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Receita de Canelé Bordelais. E sim, tem tudo a ver com vinho.

Este docinho simples e simpático, típico da região vinhateira de Bordeaux, na França, seduz há séculos. Um pouquinho de história e a receita desta delícia estão bem aqui!

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A associação da canelé com o vinho é simples: os produtores de vinho adicionam claras de ovo ao mosto do vinho, num processo conhecido como clarificação, que retira o excesso de sedimentos do vinho e deixa-o mais suave. Há alternativas modernas ao processo, porém, as claras de ovos ainda são usadas por muitas vinícolas de pequeno porte.

Historicamente, as gemas de ovo oriundas deste processo viraram doces encantadores pelo mundo, e na França, mais especificamente em Bordeaux, foram utilizados para criar os primeiros canelés. Se você estiver em Bordeaux, as canelés são muito fáceis de achar e segundo o povo de lá mesmo, as da Baillardran são as melhores. Se não for o caso, segue a receita.

Nossa receita exige bem poucos ingredientes e eu acho até bem simples de fazer, para tanto sabor. Rende de 12 a 16 porções, dependendo do tamanho da sua forma.

2  detalhes importantes:
. As canelés devem ser preparadas de véspera.
. Deve-se usar a forma própria. Além da questão estética, eu notei que as que eu preparei nas formas de cupcake, ficaram parecidas com queijadinhas, murcharam mais e ficaram mais torradas e secas. A forma tradicional é de cobre, quase impossível de achar até na França. A minha, eu trouxe de lá, mas é de silicone. Ótima. Por aqui, eu já vi em boas casas do ramo.

Ingredientes:
. 1/2 litro de leite
. 2 ovos inteiros
. mais 2 gemas de ovo batidas
. 1/2 fava de baunilha ou 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
. 3 colheres de sopa de rum
. 1 xícara de farinha de trigo
. 1 xícara de açúcar mascavo
. 2 colheres de sopa de manteiga
. Manteiga para untar a forma
. Açúcar branco para polvilhar a forma

Instruções:
No dia anterior:
. Ferva o leite com a baunilha e a manteiga. Retire o fogo, deixe esfriar só um pouco.
. À parte, misture a farinha com o açúcar, em seguida, adicione os ovos e as gemas de ovo à essa mistura.
. Depois, despeje esta mistura no leite morno.
. Misture tudo suavemente para obter uma mistura fluída e suave, tipo massa de panqueca. E se achar que errou: não, não errou, a massa fica quase líquida.
. Deixe esfriar e adicione o rum. Pode não usar rum? Pode, mas não é igual e não esqueça que o álcool evapora no forno.
. Leve à geladeira por 24 horas a 48 horas no máximo, a fim de hidratar bem a farinha de trigo.
Para assar as canelés:
. Pré-aqueça o forno a 250ºC.
. Unte a forma própria com manteiga e, em seguida, polvilhe com um pouco de açúcar.
. Despeje a massa apenas até estarem 3/4 cheios – NÃO mais. Parece inacreditável, mas elas crescem no forno e se você encher demais vai ser um rolo.
. Apoie a forma de silicone numa assadeira, e leve ao forno em temperatura alta por 5 minutos, em seguida, baixe a temperatura para 175ºC e continue a cozinhar por 1 hora mais ou menos.
. Os canelés estarão prontos quando sua adorável e quase crocante cobertura estiverem com uma leve crosta marrom, e eles ainda estiverem úmidos, quase como um pudim, por dentro, mas sem soltar sedimentos quando espetados com palito.
. Desenforme com cuidado enquanto ainda mornos.

As minhas ficaram ótimas em relação ao sabor e textura, mas preciso fazê-las mais uniformes, pois as cores estavam muito diferentes e entender também porque murcharam tanto. Diz a lenda que é porque não usei ovos frescos. Onde achar ovos frescos em São Paulo é que é o desafio…

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Você pode servir as canelés com chá ou café, ou desfrutá-las numa versão mais ousada, com vinho do Porto ou conhaque. Aliás é ótima para servir em festas, você prepara na véspera e só põe no forno na hora que for adequada. Bon appetit!

Vamos soprar as velhinhas, o Julgamento de Paris faz 40 anos e comemora em grande estilo.

Em 24 de maio de 1976, o mundo do vinho virou de ponta cabeça quando o Chardonnay 1973 do então desconhecido Chateau Montelena localizado no Napa Valley triunfou sobre vinhos da Borgonha e o Cabernet Sauvignon S.L.V. também 1973 da não menos desconhecida Stag’s Leap Wine Cellars superou os Bordeaux num julgamento em Paris realizado pela nata dos críticos especializados franceses.

Foto: internet.
Foto: internet.

Este ano comemora-se o 40º aniversário do hoje mundialmente famoso  Julgamento de Paris e o Napa Valley está em festa. O Chateau Montelena realizará um Open House em Calistoga no dia 24.05 com um painel de discussão das 13:30 – 14:30, porém das 9h30 às 16:00 haverá a degustação do Chardonnay 2013 e paira no ar a promessa de que pode haver algo mais saindo das antigas caves como surpresa para os visitantes.

Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.
Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.

Mas se você não aguenta esperar até maio, aproveite o festival de gastronomia local, eventos em vinícolas e as experiências únicas que só mesmo os americanos do Napa Valley sabem criar para este polo enoturístico de proporções continentais.

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Foto: internet.

De 16 a 20 de março serão 5 dias com 40 eventos num único festival que vai ficar na história e cujos lucros serão investidos em uma das melhores escolas de culinária do mundo, o  The Culinary Institute of America,

A idéia também é brindar o 40º aniversário do lendário 1976 Julgamento de Paris, e para isso juntou-se um time de estrelas como as vinícolas Chateau Montelena,  Stag’s Leap Wine Cellars, Spring Mountain Vineyard, Clos du Val Winery, chefs talentosos e os Master Sommeliers, Andrea Immer Robinson e Gilles de Chambure.

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Algumas dicas: mesmo que você se mova rápido para providenciar sua reserva para março, prepare-se para o frio, pois ainda é bem gelado por lá. Em maio o tempo é maravilhoso e o seu orçamento vai subir também de maneira esplendorosa. Quer um meio termo? Vem com a gente em Abril. Não é tão frio e os preços ainda estão acessíveis.

O orçamento está curto? Dá um pulo lá na SmartBuyWines e garante o seu que este é o meu. Cheers!

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Fonte: Judgment of Paris Anniversary – Open houseFlavor Napa Valley. Crédito foto destacada: internet.

Tudo o que você precisa saber sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos para ampliar seu leque de opções

Hoje nós vamos explicar direitinho para você o que são 2 tendências mundiais que vêm ganhando cada vez mais força: a dos vinhos orgânicos e biodinâmicos. Não podemos nunca esquecer a origem agrícola deste produto que muitas vezes é elitizado e glamurizado nas prateleiras de supermercados e empórios, tão longe das terras e vinhas que lhe deram vida. Portanto para entender estes vinhos, vamos primeiro falar de agricultura.

Buscando melhorar a produtividade da atividade agrícola e abastecer uma sociedade que se tornava cada vez mais urbana e industrial, os fertilizantes artificiais foram criados durante o século 18, justamente a época da Revolução Industrial e do êxodo rural. Inicialmente tinham como base os superfosfatos  e em seguida, o amoníaco. Estes fertilizantes eram baratos, poderosos e fáceis de transportar. Porém, a utilização deles ganhou terreno na década de 1940, no pós guerra, conhecida como a “era do pesticida”. Estas novas técnicas agrícolas traziam benefícios no curto prazo, mas provocavam efeitos secundários graves a longo prazo, como por exemplo:

  • a compactação e a erosão do solo;
  • o declínio na fertilidade do solo;
  • os danos à saúde devido a produtos químicos tóxicos que entram no abastecimento alimentar.

