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2 histórias se cruzam por um instante e 4 séculos: Solar de Mateus e Mateus Rosé

Portugal tem muitas marcas de vinhos populares ao redor do mundo, por exemplo, Casal Mendes, Periquita, Calamares, Casal Garcia e o Mateus Rosé, para mencionar alguns. Curiosamente, o Mateus Rosé não é muito popular por aqui, porém foi a primeira marca portuguesa de vinho apreciada mundialmente, estando presente em 125 países, há várias décadas.

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A história do Mateus Rosé começa em 1942, quando Fernando Van Zeller Guedes, o fundador da gigante de vinhos portuguesa, Sogrape, criou um conceito distinto, apresentado numa garrafa inovadora. A garrafa foi inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O tal vinho era diferente: cor-de-rosa, adocicado, refrescante e com uma efervescência ligeira. O rótulo foi uma homenagem ao grandioso património histórico português.

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Antiga garrafa de Mateus à venda no eBay.

O vinho especialmente concebido para os mercados norte-americano e do norte da Europa, cresceu rapidamente nas décadas de 1950 e 1960 e, no final da década de 80, junto com a versão de branco, representou quase 40% da exportação total de vinho de mesa de Portugal.

No início dos anos 70, Mateus Rosé era o vinho mais popular do mundo. A Rainha Elizabeth está até hoje entre suas fiéis consumidoras. Diz a lenda que a Rainha ficou insatisfeita com a selecção de vinhos oferecida em uma festa privada no Hotel Savoy em Londres no início dos anos 60 e pediu ao maitre que lhe trouxesse Mateus.

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Jimmy Hendrix curtindo um Mateus.

Hoje, o vinho perdeu um pouco de sua popularidade internacional, mas mesmo assim milhares  de estrangeiros (70% dos 80.000 visitantes anuais) buscam o edifício que corre o mundo no rótulo do Mateus Rosé. O Palácio ou Solar de Mateus está situado na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, Distrito de Vila Real e foi construído na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão para substituir a casa da família, já existente no local, desde o início do século XVII.

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Um Solar para chamar de seu.

Segundo especialistas, a construção da casa, ou pelo menos de sua fachada central e decoração, é atribuída ao artista, decorador e arquiteto italiano Nicolau Nasoni (Toscana, 2 de Junho de 1691 – Porto, 30 de Agosto de 1773), considerado um dos mais significativos arquitetos da cidade do Porto durante o século XVIII.

A fachada do palácio se destaca pela dupla escadaria que conduz à porta principal, sobre a qual aparece o escudo familiar flanqueado por duas estátuas. No interior,  pode-se visitar uma biblioteca que abriga livros do século XVI, valiosos móveis, porcelanas e quadros e um pequeno museu onde se encontra 1 edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, da qual só se produziram 200 exemplares. Parte da casa é fechada à visitação, pois ainda é habitada pela família.

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O palácio encontra-se rodeado por um lindo jardim cravado de belas estátuas. Chama a atenção, uma escultura de 1981, de João Cutileiro – Dorme no Lago. E muitas vinhas. Porém, o vinho rosado das garrafinhas bojudas não é feito aqui. O Palácio produz um vinho sim, mas o Porto Quinta da Costa das Aguaneiras. Exatamente, tudo que os 2 têm em comum é a fachada da mansão no rótulo mundialmente famoso e nada mais.

Em 1911, o Palácio de Mateus foi classificado como Monumento Nacional. Acima de tudo, a Casa de Mateus é hoje uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o patrimônio histórico e fomentar a atividade cultural.

E mesmo que estas 2 histórias se cruzem por um momento muito mais breve do que eu poderia esperar, recomendo tanto a visita ao Palácio quanto uma boa garrafa de Mateus.

Fonte: Vinho Mateus Rosé e Casa de Mateus

Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira? Alguém colocou tudo isto lá? Descubra aqui o segredo para esta pergunta que não quer calar.

