Mix de uvas e frutas locais, vinhas enterradas e rótulos que são uma obra de arte. A saga da China para produzir seu próprio vinho.

Cada vez que se fala no potencial da China como mercado, qualquer investidor arregala os olhos, mas quando se fala no crescimento do mercado de vinho na China nos últimos 20 anos, especialmente 2006 e 2007, qualquer interessado em negócios tem até ataques de vertigem.

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Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

Aliás, os números do consumo de bebida na China, engordam os olhos de qualquer um. Além de consumirem 27% de toda a cerveja do planeta, percentual que os faz o maior consumidor do mundo, eles também consomem muito um tal baiju que aqui no gráfico é chamado de white liquor. O baiju parece que é um tipo de whisky a base de sorgo (um cereal), mas que pode ser elaborado com outros cereais também. É uma bebida praticamente desconhecida fora da China, mas muito tradicional e cheia de rituais e significados por lá. Depois vem o tradicional vinho de arroz e só então temos o vinho de uva.

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Conforme a gente já expôs aqui, China ou Estados Unidos?, este crescimento tem que ser considerado com cautela, especialmente face aos recentes acontecimentos (Queda na Bolsa da China).

Mas deixando os percalços financeiros internacionais de lado, o crescimento do mercado de vinho na China atraiu não só muitos vendedores do mundo todo, como também muitos interessados em desenvolver a vitivinicultura local.

Ficou claro?

Ficou claro?

Como consequência, desde 2013 a China tem a 5ª maior área plantada de vinhedos do mundo.

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Porém nem tudo são flores, ou neste caso, cachos, pois o clima na maior parte do território chinês (que não é pequeno) não é propício a este tipo de cultivo, fazendo com que os baixos rendimentos o coloquem em 7º lugar como produtor mundial.

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Tentando explorar a imensidão e diversidade do território chinês, as áreas de cultivo de vinha têm se expandido. A fim de ajudá-los a se guiarem no mapa, vá bem para o sul, alinhe o olhar em Guangxi em ambos os mapas (a província em verde, lá no pé do mapa pequeno) e daí suba.

Mapa das regiões vinícolas da China. Em tamanho menor, mapa da China para você se guiar.

Mapa das regiões vinícolas da China. Em tamanho menor, mapa da China para você se guiar.

Conforme se pode ver, em quase toda a China pode-se encontrar vinhas e como consequência, a qualidade vem melhorando.

O clima chinês tem 2 problemas básicos:

1) a humidade, frequente durante todo o ano, é um perigo para os vinhedos, trazendo risco de doenças. Mas o maior problema é justamente no verão. Se você lembra das aulinhas de geografia, deve ser lembrar também das chuvas de monção que caem sobre a Ásia no verão, justamente a época em que as videiras menos toleram água…

2) o frio. As áreas menos úmidas são aquelas mais frias. Só que quando a gente fala de frio na China, fala de -30°C. Frio mesmo. Não há videira que suporte este tipo de temperatura e viva para sorrir na primavera. Mas sendo os chineses como são, inventaram uma maneira de contornar o problema: eles enterram as videiras durante o inverno para protegê-las já viu isso? Imagina o custo e o trabalho envolvidos no processo.

As regiões mais promissoras são:

  • 1) O Platô de Loess que obteve até um prêmio da Decanter.
  • 2) A outra é Xinjiang.

80% do consumo de vinho na China é de vinho tinto, não que este percentual seja muito diferente do resto do mundo. O que os diferencia é que o hábito começou a se estabelecer no consumidor graças ao interesse nos benefícios para a saúde proporcionados pelo resveratrol, presente nos taninos do vinho tinto.

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Trocando o baiju pelo vinho?

Já que o vinho não faz parte da tradição chinesa, uma maneira que os produtores encontraram de se comunicar mais efetivamente com o consumidor, foi o rótulo que sempre busca integrar algo desta cultura milenar.

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Mas vamos aos vinhos que é o que interessa.

Dos 5 brancos degustados: 1 riesling, 3 chardonnay  e 1, justamente da Great Wall, de longyan frutado, fresco e ácido que foi o que mais impressionou, com o pequeno problema que longyan é uma variedade de uva de mesa….