E não demorou para alguns agricultores perceberem a degeneração de suas plantações e a perda de fecundidade de suas terras e recorrerem a um cara chamado Rudolf Steiner. Este cientista austríaco tinha vários interesses, entre eles a agricultura. Junto deste grupo de agricultores, ele buscou novas técnicas de plantio e em 1924 apresentou um ciclo de conferências destinadas a cientistas, veterinários e agricultores e estabeleceu a base da agricultura biodinâmica.

Outra iniciativa ocorreu entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1940 através de Sir Albert Howard e de sua esposa, Gabrielle Howard, ambos botânicos, que desenvolveram a agricultura orgânica. Os Howards foram influenciados por suas experiências com os métodos tradicionais de cultivo na Índia, pela biodinâmica e pela sua educação científica formal. Sir Albert Howard é considerado o “pai da agricultura biológica” porque ele foi o primeiro a aplicar o conhecimento científico nestes métodos tradicionais e mais naturais.

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A joaninha é o símbolo da agricultura orgânica, também chamada de biológica. Fique de olho!

A agricultura orgânica utiliza fertilizantes e pesticidas (que incluem herbicidas, inseticidas e fungicidas), se forem considerados naturais (tais como farinha de ossos de animais ou piretrina das flores), mas exclui ou limita o uso de:

  • fertilizantes sintéticos;
  • pesticidas petroquímicos;
  • reguladores de crescimento de plantas, tais como hormônios;
  • uso de antibióticos na criação de animais,
  • organismos geneticamente modificados (este item é um pouco polêmico, pois alguns acreditam que os OGMs podem apresentar vantagens);
  • lodo de esgoto humano

por razões de sustentabilidade, transparência, independência, saúde e segurança.

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Muitas organizações certificam as plantações e a produção de vinhos para garantirem ao consumidor final a adequação do produto às suas regras.

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A agricultura biológica é uma forma de agricultura que se baseia em técnicas como:

  • a rotação de culturas;
  • adubação verde;
  • compostagem e;
  • controle biológico de pragas.
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As regras para a produção de vinho orgânico são claras.

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A diferença entre a agricultura orgânica ou biológica e a biodinâmica é que, além de basicamente adotar todas as regras da agricultura orgânica, a biodinâmica trabalha também com o conhecimento do ciclo cósmico, pois para os agricultores biodinâmicos, o reino vegetal não se emancipou das forças cósmicas, sendo um reflexo do que se passa no Cosmo. É um pouco mais filosófica e mais complicada que a orgânica porém se baseia nesta em seus preceitos básicos.

O aumento da conscientização ambiental na população em geral, especialmente na Europa,  transformou o movimento orgânico originalmente centrado na oferta para uma estratégia orientada pela demanda. A prática de preços premium e de subsídios do governo também atraíram produtores.

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Mas calcula-se que a partir de 2011, aproximadamente 37 milhões de hectares em todo o mundo foram cultivados organicamente, o que representa apenas cerca de 0,9% da superfície agrícola total mundial. Ou seja ainda há muito o que fazer e muitas cabeças a mudar para que a agricultura orgânica seja padrão, não exceção.

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O vinho orgânico é feito de uvas cultivadas de acordo a práticas da agricultura orgânica, ou seja, produzidas sem pesticidas sintetizados quimicamente, sem fertilizantes químicos e sem herbicidas. Além disso existem limitações no uso do que vai na vinha, a proibição de certos processos de vinificação e a redução dos níveis de sulfito autorizados.

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O vinho orgânico utiliza menos sulfito, um conservante, na sua produção, e alguns vinhos são produzidos totalmente sem sulfito.

E nas vinhas, a situação não é diferente. A videira é uma planta bastante delicada e sensível às pragas, especialmente as advindas da humidade. Por isso, não é de espantar que, por exemplo, os vinhedos franceses representem menos de 4% das terras dedicadas à agricultura, mas usem 14% dos pesticidas. (Fonte: INRA 2010)

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Degustação livre de vinhos orgânicos na Vinexpo. É só chegar, degustar e tem material de apoio também.

Agora vamos aos vinhos cuja variedade impressionou.

Um rosé do Domaine des Carabiniers da região de Tavel apresentou-se muito frutado, mas levemente cozido o que lhe tirou um pouco do frescor.

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Este Sancerre da Le Tournebride apresentou-se cítrico, fresco, aromático com notas florais lembrando jasmim.

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O outro Domanie des Carabiniers da região de Lirac mostrou-se herbáceo e fresco.

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O Château Fougas é um vinho poderoso cheio de frutas vermelhas, taninos afinados e muito frescor. Este declara ser um vinho orgânico no rótulo.

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O Château La Roque é um vinho interessante com frutas vermelhas e notas de menta. Leva a designação biologique que significa orgânico no rótulo.

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Um delicioso Merlot do Domaine Émile Grelier que também leva a designação de orgânico no rótulo.

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O branquinho da Vignoble des 2 Lunes é floral, delicado e um pouco açucarado.

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Foi possível ver que os vinhos orgânicos além de cuidarem melhor do planeta, apresentam uma variedade muito interessante. Nos próximos posts nós vamos continuar a contar para vocês sobre vinícolas que praticam a agricultura orgânica e produzem vinhos imperdíveis.

Mix de uvas e frutas locais, vinhas enterradas e rótulos que são uma obra de arte. A saga da China para produzir seu próprio vinho.

Cada vez que se fala no potencial da China como mercado, qualquer investidor arregala os olhos, mas quando se fala no crescimento do mercado de vinho na China nos últimos 20 anos, especialmente 2006 e 2007, qualquer interessado em negócios tem até ataques de vertigem.

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Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

Aliás, os números do consumo de bebida na China, engordam os olhos de qualquer um. Além de consumirem 27% de toda a cerveja do planeta, percentual que os faz o maior consumidor do mundo, eles também consomem muito um tal baiju que aqui no gráfico é chamado de white liquor. O baiju parece que é um tipo de whisky a base de sorgo (um cereal), mas que pode ser elaborado com outros cereais também. É uma bebida praticamente desconhecida fora da China, mas muito tradicional e cheia de rituais e significados por lá. Depois vem o tradicional vinho de arroz e só então temos o vinho de uva.

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Conforme a gente já expôs aqui, China ou Estados Unidos?, este crescimento tem que ser considerado com cautela, especialmente face aos recentes acontecimentos (Queda na Bolsa da China).

Mas deixando os percalços financeiros internacionais de lado, o crescimento do mercado de vinho na China atraiu não só muitos vendedores do mundo todo, como também muitos interessados em desenvolver a vitivinicultura local.

Ficou claro?
Ficou claro?

Como consequência, desde 2013 a China tem a 5ª maior área plantada de vinhedos do mundo.

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Porém nem tudo são flores, ou neste caso, cachos, pois o clima na maior parte do território chinês (que não é pequeno) não é propício a este tipo de cultivo, fazendo com que os baixos rendimentos o coloquem em 7º lugar como produtor mundial.

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Tentando explorar a imensidão e diversidade do território chinês, as áreas de cultivo de vinha têm se expandido. A fim de ajudá-los a se guiarem no mapa, vá bem para o sul, alinhe o olhar em Guangxi em ambos os mapas (a província em verde, lá no pé do mapa pequeno) e daí suba.

Mapa das regiões vinícolas da China. Em tamanho menor, mapa da China para você se guiar.
Mapa das regiões vinícolas da China. Em tamanho menor, mapa da China para você se guiar.