Existem bem mais de 100 compostos aromáticos individuais no vinho que interagem uns com os outros para criar milhares de aromas potenciais. Ainda assim, apesar do que você possa ter ouvido, não importa se você é um super provador ou aquele tipo de cara que gira a taça e cheira em desespero sem sentir absolutamente nada, quase todo mundo pode melhorar o seu olfato, aprendendo a identificar diferentes aromas no vinho. Isso soa complicado, mas se resume simplesmente a praticar e prestar muita atenção – e é claro que anotar umas dicas do Master Sommelier Matt Stamp, não vai fazer mal para ninguém.

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Aroma pra caramba!

Se você já detectou aromas distintos no vinho, provavelmente você está a caminho de aprender a identificar diferentes classes de aromas. Por exemplo, você pode ter encontrado uma nota de pimentão verde, grama recém cortada ou até mesmo cheiro de gasolina. Por mais complexa que seja a ciência dos aromas, existem algumas classes  de compostos muito conhecidos, referidos como compostos de impacto, que são prevalentes em certos vinhos. Estes compostos de impacto são como indicadores muito relevantes, apontando para um varietal e não outro, o que significa que aprender a identificá-los pode desbloquear habilidades sobrenaturais de degustação tipo o Masters da vida. Da próxima vez que você provar um vinho, tente identificar o seguinte:

1.Pirazinas (metoxipirazina)
Aromas de pimentão, grama cortada fresca, pimentão verde, aspargos, ervilha e terra.
Vinhos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carménère, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
As pirazinas são mais associadas com variedades de Bordeaux. Em vinhos tintos, é muitas vezes um toque mais difícil de sentir e às vezes pode ser associada com aroma de chocolate amargo. A maioria dos enófilos adoram estes aromas nos seus brancos, mas o tomam com reserva nos tintos. Curiosamente, à medida que os vinhos tintos envelhecem, a pirazina modifica-se, revelando cereja e chocolate.
Existem 3 metoxipirazinas primárias que contribuem com aromas “vegetais”:
. 2-metoxi-3-isobutil-pirazina (IBMP) = aromas de pimentão, terra, grama e herbáceos;
. 2-metoxi-3-isopropilpirazina (IPMP) = aromas de aspargos, ervilhas e terra;
. 2-metoxi-3-alquilpirazina = aromas de noz e defumados.

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2. Monoterpeno
Aromas de rosas, flores, frutas doces, mexerica, coentro e especiarias doces.
Vinhos: Gewürztraminer, Viognier, Riesling, Albariño, Muscat Blanc e Torrontés.
Os monoterpenos mais pronunciados incluem os compostos de Linalol, Geraniol e Nerol. Estes são os mesmos compostos aromáticos utilizados para criar perfumes, sabonetes e xampus com aromas doces por isso não é nenhuma surpresa que algumas pessoas possam descrever estes vinhos como tendo um cheiro de sabonete. O que é interessante sobre estes aromas é que ao contrário dos outros compostos, você pode senti-los nas frutas, ou seja, eles independem da vinificação.

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3. Sotolona
Aromas de curry, xarope de bordo (o famoso maple syrup), feno-grego, nozes e melaço.
Vinhos: oxidados como Madeira, Vin Jaune, Jerez, Sauternes e alguns tintos ou Chardonnays bem antigos.
Este é o principal composto de sabor encontrado no feno-grego. No vinho, provém da oxidação e é mais prevalente em vinhos fortificados como o Jerez e o Madeira. Você também pode prová-lo se você envelhecer um vinho branco por cerca de 7 a 10 anos, este aroma é intrigante e fundamental para identificar vinhos antigos.

 

Maple Syrup: aproveite para provar fora do Brasil. Taí um aroma difícil para nós. Feno-grego é mais fácil de encontrar. Vire um rato de feiras, supermercados e floriculturas.

4. Rotundona
Aromas de pimenta preta, manjerona, couro, cacau em pó e ervas.
Vinhos: Syrah ou Shiraz, Grenache, Zinfandel, Petite Sirah, Grüner Veltliner e Mourvèdre.
Este composto é o ingrediente chave nas pimentas preta e branca e é cerca de 10.000 vezes menos prevalente no vinho. Ainda assim, a sensibilidade humana a este composto é muito elevada, por isso desempenha um papel importante nos perfis de sabor dos vinhos que o contêm.

