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China ou Estados Unidos? 12 motivos para você acreditar em quem oferece o melhor mercado mundial para o vinho durante a próxima década

Os EUA foram o convidado de honra da Vinexpo 2015, pois os analistas econômicos apontam o país como o de maior potencial para o crescimento das vendas de vinhos e destilados pelos próximos 10 anos.

A China que até agora gozava deste título, obviamente não gostou nada da mudança e provocou uma série de debates para discutir o potencial dos dois países no futuro. Você recebe aqui todos os dados em primeira mão e tira suas próprias conclusões.

O primeiro fator a ser levado em consideração é a economia chinesa, que deve ultrapassar a americana, tornando-se a primeira do mundo até 2025.

A China, além de ser o país mais populoso do mundo com mais de 20% da população mundial, apresenta as taxas de crescimento de PIB mais altas, é considerada hoje o banco do mundo devido ao poder de poupança de sua população e é o maior negociante do planeta desde 2013. (Dados: OECD / Wordbank / IMF)

Em relação ao vinho, a China apresentou um crescimento de mercado único por 20 anos! Mesmo com impostos de importação de 48%…

Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

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Ao contrário do que se possa pensar, não há razões culturais para os consumidores chineses não consumirem mais vinho, pois Japão e Hong Kong já apresentam taxas de consumo interessantes. Se você se perguntou quanto o Brasil consome, eu respondo: 2 litros per capita. Mesmo número de bem antes de 2008…

Nível de consumo per capita na Ásia (em litros por ano e per capita)

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A população chinesa em idade legal de beber é de 1.043 bilhões de pessoas. É muita gente, mas a bebida mais popular é um destilado, o Baijiu, fazendo dele 38% do consumo global de destilados (em volume). Num outro dado impressionante, os chineses consomem 27% de toda a cerveja do mundo, fazendo deles um mercado 2 vezes maior que os EUA.

O interesse pelo vinho por lá é tanto que nestes 20 anos a China alcançou a posição de 5º maior área plantada de vinhedos do mundo, é o 7º maior produtor mundial e o 5º maior consumidor de vinho do mundo.

Volume de vinho (tranquilo e espumante) consumido em milhões de caixas de 9 litros.

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Isso, contando com uma oferta cada vez maior de países, estilos e varietais, consumidores jovens e mulheres assumindo  um papel mais importante no consumo, uma base maior de consumidores expostos a vinhos importados, a saída de traders oportunistas e a consolidação da cadeia de distribuição.

Os chineses bebem vinho pelos benefícios à saúde. Isso mesmo. Por isso, a China deve se tornar o maior consumidor de vinho tinto no mundo em 2018, ultrapassando até mesmo os EUA.

Volume de vinho tinto consumido em milhões de caixas de 9 litros

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Apesar da maior parte do vinho consumido ser de origem local, cada vez mais vinho importado tem sido incorporado ao dia a dia dos chineses e os padrões de consumo por origem estão alcançando os níveis mundiais.

Consumo mundial de vinho em 2013.

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Tanto é verdade, que hoje a China faz parte dos chamados mercados produtores de vinho “abertos”.

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Mas a melhora na oferta é fundamental.

Comparação de qualidade da oferta do vinho China vs. mundo.

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Hoje, 38 milhões de lares chineses consomem vinho importado pelo menos 2 vezes por ano, este número pode subir para 83 milhões até 2020.

Mas obviamente, tudo isso depende de uma série de fatores. Hoje os fatos são:

1) Os EUA podem apresentar “só” 2% de crescimento PIB, mas estes 2% são puxados pelo consumo. Na China, o crescimento do PIB é ainda muito turbinado pelo governo.

2) Os EUA consumiram o equivalente a 314 milhões de caixas de 9 litros de vinhos em 2014 e a China ficou nos 151 milhões.

3) As taxas de crescimento no consumo de vinho na China tem variado enorme e bruscamente, o que pode se tornar um pesadelo para quem ambiciona exportar para este mercado, enquanto os EUA tem crescido mais lenta, porém constante e de maneira mais sustentável.