Conforme se pode ver, em quase toda a China pode-se encontrar vinhas e como consequência, a qualidade vem melhorando.

O clima chinês tem 2 problemas básicos:

1) a humidade, frequente durante todo o ano, é um perigo para os vinhedos, trazendo risco de doenças. Mas o maior problema é justamente no verão. Se você lembra das aulinhas de geografia, deve ser lembrar também das chuvas de monção que caem sobre a Ásia no verão, justamente a época em que as videiras menos toleram água…

2) o frio. As áreas menos úmidas são aquelas mais frias. Só que quando a gente fala de frio na China, fala de -30°C. Frio mesmo. Não há videira que suporte este tipo de temperatura e viva para sorrir na primavera. Mas sendo os chineses como são, inventaram uma maneira de contornar o problema: eles enterram as videiras durante o inverno para protegê-las já viu isso? Imagina o custo e o trabalho envolvidos no processo.

As regiões mais promissoras são:

  • 1) O Platô de Loess que obteve até um prêmio da Decanter.
  • 2) A outra é Xinjiang.

80% do consumo de vinho na China é de vinho tinto, não que este percentual seja muito diferente do resto do mundo. O que os diferencia é que o hábito começou a se estabelecer no consumidor graças ao interesse nos benefícios para a saúde proporcionados pelo resveratrol, presente nos taninos do vinho tinto.

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Trocando o baiju pelo vinho?

Já que o vinho não faz parte da tradição chinesa, uma maneira que os produtores encontraram de se comunicar mais efetivamente com o consumidor, foi o rótulo que sempre busca integrar algo desta cultura milenar.

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Mas vamos aos vinhos que é o que interessa.

Dos 5 brancos degustados: 1 riesling, 3 chardonnay  e 1, justamente da Great Wall, de longyan frutado, fresco e ácido que foi o que mais impressionou, com o pequeno problema que longyan é uma variedade de uva de mesa….

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4 dos 5 brancos degustados.
Palidozinhos....
Palidozinhos….

 

 

 

 

 

 

 

 

A seleção de tintos apresentou um merlot e 4 cabernets. Infelizmente a paleta de aromas e sabores variava do muito aguado ao marcadamente tânico.

A seleção de tintos.
A seleção de tintos.
Visualmente os tintos ofereciam maior impacto.
Visualmente os tintos ofereciam maior impacto.

 

 

 

 

 

 

 

 

O outro destaque ficou por conta deste vinho que mesclava uvas chardonnay e ruby (sim, é isso aí) com uma outra fruta local chamada de wolfberry, apresentando notas de morango marcadas tanto em nariz quanto em boca….

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Vinho que não era de uva, cortes poucos ortodoxos, rótulos bonitos e uma luta que me parece até meio absurda para produzir vinho onde nem uva dá. Mas assim foi minha experiência com o vinho chinês na Vinexpo.

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Conclusão? Deixo vocês com as palavras do consultor de enologia francês Michel Rolland que trabalha para as produtoras chinesas gigantes Dinasty e Great Wall: Ainda não sabemos se a China pode fazer bons vinhos…..

Michel Rolland


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2 tendências do vinho alemão que você precisa conhecer

Um produtor tradicional e um 3 dos maiores mercados mundiais para o vinho, a Alemanha fez questão de falar sobre algumas de suas principais tendências durante a última Vinexpo e a gente traz as 2 mais interessantes para você.

Durante a feira, eu aproveitei para conhecer melhor os vinhos de alguns países que pouca ou nenhuma atenção dedicam ao mercado brasileiro pelas razões que a gente já está saturado de saber. E a Alemanha esteve muito bem representada pela simpática e descolada sommelière Romana Echensperger.

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http://www.tongmagazine.com/romana-echensperger

A Romana cobriu vários pontos sobre a produção de vinho na Alemanha, mas vou focar nas 2 que me chamaram mais a atenção.

1) Riesling

Calma, calma. A gente sabe que a Riesling não só é originária da Alemanha como também é a uva símbolo deste país.

O Riesling alemão, proveniente de encostas ensolaradas, geralmente próximas ao Reno ou ao Mosel, amadurecido lentamente nesta região de clima frio, tem seduzido os amantes do vinho com suas notas florais e frutas recheadas de toques minerais e petroladas há séculos. Então que “tendência” é essa?

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Bom, quem vai ditar as regras serão os membros da Geração Riesling. Quem são?

  • mais de 400 profissionais que cultivam não apenas a famosa variedade, alguns trabalham outras castas também;
  • têm menos de 35 anos;
  • são altamente treinados, têm orientação internacional e estão dispostos a assumir a liderança na produção do vinho alemão.

A idéia por traz da formação da rede chamada de Geração Riesling foi:

  • gerar novas idéias e conceitos de marketing;
  • abrir oportunidade de ações em conjunto e mesmo assim enfatizar a individualidade dos produtores.

Fica a dica. Siga este grupo e aguarde porque eles prometem trazer muitas novidades por aí.

http://www.generation-riesling.de

2) Spätburgunder, a Pinot Noir alemã.

Agora pasme, porque devido ao aquecimento global, a Alemanha está tendo que trocar seus vinhedos. A casta escolhida é a spätburgunder, a Pinot Noir alemã. O sucesso tem sido tamanho que antes 89% do vinho alemão era branco, agora só 64% devido à mudança no clima. E a spätburgunder lidera a mudança.

Os clones utilizados são diferentes dos da França, pois apresentam mais fruta e têm menos notas terrosas. Certamente esta variedade promete, pois hoje a Alemanha já é o 3° maior produtor mundial de Pinot depois da França e dos EUA.

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Não é tarefa fácil achar bons vinhos alemães por aqui. Por favor, esqueça nosso amigo da garrafa azul, tão famoso na década de 90, responsável também pelas maiores ressacas da mesma década e ainda presente nas prateleiras dos supermercados. Tente começar procurando a Weinkeller, uma importadora especializada em vinhos alemães, eles são muito empenhados em trazer boas novidades de lá.

http://weinkeller.com.br/index.html

Saiba bem as regras de harmonização. Só para quebrar todas elas!

A palavra sommelier é oriunda da Idade Média, vem da língua francesa e se referia ao encarregado do transporte de suprimentos por animais de carga.

Hoje, este cara cuja profissão tem nome difícil, normalmente trabalha em restaurantes “finos” e se especializa em todos os aspectos do serviço do vinho, bem como na harmonização dos vinhos ofertados com a comida do estabelecimento.  Sendo assim, este profissional segue usualmente algumas regras de harmonização bastante manjadas. É o bom e velho peixe e frango com vinho branco e carne com vinho tinto.

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Um dos sommeliers no evento da Gault et Millau.

Agora, o pessoal fera da Gault et Millau, uma revista especializada em gastronomia, restaurantes, bares, vinhos e outras delícias, todas francesas, dedicou seu espaço na Vinexpo para propor harmonizações incomuns e bastante impactantes. Não preciso nem dizer que a somatória de chefs renomados, comida deliciosa e o maior evento de vinhos do mundo foi sucesso garantido. As sessões estavam sempre lotadas, mas eu consegui assistir a 2 apresentações.

http://www.gaultmillau.fr

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Estrutura bacana para este evento inovador.

Uma foi a do Chef Jean-Luc Rocha que trabalha no restaurante do Château Cordeillan-Bages, um hotel e restaurante cravado no coração de Bordeaux, membro do Relais & Châteaux, localizado em Paullilac, mais precisamente.

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http://www.jmcazes.com/en/chateau-cordeillan-bages

O sommelier neste caso escolheu 2 vinhos. 2 Chateneuf du Pape muito típicos, com madeira, frutas, especiarias, geléia e aquele componente animal que faz a alegria de muita gente.

