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Quando criatividade e marketing perdem a chance de achar mais o que fazer….

Lembra de quando preparamos um artigo sobre os acessórios para vinho mais interessantes para você ter? Então, olha ele aqui: 8 Acessórios Especiais e Úteis para Quem Ama Vinho  Continuamos ligados nas tendências e acabamos de perceber que uns memes de internet acabam de virar realidade.

Aquele que diz: Foi uma semana daquelas, preciso de 1 copo de vinho kkkkkkk.

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Ou ainda o outro: Os médicos recomendam 1 copo de vinho por dia, invariavelmente seguido pelo kkkkkkk.

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Memes, kkkkks e brincadeiras à parte, uma empresa americana realmente lançou um artigo especialmente desenhado para quem não quer se dar ao trabalho nem de colocar vinho no copo. O artefato em questão se chama Guzzle Buddy e consiste basicamente num copo que você atarraxa na sua garrafa de vinho.

 

 

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Segundo o fabricante, o artefato foi projetado para evitar derrames e “fazer o vinho mais fácil de beber”. Até parece que beber vinho é um trabalhão… A sugestão é dá-lo a enófilos como presentinho em casamento, despedida de solteiro(a), inauguração de lares, aniversários, etc.

Como era de se esperar o mimo tomou conta das redes sociais e até apareceu numa série de televisão americana, o Cougar Town, protagonizada pela atriz Courtney Cox (a Mônica do Friends), hoje uma senhora de meia idade que nesta série, entre uma desventura e outra afoga as lágrimas com vinho. Com todo este barulho, este promete ser um dos presentes mais desejados do Natal 2016.

O fabricante também afirma que o produto é original. Disto não temos dúvidas. E que também é engraçado e divertido. Bom aí, nos unimos à Organização Mundial de Saúde e lembramos que o consumo excessivo de álcool não é aconselhável. E para termos uma idéia clara sobre o que estamos falando, uma garrafa de vinho contém 10 unidades de álcool, o máximo semanal recomendado para as mulheres é de 14 unidades, e para os homens é 22. Ou seja, beber a dose semanal numa golada só é altamente desaconselhável.

Taí um acessório que achamos que você NÃO precisa. Mas se quiser comprar ou ganhar, use com muita parcimônia. Fica a dica. 

 

Como não comprar gato por lebre no caso de um dos vinhos mais famosos do mundo

Em nosso mais recente post, contamos sobre o aniversário do Julgamento de Paris, quando o Chateau Montelena e o Stag’s Leap foram preferidos pelos próprios juízes franceses entre vinhos de Bordeaux e Borgonha. O Chateau Montelena tem um rótulo icônico, que até filme já virou (Bottleshock ou Julgamento de Paris), mas o Stag’s Leap é um rótulo menos conhecido. E o mais curioso, é que Stags Leap (sem o apóstrofe é o nome de uma AVA da Califórnia) e significa em português “salto do veado”. Não bastasse isso existem 2 vinícolas quase com o mesmo nome e que podem equivocar os mais desavisados.

Curiosamente, as 2 vinícolas foram fundadas na década de 70 no distrito de Stags Leap em  Napa Valley. Querendo honrar a área onde suas uvas eram cultivadas, cada uma adotou o nome do distrito como o nome de sua adega. Até aí tudo bem, o problema começou quando uma delas ganhou uma competição internacional e a outra não.

A coisa ficou tão complicada que a briga chegou à Suprema Corte da Califórnia que determinou que já que ambas as vinícolas foram fundadas ao mesmo tempo na mesma área e lançaram seus vinhos no mesmo ano, 1972, ambas teriam o direito de usar o mesmo nome. A solução dada pelos juízes: uma vinícola usaria um apostrofe antes do (s) e a outra depois.

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Após o processo resolvido, os proprietários das vinícolas se tornaram amigos, lançando em 1985 um Cabernet Sauvignon com igual percentual de uvas de cada propriedade sob o nome “Accord”.

Hoje as 2 vinícolas produzem vinhos deliciosos e têm uma bela distribuição. Pelo menos nos EUA. E se você estiver por lá e quiser provar o que é representativo de cada uma, para a Stag’s do Julgamento de Paris procure o Cabernet S.L.V. e para a Stags’ procure o renomado Petite Syrah. Cheers!

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Fonte: You may not be drinking the famous Stags Leap wine you think you are drinking

Vamos soprar as velhinhas, o Julgamento de Paris faz 40 anos e comemora em grande estilo.