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5. Compostos de Enxofre
Podem ser o segredo da super discutida origem da mineralidade no vinho.
Vinhos: Chablis e Champagne
Alguns compostos de enxofre têm notas fantásticas, como o aroma de giz num excelente Chablis. Outros são bem ruins, como cheiro de lã molhada,  considerado uma falha no vinho causada pela exposição à luz solar.

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6. TDN (1,1,6, -trimetil-1,2-di-hidronaftaleno)
Aromas de querosene, petróleo e diesel.
Vinhos: possivelmente em Sauvignon Blanc e Chardonnay, mas é mais perceptível (e amado) no Riesling.
Este aroma é um dos poucos compostos que quase inexistem em uvas ao natural e se desenvolvem nos vinhos à medida que envelhecem. Os vinhos com notas mais pronunciadas de gasolina vêm de vinhedos mais quentes porque este composto se desenvolve com uvas expostas à forte luz solar.

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7. Diacetil
Aromas de manteiga e creme de leite.
Vinhos que sofreram fermentação maloláctica.
Este composto é muito mais pronunciado em vinhos brancos, mas acrescenta um aspecto muitas vezes descrito como cremoso ou aveludado ao vinho tinto. O diacetil se origina no processo de pós-fermentação chamada fermentação maloláctica que envolve bactérias que consomem o ácido málico e o transformam em ácido láctico. O resultado é um vinho incrível com aroma e textura cremosos e amanteigados . Pouquíssimos vinhos brancos passam por este processo é esta uma das principais razões para que tenham um sabor muito diferente dos vinhos tintos.

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Creme e manteiga. Uma delícia fora e nos vinhos.

Além da maravilha que o vinho como ser vivo representa, através de sua riqueza de compostos, fermentação e envelhecimento, teoriza-se que a videira desenvolveu estes compostos de aroma como um avanço evolutivo para atrair insetos e animais para auxiliar na polinização e dispersão de sementes. Não vamos desapontá-las, não é mesmo?

Créditos fotos: internet.

Fonte: a sempre brilhante http://winefolly.com/tutorial/impact-compound-aromas/

Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida?

Você já reparou que ao adicionar água ao uísque, que reduz sua porcentagem de álcool, se revelam novos e sutis sabores? Ou que uma taça de vinho tinto tem menos sabor frutado do que suco de uva sem álcool? 

Já que nosso assunto principal é vinho, comecemos por inalar profundamente o vinho que está na sua taça para compreender este processo. Você pode descrever os aromas que detecta? Frutas secas, frutas frescas, flores, grama, madeira e/ou especiarias? Esqueça os caríssimos kits atopetados de aromas artificiais tipo morango de xarope ou cereja de balinha. Ou vice-versa. Uma boa maneira de treinar seu cérebro e aumentar a sua memória olfativa é treinar em feiras, jardins, floricultura e lojinhas de temperos.

 

 

 

 

Esta lojinha de temperos pode ser um banquete de aromas.

Graças ao nosso sentido do olfato,  podemos detectar até 10.000 odores diferentes, embora não possamos identificar todos eles. Isto acontece por causa do “limite de detecção” que é a concentração mínima de um aroma que deve estar presente para que possamos percebê-lo. Agora, atenção que isto é importante:

  1. Os aromas, também chamados de cheiros, odores e fragrâncias, consistem em uma ou mais moléculas de aroma. Os aromas são voláteis e atingem o nosso olfato através do intervalo entre os mesmos, ou seja, o espaço aéreo diretamente acima da superfície do líquido que vai eventualmente terminar nas nossas narinas.

2. Nós percebemos os aromas através do nariz (oronasal), bem como através da boca (retronasal). Cada vez que engolimos, a língua detecta os sabores (esse é outro papo) e os aromas sobem através pela parte traseira de nossa garganta e pela passagem nasal. Isto explica porque degustamos vinho usando uma técnica um tanto bizarra – fazendo ruído para movimentar e sacudir e arejar o vinho (e portanto, os aromas). Desta forma, não há necessidade de engolir o álcool, mas pode-se detectar melhor as moléculas de aromas voláteis do vinho.

