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Corinthians lança coleção de vinhos licenciados

O time com a segunda maior torcida do país (logo após o Flamengo) o Corinthians, acaba de lançar uma coleção de vinhos oficiais. A idéia é celebrar os principais feitos da equipe: o bicampeonato do Mundial de Clubes da FIFA em 2.000 e em 2.012. Segundo o site, a linha foi criada para celebrar o instinto vencedor do Corinthians.

Os vinhos são vendidos na loja online do site Loja Corinthians e segundo o mesmo site, serão comercializados com preços especiais até o dia 15.08.

A linha de vinhos tem o objetivo de apoiar uma iniciativa maior que consiste em promover o evento “Brinda Timão, com o mote “não importa onde você estiver, o que importa é ser Fiel”. A ação pretende que, no dia 1 de setembro de 2016, às 20h30 (horário de Brasília), todo torcedor corinthiano faça um brinde ao Timão em qualquer lugar do mundo. Ainda segundo o site, o time pretende que “este brinde demonstre toda a força e união dos torcedores, mostrando que o Corinthians é um dos maiores clubes do mundo.”

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O projeto engloba 6 vinhos cujas descrições retiramos do mesmo site citado nesta matéria:

. 2 vinhos do Porto

  • Vinho Campeão 2000 – Um vinho nascido na região do Douro, em Portugal, resultado de castas tintas tradicionais e envelhecido em cascos de madeira.
  • Vinhos Campeão 2012 – Um vinho nascido na região do Douro, em Portugal, resultado de castas tintas tradicionais e envelhecido em cascos de madeira.

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. 1 vinho branco – Um vinho nascido na região do Douro, bem estruturado, equilibrado e com bom suporte de taninos finos.

. 1 um vinho rosé – Um vinho com castas tradicionais portuguesas, agradavelmente rosado, resultado da sua composição intermédia entre o tinto e o branco.

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. 2 vinhos tintos

  • Vinho Tinto Reserva Corinthians – Um vinho nascido na região do Douro, em Portugal, uma combinação de frutas negras, ervas aromáticas e tostados que resulta num sabor macio e afável, que reflete uma maturação controlada.
  • Vinho Tinto Corinthians – Um vinho nascido na região do Douro, com castas tinta barroca, touriga franca e tinta roriz.

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A iniciativa realmente chama muito a atenção, primeiro pela escolha do vinho como bebida para a campanha. Sei muito pouco sobre futebol, até hoje nem sei o que é penalti, mas sei  sobre perfil de consumidor e num país como o Brasil que tem o consumo incipiente de 1,5 lt per capta de vinho, ofertar exatamente este produto a um time que é conhecido e pelo perfil popular da sua torcida, me parece uma escolha temerosa. Provavelmente algum tipo de cerveja artesanal teria mais apelo junto a estes torcedores. Isso sem considerar o preço…

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A campanha me pareceu bastante ousada. Achei muito legal não cederem à típica imagem do vinho:  produto sofisticado, consumido em momentos especiais e com um ritual todo específico. A referência à própria torcida com certeza terá um apelo muito maior junto a este público.

Tenho certeza tambémque os que apreciam vinhos sejam torcedores de qualquer time, não aprovarão quem elaborou os descritores dos vinhos para a campanha. São simples demais, pobres, não dizem quase nada sobre o vinho e 2 deles têm erros crassos:

  1. Vinhos brancos não têm taninos, a não ser em casos muito específicos, que não é o de um vinho do Douro.
  2. Vinhos rosés não são “resultado da sua composição intermédia entre o tinto e o branco”. Eles possuem um processo específico de produção.

Depois disso tudo só o que me resta é desejar saber o resultado desta campanha e concordar com esta última peça publicitária.

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Fontes:

Corinthians Vinhos

A longevidade da Vinícola Aurora e o problema da sucessão empresarial.

