Produtor de Chablis protesta contra instalação de turbinas eólicas em vinhedos

Um projeto para instalar turbinas eólicas em vinhedos de Chablis “estragará completamente” a paisagem, de acordo com um dos viticultores mais emblemáticos da região, Jean-Marc Brocard.

Ele acredita que as turbinas, planejadas para ficarem na vila de Préhy, a 6 km de Chablis, poderiam colocar em risco a economia de toda a região, que atualmente está vendo um aumento no turismo.

“Essas turbinas eólicas estragarão completamente o campo… O tamanho monstruoso dessas máquinas irá desfigurar tudo. Uma série de máquinas colossais, visíveis de todos os diferentes locais que compõem nossa herança cultural, exige oposição radical à sua escala gigantesca e à sua incongruência. Deve o panorama magnífico dos vinhedos Grand Cru ser reduzido à visão de turbinas eólicas circundando as colinas com mastros que sobem a 150 metros?”, questionou.

Nós aqui, acreditamos que a pergunta é válida, mas em tempos em que a energia alternativa é tão necessária e o aquecimento global é uma ameaça cada vez mais concreta no mundo do vinho, talvez valha a pena o Monsieur Brocard repensar sua preocupação com o visual do seu vinhedo.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/produtor-de-chablis-protesta-contra-instalacao-de-turbinas-eolicas-em-vinhedos_11706.html

Pesquisadora espanhola consegue reduzir o grau de álcool do vinho sem afetar suas propriedades sensoriais

O aquecimento global está afetando a vitivinicultura por todo o globo e, segundo estudos, uma das consequências mais notáveis é o aumento do volume de álcool dos vinhos. Por isso, diversos pesquisadores estão buscando soluções para baixar o teor alcoólico sem prejudicar outras propriedades da bebida. Recentemente, um grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Vinha e do Vinho (ICVV) em Rioja, Espanha, apresentou uma proposta de redução do teor alcoólico dos vinhos sem diminuir as suas propriedades sensoriais. A técnica atinge reduções de até 3 e 4 graus no laboratório (microvinificações) e entre 1 e 2 graus em maior escala (tanques de 30 litros).

Alda João Sousa Rodrigues, biotecnologia geneticista, lidera grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Vinha e do Vinho e é responsável pela tese de doutorado “Características fisiológicas da Saccharomyces cerevisiae e espécies alternativas de levedura em relação à redução do teor de álcool de vinho”, um trabalho que o grupo “MicroWine” do ICVV continuará a investigar. “As perspectivas de sua aplicação prática na indústria vinícola são muito interessantes. Identificamos três genes de levedura cuja eliminação reduz significativamente a produção de ácido acético e já temos duas cepas muito promissoras”, afirmou a pesquisadora.

Alda diz que foram feitas provas dos vinhos resultantes e eles não têm mostrado “perda significativa de qualidade ou características organolépticas, assim a porta está aberta para começar a trabalhar com vinificações em nível industrial”.

Embora já existam técnicas e máquinas para tirar o álcool dos vinhos, a proposta é muito menos agressiva e ajuda a manter conceitos importantes como o terroir ou o próprio perfil do vinho original: “É preciso ser desenvolvida, mas é uma técnica disponível para praticamente todos, não tem impacto econômico, então acredito que pode ter resultados importantes”, afirmou Alda.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/pesquisadora-espanhola-consegue-reduzir-o-grau-de-alcool-do-vinho-sem-afetar-suas-propriedades-sensoriais_11718.html