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3. Muitos fatores influenciam os odores que podemos detectar durante uma degustação, inclusive o mecanismo de deglutição e o cérebro, porém o importante aqui é que cada molécula de aroma se comporta de forma diferente em distintos solventes, dependendo de suas propriedades físicas. As moléculas de aroma hidrofóbicas são adversas à água. Elas tendem a fugir quando cercadas por moléculas de água, subindo para o tal intervalo, onde é mais fácil serem detectadas pelo nosso olfato.

4. Por outro lado, as moléculas de aroma hidrofílico têm afinidade com moléculas de água e preferem permanecer em líquidos. O álcool (etanol) tem propriedades parcialmente hidrofóbicas. Isto explica porque as moléculas hidrofóbicas dos aromas encontrados em bebidas alcoólicas ainda permanecem em seu vinho apesar da presença do álcool.

5. A proporção de líquidos – água x álcool – determina quais aromas são mais fáceis de detectar do que outros: quanto mais álcool houver em sua bebida, os aromas mais hidrofílicos escaparão para o intervalo. Por outro lado, quanto maior o volume de água, mais aromas hidrofóbicos você terá escapando do líquido e se movendo para o intervalo.

Aqui vemos o Prof. Pedro detectando aromas no tal intervalo.

Na sua próxima degustação você pode ter certeza que o prazer da riqueza de aromas percebidos é devido também a este equilíbrio muito delicado de água x álcool. Graças à presença dele, conseguimos apreciar os sabores sutis dos nossos vinhos e bebidas alcoólicas favoritas e especialmente harmonizá-los com a comida!

 

 

 

 

 

Deguste os mesmos pratos com um vinho branco ou rosé (normalmente menos alcoólico) e com um tinto (tradicionalmente mais alcoólico) e tire suas próprias conclusões.

Fonte: O álcool e os aromas no vinho de Bernard Lahousse

Aposto que desta uva você nunca ouviu falar.

A uva Goethe, também chamada de Rogers 1, é uma híbrida, ou seja, uma uva criada pela mistura com outras. No caso da Goethe, ela foi criada por um cientista americano, E. S. Rogers, e faz parte de um grupo de 45 variedades criadas por ele, em meados do séc. XIX em Massachusetts. O conjunto delas foi chamado de Roger’s Hybrids e em 1862 já aparecia em catálogos de plantas. Ela apareceu no Brasil a partir de 1877 durante colonização italiana. Ou seja, não é exatamente uma novidade. Novidade é o sucesso que ela vem fazendo no sul de Santa Catarina.
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A Goethe é a soma por polinização de 13% de Vitis Labrusca (uvas de mesa, não viníferas ou também chamadas americanas), no caso, a variedade Carter com 87% de 2 uvas viníferas (uvas europeias próprias para a elaboração de vinhos), neste caso as variedades Moscatel de Hamburgo e Chasellas branca.

A Moscatel de Hamburgo é muito aromática, agradável e dá vinhos bem frescos e frutados. A Chasellas é uma das principais variedades suíças (da denominação de origem Valais) e da região fronteiriça francesa que resulta em brancos com boa acidez, vinhos ótimos para fondue, por exemplo. E quando a gente fala de uvas brancas com boa acidez, logo lembramos de espumante, como este produzido com a Goethe.

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Esta uva se adaptou bem às condições climáticas e aos solos da região de Urussanga, no sul de Santa Catarina e foi amplamente difundida entre os colonos da região. O cultivo da uva Goethe é raro por que sua acidez limita um pouco sua utilização enológica e além disso ela pode ser sensível sob certas circunstâncias climáticas. Porém, o entusiasmo econômico gerado pela casta, nesta região foi tanto que o selo de indicação geográfica de procedência Vale das Uvas Goethe foi conquistado em 2011 e implatado em 2013.