Em 24 de maio de 1976, o mundo do vinho virou de ponta cabeça quando o Chardonnay 1973 do então desconhecido Chateau Montelena localizado no Napa Valley triunfou sobre vinhos da Borgonha e o Cabernet Sauvignon S.L.V. também 1973 da não menos desconhecida Stag’s Leap Wine Cellars superou os Bordeaux num julgamento em Paris realizado pela nata dos críticos especializados franceses.

Foto: internet.
Foto: internet.

Este ano comemora-se o 40º aniversário do hoje mundialmente famoso  Julgamento de Paris e o Napa Valley está em festa. O Chateau Montelena realizará um Open House em Calistoga no dia 24.05 com um painel de discussão das 13:30 – 14:30, porém das 9h30 às 16:00 haverá a degustação do Chardonnay 2013 e paira no ar a promessa de que pode haver algo mais saindo das antigas caves como surpresa para os visitantes.

Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.
Nunca escutou falar desta história? Então veja o filme que é legalzinho e traz o já saudoso Alan Rickmann.

Mas se você não aguenta esperar até maio, aproveite o festival de gastronomia local, eventos em vinícolas e as experiências únicas que só mesmo os americanos do Napa Valley sabem criar para este polo enoturístico de proporções continentais.

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Foto: internet.

De 16 a 20 de março serão 5 dias com 40 eventos num único festival que vai ficar na história e cujos lucros serão investidos em uma das melhores escolas de culinária do mundo, o  The Culinary Institute of America,

A idéia também é brindar o 40º aniversário do lendário 1976 Julgamento de Paris, e para isso juntou-se um time de estrelas como as vinícolas Chateau Montelena,  Stag’s Leap Wine Cellars, Spring Mountain Vineyard, Clos du Val Winery, chefs talentosos e os Master Sommeliers, Andrea Immer Robinson e Gilles de Chambure.

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Algumas dicas: mesmo que você se mova rápido para providenciar sua reserva para março, prepare-se para o frio, pois ainda é bem gelado por lá. Em maio o tempo é maravilhoso e o seu orçamento vai subir também de maneira esplendorosa. Quer um meio termo? Vem com a gente em Abril. Não é tão frio e os preços ainda estão acessíveis.

O orçamento está curto? Dá um pulo lá na SmartBuyWines e garante o seu que este é o meu. Cheers!

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Fonte: Judgment of Paris Anniversary – Open houseFlavor Napa Valley. Crédito foto destacada: internet.

Nem tudo que reluz é ouro. E o que é azul, é vinho?

Ano passado apareceu por aqui um vinho chamado Gik, lançado na Espanha em 2015 mesmo, cuja proposta era “GIK nascido para divertir. Para agitar as coisas um pouco e ver o que acontece. Para criar algo novo. Algo diferente.” Acho que ninguém pode duvidar disto, certo?

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Os criadores desta gema, são 6 jovens espanhóis, obviamente sem tradição viticultora que nem do ramo são e com surpreendentes 2 anos de apoio de pesquisadores da Universidade do País Basco e do departamento de pesquisa alimentar do governo basco.

O produto é feito com uvas brancas e tintas, há a adição de antocianinas e pigmentos índigos, que dão cor azul à bebida e finalmente, acrescenta-se adoçante para suavizar o sabor, o que normalmente não é um indicador muito positivo em se tratando de vinho. Não é de se admirar que recomenda-se que o vinho seja servido frio, devido à sua doçura. As notas de prova (juro que procurei) o descrevem como uma “bebida doce”. Ou seja, sem terroir, nem casta nem notas de degustação. Mas dizem que é vinho.

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Agora vejo por aí a noticia de um outro vinho azul, o Blanc de Bleu, desta vez espumante. Elaborado com uvas Chardonnay e Pinot Noir do norte da Califórnia utilizando o método Charmat. A cor azul desta vez vem da adição de extrato natural de mirtilo.

Parece que é um produto lançado há uns 6 anos para o mercado japonês e que depois começou a se expandir pelo mundo. As notas de prova o descrevem como equilibrado, seco e refrescante. Todas as características clássicas de um espumante Brut.
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Encontrei o terroir, as castas, as notas de degustação e mesmo que “diferentão”, tendo a concordar. Parece vinho. Quem aprecia vinho, busca tudo o que é intrínseco a ele, aromas e sabores naturais, complexos e interessantes ainda que esteja interessado em novidades. Acho que por isso me deu vontade de provar o espumante e não o outro. E você?

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Conclusão, à parte da cor azul e do 11% de álcool, o que os 2 vinhos compartilham é uma grande lição: se você quer inovar, respeite sua categoria e o que os consumidores buscam nela. Ou corra o risco de sua marca ir pelos ares.