Os 2 eram belíssimos exemplares do Domaine des Sénéchaux, que apesar de ser uma propriedade no Rhône, pertence ao mesmo grupo dono do Château. O detalhe interessante estava na safra: um 2007 e um 2011. A 2007 é considerada uma safra perfeita devido ao stress hídrico e a excelente concentração de aromas e sabores devidas a ela. Já o 2011 com muita presença aromática se apresentou jovem demais.

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Agora pasme. A sugestão do chef Jean-Luc Rocha para harmonizar com estes 2 vinhos foi um…. ravioli de camarão pistola. Exatamente. Camarão com vinho tinto. O prato está aí: um ravioli gigante, recheado com a carne de camarão, acompanhado pelo bichinho apenas cozido e por um tempurá de folhas de parreira (juro, é uma delícia) e banhado por um molho escuro, encorpado, que casou perfeitamente com o vinho.

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O prato foi um show e ficou melhor com a safra 2007, aliás porque o vinho em si estava mais “pronto”, mais equilibrado.

O legal destes desafios é que eles vão além das cores (brancos vs. vermelhos) e das regras tradicionais que muita gente, inclusive profissionais, segue porque são as mais conhecidas e também as mais seguras. Eles exploram a essência da harmonização, ou seja, a filosofia que o vinho e a comida só se complementam e completam absolutamente quando um realça outro, sem se sobreporem. Desta maneira, levamos em consideração a intensidade do prato: comidas gordurosas e substanciosas combinam com vinhos robustos, pratos menos robustos combinam com vinhos meio encorpados e comidas leves, com vinhos leves. E isso vai muito além do tipo de proteína. Depende de temperos, acompanhamentos e especialmente de molhos.

A outra performance foi a da chef Beatriz Gonzalez, uma mexicana radicada em Paris há 15 anos, hoje dona do restaurante Neva e considerada uma estrela em ascensão por lá, tarefa nada fácil no cravejado céu gastronômico de Paris.

Os vinhos escolhidos foram o Gran Ababol, um espanhol longo, 100% verdejo, muito complexo, cujos 20 meses de envelhecimento em madeira dão notas de especiarias às flores e frutas. O outro, um Les Anthenors Clairette de Jean-Luc Colombo, um francês da Provença muito jovem, mineral e frutado com uma breve passagem em madeira (9 meses).

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O contraponto entre 2 brancos: um espanhol com quase 2 anos de madeira e um jovem francês.

O prato da chef Beatriz consistia num pequeno festim de inspiração mexicana: lingueirões servidos com toques profundos de acidez nos molhos, o contraponto do doce do tomate e da manga mais alguns toques de picância no vinagrete.

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Neste caso, a complexidade do verdejo envelhecido foi demais para este prato com uma vibrante profusão de sabores agudos. Eram como 2 músicas lindas tocadas por exímias orquestras ao mesmo tempo, uma ao lado da outra, no volume máximo. Não rolou. O branco mais leve e frutado com seu delicado toque de madeira combinou perfeitamente com a acidez e a pimenta. Levantou o prato, o realçou….

Achei este exercício muito legal. E recomendo! Pode parecer complicado à primeira vista, mas use a criatividade, a experiência que você vai adquirindo com os diferentes vinhos que degusta e desfrute com seus pratos preferidos. E principalmente, não tenha medo. Não existem erros, só aprendizados. O que você acha de se surpreender com a harmonização de sabores distintos?

Conta para nós!

5 dicas para você ficar por dentro do mercado de vinho nos EUA

Ambicionando levar seus vinhos para o mercado americano? Então não perca estas 5 dicas para você ficar por dentro do mercado de vinho nos EUA.

Este foi provavelmente o debate mais interessante que eu assisti na Vinexpo e possivelmente o mais profissional que já escutei sobre o vinho como negócio. Os americanos. Aaaahhh os americanos……

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Primeiro de tudo, eu vou falar sobre o curriculum do pessoal que se encontrou na Vinexpo para propor um debate sobre a melhor maneira de vinícolas estrangeiras entrarem no mercado norte-americano de vinhos.

Annette Alvarez-Peters – Gerente Geral Assistente de Mercadorias para Bebidas Alcoólicas do Costco. O Costco é um clube de compras dos EUA que vende só para membros e possui um estoque que o faz parecer um templo de consumo como nenhum outro. É a segunda maior rede varejista do mundo mesmo que você nunca tenha ouvido falar deles, porque, bem, porque economia fechada é assim. www.costco.com

. Mel Dick – Presidente da Divisão de Vinhos / Vice-Presidente Senior da Southern Wine and Spiritis of America, simplesmente a maior distribuidora de bebidas dos EUA, operando em 35 estados. E a gente vai ver que isto não é tarefa simples. Seu portfolio consiste em 45% vinhos e 55% destilados. http://www.southernwine.com

. Helen Mackey – Vice Presidente, Estratégia e Inovação de Cardápio da Ruth’s Chris Steak Houses. A Ruth’s Chris é uma cadeia sofisticada de churrascarias americana, fundada na década de 60 por uma mãe solteira na Flórida e que hoje conta com 136 estabelecimentos dentro e fora dos EUA. www.ruthschris.com

. Michael Mondavi – Fundador da Folio Fine Wine Partners. Dispensaria apresentações, mas é ele mesmo. Saiu da Robert Mondavi, empresa na qual trabalhou por 40 anos com seu lendário pai, para abrir a Folio em 2004, com a sua esposa, Isabel, e seus filhos, Rob e Dina. O objetivo da nova empresa é importar vinhos de primeira linha de regiões vinícolas emergentes, incluindo a Itália, Espanha, Áustria, Nova Zelândia, Argentina e Califórnia. www.foliowine.com

. Stephen Rust – Presidente da Diageo Chateau & Estate Wines e da Diageo Reserve, a divisão de vinhos e de bebidas de luxo de uma das maiores empresas de bebidas do mundo.  www.diageowines.com

. David Trone – Proprietário, com o irmão Robert, da Total Wine & More, maior varejista independente dos EUA de vinho fino. Fundada em 1991, no Delaware hoje tem 113 lojas em 16 estados. www.totalwine.com

. Thomas Matthews – Diretor Executivo da Wine Spectator, uma das maiores revistas sobre vinho dos EUA. www.winespectator.com

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Agora que a gente estabeleceu que todos os palestrantes eram gente realmente de peso da indústria do vinho nos EUA, cujo conselho vale a pena escutar, vamos ver as boas dicas para você que ambiciona vender seu produto por lá.

1. Conheça o mercado: 1 país, 50 estados com leis próprias e o sistema de 3 níveis. Não é simples.

Os 3 níveis em questão são: o produtor, o distribuidor e o varejista. É o que os americanos chamam de three-tier system. Este sistema foi implementado após a queda da lei seca como uma maneira de regular e controlar a indústria do álcool para que não voltasse a apresentar os excessos e abusos que levaram à lei seca anos antes.

Logicamente, os estados também estavam ansiosos para desenvolver um método para cobrar impostos sobre os produtores de álcool. O resultado foi um sistema em que a propriedade única de todos os três níveis (produção, distribuição e varejo) foi total ou parcialmente proibida.

O único estado que não conta com este sistema é o estado de Washington. Por lá, os varejistas podem comprar bebidas alcoólicas diretamente dos produtores, podem negociar descontos por volume e podem armazenar seu estoque eles mesmos. No entanto, na realidade, o sistema de três níveis continua a existir, apesar da lei, já que as condições de mercado não deixam muito espaço para manobra. É a boa e velha lei do mercado…. Além da taxa de impostos mais alta no país, que chega a 50%.