A Vinícola Aurora celebrou em fevereiro seus 85 anos de fundação. Inicialmente composta por 16 famílias de produtores em 1931, a maior cooperativa vinícola do país abriga hoje 1.100 famílias associadas, que produzem uma safra média anual de 65.000 toneladas de uvas, entre viníferas e de mesa, para a elaboração de 13 marcas, e mais de 200 itens do portfólio da vinícola.

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Coerente com o tamanho e a longevidade que tem, a Vinícola Aurora possui produtos para todos os perfis de consumidores: do Aurora Millésime Cabernet Sauvignon a alguns do mais conhecidos e melhor distribuídos rótulos de entrada, como Clos dês Nobles, Marcus James e Saint Germain. Esta empresa não só é parte da história do vinho, como da história do Rio Grande do Sul e hoje, líder no mercado brasileiro em suco de uva integral, vinhos finos e coolers, exporta para mais de 20 países e é uma das mais premiadas do Brasil nos concursos internacionais oficiais.

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Durante a colheita de cerca de 100 caminhões passam por dia em suas instalações em Bento Gonçalves, trazendo uvas das vinhas das tais 1.100 famílias. O contrato da Aurora com seus produtores é exclusivo e sua oferta é fixada em 8% a mais que o preço mínimo estabelecido pelo Ministério da Agricultura. É uma enorme operação. A Aurora produz cerca de 45 milhões de litros de produto por ano: 30 milhões de litros de vinho e 15 milhões de litros de suco de uva.

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Sua iniciativa de enoturismo também é pioneira e hoje uma equipe de 25 pessoas recebe cerca de 150.000 visitantes em sua adega a cada ano, onde se pode degustar vinhos em uma sala de degustação moderna e bem estruturada. Esses números refletem a posição da Aurora no mercado doméstico. O Instituto Brasileiro do Vinho diz que a Aurora é responsável por 31% do mercado de vinhos brancos e tintos, 29% do mercado de suco de uva e 61% do mercado de coolers.

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Os responsáveis pela empresa terminaram recentemente um projeto de pesquisa sobre as famílias que compõe a cooperativa. Eles descobriram que 23% das famílias têm apenas 1 filho, 44% têm 2 filhos e 11% não têm filhos. Eles também descobriram que apenas 10% dos seus membros têm menos de 45 anos, enquanto um pouco mais (11%) estão acima da idade de 76. Quando perguntados sobre quantos de seus filhos trabalham na propriedade, 59% dos membros responderam 0 e outros 34% responderam 1.

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Quem vai encher todos estes barris?

Pode até não parecer, mas o Brasil, o 5º maior produtor de vinhos do hemisfério sul com seu consumo ainda insipiente e estagnado em 1,5 lt per capita há décadas, enfrenta um problema semelhante a países do Velho Mundo como Grécia, Itália, Espanha, Portugal e outros milenares produtores de vinho do Velho Mundo: os filhos e filhas de viticultores estão cada vez menos interessados no ramo e menos propensos a assumir os negócios da família.

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A família reunida pelo mesmo negócio. Cena cada vez mais rara.

Não vamos esquecer que estamos falando de um negócio diretamente ligado ao “terroir”. Nos centros elitistas que desfrutam dos vinhos cuidadosamente elaborados, dando-lhes notas, pontos e descritores técnicos, se esquece que o começo do negócio está no campo, numa vida dura de agricultor, que inclui despertar cedíssimo seja frio ou calor, percorrer quilômetros de fileiras de vinhas buscando possíveis pragas, viver longe da comodidade de grandes centros urbanos e “administrar” podas, invernos muito quentes, verões chuvosos, geadas e colheitas, fatores que influem fortemente na qualidade e na quantidade de uvas colhidas.

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Cuidados diários com o vinhedo.