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4 dos 5 brancos degustados.

Palidozinhos....

Palidozinhos….

 

 

 

 

 

 

 

 

A seleção de tintos apresentou um merlot e 4 cabernets. Infelizmente a paleta de aromas e sabores variava do muito aguado ao marcadamente tânico.

A seleção de tintos.

A seleção de tintos.

Visualmente os tintos ofereciam maior impacto.

Visualmente os tintos ofereciam maior impacto.

 

 

 

 

 

 

 

 

O outro destaque ficou por conta deste vinho que mesclava uvas chardonnay e ruby (sim, é isso aí) com uma outra fruta local chamada de wolfberry, apresentando notas de morango marcadas tanto em nariz quanto em boca….

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Vinho que não era de uva, cortes poucos ortodoxos, rótulos bonitos e uma luta que me parece até meio absurda para produzir vinho onde nem uva dá. Mas assim foi minha experiência com o vinho chinês na Vinexpo.

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Conclusão? Deixo vocês com as palavras do consultor de enologia francês Michel Rolland que trabalha para as produtoras chinesas gigantes Dinasty e Great Wall: Ainda não sabemos se a China pode fazer bons vinhos…..

Michel Rolland


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China ou Estados Unidos? 12 motivos para você acreditar em quem oferece o melhor mercado mundial para o vinho durante a próxima década

Os EUA foram o convidado de honra da Vinexpo 2015, pois os analistas econômicos apontam o país como o de maior potencial para o crescimento das vendas de vinhos e destilados pelos próximos 10 anos.

A China que até agora gozava deste título, obviamente não gostou nada da mudança e provocou uma série de debates para discutir o potencial dos dois países no futuro. Você recebe aqui todos os dados em primeira mão e tira suas próprias conclusões.

O primeiro fator a ser levado em consideração é a economia chinesa, que deve ultrapassar a americana, tornando-se a primeira do mundo até 2025.

A China, além de ser o país mais populoso do mundo com mais de 20% da população mundial, apresenta as taxas de crescimento de PIB mais altas, é considerada hoje o banco do mundo devido ao poder de poupança de sua população e é o maior negociante do planeta desde 2013. (Dados: OECD / Wordbank / IMF)

Em relação ao vinho, a China apresentou um crescimento de mercado único por 20 anos! Mesmo com impostos de importação de 48%…

Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

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Ao contrário do que se possa pensar, não há razões culturais para os consumidores chineses não consumirem mais vinho, pois Japão e Hong Kong já apresentam taxas de consumo interessantes. Se você se perguntou quanto o Brasil consome, eu respondo: 2 litros per capita. Mesmo número de bem antes de 2008…

Nível de consumo per capita na Ásia (em litros por ano e per capita)

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A população chinesa em idade legal de beber é de 1.043 bilhões de pessoas. É muita gente, mas a bebida mais popular é um destilado, o Baijiu, fazendo dele 38% do consumo global de destilados (em volume). Num outro dado impressionante, os chineses consomem 27% de toda a cerveja do mundo, fazendo deles um mercado 2 vezes maior que os EUA.

O interesse pelo vinho por lá é tanto que nestes 20 anos a China alcançou a posição de 5º maior área plantada de vinhedos do mundo, é o 7º maior produtor mundial e o 5º maior consumidor de vinho do mundo.

Volume de vinho (tranquilo e espumante) consumido em milhões de caixas de 9 litros.

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Isso, contando com uma oferta cada vez maior de países, estilos e varietais, consumidores jovens e mulheres assumindo  um papel mais importante no consumo, uma base maior de consumidores expostos a vinhos importados, a saída de traders oportunistas e a consolidação da cadeia de distribuição.

Os chineses bebem vinho pelos benefícios à saúde. Isso mesmo. Por isso, a China deve se tornar o maior consumidor de vinho tinto no mundo em 2018, ultrapassando até mesmo os EUA.

Volume de vinho tinto consumido em milhões de caixas de 9 litros

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Apesar da maior parte do vinho consumido ser de origem local, cada vez mais vinho importado tem sido incorporado ao dia a dia dos chineses e os padrões de consumo por origem estão alcançando os níveis mundiais.