Para apimentar a operação há ainda os open states e os control states. Nos open states a venda de bebidas alcoólicas é prerrogativa da iniciativa privada. Nos control states é do estado. Ainda hoje há 18 estados nos EUA onde a venda de álcool é de uma maneira ou de outra, responsabilidade do governo, por exemplo, o Oregon, um grande produtor de ótimos Pinots. Mas nisso tudo há uma miscelânea de combinações:  a prerrogativa pode ser sobre qualquer dos 3 níveis, privada ou governamental ou ainda só sobre vinho, só sobre cerveja, destilados ou todos. Uma salada mista….

Daí você já deve concluir que escolher um distribuidor com excelente conhecimento do território onde opera e que compreenda sua marca, posicionamento e preço dentro deste contexto, é fundamental, especialmente porque normalmente eles atuam por estados devido a esta complexidade e este deve ser um elemento pilar da sua estratégia.

Procure um parceiro de maneira mais cuidadosa que esta....
Procure um parceiro de maneira mais cuidadosa que esta….

2. Mostre que você veio para ficar. Um plano de negócio detalhado que inclua uma estratégia promocional visando a visibilidade da marca é fundamental.

Um país de economia aberta como os EUA, com um mercado consumidor forte devido ao poder aquisitivo e ao interesse crescente da população pelo vinho é terreno fértil para muitos produtores que buscam uma fatia deste delicioso mercado. Portanto, é natural que por lá se encontrem os mais variados rótulos de marcas, castas e países diferentes.

O sucesso neste ambiente complexo, gigante e segmentado vai depender da visibilidade alcançada pela marca. O que em marketing chamamos de “arremesso” de produto no mercado vai terminar num rotundo fracasso, pois não atrairá a atenção do consumidor.

Um exemplo de sucesso são os Malbecs da Argentina que até 1999 nem existiam no mercado americano e que hoje detém 11% do mercado de vinhos nos EUA. Os vinhos de Rioja são outro bom exemplo.

Um caminho que pode ser traçado, é a reafirmação da qualidade do produto através da crítica de autoridades reconhecidas pelo consumidor do mundo do vinho, por exemplo, participar das hot brands da Wine Spectator. O consumidor americano é muito atento a classificações e pontuações.

Outra maneira de buscar visibilidade e construção de marca, é buscar a introdução do rótulo em alguma cadeia de restaurantes. No restaurante a experiência é de baixo risco, pois a maioria dos consumidores considera um vinho que conste na carta de um restaurante conhecido como um produto “pré-aprovado”. Seu produto ganha exposição imediata.

Seja como for, dentro do seu plano de lançamento e visibilidade, as atividades de degustação são essenciais para o sucesso na entrada neste mercado.

Um bom ponto a observar na elaboração do plano promocional é observar a rigidez da lei americana em torno da bebida, especialmente no que tange a restrição de consumo de álcool por menores de 21 anos. Assim todo cuidado é pouco na escolha da mensagem e divulgação da mesma.

A  presença em restaurantes ajuda na visibilidade e construção da marca.
A presença em restaurantes ajuda na visibilidade e construção da marca.

3. Tome seu tempo para conhecer seu mercado e seus parceiros de negócios. Esse é um negócio de relacionamento.

Se no mundo dos negócios, as relações interpessoais são cada vez mais importantes, no mundo do vinho isto é mais verdadeiro do que nunca.

Começando pelos produtores, pequenas ou médias propriedades de famílias, cujo desafio começa na distribuição de seu produto, elaborado de acordo a sua crença, seu estilo, e personalidade. Por isso a importância das relações, do olho no olho, da compreensão da história de ambos os lados, dos anseios, planos para o futuro e objetivos.

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Invista tempo e dinheiro na construção de relacionamentos.

4. Seriedade e profissionalismo. Não basta ser profissional. Você tem que se mostrar profissional. 

Amadorismo não tem lugar num mercado com alto nível de profissionalização. Na Southern Wine and Spiritis of America, por exemplo, dos 14.000 empregados, 60% estão focados em vendas e marketing e todos têm alguma formação pela WSET, alguns são inclusive Master of Wine, ou Master Sommelier ou ambos!

Um exemplo de falta de planejamento, conhecimento e estudo que denota falta de profissionalismo são as dezenas de empresas que buscam o Costco e desconhecem completamente seu modelo de negócio. O Costco trabalha com a idéia de “caça ao tesouro”, como se cada artigo exposto fosse uma oferta única e exclusiva, obviamente de custo / qualidade inigualável. Expostos ainda em seus pallets, o que baixa custos e acelera a rotação, os produtos atraem o olhar obedecendo ao que a empresa chama de regra 5 por 5: seu produto tem 5 segundos para atrair o consumidor que está a 5 pés (1 metro e meio) de distância. Você estaria pronto a atender todas estas exigências?

Mostre seu conhecimento técnico sólido, mas acima de tudo demonstre que você tem um plano de entrada no mercado que seja concreto, sustentável e detalhado.  E esteja absolutamente seguro de que toda a sua equipe envolvida no projeto esteja no mínimo neste mesmo nível.

Profissionalismo.
Profissionalismo. Sempre.

5. Conheça profundamente o consumidor e o seu público-alvo.

A história do vinho nos EUA é bastante recente. Não só porque sendo um país de novo mundo, o vinho foi trazido e sua cultura disseminada pelos imigrantes mas também porque a lei seca retardou o desenvolvimento desta indústria por quase 2 décadas. Não fossem os EUA o povo que são: focados, orientados a negócio, essencialmente técnicos e persistentes, o vinho não teria a dimensão que tem hoje neste país.

Uma segunda onda de influência no interesse pelo vinho foi causada pelos soldados americano que voltaram da Segunda Guerra Mundial, mas hoje, o importante é a Geração Milênio. Os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio. Esta geração de aventureiros, gosta de vinhos fáceis de beber e de novos estilos, buscam reafirmação, ou seja, dão atenção aos críticos e recomendações de profissionais para não errar, porém a curiosidade os leva a ter uma baixa fidelidade não só às marcas de vinhos como também ao próprio vinho que acaba por competir com outras bebidas.

E lá vai mais dicas sobre o comportamento da Geração Milênio:

  • gostam de rosé,
  • preferem cortes de tinto aos monovarietais,
  • e na onda dos espumantes, surfam as borbulhas do prosecco,
  • querem ser diferentes,
  • querem informação e não marketing,
  • julgam importante não só a qualidade do vinho como também sua embalagem, uma rotularem elegante é fundamental para o sucesso.

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E agora, está preparado para o sonho americano?

China ou Estados Unidos? 12 motivos para você acreditar em quem oferece o melhor mercado mundial para o vinho durante a próxima década

Os EUA foram o convidado de honra da Vinexpo 2015, pois os analistas econômicos apontam o país como o de maior potencial para o crescimento das vendas de vinhos e destilados pelos próximos 10 anos.

A China que até agora gozava deste título, obviamente não gostou nada da mudança e provocou uma série de debates para discutir o potencial dos dois países no futuro. Você recebe aqui todos os dados em primeira mão e tira suas próprias conclusões.

O primeiro fator a ser levado em consideração é a economia chinesa, que deve ultrapassar a americana, tornando-se a primeira do mundo até 2025.