No entanto, sucessão é um problema que qualquer empresa familiar enfrenta com o passar do tempo. Ele só se agrava na agricultura e na vitivinicultura pela migração dos jovens para os grandes centros urbanos. Por exemplo, de acordo com a Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude (Acavits), este ano o estado vai colher 30% a menos que o ano passado. Uma vinícola específica que já chegou a colher 180 toneladas de uva, neste ano, colheu apenas 16 toneladas.

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Tudo isto é muito preocupante e a Aurora elaborou um plano estratégico para manter a geração mais jovem nas vinhas e no negócio. Alguns fatores estão contribuindo favoravelmente para isto:

  • 93% dos membros vivem na propriedade, abrir mão das vinhas significaria desistir da casa da família.
  • O tamanho das propriedades são significativos: 48% das propriedades são entre 6 e 15 hectares, 23% estão entre 16 e 25 hectares, e 17% são 26 hectares ou mais.
  • 40% dos membros são capazes de aumentar suas propriedades.
  • Diversidade na colheita: cerca de 1/3 dos membros cultivam outras frutas, além das uvas.
  • Quando perguntados se os seus filhos pretendem continuar trabalhando na propriedade, mais de metade dos membros disse que ou não ou que não sabem. Mas 44% disseram que sim.

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No entanto, o desafio da Aurora vai mais além. Sendo cooperativa a empresa tem uma e função social e compromisso com mais de 1.000 famílias que dependem de sua boa e justa atuação para sua sobrevivência, controlar a natural sede por lucros crescentes e manter a qualidade que a caracteriza. O primeiro passo está dado, a comunicação entre a cooperativa e seus membros é forte. A maioria, por exemplo, escuta o programa de rádio Aurora e está interessado em participar oportunidades educacionais específicos oferecidos pela cooperativa. E pode ser assim que vamos ver a Aurora seguir crescendo nos próximos 85 anos.

Fontes:

Succession plan for Aurora

Vinícola Aurora

 

Será que crescer o mercado de vinhos no Brasil passa pelo patrocínio de mega-eventos?

Bob Litwin, um experiente jogador de tênis, # 1 do mundo e 18 vezes Campeão Nacional de Tênis nos EUA, hoje trabalha como treinador de desempenho, não só com atletas mas com advogados, médicos, dentistas, empresários e outros. Um dos desejos deste ex-atleta visionário é alcançar um público raramente alvo dos marketeiros deste ramo: os Baby Boomers, a geração nascida no pós guerra que hoje tem entre 50 e 70 anos.

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Esta geração quer ficar em forma, se sentir mais jovem e se divertir, por isso o Bob gostaria muito de ver um fabricante de artigos esportivos, como a Nike ou a Adidas, criar uma campanha de marketing onde o pessoal desta geração possa testemunhar sobre como se sentem mais jovens através da prática de exercícios. A população dos Baby Boomers cresce num ritmo mais rápido do que todos os outros grupos etários combinados e gastam mais do que outras gerações com cuidados de saúde e combate ao envelhecimento. E cá entre nós, o vinho também pode ser uma ótima oportunidade para este público alvo.

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Está aqui a mamãe que não me deixa mentir, a Dna. Valtair, segundo o coordenador da academia, um exemplo, do alto de seus 76 anos de vida bem (cuidados) e vividos. 

Mas este não é um sonho só do Bob para os Baby Boomers.  A atleta Jackie Joyner-Kersee, 3 vezes medalhista de ouro olímpico e uma das maiores atletas de heptatlo feminino e salto em comprimento de todos os tempos, está preocupada com o consumo de bebidas açucaradas que levam à obesidade e estilos de vida insalubres em qualquer idade e o modo como as empresas irão abordar seus consumidores em relação a este polêmico tema.

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Ou seja, o esporte e a alimentação sempre caminharam juntos, mas com o avanço da ciência, da longevidade e da compreensão da essência da humanidade cada vez se pode explicar mais detalhadamente porque uma escolha é melhor que a outra.