Fonte: Gik BlueBlanc de Bleu. Crédito das fotos do corpo do texto: internet.

Uma reflexão sobre o crescimento do segmento de cervejas artesanais e como isso pode ajudar o mercado de vinhos.

A explosão da venda de cervejas artesanais (17,2% em 2014) nos Estados Unidos está fazendo as grandes empresas mudarem suas estratégias na meca mundial do marketing. E o que isto tem a ver com vinho? Vem juntinho nesta reflexão.

Primeiro, não se entusiasme, as grandes marcas de cerveja ainda constituem 72% da venda de cerveja dos EUA, mas com as recentes perdas de participação de mercado para as cervejas artesanais e sua imagem imaculada de tudo que é bom, puro e inocente, hoje não é difícil olhar para o ranking das maiores marcas de cerveja dos EUA e reparar que seu orçamento foi de centenas de milhões de dólares para um punhado de milhares.

O pesadelo de qualquer marketeiro: este dinheiro foi destinado para fazer o que as grandes empresas fazem quando estão incomodadas com a concorrência, comprar empresas pequenas. Comprar é fácil, pouca gente boa resiste a uma maleta cheia de verdinhas. Difícil é fazer estes negócios sobre viverem dentro de grandes empresas com estruturas enormes, processos burocráticos, pensamentos engessados e overheads altíssimos.

Uma tentativa de parecer antenado é este comercial de uma cervejaria artesanal comprada pela Miller Coors, a Saint Archer Brewery Os sinais estão todos lá: skate, surf, trilhas isoladas, a bateria num crescendo, uns caras claramente descolados numa atitude “tô nem aí” e …. meia dúzia de cenas com a cerveja sem referência à marca e na meia dúzia que têm o logotipo, a coisa toda é muito casual, uma camisetinha, um brinde rápido, etc. Apelando em todos os níveis para aquilo que a nova geração aprecia nesta vida.

Aí mesmo que os marqueteiros não podem resistir a aplicar algumas técnicas destas aos produtos industriais, especialmente quando seus orçamentos encolhidos já não podem pagar a mega produção do comercial a ser exibido no intervalo do Super Bowl. O ponto é que estes profissionais se complicam com o consumidor que não está de bobeira e já notou que estão colocando gatos e patos no mesmo saco. E a consequência é a rejeição a estas marcas, tanto dos bares e restaurantes que se especializaram neste segmento quanto do consumidor. De acordo com pesquisa da Bloomberg, 6 em cada 10 bebedores de cerveja acredita que ser independente é uma característica importante para uma cerveja artesanal.

Isso não é exclusividade dos americanos: Wals (Belo Horizonte)? Petrópolis (Rio de Janeiro)? Colorado (Ribeirão Preto)? Eisenahun (Blumenau)? Alguém servido? Todas têm o comum o fato de terem sido micro-cervejarias compradas por grandes players do mercado.

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Até quando ela vai aguentar?

Os consumidores responsáveis por estas mudanças é a Geração Y. São aqueles nascidos entre a década de 80 e o ano 2000, a 1ª geração nascida e criada sob o manto da internet e das redes sociais, pressionada por uma violenta crise financeira que os atingiu na idade adulta após um período de grande crescimento econômico e que por isso tem prioridades diferentes. Aliás é mais ou menos assim que os sociólogos dividem as gerações. Esta é uma geração caracterizada pela necessidade de liberdade, exige inovação e reconhecimento nos diversos campos de sua vida. Isso se reflete na economia de vários modos: com menos grana, numa sociedade que vive on line, seus hábitos são distintos. As marcas têm cada vez menos importância,  o(s) preço(s) está disponível ao toque na tela do celular,  o que tem relevância mesmo é opinião dos amigos.

Além disso esta é uma geração que está preocupada com a saúde como nenhuma outra antes esteve e esta é uma das razões do crescimento do vinho em alguns mercados, pois como diria o bom e velho Pasteur, o vinho é a mais sã das bebidas.  É mesmo? Então vamos pensar esta questão por 2 lados: o do produtor e o do consumidor.

 

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Como produtor ou vendedor de vinho, você surfa esta onda de benefícios do vinho propagada pela mídia e ainda dá aquele toquezinho nas redes sociais com memes engraçadinhos sobre como esta bebida milagrosa previne cancêr, alzheimer, avc, emagrece, inibe envelhecimento, e chuta para baixo do tapete o fato que é álcool, ou você se preocupa em ser transparente sobre seus vinhedos, sua filosofia, sua visão sobre o produto? Já pensou o potencial de negócio em se comunicar claramente com seu consumidor sobre tudo isso, sem o veuzinho dos chavões típicos e repetitivos das redes sociais? É construção de um canal de comunicação e de uma laço só de vocês. É uma imagem que vai muito além da casta e do terroir e que por isso se torna proprietária, porque é o lado humano de um negócio que só fala de pedras, do tempo e de bagos. É o inicio de uma relação estreita e portanto, duradoura.