A China, além de ser o país mais populoso do mundo com mais de 20% da população mundial, apresenta as taxas de crescimento de PIB mais altas, é considerada hoje o banco do mundo devido ao poder de poupança de sua população e é o maior negociante do planeta desde 2013. (Dados: OECD / Wordbank / IMF)

Em relação ao vinho, a China apresentou um crescimento de mercado único por 20 anos! Mesmo com impostos de importação de 48%…

Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

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Ao contrário do que se possa pensar, não há razões culturais para os consumidores chineses não consumirem mais vinho, pois Japão e Hong Kong já apresentam taxas de consumo interessantes. Se você se perguntou quanto o Brasil consome, eu respondo: 2 litros per capita. Mesmo número de bem antes de 2008…

Nível de consumo per capita na Ásia (em litros por ano e per capita)

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A população chinesa em idade legal de beber é de 1.043 bilhões de pessoas. É muita gente, mas a bebida mais popular é um destilado, o Baijiu, fazendo dele 38% do consumo global de destilados (em volume). Num outro dado impressionante, os chineses consomem 27% de toda a cerveja do mundo, fazendo deles um mercado 2 vezes maior que os EUA.

O interesse pelo vinho por lá é tanto que nestes 20 anos a China alcançou a posição de 5º maior área plantada de vinhedos do mundo, é o 7º maior produtor mundial e o 5º maior consumidor de vinho do mundo.

Volume de vinho (tranquilo e espumante) consumido em milhões de caixas de 9 litros.

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Isso, contando com uma oferta cada vez maior de países, estilos e varietais, consumidores jovens e mulheres assumindo  um papel mais importante no consumo, uma base maior de consumidores expostos a vinhos importados, a saída de traders oportunistas e a consolidação da cadeia de distribuição.

Os chineses bebem vinho pelos benefícios à saúde. Isso mesmo. Por isso, a China deve se tornar o maior consumidor de vinho tinto no mundo em 2018, ultrapassando até mesmo os EUA.

Volume de vinho tinto consumido em milhões de caixas de 9 litros

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Apesar da maior parte do vinho consumido ser de origem local, cada vez mais vinho importado tem sido incorporado ao dia a dia dos chineses e os padrões de consumo por origem estão alcançando os níveis mundiais.

Consumo mundial de vinho em 2013.

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Tanto é verdade, que hoje a China faz parte dos chamados mercados produtores de vinho “abertos”.

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Mas a melhora na oferta é fundamental.

Comparação de qualidade da oferta do vinho China vs. mundo.

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Hoje, 38 milhões de lares chineses consomem vinho importado pelo menos 2 vezes por ano, este número pode subir para 83 milhões até 2020.

Mas obviamente, tudo isso depende de uma série de fatores. Hoje os fatos são:

1) Os EUA podem apresentar “só” 2% de crescimento PIB, mas estes 2% são puxados pelo consumo. Na China, o crescimento do PIB é ainda muito turbinado pelo governo.

2) Os EUA consumiram o equivalente a 314 milhões de caixas de 9 litros de vinhos em 2014 e a China ficou nos 151 milhões.

3) As taxas de crescimento no consumo de vinho na China tem variado enorme e bruscamente, o que pode se tornar um pesadelo para quem ambiciona exportar para este mercado, enquanto os EUA tem crescido mais lenta, porém constante e de maneira mais sustentável.

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Dados: Wine Intelligence, The IWSR 2015

4) Outro ponto importante é o incremento crescente na qualidade do vinho ofertado nos EUA:

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Dados: Nielsen

5) Também nos EUA, a penetração do vinho tem crescido:
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Vinho tranquilo, população adulta. Dados: IWSR

6) A Geração Milênio: os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio, ansiosa por experimentar novos produtos.

7) Vinhos espumantes: os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 18 milhões de caixas de 9 litros em 2014 e cresceu 2% em 2014 vs. 2013 (IWSR 2015) e vinhos rosés: Os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 33 milhões de caixas de 9 litros em 2014 (IWSR 2015), permanecendo estável em 2014 vs. 2013 (CIVP 2015)

8) Os EUA são o 1º mercado potencial mundial para vinhos leves entre 8 mercados testados. Vinho leves são considerados aqueles com com graduação alcoólica menor, abaixo de 10,5Gl. (Wine Intelligence 2014)

9) Na realidade, o potencial dos EUA é ainda enorme.

Penetração e tamanho da população consumidora de vinho em alguns mercados.

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  • O tamanho do círculo indica o tamanho da população que toma vinho regularmente (1 vez ao mês) e o número exato está expresso no centro do círculo (consumidores de vinho importado em áreas e/ou cidades selecionadas no Brasil, México, Rússia, Coréia do Sul e China) em milhões.
  • A parte em azul indica penetração do mercado de vinho.

10) O potencial de crescimento de mercado. Número de habitantes.

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11) O cruzamento do fator econômico com os dados sobre mercado de vinhos:

Fatores Econômicos

  • Tamanho da população adultaPIB per capita e tendência
  • GNI per capita
  • Poder aquisitivo
  • Desemprego
  • Índice de corrupção
  • Número de Starbucks (medida de globalização)

Dados do Mercado de Vinho

  • Volume do mercado de vinho e tendência
  • Volume de vinho importado e tendência
  • Consumo per capita e tendência
  • Valor do mercado de vinho e tendência
  • Preço unitário no recado de vinho
  • População que consome vinho
  • Crescimento potencial da população que consome vinho
  • Acessibilidade do mercado

No fim das contas, o resultado fica assim:

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12) O fato é que sim, a China será 1 dos 3 maiores consumidores de vinho do mundo até 2025.

  1. EUA 356 milhões de caixas de 9 litros
  2. Alemanha 280 milhões de caixas de 9 litros
  3. China 270 milhões de caixas de 9 litros

Mas os EUA serão o primeiro.

Onde você apostaria suas fichas? Tá de olho no mercado americano de vinhos? Então não perca o próximo post.

Vinexpo vs. Expovinis – só pondo o dedo na ferida ela pode sarar.

Este ano tive a oportunidade de participar de 2 importantes eventos do vinho, um bem próximo ao outro e a comparação foi inevitável.

A proposta das duas feiras é exatamente a mesma: criar oportunidades de descobrir novos produtos, expandir portfolios, fazer negócios, discutir tendências de mercado e proporcionar networking. E fazem isso de maneiras distintas, pois têm algumas diferenças importantes:

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Destes dados já se apreende que a Expovinis é uma feira menor, mais jovem e realizada num país em desenvolvimento com cultura de vinho ainda em formação enquanto a Vinexpo já está bastante consolidada num dos berços mundiais do vinho localizados numa grande potência européia.

Essas são diferenças que a gente tem que respeitar, então eu nem vou entrar no mérito de qualidade de transporte público entre as duas cidades, qualidade das instalações entre os dois ambientes de exposição (banheiros,  como exemplo) e acesso a internet, só para começar, pois isto implica em responsabilidade pública sobre as quais temos nenhuma ou muito pouca influência. Vamos propor uma reflexão sobre o que nós como comunidade de profissionais do vinho podemos fazer para melhorar a Expovinis, pois vejo a cada ano um número crescente de pessoas insatisfeitas com a mesma, enquanto a feira encolhe tristemente.

Podemos começar por exemplo falando de gastronomia. Os profissionais do vinho sabem que a grande maioria dos vinhos é feita para se consumir com comida. Não só pelas características organolépticas do vinho, mas também pelo risco que pode apresentar à saúde, o hábito do consumo de álcool a qualquer momento do dia em qualquer quantidade. Os sommeliers são incentivados a buscar constantemente harmonizações para os vinhos que degustam e seu trabalho é basicamente propor vinhos que combinem com os pratos escolhidos por seus clientes.