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Dados: Wine Intelligence, The IWSR 2015

4) Outro ponto importante é o incremento crescente na qualidade do vinho ofertado nos EUA:

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Dados: Nielsen

5) Também nos EUA, a penetração do vinho tem crescido:
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Vinho tranquilo, população adulta. Dados: IWSR

6) A Geração Milênio: os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio, ansiosa por experimentar novos produtos.

7) Vinhos espumantes: os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 18 milhões de caixas de 9 litros em 2014 e cresceu 2% em 2014 vs. 2013 (IWSR 2015) e vinhos rosés: Os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 33 milhões de caixas de 9 litros em 2014 (IWSR 2015), permanecendo estável em 2014 vs. 2013 (CIVP 2015)

8) Os EUA são o 1º mercado potencial mundial para vinhos leves entre 8 mercados testados. Vinho leves são considerados aqueles com com graduação alcoólica menor, abaixo de 10,5Gl. (Wine Intelligence 2014)

9) Na realidade, o potencial dos EUA é ainda enorme.

Penetração e tamanho da população consumidora de vinho em alguns mercados.

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  • O tamanho do círculo indica o tamanho da população que toma vinho regularmente (1 vez ao mês) e o número exato está expresso no centro do círculo (consumidores de vinho importado em áreas e/ou cidades selecionadas no Brasil, México, Rússia, Coréia do Sul e China) em milhões.
  • A parte em azul indica penetração do mercado de vinho.

10) O potencial de crescimento de mercado. Número de habitantes.

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11) O cruzamento do fator econômico com os dados sobre mercado de vinhos:

Fatores Econômicos

  • Tamanho da população adultaPIB per capita e tendência
  • GNI per capita
  • Poder aquisitivo
  • Desemprego
  • Índice de corrupção
  • Número de Starbucks (medida de globalização)

Dados do Mercado de Vinho

  • Volume do mercado de vinho e tendência
  • Volume de vinho importado e tendência
  • Consumo per capita e tendência
  • Valor do mercado de vinho e tendência
  • Preço unitário no recado de vinho
  • População que consome vinho
  • Crescimento potencial da população que consome vinho
  • Acessibilidade do mercado

No fim das contas, o resultado fica assim:

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12) O fato é que sim, a China será 1 dos 3 maiores consumidores de vinho do mundo até 2025.

  1. EUA 356 milhões de caixas de 9 litros
  2. Alemanha 280 milhões de caixas de 9 litros
  3. China 270 milhões de caixas de 9 litros

Mas os EUA serão o primeiro.

Onde você apostaria suas fichas? Tá de olho no mercado americano de vinhos? Então não perca o próximo post.

Vinexpo vs. Expovinis – só pondo o dedo na ferida ela pode sarar.

Este ano tive a oportunidade de participar de 2 importantes eventos do vinho, um bem próximo ao outro e a comparação foi inevitável.

A proposta das duas feiras é exatamente a mesma: criar oportunidades de descobrir novos produtos, expandir portfolios, fazer negócios, discutir tendências de mercado e proporcionar networking. E fazem isso de maneiras distintas, pois têm algumas diferenças importantes:

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Destes dados já se apreende que a Expovinis é uma feira menor, mais jovem e realizada num país em desenvolvimento com cultura de vinho ainda em formação enquanto a Vinexpo já está bastante consolidada num dos berços mundiais do vinho localizados numa grande potência européia.

Essas são diferenças que a gente tem que respeitar, então eu nem vou entrar no mérito de qualidade de transporte público entre as duas cidades, qualidade das instalações entre os dois ambientes de exposição (banheiros,  como exemplo) e acesso a internet, só para começar, pois isto implica em responsabilidade pública sobre as quais temos nenhuma ou muito pouca influência. Vamos propor uma reflexão sobre o que nós como comunidade de profissionais do vinho podemos fazer para melhorar a Expovinis, pois vejo a cada ano um número crescente de pessoas insatisfeitas com a mesma, enquanto a feira encolhe tristemente.