No nosso post mais recente, vimos porque uma das 10 maiores vinícolas do mundo, a Jacob’s Creek, escolheu o tenista sérvio # 1 do mundo para representar seu espírito e comunicar seus valores, especialmente para os Millenials, a geração imediatamente posterior aos Baby Boomers e que deseja ver ídolos que representem não só luta, esforço, conquista, superação, mas que valorizem a diversidade e o modo como cada um de nós contribui para fazer do mundo um lugar melhor.

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Vencer é importante. Mas o comportamento do campeão, neste caso advindo da adversidade, conflito racial e luta pela mera sobrevivência foi um fator chave.

No Brasil, a Lidio Carraro, vinícola de Bento Gonçalves, abraçou a causa do esporte de uma forma surpreendentemente abrangente para nosso nível de evolução de mercado.

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A primeira vez que a vinícola familiar, encabeçada pelo casal Lidio e Isabel e tocada pelos filhos Patrícia, Giovanni e Juliano, envolveu-se num evento esportivo de porte foi em 2007. A vinícola produziu o vinho oficial dos jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro.

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Em 2010, a Lidio Carraro forneceu bebidas para o 30º aniversário da Stock Car.

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Mas o pulo do gato veio em 2014 com a participação na Copa do Mundo com 3 tipos de vinhos diferentes.

  • O branco utilizava as 3 uvas brancas mais representativas do Rio Grande do Sul: Chardonnay, Moscato e Riesling Itálico.
  • O rosé era elaborado com as uvas Pinot Noir, Merlot e Touriga Nacional.
  • O tinto teria sido uma homenagem ao futebol com 11 jogadores (uvas): Merlot, Cabernet Sauvignon, Teroldego, Touriga Nacional, Tannat, Ancellotta, Nebbiolo, Tempranillo, Pinot Noir, Alicante e Malbec

FACES

“Se a Seleção tivesse vencido a Copa do Mundo muito provavelmente faltaria vinho da Linha Faces para comemorar. Mas uma taça já levantamos: a da exposição do vinho brasileiro no Mundial.” A declaração é de Patricia Carraro, diretora de marketing da Lidio Carraro. A alegria se deve aos objetivos alcançados – entre eles a comercialização, até o final de agosto, de 90% das 600 mil garrafas da linha especial feita para brindar o futebol brasileiro. Desse total, dois terços foram vendidos em território nacional e o restante enviado para o exterior. Impulsionada pela visibilidade do Faces, no último ano a empresa  triplicou as suas exportações. Ao todo, cerca de 20 países agora puderam provar os rótulos da empresa. Até maio, a companhia já havia exportado 90% do que esperava para o ano inteiro. No Brasil, o faturamento da vinícola alcançou o expressivo crescimento de 185% no ano passado, quase três vezes mais do que em 2012. Note-se que tudo isso segundo a companhia que por sinal, não revela sua receita anual.

A Lidio Carraro foi a marca exclusiva de vinhos e espumantes do Rio Open que aconteceu em fevereiro de 2016.

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E há poucos meses, a empresa lançou os primeiros rótulos dos vinhos dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos a serem realizados no Rio de Janeiro em agosto.

É interessante observar a emulação desta marca estrangeira gigante por uma vinícola brasileira que se auto intitula “boutique”, porque a situação do Brasil é completamente diferente, não só pelo mercado, mas pela empresa e pelos consumidores. Abraçar o esporte pode ser interessante para qualquer empresa, porém com um consumo per capta de vinho no Brasil estagnado em 1,5 lt há décadas ainda há muitas prioridades estratégicas em termos de marketing antes  do patrocínio geralmente milionário de grandes eventos.

Em nossa visão o caminho ainda percorre o básico na distribuição de um produto com qualidade/preço que atraia uma massa crítica de consumidores, a desmistificação do produto e a veiculação de campanhas publicitárias massivas que leve isso ao grande público consumidor. Aí sim, nos parece que estaríamos investindo para construir um mercado de vinho sustentável no Brasil.