Consumo mundial de vinho em 2013.

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Tanto é verdade, que hoje a China faz parte dos chamados mercados produtores de vinho “abertos”.

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Mas a melhora na oferta é fundamental.

Comparação de qualidade da oferta do vinho China vs. mundo.

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Hoje, 38 milhões de lares chineses consomem vinho importado pelo menos 2 vezes por ano, este número pode subir para 83 milhões até 2020.

Mas obviamente, tudo isso depende de uma série de fatores. Hoje os fatos são:

1) Os EUA podem apresentar “só” 2% de crescimento PIB, mas estes 2% são puxados pelo consumo. Na China, o crescimento do PIB é ainda muito turbinado pelo governo.

2) Os EUA consumiram o equivalente a 314 milhões de caixas de 9 litros de vinhos em 2014 e a China ficou nos 151 milhões.

3) As taxas de crescimento no consumo de vinho na China tem variado enorme e bruscamente, o que pode se tornar um pesadelo para quem ambiciona exportar para este mercado, enquanto os EUA tem crescido mais lenta, porém constante e de maneira mais sustentável.

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Dados: Wine Intelligence, The IWSR 2015

4) Outro ponto importante é o incremento crescente na qualidade do vinho ofertado nos EUA:

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Dados: Nielsen

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5) Também nos EUA, a penetração do vinho tem crescido:

Vinho tranquilo, população adulta. Dados: IWSR

6) A Geração Milênio: os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio, ansiosa por experimentar novos produtos.

7) Vinhos espumantes: os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 18 milhões de caixas de 9 litros em 2014 e cresceu 2% em 2014 vs. 2013 (IWSR 2015) e vinhos rosés: Os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 33 milhões de caixas de 9 litros em 2014 (IWSR 2015), permanecendo estável em 2014 vs. 2013 (CIVP 2015)

8) Os EUA são o 1º mercado potencial mundial para vinhos leves entre 8 mercados testados. Vinho leves são considerados aqueles com com graduação alcoólica menor, abaixo de 10,5Gl. (Wine Intelligence 2014)

9) Na realidade, o potencial dos EUA é ainda enorme.

Penetração e tamanho da população consumidora de vinho em alguns mercados.

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  • O tamanho do círculo indica o tamanho da população que toma vinho regularmente (1 vez ao mês) e o número exato está expresso no centro do círculo (consumidores de vinho importado em áreas e/ou cidades selecionadas no Brasil, México, Rússia, Coréia do Sul e China) em milhões.
  • A parte em azul indica penetração do mercado de vinho.

10) O potencial de crescimento de mercado. Número de habitantes.

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11) O cruzamento do fator econômico com os dados sobre mercado de vinhos:

Fatores Econômicos

  • Tamanho da população adultaPIB per capita e tendência
  • GNI per capita
  • Poder aquisitivo
  • Desemprego
  • Índice de corrupção
  • Número de Starbucks (medida de globalização)

Dados do Mercado de Vinho

  • Volume do mercado de vinho e tendência
  • Volume de vinho importado e tendência
  • Consumo per capita e tendência
  • Valor do mercado de vinho e tendência
  • Preço unitário no recado de vinho
  • População que consome vinho
  • Crescimento potencial da população que consome vinho
  • Acessibilidade do mercado

No fim das contas, o resultado fica assim:

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12) O fato é que sim, a China será 1 dos 3 maiores consumidores de vinho do mundo até 2025.

  1. EUA 356 milhões de caixas de 9 litros
  2. Alemanha 280 milhões de caixas de 9 litros
  3. China 270 milhões de caixas de 9 litros

Mas os EUA serão o primeiro.

Onde você apostaria suas fichas? Tá de olho no mercado americano de vinhos? Então não perca o próximo post.

Vinexpo – 4 coisas que aprendi e muitas dicas para você!

Este ano, a minha agenda coincidiu de eu estar na Europa justamente na data (de 14 a 18 de junho) da realização da Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo.