Podemos começar por exemplo falando de gastronomia. Os profissionais do vinho sabem que a grande maioria dos vinhos é feita para se consumir com comida. Não só pelas características organolépticas do vinho, mas também pelo risco que pode apresentar à saúde, o hábito do consumo de álcool a qualquer momento do dia em qualquer quantidade. Os sommeliers são incentivados a buscar constantemente harmonizações para os vinhos que degustam e seu trabalho é basicamente propor vinhos que combinem com os pratos escolhidos por seus clientes.

A Expovinis tem 4 pontos de venda de comida na feira toda. Detalhe que a feira começa exatamente às 13, horário da refeição mais importante dos brasileiros: o almoço. Creia-me a relação qualidade-preço dos 4 pontos de venda é de chorar. Vai de coxinha de lanchonete de rodoviária a pizza de cadeia internacional pingando óleo.

A Vinexpo oferece quase 50 restaurantes e food trucks. De ostras a hamburguer, sushi, comida basca, thai e claro, francesa. Tem comida para todo lado, de todo tipo e de todo preço. E todo mundo oferece vinho a copo ao preço de refrigerante.

Área de alimentação conta com restaurantes e food trucks.
Área de alimentação conta com restaurantes e food trucks.

Será que podemos ampliar a oferta de alimentação? Trazer foodtrucks que estão tão na moda para participar do evento? Que adotem os vinhos do evento e harmonizem com seus cardápios para enriquecer a experiência. A Expo Center Norte não permite? Então não é o lugar certo para esta feira. Por mais esta razão.

Será que as grandes companhias de alimentos não estão dispostas a patrocinar aulas de harmonização atrevidas em cook shows ao vivo para chamar a atenção da importância da comida para o vinho, a exemplo do que fez a Gault-Millaut com sucesso estrondoso na Vinexpo? Isso também chama a atenção da importância do profissional de vinho para a área de restauração e valoriza a imagem do mesmo.

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Aula de harmonização com cook show.

Beber vinho é muito legal, mas para aprender mesmo, como profissionais, temos que estudar regiões produtoras e seus produtores, entender condições, propostas e conceitos. Só balançar copinho e despachar aromas e sabores não é tudo para quem realmente trabalha com o tema. Por isso, é importante um ciclo de palestras pertinentes à complementação profissional do sommelier brasileiro, seja o de restaurante, o consultor de vinhos em loja ou importadora.

Durante a Expovinis, a grande maioria das palestras foi proposta pela ViniPortugal, em uma iniciativa única e louvável, mas ainda assim pequena.

Onde estavam Chile e Argentina? Os 2 maiores exportadores de vinho para ao Brasil. Recebem isenções de impostos e contribuem como ao crescimento do vinho no Brasil? Será que a Wines of Argentina & a Wines of Chile poderiam manifestar seu interesse no mercado brasileiro com uma presença maior: aulas sobre seus terroirs e degustações guiadas de seus produtores?

E a Vinhos do Brasil? Não seria uma boa oportunidade de apresentar regiões novas e consolidar as tradicionais para os profissionais? Propor degustações guiadas com profissionais reconhecidos?

As salas de treinamento sempre pequenas, apertadas, mal aparelhadas e desconfortáveis não podem ser melhoradas? Está claro que não são suficiente. A improvisação não funciona. A fila de pessoas frustradas na porta porque não conseguiram participar de palestras e workshops e a existência de debates pouco ou não divulgados denuncia a área de melhoria e a necessidade do público.

Salas amplas para acolher os muito interessados e bem equipadas com som e visual.
Salas amplas para acolher os muitos interessados e bem equipadas com som e visual.

O último ponto ao qual convido um reflexão é nosso postura como profissionais. Existe uma diferença muito grande entre um sommelier fora e no Brasil. A responsabilidade é sempre a mesma, zelar por uma seleção adequada (que harmonize com o cardápio, com o conceito da casa, variada, equilibrada e sobretudo rentável) de vinhos para uma loja ou restaurante.

