Vamos soprar as velhinhas, o Julgamento de Paris faz 40 anos e comemora em grande estilo.

Em 24 de maio de 1976, o mundo do vinho virou de ponta cabeça quando o Chardonnay 1973 do então desconhecido Chateau Montelena localizado no Napa Valley triunfou sobre vinhos da Borgonha e o Cabernet Sauvignon S.L.V. também 1973 da não menos desconhecida Stag’s Leap Wine Cellars superou os Bordeaux num julgamento em Paris realizado pela nata dos críticos especializados franceses.

Foto: internet.

Foto: internet.

Este ano comemora-se o 40º aniversário do hoje mundialmente famoso  Julgamento de Paris e o Napa Valley está em festa. O Chateau Montelena realizará um Open House em Calistoga no dia 24.05 com um painel de discussão das 13:30 – 14:30, porém das 9h30 às 16:00 haverá a degustação do Chardonnay 2013 e paira no ar a promessa de que pode haver algo mais saindo das antigas caves como surpresa para os visitantes.

Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.

Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.

Mas se você não aguenta esperar até maio, aproveite o festival de gastronomia local, eventos em vinícolas e as experiências únicas que só mesmo os americanos do Napa Valley sabem criar para este polo enoturístico de proporções continentais.

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Foto: internet.

De 16 a 20 de março serão 5 dias com 40 eventos num único festival que vai ficar na história e cujos lucros serão investidos em uma das melhores escolas de culinária do mundo, o  The Culinary Institute of America,

A idéia também é brindar o 40º aniversário do lendário 1976 Julgamento de Paris, e para isso juntou-se um time de estrelas como as vinícolas Chateau Montelena,  Stag’s Leap Wine Cellars, Spring Mountain Vineyard, Clos du Val Winery, chefs talentosos e os Master Sommeliers, Andrea Immer Robinson e Gilles de Chambure.

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Algumas dicas: mesmo que você se mova rápido para providenciar sua reserva para março, prepare-se para o frio, pois ainda é bem gelado por lá. Em maio o tempo é maravilhoso e o seu orçamento vai subir também de maneira esplendorosa. Quer um meio termo? Vem com a gente em Abril. Não é tão frio e os preços ainda estão acessíveis.

O orçamento está curto? Dá um pulo lá na SmartBuyWines e garante o seu que este é o meu. Cheers!

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Fonte: Judgment of Paris Anniversary – Open houseFlavor Napa Valley. Crédito foto destacada: internet.

A Monção de uma brava heroína e sua história centenária

Anteriormente, falamos de Melgaço, uma das vilas que junto com Monção compõe a Região Demarcada dos Vinhos Verdes, uma das regiões vitícolas mais antigas de Portugal. Monção compartilha da magnífica beleza do anfiteatro natural que caracterizamos quando falamos de Melgaço.

As 2 vilas têm mais de 700 anos de história possuindo belos castelos, o Castelo de Melgaço que já vimos e o Castelo de Melgaço. Ambos defenderam este território fronteiriço desde a conquista da independência portuguesa.

Assim como Melgaço, Monção pertence ao Distrito de Viana do Castelo e tem cerca de 2.500 habitantes. O município é limitado a norte por Salvaterra do Minho e Arbo, ambas em Galicia e a leste por Melgaço.

Outro fato que compartilham é o terroir perfeito para o cultivo da Alvarinho. Aliás, o reconhecimento da qualidade do vinho de Monção e Melgaço vem do século XIV. Nessa época, o vinho desta região era extremamente procurado pelos ingleses que o trocavam por bacalhau.

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A beleza das águas do rio Minho.

Durante as guerras fernandinas (entre D. Fernando, rei de Portugal e D. Henrique de Castela, no séc. XIV) Castela impôs um duro cerco à vila de Monção. O cerco já durava muito tempo e a situação começou a ficar complicada dentro das muralhas. Foi aí que Deu-la-deu Martins, esposa do alcaide local, agiu. Mandou recolher a pouca farinha que restava e com ela fazer pães. Com os pães já cozidos nas mãos, a corajosa Deu-la-deu subiu à muralha e atirou-os gritando: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”. O blefe funcionou, o inimigo acreditou que ainda havia muita fartura dentro das muralhas, levantou o cerco e se mandou. Foi assim que a corajosa Deu-la-deu salvou a cidade e ficou, para sempre, ligada à história de Monção.Mas estes tempos vão longe e hoje a fartura marca a gastronomia desta região.

Além da gastronomia, da beleza natural, e do deliciosos Alvarinho, aliás um dos meus preferidos se chama justamente Deu-la-deu, Monção conta com um recanto muito especial para quem quer se hospedar por lá ou a caminho de Santiago de Compostela: o Solar de Serrade. Esta casa armoriada de meados do século XVII, de arquitetura típica solarenga altominhota parou no tempo. Tudo remonta a séculos anteriores, desde o interior até a capela e o jardim romântico.

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O morgado de Serrade foi instituído pelo Padre Dr. Belchior Barbosa e os seus sucessores foram personalidades importantes que andaram por Moçambique e pelas Índias. A imponência do Solar já diz tudo.

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Em 1801, o Solar chegou a abrigar o Quartel General das forças de vigilância de fronteira, sob o comando do Marquês de la Rosière e desde então, tem recebido a visita de diversas personalidades.

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Tetos tradicionais em masseira e salões com lareira, são um convite à tranquilidade e ao lazer. Tudo está arrumado para quem você se sinta em casa e não um hóspede.


O Solar de Serrade é um bom exemplo da recuperação do património arquitetônico da região Altominhota. Os quartos são um capitulo a parte, desde as namoradeiras nas janelas, banheiras antigas e inclusive… penico! E ao contrário de alguns hotéis deste gênero, este tem um  preço bem acessível.

O Solar produz um delicioso Alvarinho que apesar da produção relativamente pequena, segue até para exportação devido à reconhecida qualidade.

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Estando por estas bandas, não deixe de conhecer o imponente Palácio da Brejoeira, suas vinhas bosques e jardins, localizado só a 6 quilômetros a sul de Monção. O Palácio foi erguido nos primeiros anos do século XIX, tendo as obras se prolongado até 1834. Incrivelmente, não pertenceu a ninguém da nobreza. Dá para acreditar?

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Espero que tenham gostado e até o próximo post.

Fontes: Solar de SerradeRota do Vinho Verde

A beleza tranquila de Melgaço e um Alvarinho muito diferente

Adoro o norte de Portugal. Além das raízes de parte da família, o Minho, região que faz fronteira com a Espanha, é terra de gente amável, de paisagens verdejantes e da magnífica Alvarinho. E foi ali, no distrito de Viana do Castelo, que fui buscar Melgaço, uma vila de cerca de 1.500 habitantes, limitada a norte e leste pela Espanha e a oeste por outra jóia do Minho, a vila de Monção. É claro que o GPS aprontou das suas e eu acabei numa estradinha minúscula. Na Espanha!

Parece que este é o melhor caminho mesmo, mas com os mapas velhos do GPS e já bem dentro da Espanha, não consegui ativar o Waze que funciona com operadora de Portugal para checar o caminho. Então o jeito foi ir em frente. Normalmente eu não gosto de dirigir, mas confesso que esta paisagem é tão bonita que eu até curti.

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Lindas paisagens pontuadas pelos típicos espigueiros.

Foi assim que Melgaço se revelou: como uma verdadeira rainha da beleza minhota, desfilando numa espécie de palco, cercada por montanhas que deslumbram e que parecem formar uma platéia de onde se pode em troca, contemplar o charme ancestral da cidadezinha.