Workshop sobre vinho espumante Brasileiro

Numa OUTRA iniciativa muito bacana a Livraria Cultura, a Revista Adega e o Ibravin promoverão uma degustação GRATUITA de vinhos ESPUMANTES que foram destaque no Guia Adega Vinhos do Brasil 2105/2016.

Dia: 10 de março

Horário: 20:00

Local: Auditório da Livraria Cultura no Shopping Villa Lobos – Av. das Nações Unidas, 4777 – São Paulo – SP

A degustação será comandada por Eduardo Milan (Degustador e Editor de Vinhos da Revista ADEGA).

A inscrição é gratuita, mas obrigatória.

Segue o link: Link para inscrição – vinhos espumantes

Workshop sobre vinho tinho Brasileiro

Numa iniciativa muito bacana a Livraria Cultura, a Revista Adega e o Ibravin promoverão uma degustação  GRATUITA de vinhos que foram destaque no Guia Adega Vinhos do Brasil 2105/2016.

Dia: 03 de março

Horário: 20:00

Local: Auditório da Livraria Cultura no Shopping Villa Lobos – Av. das Nações Unidas, 4777 – São Paulo – SP

A degustação será comandada por Eduardo Milan (Degustador e Editor de Vinhos da Revista ADEGA).

A inscrição é gratuita, mas obrigatória.

Segue o link: Link para inscrição – vinhos tintos

Sancionada lei que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho

Acredito que não se precise de leis para criar uma rota de vinho e sim de iniciativa e união. Mas não podemos deixar de elogiar a iniciativa e esperar que gere um movimento mais amplo de um verdadeiro polo enoturístico na região que necessita de estradas, rede hoteleira, gastronomia e muita infra-estrutura para apoiar a exploração adequada das belezas naturais do planalto catarinense.

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Enquanto esta facilidade não chega, aproveita e vem com quem já sabe todas as dicas: Planalto Catarinense em março

Fonte: Sancionada lei que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho

O ano de 2015 foi positivo para os vinhos brasileiros, mas a previsão não é boa para 2016

O destaque em 2015 foi o crescimento dos espumantes que tiveram alta de 10,59% no ano, especificamente os moscatéis que cresceram 15,83%, confirmando o gosto do brasileiro pelo vinho mais adocicado.

Para 2016, as previsões pessimistas se devem à quebra de até 50% na safra deste ano e à alta de impostos, como o IPI e o ICMS, além é claro da bizarrice da partilha do ICMS sobre a qual já falamos anteriormente Governo federal cria mais um entrave ao crescimento do vinho no Brasil.

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É uma pena. Poderia ser um grande ano para o setor. A esperança fica por conta das iniciativas da Ibravin que acaba de obter uma importante vitória: Ministro Rossetto anuncia redução do IPI para vinhos de 10% para 6%

Fonte: Isto é Dinheiro

 

Governo Federal cria mais um entrave ao crescimento do vinho no Brasil

Em épocas de crise, especialmente quando o desemprego sobe, é normal que muitas pessoas, se encontrando desempregadas, invistam seus recursos em algum tipo de negócio com o qual tenham afinidade. Não raras as vezes, estas iniciativas ajudam a movimentar a economia estagnada e reverter a situação. Não no Brasil.

Aqui o governo que esmaga e sufoca o empreendedorismo com burocracia e complexidade fiscal, agora aplica o golpe de misericórdia não em 1, mas em 2 setores que deveriam estar crescendo no país a exemplo do que ocorre em todo o mundo. Este golpe pesado afeta o e-commerce e o mercado de vinhos que desde 2015 já  recebeu 3 aumentos de impostos:

  1. O primeiro (Portaria CAT-43) foi em julho de 2015 onde o governo estadual aumentou o Índice de Valor Adicionado Setorial – IVA-ST que determina a base de cálculo do ICMS na saída interna de bebida alcoólica, exceto cerveja e chope.
  2. O segundo (MP 668) subiu em outubro de 2015 a taxa de PIS/Cofins para importados de 9,25% para 11,75%.
  3. O terceiro (MP 690) aumentou IPI para 6% a partir de 2016. vale lembrar que a MP previa aumento para  10% a 30% nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobradas sobre as chamadas bebidas quentes (cachaça, vinho, uísque, vodca, rum, entre outras).