Como consumidor,  você sabe pelo menos como produzem o vinho que você toma? No rótulo não adianta olhar porque nem nos países com mais tradição vinicultora do mundo as empresas são obrigadas a declarar detalhes de produção. Óbvio que não estamos falando de usar substância ilegais ou danosas à saúde, porque nunca conheci nenhuma empresa que fizesse isso e nem estou a fim. Mas e os sites onde maioria das vezes tem uma porção de informações sobre a vinícola, seus vinhedos, filosofia, você olha? Já tentou visitar alguma vinícola para conhecer mais sobre seu vinho preferido? Não importa se a vinícola é em Jundiaí, Bento Gonçalves, Rioja ou Tblisi. Nem se ela é pequena ou grande, o que eu proponho é que você se interesse pelo seu vinho da mesma maneira  como se interessa pelo seu alimento e pela sua cerveja como pudemos ver acima.

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Saúde!

Aliás vinícola pequena não faz vinho necessariamente bom e nem vinícola grande faz vinho necessariamente ruim. Mas isso já é assunto para outro post. Saúde.

 

Fontes: How Big Beer is Getting Millennials Back e Goldman Sachs – Millenials

 

 

5 dicas para você ficar por dentro do mercado de vinho nos EUA

Ambicionando levar seus vinhos para o mercado americano? Então não perca estas 5 dicas para você ficar por dentro do mercado de vinho nos EUA.

Este foi provavelmente o debate mais interessante que eu assisti na Vinexpo e possivelmente o mais profissional que já escutei sobre o vinho como negócio. Os americanos. Aaaahhh os americanos……

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Primeiro de tudo, eu vou falar sobre o curriculum do pessoal que se encontrou na Vinexpo para propor um debate sobre a melhor maneira de vinícolas estrangeiras entrarem no mercado norte-americano de vinhos.

Annette Alvarez-Peters – Gerente Geral Assistente de Mercadorias para Bebidas Alcoólicas do Costco. O Costco é um clube de compras dos EUA que vende só para membros e possui um estoque que o faz parecer um templo de consumo como nenhum outro. É a segunda maior rede varejista do mundo mesmo que você nunca tenha ouvido falar deles, porque, bem, porque economia fechada é assim. www.costco.com

. Mel Dick – Presidente da Divisão de Vinhos / Vice-Presidente Senior da Southern Wine and Spiritis of America, simplesmente a maior distribuidora de bebidas dos EUA, operando em 35 estados. E a gente vai ver que isto não é tarefa simples. Seu portfolio consiste em 45% vinhos e 55% destilados. http://www.southernwine.com

. Helen Mackey – Vice Presidente, Estratégia e Inovação de Cardápio da Ruth’s Chris Steak Houses. A Ruth’s Chris é uma cadeia sofisticada de churrascarias americana, fundada na década de 60 por uma mãe solteira na Flórida e que hoje conta com 136 estabelecimentos dentro e fora dos EUA. www.ruthschris.com

. Michael Mondavi – Fundador da Folio Fine Wine Partners. Dispensaria apresentações, mas é ele mesmo. Saiu da Robert Mondavi, empresa na qual trabalhou por 40 anos com seu lendário pai, para abrir a Folio em 2004, com a sua esposa, Isabel, e seus filhos, Rob e Dina. O objetivo da nova empresa é importar vinhos de primeira linha de regiões vinícolas emergentes, incluindo a Itália, Espanha, Áustria, Nova Zelândia, Argentina e Califórnia. www.foliowine.com

. Stephen Rust – Presidente da Diageo Chateau & Estate Wines e da Diageo Reserve, a divisão de vinhos e de bebidas de luxo de uma das maiores empresas de bebidas do mundo.  www.diageowines.com

. David Trone – Proprietário, com o irmão Robert, da Total Wine & More, maior varejista independente dos EUA de vinho fino. Fundada em 1991, no Delaware hoje tem 113 lojas em 16 estados. www.totalwine.com

. Thomas Matthews – Diretor Executivo da Wine Spectator, uma das maiores revistas sobre vinho dos EUA. www.winespectator.com

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Agora que a gente estabeleceu que todos os palestrantes eram gente realmente de peso da indústria do vinho nos EUA, cujo conselho vale a pena escutar, vamos ver as boas dicas para você que ambiciona vender seu produto por lá.