O problema está na valorização da profissão. Lá fora um profissional em início de carreira ganha cerca de USD 4,000 por mês, aqui cerca de USD 400. Obviamente o impacto disto na formação é enorme. Fora do Brasil um curso de formação tem mais de 300 horas. Aqui é a metade disso ou menos. E a profissão tem uma formação cara: é estudar muito, viajar, ler e beber. Parece divertido, e é. Mas requer empenho, disciplina e investimento tanto quanto qualquer outra profissão ou até mais.

Credito a esta falta de valorização uma postura que beira ocasionalmente a falta de profissionalismo. Testemunhei várias cenas lamentáveis na Expovinis de pessoas alteradas, bêbadas ou simplesmente passando mal publicamente. Na Vinexpo não vi absolutamente nada. E há uma pequena diferença: lá há vários pontos de degustação livre. Você pega  sua taça, se serve do vinho que quiser. Os dados do produtor constam da ficha técnica, incluindo o stand dele e você pode consultá-lo posteriormente caso haja interesse. As cuspideiras estavam lá por toda parte e eram amplamente utilizadas. Havia também higienizadores de copos disponíveis em locais estratégicos. Não tem que lavar a tacinha no banheiro.

Degustação livre de rosés.
Degustação livre de rosés.
Degustação livre de rosés com enomatic.
Degustação livre de rosés com enomatic.

 

 

 

 

 

Voltando ao poder aquisitivo do sommelier brasileiro e o custo e necessidade de formação, tenho que dizer que a Vinexpo custa zero para os profissionais da área. Nada mesmo. A Expovinis em teoria não custa nada, até que você entra e te pedem R$ 50 pela taça. Se não, não dá para degustar a não ser em circunstâncias especiais como palestras, degustações orientadas, todas aqueles que estão sempre lotadas, lembra?

Estas três áreas de oportunidade podem impulsionar o ponto crítico da Expovinis que é abrir mais frentes para concretização de negócios, reclamação frequente entre todos os que deixaram de frequentar a feira, seja como expositor, seja como visitante.  Na Vinexpo, a gastronomia, as palestras e a correta postura profissional ocupam os que querem aprender e liberam o expositor para tratar com aqueles que realmente querem comprar seu produto. Ele não fica enrolado num pequeno stand cercado por dezenas de pessoas com copos estendidos aos quais não terá oportunidade nem de explicar seu terroir, método, conceito e produto, menos ainda de negociar. O clima é totalmente distinto.

Ambiente de negócio.
Ambiente de negócio.

Essa foi a marca principal: deu para perceber o vinho como negócio, com profissionalismo, aberto, franco e participativo. O vinho no Brasil precisa se abrir, ser discutido ser conversado. A elite que domina o setor hoje tem que reconhecer que o modelão atual não tem funcionado. A economia fechada do Brasil nunca vai correr a favor do mercado do vinho que embarcou faz tempo no mesmo formato, com grande atraso em seu  desenvolvimento. Tá aí os eternos 2 litros per capita de consumo que não me deixam mentir enquanto outros países crescem de 20% a 30% nos últimos anos. Há que existir um ar de negócio sério para mudar o estado de estagnação atual.

A empresa que promove a Expovinis é francesa, improvável que ignore tudo o que está descrito aqui. Provavelmente maiores e melhores que eu já tentaram coisas diferentes para mudar esta situação. Porém a idéia deste post é ser mais uma voz, mais idéias, mais vontade, pois só com uma mobilização é que se vai trazer a mudança desejada. Concorda? Ou não? Este espaço é democrático e está sempre aberto.

E vem mais post por aí.

Vinexpo – 4 coisas que aprendi e muitas dicas para você!

Este ano, a minha agenda coincidiu de eu estar na Europa justamente na data (de 14 a 18 de junho) da realização da Vinexpo, a maior feira de vinhos do mundo.

Depois de algumas contas (a França é cara e os preços de tudo nestas épocas de eventos sobem em qualquer canto do mundo) e reflexão, afinal, é uma oportunidade única, resolvi ir para Bordeaux, a cidade que respira e transpira vinho há séculos e ver para crer. Cliquei direto numa companhia aérea low cost (maravilhas que por aqui não existem) e comprei uma passagem por € 60. Isso mesmo, Porto a Bordeaux, ou seja 1.000 km, por este preço. Mais ou menos a distância entre São Paulo e Brasília.