Agora é a vez do tal golpe de misericórdia. No meio de uma guerra fiscal insana entre os estados de nossa República Federativa, o Ministério da Fazenda determinou que os empresários (na maioria micro) é que têm que dividir o quanto recolhem para cada estado. Através de Guias. Antes de embarcar o produto.  Veja o vídeo que explica muito bem a situação.  Mudança na cobrança do ICMS fecha empresas em todo o país.

Empurrou o problema, numa boa, trazendo mais custos e complexidade para quem já está no sufoco da crise. Vale lembrar que no princípio da guerra fiscal,  muitas empresas se mudaram para São Paulo definitivamente, não porque aqui é super legal, mas porque aqui se concentra 80% do mercado nacional consumidor de vinhos. Não faz sentido estar em outro estado e depois recolher uma fortuna de ST para entrar no maior mercado consumidor do país.

Aliás esta é a razão do preço absurdo de muitos vinhos gaúchos e catarinenses. A ST que mais parece um imposto de importação. Veja que não importa mais se o vinho é importado ou não. O vinho nacional continuará a ser tão prejudicado quanto.

Tristemente, o Brasil continua indo na contra-mão do progresso e da racionalidade e se a sociedade não se unir e começar a empurrar, não vai voltar pros trilhos nunca.

Uma reflexão sobre o crescimento do segmento de cervejas artesanais e como isso pode ajudar o mercado de vinhos.

A explosão da venda de cervejas artesanais (17,2% em 2014) nos Estados Unidos está fazendo as grandes empresas mudarem suas estratégias na meca mundial do marketing. E o que isto tem a ver com vinho? Vem juntinho nesta reflexão.

Primeiro, não se entusiasme, as grandes marcas de cerveja ainda constituem 72% da venda de cerveja dos EUA, mas com as recentes perdas de participação de mercado para as cervejas artesanais e sua imagem imaculada de tudo que é bom, puro e inocente, hoje não é difícil olhar para o ranking das maiores marcas de cerveja dos EUA e reparar que seu orçamento foi de centenas de milhões de dólares para um punhado de milhares.

O pesadelo de qualquer marketeiro: este dinheiro foi destinado para fazer o que as grandes empresas fazem quando estão incomodadas com a concorrência, comprar empresas pequenas. Comprar é fácil, pouca gente boa resiste a uma maleta cheia de verdinhas. Difícil é fazer estes negócios sobre viverem dentro de grandes empresas com estruturas enormes, processos burocráticos, pensamentos engessados e overheads altíssimos.

Uma tentativa de parecer antenado é este comercial de uma cervejaria artesanal comprada pela Miller Coors, a Saint Archer Brewery Os sinais estão todos lá: skate, surf, trilhas isoladas, a bateria num crescendo, uns caras claramente descolados numa atitude “tô nem aí” e …. meia dúzia de cenas com a cerveja sem referência à marca e na meia dúzia que têm o logotipo, a coisa toda é muito casual, uma camisetinha, um brinde rápido, etc. Apelando em todos os níveis para aquilo que a nova geração aprecia nesta vida.

Aí mesmo que os marqueteiros não podem resistir a aplicar algumas técnicas destas aos produtos industriais, especialmente quando seus orçamentos encolhidos já não podem pagar a mega produção do comercial a ser exibido no intervalo do Super Bowl. O ponto é que estes profissionais se complicam com o consumidor que não está de bobeira e já notou que estão colocando gatos e patos no mesmo saco. E a consequência é a rejeição a estas marcas, tanto dos bares e restaurantes que se especializaram neste segmento quanto do consumidor. De acordo com pesquisa da Bloomberg, 6 em cada 10 bebedores de cerveja acredita que ser independente é uma característica importante para uma cerveja artesanal.