1. Conheça o mercado: 1 país, 50 estados com leis próprias e o sistema de 3 níveis. Não é simples.

Os 3 níveis em questão são: o produtor, o distribuidor e o varejista. É o que os americanos chamam de three-tier system. Este sistema foi implementado após a queda da lei seca como uma maneira de regular e controlar a indústria do álcool para que não voltasse a apresentar os excessos e abusos que levaram à lei seca anos antes.

Logicamente, os estados também estavam ansiosos para desenvolver um método para cobrar impostos sobre os produtores de álcool. O resultado foi um sistema em que a propriedade única de todos os três níveis (produção, distribuição e varejo) foi total ou parcialmente proibida.

O único estado que não conta com este sistema é o estado de Washington. Por lá, os varejistas podem comprar bebidas alcoólicas diretamente dos produtores, podem negociar descontos por volume e podem armazenar seu estoque eles mesmos. No entanto, na realidade, o sistema de três níveis continua a existir, apesar da lei, já que as condições de mercado não deixam muito espaço para manobra. É a boa e velha lei do mercado…. Além da taxa de impostos mais alta no país, que chega a 50%.

Para apimentar a operação há ainda os open states e os control states. Nos open states a venda de bebidas alcoólicas é prerrogativa da iniciativa privada. Nos control states é do estado. Ainda hoje há 18 estados nos EUA onde a venda de álcool é de uma maneira ou de outra, responsabilidade do governo, por exemplo, o Oregon, um grande produtor de ótimos Pinots. Mas nisso tudo há uma miscelânea de combinações:  a prerrogativa pode ser sobre qualquer dos 3 níveis, privada ou governamental ou ainda só sobre vinho, só sobre cerveja, destilados ou todos. Uma salada mista….

Daí você já deve concluir que escolher um distribuidor com excelente conhecimento do território onde opera e que compreenda sua marca, posicionamento e preço dentro deste contexto, é fundamental, especialmente porque normalmente eles atuam por estados devido a esta complexidade e este deve ser um elemento pilar da sua estratégia.

Procure um parceiro de maneira mais cuidadosa que esta....
Procure um parceiro de maneira mais cuidadosa que esta….

2. Mostre que você veio para ficar. Um plano de negócio detalhado que inclua uma estratégia promocional visando a visibilidade da marca é fundamental.

Um país de economia aberta como os EUA, com um mercado consumidor forte devido ao poder aquisitivo e ao interesse crescente da população pelo vinho é terreno fértil para muitos produtores que buscam uma fatia deste delicioso mercado. Portanto, é natural que por lá se encontrem os mais variados rótulos de marcas, castas e países diferentes.

O sucesso neste ambiente complexo, gigante e segmentado vai depender da visibilidade alcançada pela marca. O que em marketing chamamos de “arremesso” de produto no mercado vai terminar num rotundo fracasso, pois não atrairá a atenção do consumidor.

Um exemplo de sucesso são os Malbecs da Argentina que até 1999 nem existiam no mercado americano e que hoje detém 11% do mercado de vinhos nos EUA. Os vinhos de Rioja são outro bom exemplo.

Um caminho que pode ser traçado, é a reafirmação da qualidade do produto através da crítica de autoridades reconhecidas pelo consumidor do mundo do vinho, por exemplo, participar das hot brands da Wine Spectator. O consumidor americano é muito atento a classificações e pontuações.

Outra maneira de buscar visibilidade e construção de marca, é buscar a introdução do rótulo em alguma cadeia de restaurantes. No restaurante a experiência é de baixo risco, pois a maioria dos consumidores considera um vinho que conste na carta de um restaurante conhecido como um produto “pré-aprovado”. Seu produto ganha exposição imediata.

Seja como for, dentro do seu plano de lançamento e visibilidade, as atividades de degustação são essenciais para o sucesso na entrada neste mercado.

Um bom ponto a observar na elaboração do plano promocional é observar a rigidez da lei americana em torno da bebida, especialmente no que tange a restrição de consumo de álcool por menores de 21 anos. Assim todo cuidado é pouco na escolha da mensagem e divulgação da mesma.

A  presença em restaurantes ajuda na visibilidade e construção da marca.
A presença em restaurantes ajuda na visibilidade e construção da marca.

3. Tome seu tempo para conhecer seu mercado e seus parceiros de negócios. Esse é um negócio de relacionamento.

Se no mundo dos negócios, as relações interpessoais são cada vez mais importantes, no mundo do vinho isto é mais verdadeiro do que nunca.

