas no site da Boutique do Vinho vi a R$ 165.
Nota: os preços (de 2013) são uma referência para ajudar na hora da escolha e de total responsabilidade dos vendedores.
* Vinhos da lista dos 50 grandes vinhos de Portugal no Brasil

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Do you think all wine is red? Maybe some are white? Do you recall perhaps a rosé ? But we would like to tell you that there is vinho verde (green wine) and it is has a lot to say.
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Contrary to popular belief, “vinho verde” is not made from green grapes, mainly because wine (alcoholic grape juice) is the result of fermentation of yeasts (usually of the fruit itself, located in the bark) with the sugar also in from fruit. And the grape, like any fruit, only contains sugar when it is ripe.
Now that you already know what “vinho verde” is not, let’s know its main features.

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“Vinho verde” label, only specifying the producer.

It is typical from the northwest of Portugal. It is a region basically demarcated by the rivers Minho to the north (border with Spain) and a little beyond the Douro to the south. It receives a big influence from the Atlantic Ocean to the west. Finally to the east, there are several mountain, which gives the region an amphitheater appearance, if you imagine it from the coast to the interior, seen from above. An area, therefore, very humid, surrounded by water on almost all sides. The name “vinho verde” comes from the characteristic landscape of this region: extensive green plains.

The river Minho, on the border of Spain with Portugal and its lush green landscape.

So much green originates a lot of decomposing matter in the earth, which allied to a soil of granite with a low PH in its turn originates lands with very special characteristics.

The granite soil that allied with the climate originates a land with very particular characteristics.

But if that was all that, this would be white wine from the north of Portugal, right? What characterizes “vinho verde”, besides being elaborated in this specific region of Portugal, with the mentioned special characteristics, is the lightness, the freshness and the lower alcoholic content. So here we have the first interesting tip: less alcohol means less calories. Then it is worth to know it better, because after all, “vinho verde” is aromatic and gastronomic, bringing together perfect qualities for pairing.
Important detail: this unique wine in the world presents white specimens (the most common here), rosés, reds and also sparkling wines which are difficult to find outside Minho region in Portugal.

Example of rosé green wine and sparkling green wine.

This region was originally occupied by the Celts. Fans of cider and beer, the Celts were accustomed to lighter and less alcoholic beverages than wines in general. During Roman occupation and the introduction of the culture of the vineyard by them, this style of wine, more similar to beer became popular.
These wines are the most exported from Portugal just after the emblematic Port wine. The countries that most import “vinho verde” from Portugal are the United States, Germany and France. Who would guess it, the country that is the symbol of wine is a fan of “vinho verde”!

Beautiful green landscapes of northwest Portugal.

The star grape of this region is “Alvarinho”. Originally from Spain (Albariño), the variety found in this region, specifically in the sub-region of Monção and Melaço, found the best conditions to enhance their best qualities. Other varieties are Trajadura, Loureiro and Arinto, also known as Pedernã. The Alvarinho variety has awesome aroma and flavor of fruit (peach, orange, green apple) and flower (acacia, orange blossom).

Cacho de Alvarinho and its characteristic “ear”.

Loureiro grapes add aromas and flavors similar to that of Alvarinho and an herbaceous touch, of laurel. Trajadura has delicate aromas of fruits (apples, peaches and pears).
Arinto grape variety, besides a citric note, adds the wonderful freshness that characterizes “vinho verde” and makes it delicious to pair with seafood, fish and white meats.

It is meant to be drank usually young (maximum 2 or 3 years) and between 8º and 12ºC. Best to avoid serving with citrus, yogurt or very spicy sauces.
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The service of “vinho verde” uses the same glass of white wine.

It pairs well with:
hard cheese, cod, fish & chips, shrimp, crab, pork, chicken, sushi or sashimi.
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