A Expovinis tem 4 pontos de venda de comida na feira toda. Detalhe que a feira começa exatamente às 13, horário da refeição mais importante dos brasileiros: o almoço. Creia-me a relação qualidade-preço dos 4 pontos de venda é de chorar. Vai de coxinha de lanchonete de rodoviária a pizza de cadeia internacional pingando óleo.

A Vinexpo oferece quase 50 restaurantes e food trucks. De ostras a hamburguer, sushi, comida basca, thai e claro, francesa. Tem comida para todo lado, de todo tipo e de todo preço. E todo mundo oferece vinho a copo ao preço de refrigerante.

Área de alimentação conta com restaurantes e food trucks.
Área de alimentação conta com restaurantes e food trucks.

Será que podemos ampliar a oferta de alimentação? Trazer foodtrucks que estão tão na moda para participar do evento? Que adotem os vinhos do evento e harmonizem com seus cardápios para enriquecer a experiência. A Expo Center Norte não permite? Então não é o lugar certo para esta feira. Por mais esta razão.

Será que as grandes companhias de alimentos não estão dispostas a patrocinar aulas de harmonização atrevidas em cook shows ao vivo para chamar a atenção da importância da comida para o vinho, a exemplo do que fez a Gault-Millaut com sucesso estrondoso na Vinexpo? Isso também chama a atenção da importância do profissional de vinho para a área de restauração e valoriza a imagem do mesmo.

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Aula de harmonização com cook show.

Beber vinho é muito legal, mas para aprender mesmo, como profissionais, temos que estudar regiões produtoras e seus produtores, entender condições, propostas e conceitos. Só balançar copinho e despachar aromas e sabores não é tudo para quem realmente trabalha com o tema. Por isso, é importante um ciclo de palestras pertinentes à complementação profissional do sommelier brasileiro, seja o de restaurante, o consultor de vinhos em loja ou importadora.

Durante a Expovinis, a grande maioria das palestras foi proposta pela ViniPortugal, em uma iniciativa única e louvável, mas ainda assim pequena.

Onde estavam Chile e Argentina? Os 2 maiores exportadores de vinho para ao Brasil. Recebem isenções de impostos e contribuem como ao crescimento do vinho no Brasil? Será que a Wines of Argentina & a Wines of Chile poderiam manifestar seu interesse no mercado brasileiro com uma presença maior: aulas sobre seus terroirs e degustações guiadas de seus produtores?

E a Vinhos do Brasil? Não seria uma boa oportunidade de apresentar regiões novas e consolidar as tradicionais para os profissionais? Propor degustações guiadas com profissionais reconhecidos?

As salas de treinamento sempre pequenas, apertadas, mal aparelhadas e desconfortáveis não podem ser melhoradas? Está claro que não são suficiente. A improvisação não funciona. A fila de pessoas frustradas na porta porque não conseguiram participar de palestras e workshops e a existência de debates pouco ou não divulgados denuncia a área de melhoria e a necessidade do público.

Salas amplas para acolher os muito interessados e bem equipadas com som e visual.
Salas amplas para acolher os muitos interessados e bem equipadas com som e visual.

O último ponto ao qual convido um reflexão é nosso postura como profissionais. Existe uma diferença muito grande entre um sommelier fora e no Brasil. A responsabilidade é sempre a mesma, zelar por uma seleção adequada (que harmonize com o cardápio, com o conceito da casa, variada, equilibrada e sobretudo rentável) de vinhos para uma loja ou restaurante.

O problema está na valorização da profissão. Lá fora um profissional em início de carreira ganha cerca de USD 4,000 por mês, aqui cerca de USD 400. Obviamente o impacto disto na formação é enorme. Fora do Brasil um curso de formação tem mais de 300 horas. Aqui é a metade disso ou menos. E a profissão tem uma formação cara: é estudar muito, viajar, ler e beber. Parece divertido, e é. Mas requer empenho, disciplina e investimento tanto quanto qualquer outra profissão ou até mais.

Credito a esta falta de valorização uma postura que beira ocasionalmente a falta de profissionalismo. Testemunhei várias cenas lamentáveis na Expovinis de pessoas alteradas, bêbadas ou simplesmente passando mal publicamente. Na Vinexpo não vi absolutamente nada. E há uma pequena diferença: lá há vários pontos de degustação livre. Você pega  sua taça, se serve do vinho que quiser. Os dados do produtor constam da ficha técnica, incluindo o stand dele e você pode consultá-lo posteriormente caso haja interesse. As cuspideiras estavam lá por toda parte e eram amplamente utilizadas. Havia também higienizadores de copos disponíveis em locais estratégicos. Não tem que lavar a tacinha no banheiro.

Degustação livre de rosés.
Degustação livre de rosés.
Degustação livre de rosés com enomatic.
Degustação livre de rosés com enomatic.

 

 

 

 

 

Voltando ao poder aquisitivo do sommelier brasileiro e o custo e necessidade de formação, tenho que dizer que a Vinexpo custa zero para os profissionais da área. Nada mesmo. A Expovinis em teoria não custa nada, até que você entra e te pedem R$ 50 pela taça. Se não, não dá para degustar a não ser em circunstâncias especiais como palestras, degustações orientadas, todas aqueles que estão sempre lotadas, lembra?

Estas três áreas de oportunidade podem impulsionar o ponto crítico da Expovinis que é abrir mais frentes para concretização de negócios, reclamação frequente entre todos os que deixaram de frequentar a feira, seja como expositor, seja como visitante.  Na Vinexpo, a gastronomia, as palestras e a correta postura profissional ocupam os que querem aprender e liberam o expositor para tratar com aqueles que realmente querem comprar seu produto. Ele não fica enrolado num pequeno stand cercado por dezenas de pessoas com copos estendidos aos quais não terá oportunidade nem de explicar seu terroir, método, conceito e produto, menos ainda de negociar. O clima é totalmente distinto.

Ambiente de negócio.
Ambiente de negócio.

Essa foi a marca principal: deu para perceber o vinho como negócio, com profissionalismo, aberto, franco e participativo. O vinho no Brasil precisa se abrir, ser discutido ser conversado. A elite que domina o setor hoje tem que reconhecer que o modelão atual não tem funcionado. A economia fechada do Brasil nunca vai correr a favor do mercado do vinho que embarcou faz tempo no mesmo formato, com grande atraso em seu  desenvolvimento. Tá aí os eternos 2 litros per capita de consumo que não me deixam mentir enquanto outros países crescem de 20% a 30% nos últimos anos. Há que existir um ar de negócio sério para mudar o estado de estagnação atual.

A empresa que promove a Expovinis é francesa, improvável que ignore tudo o que está descrito aqui. Provavelmente maiores e melhores que eu já tentaram coisas diferentes para mudar esta situação. Porém a idéia deste post é ser mais uma voz, mais idéias, mais vontade, pois só com uma mobilização é que se vai trazer a mudança desejada. Concorda? Ou não? Este espaço é democrático e está sempre aberto.

E vem mais post por aí.

Vinexpo – 4 coisas que aprendi e muitas dicas para você!

Este ano, a minha agenda coincidiu de eu estar na Europa justamente na data (de 14 a 18 de junho) da realização da Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo.

Depois de algumas contas (a França é cara e os preços de tudo nestas épocas de eventos sobem em qualquer canto do mundo) e reflexão, afinal, é uma oportunidade única, resolvi ir para Bordeaux, a cidade que respira e transpira vinho há séculos e ver para crer. Cliquei direto numa companhia aérea low cost (maravilhas que por aqui não existem) e comprei uma passagem por € 60. Isso mesmo, Porto a Bordeaux, ou seja 1.000 km, por este preço. Mais ou menos a distância entre São Paulo e Brasília.

Metrô em Bordeaux.
Metrô em Bordeaux.