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Cheguei por lá na hora do almoço e minha reunião só estava agendada para a tarde. Um momento tranquilo, numa vila já muito tranquila. Aproveitei para almoçar no parque, percorrer as ruelas e visitar os principais pontos turísticos. Veja só minhas companhias…

 

Hora do almoço + cidade pequena = tudo fechado. Gostaria de ter visitado o Solar do Alvarinho, mas não foi possível. É uma construção linda e vai ficar para a próxima com certeza. Veja por você mesmo: Solar do Alvarinho – Melgaço

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Outra visita que vale a pena são as 2 igrejas. Tudo muito pertinho num percurso que você faz a pé. Bem rapidinho, mas deixe tempo para desfrutar da beleza exterior e interior.

Outro ponto de visita imperdível é o Castelo de Melgaço, principal ponto de defesa fronteiriça do Alto Minho no século XII, localizado quase às margens do rio Minho cujas ruínas vigiam até os dias de hoje a travessia para a Galícia.

 

Mas já era hora de interromper o passeio e trabalhar. Então, rumei para a Soalheiro.

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A Quinta de Soalheiro está localizada bem pertinho do centro de Melgaço e também desfruta da beleza privilegiada da região, cercada por um conjunto de serras que além do visual fantástico, criam as condições de pluviosidade, temperatura e horas de sol necessárias à melhor maturação das uvas da casta Alvarinho. Este incrível terroir foi cuidadosamente composto pela natureza assim:

  • pluviosidade: regulada pelo Rio Minho que separa Portugal de Espanha.
  • temperatura: as colinas proporcionam as encostas que protegem e aquecem o vale, barrando o frio do norte ou do Oceano.

Esta peculiaridade se estende à cidade de Monção logo ali ao lado e o perfil do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço é reconhecidamente diferente. Aqui, apesar das condições favoráveis ao desenvolvimento de todo o potencial da Alvarinho, o custo de produção é bastante alto e o quilo da uva custa em média o triplo do que se paga no resto da região, devido às características do relevo e ao tamanho das propriedade.

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Mas voltando à Soalheiro, a quinta foi plantada em 1774 por João António Cerdeira que lançou em 1982, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço, a Soalheiro. Hoje, uma área significativa das vinhas se encontra em produção biológica, promovendo a biodiversidade da fauna e flora local. É exclusivamente destas vinhas que nascem as uvas que vão dar origem ao Soalheiro Primeiras Vinhas e ao Soalheiro Reserva.

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Uma característica interessante da Soalheiro é a maneira como utilizam a madeira em seus vinhos. Como exercício de degustação, é super legal perceber como um vinho branco, em especial feito de uva Alvarinho pode manter sua fruta e frescor e crescer com o uso da madeira. Este é um trabalho feito por poucos, pois qualquer equívoco pode arruinar o vinho e produzir algo parecido com “chá de madeira”. Na região do Minho existem apenas 3 ou 4 produtores que usam madeira com a devida maestria.

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Outros 2 vinhos que você não pode perder são os espumantes Rosé (feito com Alvarilhão e Touriga Nacional) e o de Alvarinho.

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Acho que são importados pela Mistral, e lembrando sempre que este blog é independente, convido vocês a conhecerem os vinhos da Soalheiro que vão proporcionar uma experiência fantástica e bem distinta quando você pensar em vinhos verde. Saúde!

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Sancionada lei que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho

Acredito que não se precise de leis para criar uma rota de vinho e sim de iniciativa e união. Mas não podemos deixar de elogiar a iniciativa e esperar que gere um movimento mais amplo de um verdadeiro polo enoturístico na região que necessita de estradas, rede hoteleira, gastronomia e muita infra-estrutura para apoiar a exploração adequada das belezas naturais do planalto catarinense.

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Enquanto esta facilidade não chega, aproveita e vem com quem já sabe todas as dicas: Planalto Catarinense em março

Fonte: Sancionada lei que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho

A produção de uma cerveja caseira muito especial passo a passo para você!

Normalmente falamos sobre vinho, mas por uma razão muito especial, hoje vamos explicar passo a passo para você como se faz cerveja. Você vai perceber logo que esta certamente não é uma cervejaria industrial com sua centena de tanques de inox gigantes com centenas de milhares de litros. Você pode pensar que se trata de uma microcervejaria, mas estas produzem cerca de 200.000 litros por mês, o que também não é o caso. Vamos ver como é feita a cerveja de forma caseira, artesanal, numa “nanocervejaria”. O que os cervejeiros chamam por aí de paneleiros, mas que resgata a maneira que a cerveja era feita há séculos. Quem sabe você não se entusiasma e faz a sua também?

Paneleiros mesmo!

Paneleiros mesmo!

O que a gente vai ver aqui é a produção caseira de cerveja e para isso, o primeiro passo é a escolha da receita. Tem gente que procura na internet, tem gente que usa programas como por exemplo o Beer Smith e tem gente que usa a receita da família mesmo.

Receitinha na mão, hora de se dirigir ao seu fornecedor predileto, seja de carro ou via internet e escolher o malte, o lúpulo e a levedura de acordo ao estilo de cerveja que você queira produzir.

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Preparando o malte para a moagem.

O segundo passo, seria a malteação, ou seja: a ativação natural das enzimas presentes nos grãos, que serão utilizadas durante o processo produtivo para converter o amido em açúcares. A malteação também influencia em 4 características importantes da cerveja:

  1. cor;
  2. aroma;
  3. sabor;
  4. espuma.

Então tem que capricha na hora de moer todos os grãos. Parece simples, bem fácil, mas dá um belo trabalho. A moagem não pode deteriorar completamente o grão porque aí você produz uma farinha que termina numa papa impossível de ser trabalhada e não pode deixá-los inteiros, pois aí não há ativação suficiente das tais enzimas.

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Moedor (manual) de cereais caseiro.

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Grãos moídos.

 

 

 

 

 

 

Daí partimos para a maceração, necessária para as substâncias insolúveis tornarem-se solúveis através daquelas enzimas ativadas e da ebulição. Então, água quente neles. Os grãos moídos são adicionados à água a 66°C. Repare que a água não abriu fervura. Só está bem quente, para isso é recomendável a utilização de um termômetro próprio.  No momento da adição, a temperatura cai para 62°C e deve manter-se assim por uns 40 minutos. Este processo contém a mágica que vai transformar o amido dos grãos em açúcar, parte fundamental da fermentação.

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A água pura deve ser aquecida para o processo.

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Tudo moidinho e pronto para ir para a panela.

 

 

 

 

 

 

 

Depois destes 40 minutos, a temperatura deve subir a 72°C por 20 minutos e em seguida até 78°C. Tudo isso parece uma tremenda chatice de sobe e desce de calor, mas é muito importante para provocar e interromper a atividade enzimática nos momentos corretos e você ter o produto adequado para a fermentação.

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Olho no termômetro e aquela mexidinha para garantir a liberação do amido.

Aí começa o passo seguinte que é a recirculação de 50% do volume total de líquido para extração adicional de açúcares do malte e é assim mesmo, você abre a torneirinha da sua panela de cerveja enche uma jarrinha e joga ela de volta. Se a sua panela tem , digamos uns 40 litros, você deve recircular uns 20 litros. Se a sua jarrinha tem um litro, significa que você deve fazer isso 20 vezes. Atenção nas contas e força no muque que você chega lá.

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Neste momento você vai fazer a extração final, tirando praticamente todo o líquido e adicionando um 50% do volume total de água a 78°C para lavar bem o malte e extrair todo o açúcar dele. Então, supondo aquele caldeirão de 40 litros sobre o qual falamos anteriormente, significa que você vai precisar de mais uns 20 litros de água quente para esta fase. Dá para ver que a água é parte muito importante na produção da cerveja. É fundamental que ela não só seja limpa e sem resíduos, como de ótima qualidade, realmente pura e sem químicos.