Depois de algumas contas (a França é cara e os preços de tudo nestas épocas de eventos sobem em qualquer canto do mundo) e reflexão, afinal, é uma oportunidade única, resolvi ir para Bordeaux, a cidade que respira e transpira vinho há séculos e ver para crer. Cliquei direto numa companhia aérea low cost (maravilhas que por aqui não existem) e comprei uma passagem por € 60. Isso mesmo, Porto a Bordeaux, ou seja 1.000 km, por este preço. Mais ou menos a distância entre São Paulo e Brasília.

Metrô em Bordeaux.

Metrô em Bordeaux.

Do aeroporto, fui direto para o hotel que honestamente, era muito, muito simples, e que a € 63 me pareceu caríssimo. Mas era o que deu para pagar e encontrar. Localizado em Pessac, significava 1 hora e meia de viagem até o Parc de Expositions de Bordeaux, do outro lado da cidade de Bordeaux. Mas o sistema de transporte público é fantástico: limpo, rápido, moderno, simples de entender e pontual.

No dia seguinte, pulei cedo da cama e tomei rumo ao Parc de Expositions. Chegando lá, a primeira sensação é de deslumbramento com o conjunto de prédios, a beleza do lago, o brilho das tendas e o colorido das flores.

Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto...

Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto…

Os países participantes.

Os países participantes.

Edificío de entrada.

Edificío de entrada.

Lista de expositores.

Lista de expositores.

Mapa da feira.

Mapa da feira.

A proposta da Vinexpo é a de qualquer feira: criar oportunidades de descobrir novos produtos, expandir portfolios, fazer negócios, discutir tendências de mercado e proporcionar networking. Nada disso é novidade. A novidade está na excelência em fazê-lo. E esta foi a primeira coisa que me dei conta ao ver uma feira de vinhos de verdade.

O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.

O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.

Cuspideira ostentação.

Cuspideira ostentação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os números já impressionam: são 2.350 expositores de 42 países e 48.000 visitantes de 120 países percorrendo corredores e mais corredores (haja sola de sapato e fôlego. É uma maratona.) recheados de vinhos, destilados, gastronomia e até uma livraria, fantástica diga-se de passagem, dedicada ao tema.

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A livraria e suas mil tentações.

A gastronomia estava presente nos quase 50 restaurantes e food trucks instalados por lá: Nos trucks se podia saborear uma porção de ostras a € 6 ou um hamburguer gourmet (realmente top) a € 12. Tinha também comida thai e outros sandubas, nesta faixa de preço. Já os menus nos restaurantes iam de € 30 a … € 130 e a comida era a mais variada possível, desde californiana, passando por oriental e basca até, óbvio, a clássica francesa. Agora a fofoca. Se você é como eu, vai comprar ou trazer um sanduba e comer na beira do lago, se você é nível A, vai para um dos restaurantes atopetados de gente, se você é A+ vai almoçar num dos stands com convite VIP, mas se você é A+*, vão te buscar de helicóptero para te levar a um chateau para um almoço inesquecível. Mas tem comida para todo lado, de todo tipo e de todo preço. Comida e vinho. A segunda lição que parece pueril, mas que a gente às vezes não dá a devida importância.

Vamos almoçar lá no meu chateau?

Vamos almoçar lá no meu chateaux?

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Almoço na beira do lago mesmo.

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O cook show acompanhado de harmonizações desafiadoras proposta pela Gault-Millau.

Os vinhos, nem sei por onde começar. A América do Sul bem correspondida por lindos stands de potências do mundo do vinho como Argentina e Chile, mas também por Brasil e Uruguai. Os Estados Unidos levaram seus vinhos através da Wines of California que nunca nos brindou com sua presença por estas bandas. E a Europa massivamente representada por Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e com certeza França em todo seu esplendor. Mas também tinha África do Sul, Marrocos, China, Tunísia, Líbano e Georgia. E digo outra: muitas das degustações lá são livres; você entra num espaço do stand, pega sua taça e se serve de vinhos a vontade. Há também higienizadores de copos. Além disso havia 3 espaços livres de degustação: vinhos rosés, espumantes e doces. As cuspideiras estavam lá por toda parte para evitar excessos. Eu não vi nenhum. Nada. Zero. Na hora do almoço, via muita gente bebendo vinho e para ser honesta, depois das 17 (a feira fecha as 18:30) o ruído estava mais alto, a risada mais solta e a galera mais animadinha. Sintomas de ….vinho! Terceira lição: o comportamento profissional não impede o desfrutar da bebida, basta saber quando e como. Será que nós sabemos?