Do aeroporto, fui direto para o hotel que honestamente, era muito, muito simples, e que a € 63 me pareceu caríssimo. Mas era o que deu para pagar e encontrar. Localizado em Pessac, significava 1 hora e meia de viagem até o Parc de Expositions de Bordeaux, do outro lado da cidade de Bordeaux. Mas o sistema de transporte público é fantástico: limpo, rápido, moderno, simples de entender e pontual.

No dia seguinte, pulei cedo da cama e tomei rumo ao Parc de Expositions. Chegando lá, a primeira sensação é de deslumbramento com o conjunto de prédios, a beleza do lago, o brilho das tendas e o colorido das flores.

Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto...
Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto…
Os países participantes.
Os países participantes.
Edificío de entrada.
Edificío de entrada.
Lista de expositores.
Lista de expositores.
Mapa da feira.
Mapa da feira.

A proposta da Vinexpo é a de qualquer feira: criar oportunidades de descobrir novos produtos, expandir portfolios, fazer negócios, discutir tendências de mercado e proporcionar networking. Nada disso é novidade. A novidade está na excelência em fazê-lo. E esta foi a primeira coisa que me dei conta ao ver uma feira de vinhos de verdade.

O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.
O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.
Cuspideira ostentação.
Cuspideira ostentação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os números já impressionam: são 2.350 expositores de 42 países e 48.000 visitantes de 120 países percorrendo corredores e mais corredores (haja sola de sapato e fôlego. É uma maratona.) recheados de vinhos, destilados, gastronomia e até uma livraria, fantástica diga-se de passagem, dedicada ao tema.

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A livraria e suas mil tentações.

A gastronomia estava presente nos quase 50 restaurantes e food trucks instalados por lá: Nos trucks se podia saborear uma porção de ostras a € 6 ou um hamburguer gourmet (realmente top) a € 12. Tinha também comida thai e outros sandubas, nesta faixa de preço. Já os menus nos restaurantes iam de € 30 a … € 130 e a comida era a mais variada possível, desde californiana, passando por oriental e basca até, óbvio, a clássica francesa. Agora a fofoca. Se você é como eu, vai comprar ou trazer um sanduba e comer na beira do lago, se você é nível A, vai para um dos restaurantes atopetados de gente, se você é A+ vai almoçar num dos stands com convite VIP, mas se você é A+*, vão te buscar de helicóptero para te levar a um chateau para um almoço inesquecível. Mas tem comida para todo lado, de todo tipo e de todo preço. Comida e vinho. A segunda lição que parece pueril, mas que a gente às vezes não dá a devida importância.

Vamos almoçar lá no meu chateau?
Vamos almoçar lá no meu chateaux?
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Almoço na beira do lago mesmo.
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O cook show acompanhado de harmonizações desafiadoras proposta pela Gault-Millau.

Os vinhos, nem sei por onde começar. A América do Sul bem correspondida por lindos stands de potências do mundo do vinho como Argentina e Chile, mas também por Brasil e Uruguai. Os Estados Unidos levaram seus vinhos através da Wines of California que nunca nos brindou com sua presença por estas bandas. E a Europa massivamente representada por Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e com certeza França em todo seu esplendor. Mas também tinha África do Sul, Marrocos, China, Tunísia, Líbano e Georgia. E digo outra: muitas das degustações lá são livres; você entra num espaço do stand, pega sua taça e se serve de vinhos a vontade. Há também higienizadores de copos. Além disso havia 3 espaços livres de degustação: vinhos rosés, espumantes e doces. As cuspideiras estavam lá por toda parte para evitar excessos. Eu não vi nenhum. Nada. Zero. Na hora do almoço, via muita gente bebendo vinho e para ser honesta, depois das 17 (a feira fecha as 18:30) o ruído estava mais alto, a risada mais solta e a galera mais animadinha. Sintomas de ….vinho! Terceira lição: o comportamento profissional não impede o desfrutar da bebida, basta saber quando e como. Será que nós sabemos?

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Brasil
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Argentina
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Chile
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Califórnia
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Portugal
Itália
Itália
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Espanha
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Alemanha
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Líbano
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Croácia
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Grécia
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Georgia
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Um dos exemplos de degustação livre, enomatic e todos os dados do vinho.
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Outra maneira, vinhos de uma país, taças disponíveis e as garrafas com os dados dos produtores caso você queira mais detalhes.
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Higienizador de taças a todos vapor.
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Degustação livre de rosés da Provence. Um show a parte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas o mais legal mesmo é o amplo espaço de debates, quase 100 palestras no total dedicadas a tendências, tipos de vinhos, países e até vinho e artes (música, pintura e arquitetura). Quase tudo tem tradução simultânea com aparelhos modernos nas amplas e confortáveis salas de aula. Na esmagadora maioria dos casos a entrada é livre e mesmo sem agendar, eu consegui entrar em todas as que queria. O único problema é escolher entre duas que ocorrem simultaneamente. E a quarta lição: vinho não é só bebericar. É estudar países, terroir, produtores, consumidores e tendências. Balançar copinho e despachar aromas e sabores não é tudo para quem realmente trabalha com o tema.

O centro de palestras, workshops e debates.
O centro de palestras, workshops e debates.

Dentro destes debates, foram discutidos alguns fato relevantes:

  • 2014 foi um ano marcado por otimismo cauteloso e tendências de mercado desbaratadas.
  • A mais recente pesquisa da IWSR / Vinexpo anotou um crescimento no consumo global de vinho de 2,7% entre 2009 e 2013. Para o período de 2014 a 2018 o estudo prevê uma aceleração do crescimento global. Em 2018 o consumo global o consumo global está estimado em 32,78 bilhões de garrafas.
  • Para os destilados o desafio para os próximo anos vai ser muito importante. O consumo global alcançou 3.069 milhões de caixas de garrafa de 9 litros em 2013 com um crescimento de 19,1% comparado a 2009. Entre 2014 e 2018 espera-se que o consumo cresça novamente, mas de maneira mais lenta, a 3%.
  • Países com altas taxas de crescimento incluem os EUA, então não foi coincidência que este país tenha sido a nação convidada de honra na Vinexpo. Muitas conferência e degustações foram dedicadas aos EUA, cujo consumo de vinho cresceu 23,3 % entre 2009 e 2013, acompanhado pelo aumento na exigência de qualidade. Estima-se que cresçam 11% entre 2014 – 2018.
Assim se sabe quem o convidado de honra.
Assim se sabe quem é o convidado de honra.

A gente percebe aqui o vinho como negócio, com profissionalismo, aberto, franco e participativo. Não vi ninguém do Brasil por lá a não ser um crítico especializado que não se comunica por mídias sociais e uma equipe de um site de venda de vinhos. Também não vi um comentário de ninguém sobre o evento. Parece que não existe.

Na minha opinião, é uma experiência única, e recomendo que se você tiver a oportunidade, visite a feira alguma vez na vida. Vale muito a pena.

Essa procurando distribuidor....
E esta procurando distribuidor….
Momento descontração. Feira cansa....
Momento descontração. Feira cansa….

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E vem mais post por aí com mais detalhes de tudo que eu aprendi. Espero que as dicas acima ajudem você a entender a feira e a se planejar se quiser dar uma volta por lá. A Vinexpo 2016 vai ser em Hong Kong. Prova de quem é o segundo maior influenciador neste negócio, após os americanos: os chineses.

Os chineses vem pra negócio.
Os chineses vêm pra negócio.

Ahhh, quase me esqueci de dizer que a Vinexpo é INTEIRAMENTE GRÁTIS para profissionais: € 0.

Números: Vinexpo Daily (o jornalzinho diário da feira) de 15.06.2015