Escaldando para a extração final.

Escaldando os grãos para a extração final.

Finalmente você tem uma base cheia de açúcares perfeitos para a fermentação. A papa de malte é desprezada, aliás é ótima como adubo natural. E os 2 líquidos devem ser misturados.

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Parece cerveja, mas é suco de malte. Docinho e sem gás.

Esta mistura volta ao fogo para atingir uma fervura vigorosa e então se adiciona o lúpulo de amargor. É importante tomar cuidado para não transbordar porque o lúpulo levanta espuma ao entrar em contato com o malte fervente e pode causar acidentes. Ferva por 50 minutos e adicione o lúpulo de aroma,  fervendo por mais 10 minutos.

Pronto. Finalmente se terminou o parte quente da produção de cerveja. Agora começa o processo de resfriamento do líquido que está a cerca de 100°C para uns 25°C, utilizando uma placa resfriadora, enquanto se transfere a cerveja da panela para o balde de fermentação.

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Bomba de água para o resfriamento e dedos cruzados porque elas adoram entupir…

Adiciona-se então as leveduras, pois elas serão responsáveis pela transformação do açúcar em álcool. Fecha-se o recipiente, lacra-se com o air-lock (aquela valvulazinha transparente) e leva-se à geladeira a 20°C por 1 semana aproximadamente ao fim da qual teremos o final da fermentação primária. A temperatura deve descer então a 10°C para a fermentação secundária durante 1 semana a 10 dias, dependendo das decisões do mestre cervejeiro.

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Cerveja fermentando na geladeira.

Nos últimos 2 dias a cerveja fica a 5°C para que os sedimentos se depositem no fundo e se possa proceder com a clarificação, quando ela deixa o recipiente no qual descansou sob refrigeração e passa a outro.

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Aí é a hora no passo final: o priming ou carbonatação que consiste na adição de 5 g de açúcar invertido (adicionado de ácido cítrico) por litro de cerveja. A cerveja precisa descansar mais 1 semana para adquirir espuma e prontinho! Você já tem uma cerveja para chamar de sua.

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Preparação da carbonatação.

É importante notar que a limpeza é fundamental para evitar a microbiologia invasora que pode trazer aromas não desejados em qualquer fase do processo e contaminar a sua cervejinha. Todo o material tem que ser exaustivamente lavado ao fim do processo e na fase final, a atenção especial vai para as garrafas.

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Cada garrafa é lavada individualmente.

Garrafas secando.

Garrafas secando.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É claro que esta é 1 versão de receita de cerveja. Existem milhares. Esta segue uma escola muito austera, a alemã. A escola belga por exemplo é bem mais liberal e permite a adição de frutas, frutas secas, ervas, chocolate, etc à cerveja para propor novos sabores. Você pode encontrar a Hengist em 3 variedades:

  1. Lager com toque maltado, equilibrada pelo amargo sutil e picante do lúpulo Hallertau Tradition.
  2. Pale Ale suave com delicioso aroma floral, perfeita pra quem quer tomar várias.
  3. Strong Ale com teor alcoólico elevado e um sabor marcante do malte que é característica do estilo.

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A não ser que dê a loca nos cervejeiros e eles decidam criar algo novo. Agora, acho que você não encontraria nada muito diferente disto, os cervejeiros em questão, optaram por:

  • pureza da água trazida de fonte de água mineral absolutamente natural;
  • sabores sinceros dos grãos.

ambas orientações da clássica escola que homenageia o dono do nome da cerveja: o filho de alemães Décio Hengist Corrêa, nosso pai. Ele faleceu ano passou e hoje faria mais um aninho de vida. É seu primeiro aniversário sem a gente ao ladinho e  este artigo homenageia ele e o meu irmão que faz uma cerveja cheia de honestidade e qualidade, duas características que meu pai admiraria muito. Não só numa bebida. E claro, o Thiago, um cervejeiro imbatível, companheiro do Décio filho nesta loucura que é fazer cerveja em casa, processo que parece parto em filme antigo: envolve muita água quente, trabalho duro e parece que não termina nunca!

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Feliz aniversário!

Como a Hengist é uma cerveja caseira, você não vai encontrar ela por aí, mas se você quiser saber mais, visite a página do Face:  Facebook – Hengist Cerveja Caseira

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Conhece Bem os Vinhos Fortificados? E o de Carcavelos?

Pequenos frascos, grandes perfumes. Seguindo esta máxima tão popular, vamos falando das pequenas jóias portuguesas, escondidas ali pertinho de Lisboa, à vista de todos, mas encerradas em si mesmas.

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Enquanto Colares, a jóia do nosso mais recente post, faz vinhos tranquilos, Carcavelos faz 1 do 4 vinhos generosos de Portugal. Sabe quais são os outros 3?

  1. O centenário e internacionalmente conhecido Porto. Desse nem falo porque tem muita gente gabaritada falando deste vinho por aí;
  2. O Moscatel de Setúbal que vem conseguindo projeção no Brasil, apoiado por vinícolas gigantes como a Quinta da Bacalhoa e a José Maria da Fonseca. Este vinho fica perfeito com uma magnífica iguaria local, o queijo de Azeitão;
  3. O injustiçado Madeira para o qual vamos dedicar um post separado porque ele merece.

Depois de irmos a Colares que fica mais ao norte, pertinho de Sintra, fomos a Carcavelos, do ladinho de Cascais, mais ao sul. Porém igualmente perto de Lisboa, meia horinha. A DOC Carcavelos é a menor região vinícola de Portugal e situa-se em torno da freguesia de Carcavelos, nos concelhos de Cascais e de Oeiras. Muito próxima da foz do rio Tejo, a área de vinha da região é bem pequena e urbanizada. Uma boa sugestão de passeio é sair de Lisboa, visitar Carcavelos e suas vinhas para depois almoçar em Cascais, terminando a tarde com uma volta pela praia. Ou até tentar a sorte no Casino Estoril ali do lado.

O Carcavelos é um vinho antigo (séc. XIV) que ganhou reconhecimento internacional com o Marques de Pombal que produzia este vinho na sua quinta em Oeiras lá pelo séc. XVIII. No entanto, foi no reinado de D. José I e sob a forte influência do 1º Conde de Oeiras, Sebastião José de Carvalho e Mello que o vinho de Carcavelos conheceu o seu apogeu. Por isso mesmo, durante muito tempo este vinho foi conhecido como Conde Oeiras, mas devido a um desentendimento com o herdeiro do título, o nome foi modificado para Villa de Oeiras em 2004. Admirado por muitos, o vinho conquistou um adepto ilustre, o Duque de Wellington, que esteve em Portugal comandando as forças militares luso-britânicas, em defesa do exército napoleônico no princípio do séc. XIX. As tropas inglesas levaram consigo o tanto o nome quanto a fama do vinho de Carcavelos, tornando-o conhecido num dos mais importantes mercados internacionais. As qualidades dos vinhos generosos de Carcavelos foram oficialmente reconhecidas em 1907 e um ano depois foram definidos os princípios gerais da sua produção e comercialização.

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Porém, o tempo passou e não foi generoso com este vinho. As doenças, a falta de apoio e a urbanização massiva da região provocaram o fechamento de quase todas as quintas da DOC e quase determinaram a extinção do vinho de Carcavelos, não fosse a decisão em 1997 da Câmara Municipal de Oeiras em cooperação com a Estação Agronómica Nacional de apostar na revitalização de uma das velhas quintas da região. Começaram com apenas cerca de 5,5 hectares, plantados em 1984 e planos ambiciosos de não só proteger este patrimônio, mas fazê-lo crescer, inclusive com a recuperação da Quinta do Marquês de Pombal, incluindo a Adega Antiga.