Começando pelos produtores, pequenas ou médias propriedades de famílias, cujo desafio começa na distribuição de seu produto, elaborado de acordo a sua crença, seu estilo, e personalidade. Por isso a importância das relações, do olho no olho, da compreensão da história de ambos os lados, dos anseios, planos para o futuro e objetivos.

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Invista tempo e dinheiro na construção de relacionamentos.

4. Seriedade e profissionalismo. Não basta ser profissional. Você tem que se mostrar profissional. 

Amadorismo não tem lugar num mercado com alto nível de profissionalização. Na Southern Wine and Spiritis of America, por exemplo, dos 14.000 empregados, 60% estão focados em vendas e marketing e todos têm alguma formação pela WSET, alguns são inclusive Master of Wine, ou Master Sommelier ou ambos!

Um exemplo de falta de planejamento, conhecimento e estudo que denota falta de profissionalismo são as dezenas de empresas que buscam o Costco e desconhecem completamente seu modelo de negócio. O Costco trabalha com a idéia de “caça ao tesouro”, como se cada artigo exposto fosse uma oferta única e exclusiva, obviamente de custo / qualidade inigualável. Expostos ainda em seus pallets, o que baixa custos e acelera a rotação, os produtos atraem o olhar obedecendo ao que a empresa chama de regra 5 por 5: seu produto tem 5 segundos para atrair o consumidor que está a 5 pés (1 metro e meio) de distância. Você estaria pronto a atender todas estas exigências?

Mostre seu conhecimento técnico sólido, mas acima de tudo demonstre que você tem um plano de entrada no mercado que seja concreto, sustentável e detalhado.  E esteja absolutamente seguro de que toda a sua equipe envolvida no projeto esteja no mínimo neste mesmo nível.

Profissionalismo.
Profissionalismo. Sempre.

5. Conheça profundamente o consumidor e o seu público-alvo.

A história do vinho nos EUA é bastante recente. Não só porque sendo um país de novo mundo, o vinho foi trazido e sua cultura disseminada pelos imigrantes mas também porque a lei seca retardou o desenvolvimento desta indústria por quase 2 décadas. Não fossem os EUA o povo que são: focados, orientados a negócio, essencialmente técnicos e persistentes, o vinho não teria a dimensão que tem hoje neste país.

Uma segunda onda de influência no interesse pelo vinho foi causada pelos soldados americano que voltaram da Segunda Guerra Mundial, mas hoje, o importante é a Geração Milênio. Os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio. Esta geração de aventureiros, gosta de vinhos fáceis de beber e de novos estilos, buscam reafirmação, ou seja, dão atenção aos críticos e recomendações de profissionais para não errar, porém a curiosidade os leva a ter uma baixa fidelidade não só às marcas de vinhos como também ao próprio vinho que acaba por competir com outras bebidas.

E lá vai mais dicas sobre o comportamento da Geração Milênio:

  • gostam de rosé,
  • preferem cortes de tinto aos monovarietais,
  • e na onda dos espumantes, surfam as borbulhas do prosecco,
  • querem ser diferentes,
  • querem informação e não marketing,
  • julgam importante não só a qualidade do vinho como também sua embalagem, uma rotularem elegante é fundamental para o sucesso.

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E agora, está preparado para o sonho americano?

China ou Estados Unidos? 12 motivos para você acreditar em quem oferece o melhor mercado mundial para o vinho durante a próxima década

Os EUA foram o convidado de honra da Vinexpo 2015, pois os analistas econômicos apontam o país como o de maior potencial para o crescimento das vendas de vinhos e destilados pelos próximos 10 anos.

A China que até agora gozava deste título, obviamente não gostou nada da mudança e provocou uma série de debates para discutir o potencial dos dois países no futuro. Você recebe aqui todos os dados em primeira mão e tira suas próprias conclusões.

O primeiro fator a ser levado em consideração é a economia chinesa, que deve ultrapassar a americana, tornando-se a primeira do mundo até 2025.

A China, além de ser o país mais populoso do mundo com mais de 20% da população mundial, apresenta as taxas de crescimento de PIB mais altas, é considerada hoje o banco do mundo devido ao poder de poupança de sua população e é o maior negociante do planeta desde 2013. (Dados: OECD / Wordbank / IMF)

Em relação ao vinho, a China apresentou um crescimento de mercado único por 20 anos! Mesmo com impostos de importação de 48%…

Evolução do consumo na China em volume (em caixas de 9 litros).