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O calcanhar de Aquiles de todo este sucesso é a utilização da uva americana Carter na formação da Goethe. Os híbridos são, por exemplo, proibidos na Europa e vêm sendo extirpados de várias partes do mundo, porque produzem aqueles vinhos com gostinho de vinho de garrafão. Aqui no Brasil, as uvas americanas ou de mesa são parte da cultura vitivinícola do país e bem aceitos pela maioria dos consumidores brasileiros.

E você, já parou para pensar na uva que compõe o seu vinho?

Fontes:  Vales da Uva GoetheProgoethe

10 presentes para você NÃO dar para seu amigo enófilo neste Natal

Então é Natal. Em épocas de crise a gente se vê forçado a usar a imaginação, sabe o ditado chatinho: na crise, crie. Aham, então tá.

Mas você tem aquela amiga(o) fanática(o) por vinho, quer agradar, não sabe como escolher um presente para ela/ele que não seja o Chatô Carô e se vê forçado a escolher uma lembrancinha criativa, talvez algo que você mesmo possa fazer?! Pode ser uma alternativa, porém não caia nas seguintes tentações:

1) Garrafa de vinho disfarçada de abacaxi.

Olha só o tempo que você vai gastar para fazer esta tralha, fora que vai danificar o chocolate com a cola quente. De quebra ainda vai acabar desmontando a coisa inteira no caminho. Tudo isto para cobrir uma garrafa e um rótulo que são por si só um ótimo presente.

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2) Roupinha para garrafa de vinho.

Um caso semelhante ao anterior, menos trabalhoso já que acho que dá para comprar pronta. Porém igualmente ridículo. Seu amigo quer colocar roupinha em algo? Adote um animalzinho ou compre uma boneca…

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3) Cinta para segurar copo de vinho.

Muito útil quando você é um profissional do vinho e precisa degustar, cuspir, fazer anotações, cumprimentar produtores e vendedores e ao contrário do polvo possui apenas 2 braços. Se não é caso da presenteada, você concordaria comigo que irá ser um tanto estranho quando toda a família andar pela casa com um raio de uma taça pendurada no pescoço. Sei lá. Só acho.

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4) Garrafa + taça de vinho.

Adoro as duas, mas quando você as junta num mesmo objeto é sinal que está bebendo no gargalo mesmo. A presença da taça ali não disfarça nada, ok? Sugira ao presenteado uma consulta com um bom médico quando ele chegar neste ponto. Será um presente muito mais útil.

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5) Xícara de café para vinho.

Nada contra tomar vinho seja onde for, aliás muito produtores franceses provam seus vinhos em xícaras quando trabalhando na adega. No entanto, este caso é muito parecido com o anterior. Quando você precisa disfarça vinho numa xícara, já era. Troque igualmente pelo presente anterior.

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6) Meia de Natal pedindo vinho para os moradores do lar.

Digo moradores do lar porque acho que a família deste ser já se mandou. Pinguça, folgada e não muito educada, já tá demais. Evite o divórcio de quem você quer bem e escolha outra coisa.

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7) Acessórios para vinho com cunho sexual. 

No caso temos 3 exemplos: um abridor, uma tampa para garrafas que ajuda a conservar o vinho e um porta garrafa. Nem vou entrar em muitos detalhes, apenas peço que imagine aquele clima felizão de Natal, família toda reunida e a doce vovozinha vai pegar o vinho, o abridor ou a tampa na cozinha. E apesar do que diz a legenda, não é sexy. Acredite.

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8) Meia de Natal para colocar vinho dentro.

Por que? Só pergunto porque? Expõe o vinho à oxigenação, põe o coitadinho em contato com plástico (horror, ó horror) e vai expor os convidados de quem usar este treco a um tremendo perrengue na hora de se servir. Tenho pena dos tapetes. Então, leva a garrafa mesmo, tá?

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9) Roupa porta garrafa. 

Disponível na versão inverno se o presenteado está em algum lugar onde está frio nesta época e também no modelito verão, caso dos habitantes do nosso amado país tropical. Seja como for, quando alguém precisa guardar a garrafa dentro da própria roupa é hora de ter uma conversa muito séria com a pobre criatura.

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10) Sutiã com canudo para vinho.