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Não empurra, não!

O clima deste terroir é mediterrâneo, temperado e sem grandes amplitudes térmicas devido à proximidade do mar que se pode ver logo ali, pertinho das vinhas. O terreno calcário é voltado para o sul e ventos do norte que subtraem a humidade marítima.

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As castas são bastante exóticas, exemplo vivo da riqueza de castas autóctones disponíveis em Portugal.

  • Principais castas tintas: Castelão e Preto Martinho, num mínimo de 75%. A Trincadeira e a Rabo de Ovelha podem ser utilizadas até 25%.
  • Principais castas brancas: Galego Dourado, Ratinho e Arinto, num mínimo de 75%. A Seara Nova pode ser utilizada só até 25%.

Finalmente o vinho. Este néctar é um vinho generoso (fortificado), cor de topázio, portanto as castas brancas são as mais valorizadas para o vinho de Carcavelos. Um vinho aveludado e persistente, mas delicado com sabores e aromas amendoados, notas de frutas secas, mel e especiarias que adquire um perfume acentuado com o envelhecimento em barricas de carvalho por 10 anos.

O corte é feito com aguardente vínica a 77°, obviamente muito alcoólica mas delicada e que manterá o adocicado do produto final. O vinho descansa por cerca de 9 meses em tanque de inox, nas barricas e depois em garrafa. Dá para sentir porque vale o esforço para salvar esta preciosidade da extinção? O bom é que todo este trabalho culminou no crescimento do terroir cultivado para 12 a 15 hectares. A colheita mais recente deve produzir 60.000 litros e os mercados de exportação retornaram,  incluindo Espanha e a antiga cliente, a Inglaterra. Só falta o Brasil.

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Eu não podia terminar sem agradecer ao Tiago por sua gentileza em nós receber sem agendamento, bem na época das vindimas com a típica cortesia e boa disposição dos portugueses. Valeu, Tiago. Saúde!

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Conheça Colares um vinho raro que triunfa na adversidade há séculos / Colares a rare wine that has been triumphing in adversity for centuries

Escondida atrás da Serra de Sintra, a apenas 40 minutos de Lisboa, está a valente Colares, uma pequena DOC portuguesa que contra todas as probabilidades, faz um vinho maravilhoso há séculos e revela seus segredos apenas a quem se atreve a desbravá-la.

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A Região Demarcada de Colares, limitada a oeste pelo Oceano Atlântico e a sul pela Serra de Sintra, inclui parte da união das freguesias de São João das Lampas e Terrugem e parte da união das freguesias de Sintra, todas do Conselho de Sintra.  Para começar, Sintra já é um passeio imperdível para quem visita Lisboa. É também chamada de cidade de contos de fadas, pois está repleta de palácios encantadores que parecem saídos direto de um dos livros de princesa da Disney e imensos parques naturais com bosques de vegetação exuberante. Esta cidadezinha, Patrimônio Mundial da UNESCO, é a prova de que o homem pode interferir na paisagem e realçar a natureza.

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Castelo da Pena em Sintra, visto de Colares

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A linda cidade de Sintra, Patrimônio Mundial da Unesco.

 

 

 

 

 

Colares é região demarcada desde 1908, a DOC mais ocidental da Europa continental e a menor região produtora de vinhos tranquilos de Portugal. No começo de sua história, possuía 1.818 hectares, 1.690 em chão de areia e 128 em solo rijo. O granito domina as áreas montanhosas e o terreno arenoso as áreas mais baixas. E foi graças aos seus terrenos arenosos, onde a filoxera não conseguia penetrar, que estas vinhas sobreviveram à violenta invasão desta praga que em 1865 iniciou a devastação de grande parte das regiões vinícolas portuguesas. Além disso, esta combinação de granito nas colinas e areia nas áreas baixas desenham uma paisagem espetacular.

Logo Colares alcançou fama nacional com seus vinhos de castas autóctones cheios de personalidade, reconhecidos por figurões da época em todo Portugal. Em 1866, Ferreira Lapa, professor catedrático do Instituto Superior de Agronomia, dizia “O Colares é um vinho que possue todos os requesitos (sic) e qualidades dos vinhos tintos de Medoc. É o vinho mais francês que possuímos”. Antonio Batalha Reis escreveu em 1873: “Os nossos Colares tintos têm muito do Bordéus fino, e pena é que cuidados especiais não elevem estes vinhos à altura que lhes compete”.

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No entanto, esta fama, aliada às sérias limitações à produção, provocaram problemas. Na virada do séc. XX,  a demanda era muito maior que a produção e alguns produtores mais ambiciosos começaram a acrescentar aguardente ao produto original que quando não era misturado, só era encontrado a preços exorbitantes. Como a lei do mercado é impiedosa, logo a demanda pelo produto caríssimo e muitas vezes falsificado cai e a região demarcada entra em crise. Uma DOC inteira estava em perigo até que em 19 de setembro de 1934, publicava-se o estatuto da Região de Colares como verdadeira carta-magna do vinho de Colares.

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Porém, alguns anos antes, em 1931, havia sido fundada a Adega Regional de Colares, cujo papel foi fundamental na existência desta DOC para regulamentar e também apoiar os produtores locais. Esta é a mais antiga adega cooperativa de Portugal e reúne até hoje a maioria dos produtores da região demarcada de Colares. A utilização da DOC no rótulo implica na vinificação, pelo menos parcial pela Adega.

Outra característica muito especial de Colares é o modo bem diferente como foi feito o plantio destas vinhas: abriam-se valas que quase podemos chamar de trincheiras, pois têm profundidade de 3 a 8 metros na busca por terreno argiloso, já que sem ele a planta morre no verão por falta de humidade. Tradicionalmente, os experimentados trabalhadores que faziam este trabalho à mão devido à irregularidade do terreno se dividiam em 3 grupos. O 1° tirava a areia, o 2° afastava e o 3° ía cavando, portanto trabalhava nas piores condições de segurança e para se proteger, utilizavam cestos que colocavam na cabeça ao menor sinal de deslizamento para evitar a asfixia imediata e aguardar socorro. Barra pesada.


Colares, prioriza 2 castas, a tinto Ramisco e a branca Malvasia de Colares, ambas castas autóctones de pé franco.Como dizia Joaquim Rasteiro, ex-Ministro da Agricultura, em 1926: “A Ramisco é a casta característica e a que lhe dá um cunho distinto, mas o Ramisco criado nas areias movediças da dunas Atlânticas e absorvendo as contínuas massas de humidade que descem da serra. As cepas são rasteiras e descansam as varas na areia, sendo defendidas contra a violência dos ventos vindos do Oceano por abrigos de canas e mato.”

Além da proteção contra o vento, os cachos têm que ser protegidos contra o contato com o solo. Exatamente, com as vinhas rasteiras, as frutas entram em contato com a areia e podem se deteriorar. Cada cacho tem que ser levantado com uma pequena estaca para manter-se seco e são. O micro-clima aqui é muito peculiar. É bastante frio, a neblina raramente se levanta antes do meio-dia. Depois disto normalmente há sol quente até o fim da tarde quando o nevoeiro retorna novamente. O vento sopra constantemente. Incrivelmente, graças à proximidade de Sintra e Lisboa, esta região sofre uma agressiva especulação imobiliária, que aliada às dificuldades de cultivo e limitações de volume tem feito cada vez menos atraente a produção deste vinho.