Metrô em Bordeaux.
Metrô em Bordeaux.

Do aeroporto, fui direto para o hotel que honestamente, era muito, muito simples, e que a € 63 me pareceu caríssimo. Mas era o que deu para pagar e encontrar. Localizado em Pessac, significava 1 hora e meia de viagem até o Parc de Expositions de Bordeaux, do outro lado da cidade de Bordeaux. Mas o sistema de transporte público é fantástico: limpo, rápido, moderno, simples de entender e pontual.

No dia seguinte, pulei cedo da cama e tomei rumo ao Parc de Expositions. Chegando lá, a primeira sensação é de deslumbramento com o conjunto de prédios, a beleza do lago, o brilho das tendas e o colorido das flores.

Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto...
Vista do lago e da feira. O lado esquerdo. O lado direito da ponte tem outro tanto…
Os países participantes.
Os países participantes.
Edificío de entrada.
Edificío de entrada.
Lista de expositores.
Lista de expositores.
Mapa da feira.
Mapa da feira.

A proposta da Vinexpo é a de qualquer feira: criar oportunidades de descobrir novos produtos, expandir portfolios, fazer negócios, discutir tendências de mercado e proporcionar networking. Nada disso é novidade. A novidade está na excelência em fazê-lo. E esta foi a primeira coisa que me dei conta ao ver uma feira de vinhos de verdade.

O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.
O maior pau de selfie que você já viu? Não, checagem de segurança.
Cuspideira ostentação.
Cuspideira ostentação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os números já impressionam: são 2.350 expositores de 42 países e 48.000 visitantes de 120 países percorrendo corredores e mais corredores (haja sola de sapato e fôlego. É uma maratona.) recheados de vinhos, destilados, gastronomia e até uma livraria, fantástica diga-se de passagem, dedicada ao tema.

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A livraria e suas mil tentações.

A gastronomia estava presente nos quase 50 restaurantes e food trucks instalados por lá: Nos trucks se podia saborear uma porção de ostras a € 6 ou um hamburguer gourmet (realmente top) a € 12. Tinha também comida thai e outros sandubas, nesta faixa de preço. Já os menus nos restaurantes iam de € 30 a … € 130 e a comida era a mais variada possível, desde californiana, passando por oriental e basca até, óbvio, a clássica francesa. Agora a fofoca. Se você é como eu, vai comprar ou trazer um sanduba e comer na beira do lago, se você é nível A, vai para um dos restaurantes atopetados de gente, se você é A+ vai almoçar num dos stands com convite VIP, mas se você é A+*, vão te buscar de helicóptero para te levar a um chateau para um almoço inesquecível. Mas tem comida para todo lado, de todo tipo e de todo preço. Comida e vinho. A segunda lição que parece pueril, mas que a gente às vezes não dá a devida importância.

Vamos almoçar lá no meu chateau?
Vamos almoçar lá no meu chateaux?
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Almoço na beira do lago mesmo.
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O cook show acompanhado de harmonizações desafiadoras proposta pela Gault-Millau.

Os vinhos, nem sei por onde começar. A América do Sul bem correspondida por lindos stands de potências do mundo do vinho como Argentina e Chile, mas também por Brasil e Uruguai. Os Estados Unidos levaram seus vinhos através da Wines of California que nunca nos brindou com sua presença por estas bandas. E a Europa massivamente representada por Portugal, Espanha, Itália, Alemanha e com certeza França em todo seu esplendor. Mas também tinha África do Sul, Marrocos, China, Tunísia, Líbano e Georgia. E digo outra: muitas das degustações lá são livres; você entra num espaço do stand, pega sua taça e se serve de vinhos a vontade. Há também higienizadores de copos. Além disso havia 3 espaços livres de degustação: vinhos rosés, espumantes e doces. As cuspideiras estavam lá por toda parte para evitar excessos. Eu não vi nenhum. Nada. Zero. Na hora do almoço, via muita gente bebendo vinho e para ser honesta, depois das 17 (a feira fecha as 18:30) o ruído estava mais alto, a risada mais solta e a galera mais animadinha. Sintomas de ….vinho! Terceira lição: o comportamento profissional não impede o desfrutar da bebida, basta saber quando e como. Será que nós sabemos?