Nem sei o que dizer. Vai servir a família com este treco? Tomar sozinha? Bizarro? Assustador? Pervertido? Arrepiante? Asqueroso? Tantas perguntas. Uma resposta: Não. Não mesmo. Em hipótese alguma.

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Se você quer boas dicas de presentes para enófilos, procure aqui Acessórios especiais e úteis para quem ama vinho ou aqui Quiosque da Eu Levo Vinho

Hohoho!

1 sonho que virou virou uma realidade totalmente inovadora!

Ontem à tarde tive a oportunidade de ver um sonho realizado por gente da melhor qualidade.

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O Daniel, que foi meu aluno, primo da Fê, uma profissional talentosa com quem já trabalhei neste mundo pequeno que é o vinho no Brasil, realizou seu sonho com outros 2 sócios: Eles abriram a primeira e única loja de vinhos 100% brasileiros aqui em SP, lá na V. Madalena.

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O ambiente é descolado e descompromissado, sem a típica formalidade que cerca o mundo do vinho. Nas prateleiras da loja você escolhe o seu rótulo preferido para levar para casa. Ou toma lá mesmo. Não conhece vinho brasileiro tão bem assim? Sem problemas eles possuem 2 enomatics (aquela maquininha que serve vinho) com rótulos para provar e aprovar.

O Redbuteco oferece vinhos tintos, brancos e espumantes brasileiros garimpados em pequenos e médios produtores nacionais e que têm em comum a qualidade e o fato de nunca estarem nas prateleiras dos supermercados.

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Têm vários “bons drinks” e um cardápio enxuto, mas com o que você necessita para acompanhar sua escolha de vinho.

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Outra surpresa que você vai ter são os preços extremamente razoáveis para vinhos de boa qualidade.

Um sonho destes é o melhor para compartilhar com a gente, verdade?

Então olha lá no link deles: Red Buteco

E lembre-se: nosso blog é independente.

Quando criatividade e marketing perdem a chance de achar mais o que fazer….

Lembra de quando preparamos um artigo sobre os acessórios para vinho mais interessantes para você ter? Então, olha ele aqui: 8 Acessórios Especiais e Úteis para Quem Ama Vinho  Continuamos ligados nas tendências e acabamos de perceber que uns memes de internet acabam de virar realidade.

Aquele que diz: Foi uma semana daquelas, preciso de 1 copo de vinho kkkkkkk.

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Ou ainda o outro: Os médicos recomendam 1 copo de vinho por dia, invariavelmente seguido pelo kkkkkkk.

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Memes, kkkkks e brincadeiras à parte, uma empresa americana realmente lançou um artigo especialmente desenhado para quem não quer se dar ao trabalho nem de colocar vinho no copo. O artefato em questão se chama Guzzle Buddy e consiste basicamente num copo que você atarraxa na sua garrafa de vinho.

 

 

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Segundo o fabricante, o artefato foi projetado para evitar derrames e “fazer o vinho mais fácil de beber”. Até parece que beber vinho é um trabalhão… A sugestão é dá-lo a enófilos como presentinho em casamento, despedida de solteiro(a), inauguração de lares, aniversários, etc.

Como era de se esperar o mimo tomou conta das redes sociais e até apareceu numa série de televisão americana, o Cougar Town, protagonizada pela atriz Courtney Cox (a Mônica do Friends), hoje uma senhora de meia idade que nesta série, entre uma desventura e outra afoga as lágrimas com vinho. Com todo este barulho, este promete ser um dos presentes mais desejados do Natal 2016.

O fabricante também afirma que o produto é original. Disto não temos dúvidas. E que também é engraçado e divertido. Bom aí, nos unimos à Organização Mundial de Saúde e lembramos que o consumo excessivo de álcool não é aconselhável. E para termos uma idéia clara sobre o que estamos falando, uma garrafa de vinho contém 10 unidades de álcool, o máximo semanal recomendado para as mulheres é de 14 unidades, e para os homens é 22. Ou seja, beber a dose semanal numa golada só é altamente desaconselhável.

Taí um acessório que achamos que você NÃO precisa. Mas se quiser comprar ou ganhar, use com muita parcimônia. Fica a dica. 