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Ao contrário do que se possa pensar, não há razões culturais para os consumidores chineses não consumirem mais vinho, pois Japão e Hong Kong já apresentam taxas de consumo interessantes. Se você se perguntou quanto o Brasil consome, eu respondo: 2 litros per capita. Mesmo número de bem antes de 2008…

Nível de consumo per capita na Ásia (em litros por ano e per capita)

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A população chinesa em idade legal de beber é de 1.043 bilhões de pessoas. É muita gente, mas a bebida mais popular é um destilado, o Baijiu, fazendo dele 38% do consumo global de destilados (em volume). Num outro dado impressionante, os chineses consomem 27% de toda a cerveja do mundo, fazendo deles um mercado 2 vezes maior que os EUA.

O interesse pelo vinho por lá é tanto que nestes 20 anos a China alcançou a posição de 5º maior área plantada de vinhedos do mundo, é o 7º maior produtor mundial e o 5º maior consumidor de vinho do mundo.

Volume de vinho (tranquilo e espumante) consumido em milhões de caixas de 9 litros.

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Isso, contando com uma oferta cada vez maior de países, estilos e varietais, consumidores jovens e mulheres assumindo  um papel mais importante no consumo, uma base maior de consumidores expostos a vinhos importados, a saída de traders oportunistas e a consolidação da cadeia de distribuição.

Os chineses bebem vinho pelos benefícios à saúde. Isso mesmo. Por isso, a China deve se tornar o maior consumidor de vinho tinto no mundo em 2018, ultrapassando até mesmo os EUA.

Volume de vinho tinto consumido em milhões de caixas de 9 litros

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Apesar da maior parte do vinho consumido ser de origem local, cada vez mais vinho importado tem sido incorporado ao dia a dia dos chineses e os padrões de consumo por origem estão alcançando os níveis mundiais.

Consumo mundial de vinho em 2013.

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Tanto é verdade, que hoje a China faz parte dos chamados mercados produtores de vinho “abertos”.

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Mas a melhora na oferta é fundamental.

Comparação de qualidade da oferta do vinho China vs. mundo.

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Hoje, 38 milhões de lares chineses consomem vinho importado pelo menos 2 vezes por ano, este número pode subir para 83 milhões até 2020.

Mas obviamente, tudo isso depende de uma série de fatores. Hoje os fatos são:

1) Os EUA podem apresentar “só” 2% de crescimento PIB, mas estes 2% são puxados pelo consumo. Na China, o crescimento do PIB é ainda muito turbinado pelo governo.

2) Os EUA consumiram o equivalente a 314 milhões de caixas de 9 litros de vinhos em 2014 e a China ficou nos 151 milhões.

3) As taxas de crescimento no consumo de vinho na China tem variado enorme e bruscamente, o que pode se tornar um pesadelo para quem ambiciona exportar para este mercado, enquanto os EUA tem crescido mais lenta, porém constante e de maneira mais sustentável.

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Dados: Wine Intelligence, The IWSR 2015

4) Outro ponto importante é o incremento crescente na qualidade do vinho ofertado nos EUA:

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Dados: Nielsen

5) Também nos EUA, a penetração do vinho tem crescido:
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Vinho tranquilo, população adulta. Dados: IWSR

6) A Geração Milênio: os EUA contam com 90 milhões de consumidores de vinhos regular, 32% deles nasceram entre 1980 e 2000 , ou seja quase 30 milhões são da geração Milênio, ansiosa por experimentar novos produtos.

7) Vinhos espumantes: os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 18 milhões de caixas de 9 litros em 2014 e cresceu 2% em 2014 vs. 2013 (IWSR 2015) e vinhos rosés: Os EUA são o 4º maior mercado no mundo com o equivalente a 33 milhões de caixas de 9 litros em 2014 (IWSR 2015), permanecendo estável em 2014 vs. 2013 (CIVP 2015)

8) Os EUA são o 1º mercado potencial mundial para vinhos leves entre 8 mercados testados. Vinho leves são considerados aqueles com com graduação alcoólica menor, abaixo de 10,5Gl. (Wine Intelligence 2014)

9) Na realidade, o potencial dos EUA é ainda enorme.

Penetração e tamanho da população consumidora de vinho em alguns mercados.

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  • O tamanho do círculo indica o tamanho da população que toma vinho regularmente (1 vez ao mês) e o número exato está expresso no centro do círculo (consumidores de vinho importado em áreas e/ou cidades selecionadas no Brasil, México, Rússia, Coréia do Sul e China) em milhões.
  • A parte em azul indica penetração do mercado de vinho.

10) O potencial de crescimento de mercado. Número de habitantes.