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Brasil
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Argentina
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Chile
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Califórnia
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Portugal
Itália
Itália
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Espanha
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Alemanha
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Líbano
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Croácia
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Grécia
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Georgia
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Um dos exemplos de degustação livre, enomatic e todos os dados do vinho.
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Outra maneira, vinhos de uma país, taças disponíveis e as garrafas com os dados dos produtores caso você queira mais detalhes.
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Higienizador de taças a todos vapor.
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Degustação livre de rosés da Provence. Um show a parte.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas o mais legal mesmo é o amplo espaço de debates, quase 100 palestras no total dedicadas a tendências, tipos de vinhos, países e até vinho e artes (música, pintura e arquitetura). Quase tudo tem tradução simultânea com aparelhos modernos nas amplas e confortáveis salas de aula. Na esmagadora maioria dos casos a entrada é livre e mesmo sem agendar, eu consegui entrar em todas as que queria. O único problema é escolher entre duas que ocorrem simultaneamente. E a quarta lição: vinho não é só bebericar. É estudar países, terroir, produtores, consumidores e tendências. Balançar copinho e despachar aromas e sabores não é tudo para quem realmente trabalha com o tema.

O centro de palestras, workshops e debates.
O centro de palestras, workshops e debates.

Dentro destes debates, foram discutidos alguns fato relevantes:

  • 2014 foi um ano marcado por otimismo cauteloso e tendências de mercado desbaratadas.
  • A mais recente pesquisa da IWSR / Vinexpo anotou um crescimento no consumo global de vinho de 2,7% entre 2009 e 2013. Para o período de 2014 a 2018 o estudo prevê uma aceleração do crescimento global. Em 2018 o consumo global o consumo global está estimado em 32,78 bilhões de garrafas.
  • Para os destilados o desafio para os próximo anos vai ser muito importante. O consumo global alcançou 3.069 milhões de caixas de garrafa de 9 litros em 2013 com um crescimento de 19,1% comparado a 2009. Entre 2014 e 2018 espera-se que o consumo cresça novamente, mas de maneira mais lenta, a 3%.
  • Países com altas taxas de crescimento incluem os EUA, então não foi coincidência que este país tenha sido a nação convidada de honra na Vinexpo. Muitas conferência e degustações foram dedicadas aos EUA, cujo consumo de vinho cresceu 23,3 % entre 2009 e 2013, acompanhado pelo aumento na exigência de qualidade. Estima-se que cresçam 11% entre 2014 – 2018.
Assim se sabe quem o convidado de honra.
Assim se sabe quem é o convidado de honra.

A gente percebe aqui o vinho como negócio, com profissionalismo, aberto, franco e participativo. Não vi ninguém do Brasil por lá a não ser um crítico especializado que não se comunica por mídias sociais e uma equipe de um site de venda de vinhos. Também não vi um comentário de ninguém sobre o evento. Parece que não existe.

Na minha opinião, é uma experiência única, e recomendo que se você tiver a oportunidade, visite a feira alguma vez na vida. Vale muito a pena.

Essa procurando distribuidor....
E esta procurando distribuidor….
Momento descontração. Feira cansa....
Momento descontração. Feira cansa….

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E vem mais post por aí com mais detalhes de tudo que eu aprendi. Espero que as dicas acima ajudem você a entender a feira e a se planejar se quiser dar uma volta por lá. A Vinexpo 2016 vai ser em Hong Kong. Prova de quem é o segundo maior influenciador neste negócio, após os americanos: os chineses.

Os chineses vem pra negócio.
Os chineses vêm pra negócio.

Ahhh, quase me esqueci de dizer que a Vinexpo é INTEIRAMENTE GRÁTIS para profissionais: € 0.

Números: Vinexpo Daily (o jornalzinho diário da feira) de 15.06.2015