Isso não é exclusividade dos americanos: Wals (Belo Horizonte)? Petrópolis (Rio de Janeiro)? Colorado (Ribeirão Preto)? Eisenahun (Blumenau)? Alguém servido? Todas têm o comum o fato de terem sido micro-cervejarias compradas por grandes players do mercado.

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Até quando ela vai aguentar?

Os consumidores responsáveis por estas mudanças é a Geração Y. São aqueles nascidos entre a década de 80 e o ano 2000, a 1ª geração nascida e criada sob o manto da internet e das redes sociais, pressionada por uma violenta crise financeira que os atingiu na idade adulta após um período de grande crescimento econômico e que por isso tem prioridades diferentes. Aliás é mais ou menos assim que os sociólogos dividem as gerações. Esta é uma geração caracterizada pela necessidade de liberdade, exige inovação e reconhecimento nos diversos campos de sua vida. Isso se reflete na economia de vários modos: com menos grana, numa sociedade que vive on line, seus hábitos são distintos. As marcas têm cada vez menos importância,  o(s) preço(s) está disponível ao toque na tela do celular,  o que tem relevância mesmo é opinião dos amigos.

Além disso esta é uma geração que está preocupada com a saúde como nenhuma outra antes esteve e esta é uma das razões do crescimento do vinho em alguns mercados, pois como diria o bom e velho Pasteur, o vinho é a mais sã das bebidas.  É mesmo? Então vamos pensar esta questão por 2 lados: o do produtor e o do consumidor.

 

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Como produtor ou vendedor de vinho, você surfa esta onda de benefícios do vinho propagada pela mídia e ainda dá aquele toquezinho nas redes sociais com memes engraçadinhos sobre como esta bebida milagrosa previne cancêr, alzheimer, avc, emagrece, inibe envelhecimento, e chuta para baixo do tapete o fato que é álcool, ou você se preocupa em ser transparente sobre seus vinhedos, sua filosofia, sua visão sobre o produto? Já pensou o potencial de negócio em se comunicar claramente com seu consumidor sobre tudo isso, sem o veuzinho dos chavões típicos e repetitivos das redes sociais? É construção de um canal de comunicação e de uma laço só de vocês. É uma imagem que vai muito além da casta e do terroir e que por isso se torna proprietária, porque é o lado humano de um negócio que só fala de pedras, do tempo e de bagos. É o inicio de uma relação estreita e portanto, duradoura.

Como consumidor,  você sabe pelo menos como produzem o vinho que você toma? No rótulo não adianta olhar porque nem nos países com mais tradição vinicultora do mundo as empresas são obrigadas a declarar detalhes de produção. Óbvio que não estamos falando de usar substância ilegais ou danosas à saúde, porque nunca conheci nenhuma empresa que fizesse isso e nem estou a fim. Mas e os sites onde maioria das vezes tem uma porção de informações sobre a vinícola, seus vinhedos, filosofia, você olha? Já tentou visitar alguma vinícola para conhecer mais sobre seu vinho preferido? Não importa se a vinícola é em Jundiaí, Bento Gonçalves, Rioja ou Tblisi. Nem se ela é pequena ou grande, o que eu proponho é que você se interesse pelo seu vinho da mesma maneira  como se interessa pelo seu alimento e pela sua cerveja como pudemos ver acima.

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Saúde!

Aliás vinícola pequena não faz vinho necessariamente bom e nem vinícola grande faz vinho necessariamente ruim. Mas isso já é assunto para outro post. Saúde.

 

Fontes: How Big Beer is Getting Millennials Back e Goldman Sachs – Millenials