 

BiBs. 4 razões porque eles são bem legais.

Semana passada falamos sobre como conservar seu vinho de maneira a preservar da melhor maneira possível suas características no 4 Erros ao Armazenar seu Vinho Aberto.

E não é que de todas as pessoas, justo a Rô teve uma duvida sobre o seu consumo? Explico porque estou perplexa: porque a Rô além de ser minha irmã é uma grande enófila, assim como meu cunhado. Depois fiquei pensando, será que muita gente tem a mesma dúvida da Rô? Então aqui vai a resposta.

Obviamente os vinhos em garrafa contém toda tradição, ritual e charme que o caracteriza há décadas. E tem que ser assim para vinhos premium e super premium, cujo preço é bem mais alto porque são elaborados de maneira mais custosa do que os vinhos do dia-a-dia. Porém, veja bem, o Bib (Bag in Box, uma caixinha como esta aí em cima) permite que você:

  1. beba seu vinho com moderação. Eles têm entre 3 e 5 litros, então não tem aquela história de “não vou deixar só este golinho” e tomar a garrafa toda.
  2. economize. O litro do vinho em BiB custa cerca de 30% menos do que o vinho em garrafa.
  3. proteja a natureza. Os Bibs são mais baratos e fáceis de transportar e sua matéria-prima é mais fácil de reciclar que o vidro.
  4.  E óbvio, graças à tecnologia do Bag-in-Box, quando você se serve, o ar não é capaz de entrar. Isso significa que cada taça retirada da caixa é praticamente uma garrafa recém-aberta.

Aí vem a pergunta do milhão: como saber se um BiB é bom? Resposta simples: provando o vinho dentro dele. Uma boa idéia é escolher um vinho de uma garrafa que você provou e se gostar, leve um BiB para casa.

Eu tenho um exemplo bem prático sobre isto. Provei estes dias o Vinho Arbo Cabernet Sauvignon produzido pela Casa Perini no Vale Trentino no Berço da Imigração Italiana (Caxias do Sul / Serra Gaúcha), ou seja uma região respeitada pela qualidade de seus vinhos e uma das maiores vinícolas do país.

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Este é um vinho simples, jovem, sem compromisso com o envelhecimento. Mostra uma linda cor vermelho-rubi e tanto no nariz quanto na boca entrega uma fruta madura muito saborosa.Vai arrasar com sua pizza, com uma boa macarronada e enfrenta sem medo um bife de picanha.

Tem graduação alcoólica de 11,5%, o que um dos indícios que seja realmente um Cabernet mais leve, para ser consumido jovem.

De novo e sempre, este blog é independente. A defesa do Bib é pelo meio-ambiente que deixaremos para nossos filhos e a Casa Perini um dentre centenas de exemplos. E agora, está mais confiante em provar um BiB?

 

 

 

4 Erros ao Armazenar seu Vinho Aberto

Se tem uma coisa boa no final de um dia agitado, trânsito e stress, é uma taça de vinho. Para alguns nem é um luxo, é essencial para a sobrevivência na montanha-russa da vida. Seja ele branco, tinto ou rosé, o vinho nos ajuda a desligar o 220 volts do dia e flutuar  para uma noite tranquila de paz e sono profundo. Mas há uma boa chance de que você não esteja tratando este ser bondoso como ele merece depois de abrir sua garrafa. Aqui estão os erros mais comuns e como evitá-los.

1. Seu vinho está mal fechado no balcão na cozinha

É uma ótima idéia. Abrir sua garrafa na segunda-feira e beber um copo cada noite até a sexta-feira, deixando sua garrafa ali mesmo no balcão, ao seu alcance. É prático, é relaxante, é econômico e é saudável. Porém deixar seu vinho mal fechado no balcão da cozinha é uma das maneiras mais seguras de garantir que até o final da semana, ele vá pro vinagre, literalmente. A exposição ao oxigênio e a proximidade a possíveis fontes de calor como o forno e fogão, irão assegurar que a degradação aconteça rapidamente e o resto da sua garrafa terminará no ralo da pia lá pela quarta ou quinta-feira.