Hoje, daqueles quase 2.000 hectares, só restam  12 a 15 hectares.  Você leu certo. Na verdade é bem difícil encontrar as escassas áreas de vinha da região. Você tem que se meter em pequenas estradas na região de Azenhas do Mar e espiar por entre estas proteções. Às vezes são macieiras, às vezes vinhas. Às vezes não há mais nada. As plantações estão simplesmente sendo abandonadas. Fui em 2013 e voltei em 2015. Muitas vinhas haviam tristemente desaparecido no areal ou sido tragadas pelo mato no mais puro abandono.

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A produção anual é pouco superior aos 20 mil litros e se resume a 4 produtores: a Adegas Beira Mar, a Adega Regional de Colares, a Adega Viúva Gomes e a Fundação Oriente. O engarrafador oficial é sempre a Adega Regional de Colares, que fornece a maioria do vinho.

Aproveite que você está por aqui e desfrute da bela da paisagem além de almoçar. A culinária regional é fantástica e obviamente baseada nos frutos do mar muito frescos.

Como sou fã destes vinhos e vou sempre que posso a Colares, já provei arroz de mariscos, polvo a lagareiro, os mexilhões e a peixada. Todos vão muito bem com o Malvasia de Colares. Um branco gastronômico, ácido, com frutos cítricos em nariz e em boca e uma mineralidade quase salgada que remete imediatamente ao seu terroir.

A tão comentada Ramisco é uma uva ácida e tânica, por isso o potencial de envelhecimento dos Ramisco de Colares que passam cerca de 4 anos em barrica ou tonéis antes de ser posto no mercado. Procure por exemplares com uns 10 anos para usufruir o melhor deste vinho. Prepare-se para belas frutas como ameixas, notas de fumo e couro tudo equilibrado com uma boa acidez e taninos presentes. E é claro, o balsâmico que caracteriza os vinhos mais antigos.

Diz  o Google que a Sociedade da Mesa importou vinhos de Colares em algum momento de 2013. Não sei se procede e no site não há informações, mas fica a dica.

E não perca a oportunidade de provar estes grandes vinhos se estiver perambulando por Portugal. Saúde!

Fonte: O Vinho de Colares – Edição da Adega Regional de Colares – 1938 (reimpressão do original)


Hidden behind the Serra de Sintra, just 40 minutes from Lisbon, is the brave Colares, a small Portuguese DOC that against all odds, makes a wonderful wine for centuries and discloses its secrets only to those who dare to unfold it.

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Colares DOC is bounded to the west by the Atlantic Ocean and to the south by the Serra de Sintra. It includes part of São João das Lampas and Terrugem and part of Sintra. For starters: Sintra is a must-see for anyone visiting Lisbon. It is called fairytale town for their charming palaces that look like they came straight out of one of Disney’s princess books. It also boasts immense natural parks with lush greenery. This little town, a UNESCO World Heritage Site, is proof that man can interfere with the landscape and enhance nature.

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Castle of the Pena in Sintra, seen from Colares

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The delightful city of Sintra, UNESCO World Heritage Site.

Colares is a DOC since 1908, the westernmost DOC of continental Europe and the smallest producer of still wines in Portugal. At the beginning of its history, it had 1,818 hectares, 1,690 in sand and 128 in hard soil. Granite dominates the mountainous areas, and the sand prevails in the lower areas. It was thanks to the sandy lands, where phylloxera could not penetrate, that these vines survived the violent invasion of this plague that in 1865 started the devastation of a lot of Portuguese wine regions. In addition, this combination of granite in the hills and sand closer to the beachfront draws a spectacular landscape.

Soon Colares achieved national fame with their wines of native grape varieties. Full of personality, they were recognized by bigwigs of the time in Portugal. In 1866, Ferreira Lapa, a professor at the Higher Institute of Agronomy, said “Colares is a wine that possesses all the requisites (sic) and qualities of Medoc red wines. It is the most French wine we have.” Antonio Batalha Reis wrote in 1873: “Our red Colares have a lot in common with fine Bordeaux, and it is a pity that special care does not raise these wines to the height where they belong.”

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This reputation, coupled with serious limitations to production, led to problems. At the turn of the XX century, the demand was much higher than production and more ambitious producers added brandy to the original product. that when it was not mixed, was only found at exorbitant prices. As the demand and offer rule the markets ruthlessly, soon the demand for the expensive and often falsified product falls and the DOC dives into crisis. An entire DOC was in danger until on September 19, 1934, the status of the Colares Region was published as a true carta-magna of the Colares wine.

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Regional Wine Cellar of Colares was founded a few years earlier, in 1931. Their role was fundamental to the existence of this DOC in order to regulate and also to support the local producers. This is the oldest cooperative winery in Portugal. It still gathers most the producers of the Colares DOC. Using DOC on the label implies vinification by the Cellar.

Another special feature of Colares is the remarkably different way in which these vineyards were planted. Ditches were opened, practically trenches since they have depths of 3 to 8 meters looking for clay soil since without it the plant dies in summer due to lack of humidity.

Traditionally, the experienced workers did this manually due to uneven terrain. They were divided into 3 groups. The first one took out the sand, the second one moved it away and the third one dug. This last group worked in the worst safety conditions. They used baskets over their heads to avoid immediate suffocation while they waited for help in case of landslides.

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Colares prioritizes 2 grape varieties: red Ramisco and white Malvasia de Colares, both indigenous breeds from a frank foot. As Joaquim Rasteiro, former Minister of Agriculture said in 1926: “Ramisco is the characteristic variety from this DOC but the Ramisco harvested from shifting sands of Atlantic dunes which absorb the continuous masses of moisture that descend from the mountains. The vines grow close to the sand and are supported by rods, being defended against the violence of the winds coming from the ocean by fences and natural forage.”

Besides wind protection, vines must be protected against contact with the ground. If the fruit comes in contact with the sand, they can rotten. Each bunch of grapes has to be lifted with a small stake to keep it dry.

The micro-climate here is extremely peculiar. By the morning, it is rather cool and the mist rarely rises before noon. Usually, the sun is hot until the late afternoon when the fog returns. The wind blows constantly.

Incredibly, thanks to the proximity of Sintra and Lisbon, this region undergoes an aggressive real estate speculation, which together with the difficulties of cultivation and volume limitations has made the production of this wine less and less interesting.

Today, of those approximately 2,000 hectares, only 12 to 15 hectares remain. You read that right. In fact, it is particularly difficult to find the sparse vineyards in the neighbourhood. Get on small roads near Azenhas do Mar and peer through the protection fences. Sometimes they are apple trees, sometimes vineyards. Sometimes there is nothing left. The plantations are commonly being abandoned. I went in 2013 and I came back in 2015. Many vineyards sadly disappeared in the sand or had been swallowed by vegetation.

The annual production is a little over 20 thousand litres and it is reduced to 4 producers: Adega Beira Mar, Adega of Colares, Viúva Gomes Winery and Oriente Foundation. The official bottler is always the Colares Regional Wine Cellar.

When you are here enjoying the gorgeous landscape, have seafood lunch. The regional cuisine is fantastic and based on the wonderfully fresh seafood.

As I am a fan of these wines and I go whenever I can to Colares, I have tasted seafood rice, octopus, mussels and fish. All a perfect pairing for Malvasia de Colares. A gastronomic, acidic white with citrus fruits on the nose and in the mouth and a salty minerality that at once brings memories of its terroir.

Ramisco is an acidic and tannic grape, so Ramisco de Colares spends about 4 years in barrels before being sold. Look for vintages with 10+ years to enjoy the best of this wine. Get ready for pretty fruits such as plums, notes of smoke and leather all balanced with a good acidity and tannins present. And the balsamic that characterizes the older wines.