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Brasil

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Argentina

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Chile

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Califórnia

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Portugal

Itália

Itália

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Espanha

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Alemanha

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Líbano

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Croácia

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Grécia

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Georgia

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Um dos exemplos de degustação livre, enomatic e todos os dados do vinho.

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Outra maneira, vinhos de uma país, taças disponíveis e as garrafas com os dados dos produtores caso você queira mais detalhes.

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Higienizador de taças a todos vapor.

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Degustação livre de rosés da Provence. Um show a parte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas o mais legal mesmo é o amplo espaço de debates, quase 100 palestras no total dedicadas a tendências, tipos de vinhos, países e até vinho e artes (música, pintura e arquitetura). Quase tudo tem tradução simultânea com aparelhos modernos nas amplas e confortáveis salas de aula. Na esmagadora maioria dos casos a entrada é livre e mesmo sem agendar, eu consegui entrar em todas as que queria. O único problema é escolher entre duas que ocorrem simultaneamente. E a quarta lição: vinho não é só bebericar. É estudar países, terroir, produtores, consumidores e tendências. Balançar copinho e despachar aromas e sabores não é tudo para quem realmente trabalha com o tema.

O centro de palestras, workshops e debates.

O centro de palestras, workshops e debates.

Dentro destes debates, foram discutidos alguns fato relevantes:

  • 2014 foi um ano marcado por otimismo cauteloso e tendências de mercado desbaratadas.
  • A mais recente pesquisa da IWSR / Vinexpo anotou um crescimento no consumo global de vinho de 2,7% entre 2009 e 2013. Para o período de 2014 a 2018 o estudo prevê uma aceleração do crescimento global. Em 2018 o consumo global o consumo global está estimado em 32,78 bilhões de garrafas.
  • Para os destilados o desafio para os próximo anos vai ser muito importante. O consumo global alcançou 3.069 milhões de caixas de garrafa de 9 litros em 2013 com um crescimento de 19,1% comparado a 2009. Entre 2014 e 2018 espera-se que o consumo cresça novamente, mas de maneira mais lenta, a 3%.
  • Países com altas taxas de crescimento incluem os EUA, então não foi coincidência que este país tenha sido a nação convidada de honra na Vinexpo. Muitas conferência e degustações foram dedicadas aos EUA, cujo consumo de vinho cresceu 23,3 % entre 2009 e 2013, acompanhado pelo aumento na exigência de qualidade. Estima-se que cresçam 11% entre 2014 – 2018.

Assim se sabe quem o convidado de honra.

Assim se sabe quem é o convidado de honra.

A gente percebe aqui o vinho como negócio, com profissionalismo, aberto, franco e participativo. Não vi ninguém do Brasil por lá a não ser um crítico especializado que não se comunica por mídias sociais e uma equipe de um site de venda de vinhos. Também não vi um comentário de ninguém sobre o evento. Parece que não existe.

Na minha opinião, é uma experiência única, e recomendo que se você tiver a oportunidade, visite a feira alguma vez na vida. Vale muito a pena.

Essa procurando distribuidor....

E esta procurando distribuidor….

Momento descontração. Feira cansa....

Momento descontração. Feira cansa….

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E vem mais post por aí com mais detalhes de tudo que eu aprendi. Espero que as dicas acima ajudem você a entender a feira e a se planejar se quiser dar uma volta por lá. A Vinexpo 2016 vai ser em Hong Kong. Prova de quem é o segundo maior influenciador neste negócio, após os americanos: os chineses.

Os chineses vem pra negócio.

Os chineses vêm pra negócio.

Ahhh, quase me esqueci de dizer que a Vinexpo é INTEIRAMENTE GRÁTIS para profissionais: € 0.

Números: Vinexpo Daily (o jornalzinho diário da feira) de 15.06.2015