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2. Vinho aberto na geladeira, só se for branco.

Vinho branco e geladeira parecem ter uma conexão muito forte, desde o momento de servir, até o momento de conservar. Realmente, o serviço do vinho tinto, não requer geladeira, se você tiver adega, porém a conservação do vinho tinto na geladeira é essencial para sua duração. A nossa amiga geladeira vai proteger não só o seu vinho branco como o tinto das variações de temperatura.

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3. Você consome vinhos diariamente, mas se recusa a experimentar o bag-in-box. 

Eu sei, eu sei, a garrafa, a rolha, o ritual, é tudo um charme. Mas pensa bem no quanto você vai economizar com o bag-in-box. E não é só isso, é muito mais sustentável. Você bebe seu vinho com moderação, economiza e protege a natureza. Perfeito.

Mas não é só isso porque, graças à tecnologia do bag-in-box, quando você se serve, o ar não é capaz de entrar. Isso significa que cada taça retirada da caixa é praticamente uma garrafa recém-aberta. Dê uma chance ao BiB (para os íntimos), escolha um Bib de uma garrafa que você provou – no Brasil não são muito comuns, mas você encontra – e se gostar, leve para casa. Depois conta pra gente.

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4. Você não espera seu vinho chegar à temperatura correta.

A gente entende. Às vezes as mãos são mais rápidas que a razão e no impulso de degustar uma taça de vinho no fim do dia, a gente simplesmente não tem paciência de esperar.  O seu vinho guardado na geladeira pede muito pouco: cerca de 5 minutos para brancos e 10 minutos para os tintos, na taça, fora da geladeira serão suficientes. Isso permitirá que todos os sabores e aromas do vinho voltem à vida e você vai se divertir muito mais.

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Então você já tem bem claro, o oxigênio e a temperatura são as “falsianes” do mundo do vinho. Podem ser muito amigos ou ou piores inimigos. Logo, logo a gente vem com mais dicas do que você precisa para cuidar bem do seu vinho.

Não cheire a rolha!

Cena muito frequente em qualquer restaurante: você pede um vinho e o garçom (acho que um sommelier não faria isso) abre a garrafa, apresenta a rolha e você não tem idéia do que fazer com ela. A sabedoria popular diz que você deveria cheirar a rolha, um ritual que tem resistido com o passar dos anos ao redor de todo o mundo do vinho, alimentado a imagem esnobe da bebida por décadas. Agora a grande “novidade” é que quando você cheirar a rolha atentamente, você sentirá provavelmente 2 aromas: cortiça e vinho. Pouca surpresa, não?!

Observar a rolha é mais interessante que cheirá-la. Mas você pode pensar que uma rolha detonada quer dizer que  o vinho já era, quando na verdade, pode ser que só ela se danificou e o conteúdo interno ainda não envelheceu o suficiente para estragar.

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Certamente um vinho antigo, algumas notas de farmácia, verniz, esmalte, balsâmico, mas perfeitamente saudável, pois a rolha havia se deteriorado na parte externa e se mantido no contato com o vinho, protegendo-o.

Então, por que raios as pessoas cheiram a rolha?

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Para entender este costume, temos que voltar no tempo e buscar a época em que Bordeaux se tornou uma a região vinícola mais famosa do mundo. E já naquela época, começaram a aparecer as cópias baratas e falsificações de garrafas e rótulos dos chateaux mais famosos e conhecidos internacionalmente.

A fim de se proteger contra para os falsificadores e perder dinheiro para eles, a solução foi criar inscrições únicas sobre as rolhas no interior das garrafas. Se você fosse um cliente habitual do chateau, reconheceria facilmente sua inscrição única, e, olhando para a cortiça, você poderia confirmar ou não o vinho era um verdadeiro ou falso.

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Assim, quando um garçom apresenta-lhe a rolha, ele ou ela está apenas honrando uma antiga tradição. Sorria, agradeça e siga a análise visual, olfato gustativa que é o que realmente interessa. Lembra do nosso post: Como Ter Certeza que o Seu Vinho Estragou?

Fonte: dont-smell-cork