Do not miss the opportunity to drink these great wines if you are in Portugal. Cheers!

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Source: The Colares Wine – Edition of the Colares Regional Wine Cellar – 1938 (reprint of the original)

Tropeiros, japoneses, maçãs. E vinhos de altitude, dá pra acreditar?

No nosso post mais recente, falamos sobre a aula de história que significou nossa visita à encantadora Laguna, mas contamos que de lá íamos em direção ao Planalto Catarinense, conhecer os vinhos de altitude brasileiros. Para isso, precisamos fazer o mesmo caminho que os tropeiros fizeram há centenas de anos, cruzando a bela e temida Serra do Rio do Rastro.
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Serra do Rio do Rastro. O caminho dos tropeiros. Lááááá no horizonte está o litoral (Laguna).

O traçado original desta rota começa em Laguna (SC) e termina em Sorocaba (SP). Pode ser que você, como eu, imagine que o início da rota dos tropeiros era o Rio Grande do Sul, mas estamos enganados. Na Biblioteca Nacional existe o que se supõe ser o primeiro mapa da Rota dos Tropeiros e esse documento indica que foi entre as cidades catarinenses de Laguna e Araranguá, exatamente no Morro dos Con­ventos, que tudo começou (veja mapa abaixo).

EFonte: Carlos Solera (pesquisador), Leandros Santos (Infografia) e Gazeta do Povo.

Fontes: Carlos Solera (pesquisador), Leandro Santos (Infografia) – reprodução parcial – e Gazeta do Povo.

A exploração da rota se deu cerca de 1728 e em 1730 partiu de Laguna a primeira tropa com muares rumo a Ouro Preto (MG): foram 3 mil mulas e burros conduzidos por 130 tropeiros sob o comando do patrono atual do tropeirismo Cristovão Pereira de Abreu. Levou quase 18 meses para o trajeto ser concluído e olha que parte do trabalho dos tropeiros foi facilitada porque eles fizeram uso de trilhas indígenas para criar a rota.

Homenagem aos tropeiros de São Joaquim.

Homenagem de São Joaquim aos tropeiros.

Entre o Rio Grande do Sul e Minas Gerais passaram cerca de 12 mil muares por ano entre 1730 e 1897. As tropas seguiram, mas nos caminhos que ficaram conhecidos como a Rota dos Tropeiros muito permaneceu. Ali se formaram famílias, uma gastronomia e cultura típicas e estima-se que nada menos do que mil cidades foram fundadas para dar suporte à nova atividade econômica. Inicialmente, eram um punhado de corajosos que vendiam alimentos e serviços ao longo da rota, mas com o passar dos anos o amontoado de casebres destes comerciantes se transformaram em cidades.

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São Joaquim nasceu na rota do tropeirismo.

Por volta de 1733, o caminho que começava em Laguna teve de ser abandonado por­­que na região onde fica hoje Urupema, havia índios muito agressivos que colocavam os viajantes em perigo. Hoje você ainda consegue observar alguns índios remanescentes vivendo numa situação terrível ao longo da estrada nesta região. Voltando à rota. Foi a partir daí que o Rio Grande do Sul entrou para a Rota dos Tropeiros: um novo ramal foi aberto com início na cidade de Viamão (RS) – os tropeiros abandonaram o caminho litorâneo de Laguna e passaram a seguir do Rio Grande do Sul pelo planalto catarinense. “Por este motivo Laguna sofreu um definhamento econômico no pe­­ríodo”, afirma o historiador Fábio Kuhn, professor da Uni­­versidade Fede­­ral do Rio Gran­­de do Sul. Triste para Laguna, bom para São Joaquim.

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E o problema eram os índios ferozes.

A antiga rota já havia deixado suas marcas e a que nós buscamos está a 3 horas de viagem de carro de Laguna pela sinuosa estrada da Serra do Rio do Rastro, a 1.260 metros de altitude. Este terroir especial é marcado pela altitude, pelo frio e pelo clima predominantemente seco devido a presença de ventos constantes. É por isso que a vindima aqui ocorre em abril e não em fevereiro como na Serra Gaúcha, propiciando um longo período de maturação tão benéfico para as frutas. Isto tudo é a pacata São Joaquim, com seus 24.000 habitantes, a cidade mais fria do Brasil. Conhecida como destino turístico daqueles que procuram neve em nosso país, pois desde maio, mesmo que não seja oficialmente  inverno, as mínimas giram em torno de 3°C e 8°C e as máximas entre 11°C e 16°C. Este período se estende até outubro. Ou seja, é frio mesmo a maior parte do ano. É claro que com o aquecimento global as coisas têm mudado um pouco e há 2 anos não neva lá.

Boneco de neve em São Joaquim. Há 2 anos ele está sozinho nessa...

Boneco de neve em São Joaquim. Há 2 anos ele está sozinho nessa…

A primeira vinícola visitada foi a Sanjo. A história da Sanjo começa em 1927 com a fundação da Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC) em São Paulo que acabou fechando as portas na década de 80. Depois dessa, um grupo de 34 fruticultores, a maioria oriundos da CAC começou a procurar uma nova fronteira para estabelecer seus pomares e foi aí que encontraram São Joaquim. Hoje, a Sanjo possui 115 cooperados e produz mais de 50 mil toneladas anuais de maçãs das variedades Gala e Fuji, em uma área plantada de 1.100 hectares.

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Maçãs sendo lavadas.

A colheita da maçã começa agora em janeiro e vai até o fim de junho. Porém a gente quer maçã fresquinha o ano todo, né? Então as maçãs colhidas vão para um período de dormência onde o processo de maturação é interrompido através da colocação das mesmas em câmaras frias (cerca de 2°C) e da retirada de parte de oxigênio das mesmas através de processos especiais.

Maçãs saindo das câmaras frigoríficas e sendo preparadas para ir ao mercado.

Maçãs saindo das câmaras frigoríficas e sendo preparadas para ir ao mercado.

A maçã Gala é mais esponjosa, macia e tem sabor mais suave (mais barata). A variedade Fuji é mais suculenta, crocante e possui um sabor mais cítrico (mais cara). Foi aqui que eu aprendi que pingo de mel não é só uma expressão. É um fenômeno real que ocorre nas maçãs Fuji. Você pode observar um amarelado mais escuro próximo ao centro (cor de mel mesmo). Significa que a maçã foi colhida provavelmente entre abril e junho e tem um sabor diferenciado. Daí só provando mesmo.

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Interior de câmara fria para conservação das maçãs.

São 77 câmaras frias com capacidade de 1.200 caixas de maçã. É maçã pra caramba. Depois de retiradas da câmara fria, as maçãs são lavadas, separadas em categorias (extra, 1, 2 ou industrial) e embaladas a mão para serem entregues no supermercado mais perto de você na época do ano que você desejar. Sabia disto? Nem eu.

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Área de etiquetagem e embalagem manual das maçãs.

Mas as perspicazes mentes orientais perceberam que as condições do terroir eram propícias para o cultivo de vinhedos. A partir de 2002, aliando os valores da tradição japonesa à qualidade das uvas francesas e à experiência de enólogos de descendência italiana, vindos das vinícolas da Serra Gaúcha, numa típica mistura brasileira, a Sanjo resolveu enveredar pelo caminho da produção de vinhos de altitude. Atualmente, a empresa possui cooperados cultivando uvas em uma área total de 30 hectares (a maioria perto de Pericó, cidade a meia horinha de São Joaquim) e produz cerca de 100.000 litros de vinho.

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Barris de carvalho da Sanjo.

A Sanjo possui 3 linhas de vinhos: a linha de entrada, a Nobrese, a premium Núbio e a super premium Maestrale. Na nossa visita, degustamos o espumante Nobrese Moscatel, de aromas e sabores muito delicados, um vinho de excelente custo / qualidade.

A linha Nobrese.

A linha Nobrese.

Depois, foi a vez d Núbio Sauvignon Blanc 2013 com suas notas marcantes de maracujá que foi premiado na 11ª edição do Concurso Mundial de Bruxelas etapa Brasil.

A linha Núbio.

A linha Núbio.

Para finalizar a seção de vinhos, degustamos 4  Cabernet Sauvignons:

  1. o versátil Nobrese Cuve sem passagem por madeira;
  2. o interessante Nubio 2007, com 50% passagem em barris de carvalho e 50% em tanque de inox, medalha de prata na  11° Edição Brasil do Concurso Mundial de Bruxelas;
  3. o elegante Maestrale 2004 com passagem em barris de carvalho.
  4. e o encorpado Maestrale 2008 que tem passagem mais longa em carvalho e posterior amadurecimento na garrafa. Medalha de bronze no Challenge International du Vin – France 2014.
A linha Maestrale.

A linha Maestrale.

Obviamente são 4 vinhos completamente diferentes com características marcadas da casta e cuja madeira é incorporada em níveis diferentes para agradar os vários paladares.

Dois produtos interessantes que degustamos foram o Calvados, um destilado de fermentado de maçã e o próprio fermentado de maçã. O Bardocco é o fermentado de maçã da Sanjo, com borbulhas como os espumantes, feito com 50% maçã Gala e 50% maçã Fuji. Não é exatamente sidra pois de acordo com a legislação brasileira, a sidra só pode ter até 7.5% de álcool e o Bardocco tem 11%. Mas, vamos lá conhecer esta bebida milenar que é extremamente popular na França, mais precisamente na Normandia. Por que esta é diferente das outras do mercado? Qualidade: da colheita manual e selecionada das frutas cultivadas em altitudes acima dos 1.000 metros na região de São Joaquim, passando pela prensagem a frio do suco extraído através da centrifugação, a bebida é então fermentada em tanques de aço inox com temperatura controlada. Fermentada pelo método charmat como alguns dos melhores espumantes – e diferente de muitas outras produções brasileiras que utilizam apenas uma fermentação –  o Bardocco lembra mesmo maçãs, com toques doces e cítricos, leve e  muito delicada com preço atraente, levamos uma direto para a ceia de Natal e agradou a todos.

O fermentado de maçã Bardocco.

O fermentado de maçã Bardocco.

O Apple Jack é basicamente o Bardocco (o fermentado de maçã descrito acima) duplamente destilado em alambique de cobre, estagiando por 24 meses em barris de carvalho. Este Calvados tem teor alcoólico de 43% e surpreende com notas de cravo, canela, mel, maçã. Parece um bolo alcoólico. Adorei!

O destilado de maçã (Calvados) Apple Jack da Sanjo.

O  Apple Jack da Sanjo.

Além disso a Sanjo produz uma variedade de sucos.

Suco de uva, de maçã e de maçã com uva, além de outras variedades.

Suco de uva, de maçã e de maçã com uva! Além de outras variedades.

A Sanjo está aberta a visitação e vale a pena conhecer, mas não espere uma vinícola típica. Espere a austeridade, objetividade e qualidade orientais.

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Instalações de vinificação da Sanjo.

A outra vinícola que visitamos, foi a Villa Francioni, a realização do sonho de uma vida do empresário catarinense Dilor Freitas que infelizmente faleceu antes de ver seu sonho inteiramente concretizado.

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Um estilo de vinícola totalmente diferente da anterior. Localizada também pertinho de São Joaquim,  em solo argiloso, pedregoso e profundo com um desnível tão espetacular que além de utilizá-lo na tradicional exposição solar das vinhas, os proprietários a usaram também na vinícola para facilitar o fluxo gravitacional do vinho, evitando assim  o uso de transferência mecânica.

Os desníveis da vinícola para aproveitar o fluxo gravitacional.

Os desníveis da vinícola para aproveitar o fluxo gravitacional.

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Evitando assim os choques da transferência mecânica.

 

 

 

 

 

 

A colheita é manual. A beleza e atenção aos detalhes se nota até nas paredes. O amante da arte Dilor trouxe de Crisciúma 220.00 tijolos (ou assim reza a lenda) de estufas de secagem de fumo, portas da Indonésia vitrais do Uruguai, murais espetaculares de Rodrigo de Haro e muitos outros itens para compor o cenário de sua vinícola.

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Vitral trazido do Uruguai.

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Tijolos de estufas de fumo e painel do artista Rodrigo Haro.

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Porta da Indonésia.

 

A adega, com capacidade para 180.000 garrafas, foi cavada na encosta de pedra, o que mantém um controle natural da temperatura de 11°C a 13°C.

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Por aqui eu já havia visto bastante o conhecido Rosé da Villa Francioni que tem 8 castas, inclusive a estrela do terroir, a Sangiovese. Um que continuou inédito é o famoso Sauvignon Blanc com muita pêra de maio, típica da região, herbáceo e maracujá que foi escolhido como o melhor exemplar do país pelo crítico Jorge Lucki.

Mas degustamos 4 vinhos muito legais:

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  1. o refrescante Villa Francioni Espumante Brut Rosé, com notas de cereja e morango, delicado e cremoso;
  2. o amanteigado  Villa Francioni Chardonnay com estágio de 10 meses de estágio em carvalho francês novo;
  3. o Villa Francioni 2009. Um corte de Cabernet Sauvignon, Merlo, Cabernet Franc e Malbec com 16 meses de carvalho, complexo e com camadas de frutas vermelhas e especiarias, a madeira bem integrada. Muito elegante;
  4. o preferido Joaquim 2011, um corte de Cabernet Sauvignon e Merlot que passa 10 meses em carvalho francês. Fácil de tomar, tem frutas vermelhas escuras bem integradas com especiarias e um custo / qualidade muito interessante.
Nosso preferido.

Nosso preferido.

Mais 2 que ficaram pendentes para degustação foram o colheita tardia de Sauvignon Blanc botritizado, envelhecido por até 4 anos e o licoroso de Cabernet Sauvignon estilo amarone.

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Outra coisa que descobri é que Santa Catarina é enorme. E que as vinícolas ficam distantes uma das outras para aproveitar tudo num bate e volta, então se você está com pressa, a Casa do Vinho é um bom local para adquirir uma grande variedade dos vinhos locais sem se deslocar demais.

E por falar em correria, não tivemos oportunidade de desfrutar dos muitos restaurantes legais da região. Comemos na lotada, popular, simpática e deliciosa Churrascaria Schlichtung (Tripadvisor). Recomendo.

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Todas as fotos e texto são próprios, mas utilizamos algumas fontes:

Crédito de informações sobre a cidade. Portal da Prefeitura de  São Joaquim.

Crédito de imagem do mapa e informações históricas: Carlos Solera (pesquisador) e Gazeta do Povo. Bem-vindos burros e mulas.

Laguna, uma aula de história a caminho dos vinhos de altitude.

Imagine a cena histórica: os governantes de Portugal e Espanha, as 2 grandes e audazes potências navegadoras do século XV, pedem ao Papa que divida o mundo e ele para acertar as brigas entre os 2, publica uma Bula papal em 1493. Mas Portugal tinha lá suas desconfianças de que iria perder um bom pedaço de terra para os espanhóis com este limite e convenceu-os a assinarem o Tratado de Tordesilhas em 1494. Resultado: Portugal dá de cara (aham …. sei) com o Brasil em 1500 e descobre (?) que a linha imaginária de 1,5 milhão de quilômetros de extensão, cortava o Brasil desde a Ilha de Marajó (PA) ao norte a Laguna (SC) ao sul. Portanto, as terras a leste do meridiano seriam portuguesas e os territórios a oeste pertenceriam aos espanhóis. Tudo bem que ninguém nunca respeitou estes limites, mas os livros de história e o marco estão aí para me ajudar a contar o conto.

Marco de Tordesilhas.

Marco de Tordesilhas em Laguna.

Localizada a 1 hora e meia de Florianópolis e dona de uma história e beleza muito peculiares, Laguna foi uma das primeiras cidades catarinenses, fundada em 1676 logo após Desterro (atual Florianópolis) em 1673 e São Francisco do Sul  (a primeira) em 1658. E a razão histórica você viu aí em cima. Laguna servia como posto avançado da coroa portuguesa, utilizada como ponto estratégico de apoio para a resistência à Espanha no sul do Brasil.

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O casario antigo é testemunha da importância e riqueza de Laguna no séc. XVIII.

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Seu fundador, Domingos de Brito Peixoto alcançou projeção na Guerra dos Farrapos em 1835, onde abraçou o ideal republicano e foi em Laguna que instituiu pela segunda vez, em território brasileiro, uma república, chamada de República Catarinense ou Juliana em 1839.

A ex-sede da República Catarinense.

A ex-sede da República Catarinense.

Os ares separatistas estavam soprando forte, junto com o minuano, vindos do Rio Grande do Sul, alimentados pelo descontentamento do governo com o imposto sobre o charque e a erva-mate. Só que não foi só isso que o vento trouxe de lá. Em 21 de julho de 1839 Giuseppe Garibaldi, tendo assumido o comando do “Seival” após naufragar perto dali, se abriga na Lagoa do Camacho e chega à foz do rio Tubarão, que fica ao ladinho de Laguna. Dia 22, ocorre a tomada de Laguna e no dia 24, a fundação da República Juliana.

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Nossa Senhora da Glória, propicia uma vista maravilhosa, além de um momento de reflexão diante desta beleza histórica.

Vista de Laguna.

Vista de Laguna.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Garibaldi foi então convidado para tomar um café na casa de pescadores da Barra de Laguna, recebeu a xícara das mãos de Ana Maria de Jesus Ribeiro, cidadã lagunense, casada em 30 de agosto de 1835, na Igreja Matriz de Laguna com Manoel Duarte de Aguiar, um sapateiro nascido na Barra da Lagoa ou em Ingleses, em Desterro (Floripa, lembra?). Garibaldi indaga quem era a moça e alguém responde que era “Aninha”, e ele, admirando-a chama-a de “Anita” (diminutivo de Ana na língua italiana). Ao sair da casa, toma suas mãos e sentencia, em italiano: “Tu tens que ser minha”. Dá pra ver que o garboso Capitão Garibaldi não perdia tempo seja na conquista de terras, como das gatinhas, né? Do destino do marido há várias versões, mas a mais corrente é que foi para o Rio Grande do Sul lutar contra os Farroupilhas.

Igreja onde Anita Garibaldi se casou com o primeiro marido, Manoel.

Igreja Santo Antonio dos Anjos, onde Anita Garibaldi se casou com o primeiro marido, Manoel.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aninha, agora conhecida por Anita Garibaldi, foi uma menina de origem humilde, sem nenhuma instrução que calçou seu primeiro sapato já moça. Porém, possuía uma tenacidade e um amor à liberdade só reservada aos grandes heróis. Admirada no Brasil e idolatrada na Itália, nasceu em 30 Agosto de 1821 vindo a falecer em 04 de agosto de 1849, muito jovem e muito doente. Uniu-se a um revolucionário, foi soldado, enfermeira, esposa e mãe. Em todos os papéis, sua batalha sempre foi travada em nome da liberdade e da justiça. Tornou-se a “Heroína dos Dois Mundos” pois lutou aqui e morreu lutando na Itália por seus ideais.

Anita era tão pobre que esta era a casa onde se arrumou para seu casamento.

Anita era tão pobre que esta era a casa (hoje museu) onde se arrumou para seu casamento.

No centro da cidade, a Doca é um local onde pequenas embarcações e iates ancoram. No passado também esteve ancorado nas Docas, o tal navio “Seival”, aquele conduzido por Giuseppe Garibaldi. Um lindo local onde se pode apreciar o pôr do sol e durante a noite a Lagoa Santo Antônio iluminada.

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A bela doca no centro de Laguna.

Outra maravilha da beleza natural de Laguna é a pesca com auxílio dos botos que já faz parte da cultura local e hoje atrai milhares de turistas para a cidade durante o ano todo. A técnica é a seguinte: nas águas onde a lagoa se encontra com o mar aberto, os botos cercam os cardumes, geralmente de tainhas, para levá-los até os pescadores à beira dos Molhes. Os pescadores de pé, em fila dentro d’água preparam suas tarrafas para o arremesso. Quando o boto surge conduzindo o cardume em direção à praia, os pescadores acompanham a perseguição. Tentando escapar, os peixes procuram lugares mais rasos, onde o boto não pode chegar. As tarrafas são então atiradas ao mar, quase simultaneamente.

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Observação dos botos no Molhe da barra. A quantidade realmente impressiona.

Os botos são uma espécie de golfinhos. Nascidos nesta região e em contato diário com o ser humano, acabam perdendo o medo e começam a trabalhar juntos. Não se sabe ao certo quando começou esta parceria, mas de acordo com a cultura local, já faz muito tempo. O espetáculo da pesca em parceria com os botos só existem em três lugares no mundo: na Austrália, África do Sul e em Laguna.

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Estima-se que há cerca de 40 botos nas lagoas da cidade e todos são reconhecidos pelos pescadores por seus respectivos nomes, colocados por eles mesmos. São eles: Tafarel e seu filhote Borrachinha, Canivete, Chinelo, Juscelino, Chega Mais, Galha Torta e outros.
Os botos nascem, crescem e desaparecem nas lagoas da cidade. A pesca com auxílio dos botos ocorre durante o ano todo, mas é nos meses de abril, maio e junho que se torna mais atraente, devido ao ciclo da tainha. Para assistir este espetáculo é só procurar o Molhe da Barra. A pesca da tainha é considerada uma forte atividade em Laguna e tornou-se um dos pratos mais procurados na região

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Restaurantes no Mar Grosso, ideais para se degustar a tradicional tainha.

Outro ponto de visita interessante em Laguna é a Fonte da Carioca, construída pelos escravos, em 1863, a Carioca até hoje abastece a população de água potável, cuja nascente, no alto do morro é protegida e fiscalizada constantemente. Ao processo de depuração natural uniu-se a filtração artificial com filtros de areia. A água da Fonte da Carioca, conforme crendice popular, tem poderes afrodisíacos, sendo que os visitantes que beberem desta água ficarão eternamente enamorados por Laguna e aqui sempre voltarão.

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A Fonte da Carioca, água pura e muitas lendas.

Após ter uma posição bem estabelecida no litoral, os portugueses sentem a necessidade de ocupação do interior e aparecem os caminhos tropeiros que levavam principalmente gado do Rio Grande do Sul a Sorocaba. Lages é fundada em 1771, ligada a Laguna pela estrada da Serra do Rio do Rastro. Mafra, Curitibanos, Campos Novos e São Joaquim são fundadas para dar pouso aos tropeiros e assim começa uma das novas fronteira do vinho: o Planalto Catarinense, esse é o nosso rumo, mas isso é assunto para outro post. Até mais!

Serra do Rio do Rastro. O caminho dos tropeiros.

Serra do Rio do Rastro. O caminho dos tropeiros. Vamos nessa com a gente?