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11) O cruzamento do fator econômico com os dados sobre mercado de vinhos:

Fatores Econômicos

  • Tamanho da população adultaPIB per capita e tendência
  • GNI per capita
  • Poder aquisitivo
  • Desemprego
  • Índice de corrupção
  • Número de Starbucks (medida de globalização)

Dados do Mercado de Vinho

  • Volume do mercado de vinho e tendência
  • Volume de vinho importado e tendência
  • Consumo per capita e tendência
  • Valor do mercado de vinho e tendência
  • Preço unitário no recado de vinho
  • População que consome vinho
  • Crescimento potencial da população que consome vinho
  • Acessibilidade do mercado

No fim das contas, o resultado fica assim:

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12) O fato é que sim, a China será 1 dos 3 maiores consumidores de vinho do mundo até 2025.

  1. EUA 356 milhões de caixas de 9 litros
  2. Alemanha 280 milhões de caixas de 9 litros
  3. China 270 milhões de caixas de 9 litros

Mas os EUA serão o primeiro.

Onde você apostaria suas fichas? Tá de olho no mercado americano de vinhos? Então não perca o próximo post.

Um gole de vinho, uma pitada de marketing e um conto sobre concorrência brutal.

Ontem foi dia de treinamento  com a equipe interna na Smartbuy Wines e enquanto tínhamos o prazer de revisar muitos fatos interessantes sobre os vinhos da Califórnia, aproveitamos para conversar sobre negócios também.

O que trouxe esta discussão à tona foi a apresentação do Julgamento de Paris. Você já ouviu falar deste acontecimento do mundo do vinho que virou até filme?

Viu o filme? Leu o livro? Ops, não... Tomou  o vinho?
Viu o filme? Leu o livro? Ops, não… Tomou o vinho?

Pois bem, resumindo a história: um importante negociante de vinhos franceses na Inglaterra viajou à Califórnia nos anos 70 para conhecer os vinhos sobre os quais apenas ouvira falar. Naquela época a Califórnia era muito famosa pelos hippies e pelos festivais de música. Nada a ver com o próspero estado americano de hoje e as áreas vinícolas mega desenvolvidas, podadas e decoradas à perfeição, cravejada de gastronomia de primeira linha que cai bem com vinhos super bem feitos para a alegria dos mais de 15 milhões de visitantes anuais da região. A coisa era mais, digamos, rústica.  Mas nada disto deteve este senhor, de nome Steve Spurrier. Após provar muito exemplares ele decidiu que alguns deles eram realmente bons. Pegou umas garrafinhas, colocou na bolsa e levou à Paris.

Paisagem meticulosamente esculpida.
Paisagem meticulosamente esculpida.

Em Paris, estava rolando um encontro de uma galera do mundo do vinho que ele conhecia muito bem. Galera da pesada, críticos renomados e membros importantes da cena vinícola francesa, ou seja, do mundo. Eles haviam se reunido para escolher os melhores vinhos franceses, ou em sua visão, os melhores vinhos do mundo. Bom, o Steve que estava a fim de causar, colocou as garrafinhas trazidas da Califórnia no meio dos vinhos franceses para que elas participassem desta degustação. Às cegas, notem bem, às cegas.

Vinho vai, vinho vem, o vinho branco escolhido como melhor da degustação foi um Chardonnay. Da Califórnia. O emblemático Chateau Montelena. O Steve não acreditou. Os americanos não acreditaram. Os franceses passaram anos sem acreditar.  Uma década mais precisamente, quando a Califórnia foi chamada a outro desafio. E ganhou novamente. Desta vez com um Cabernet Sauvignon da Clos du Val.

Ninguém mais, ninguém menos.....
Ninguém mais, ninguém menos…..

Simplesmente os melhores vinhos do mundo passaram a ser os até então obscuros californianos. Não os re+conhecidos (mundialmente) franceses.

Nesta época (1986) a França detinha cerca de 30% do mercado mundial de vinho, mas mesmo com claros sinais de que tinha gente nova no pedaço que estava produzindo com muita competência mas que encarava o mercado, ou mais especificamente o consumidor de vinhos de maneira diferente, o líder de mercado resolveu apostar em sua eterna superioridade e ignorou qualquer oportunidade de mudança. O resultado é uma conta simples: nas próximas 2 décadas a França perderia metade das suas vendas mundiais de vinho. Isso mesmo. Em 2006 a participação francesa no mercado mundial de vinhos era de somente 15%. E permanece estagnada desde então.

A Primitivo da Itália é a Zinfandel nos EUA. Mais corpo? Menos corpo? Escolha a sua versão.
A Primitivo da Itália é a Zinfandel nos EUA. Mais corpo? Menos corpo? Escolha a sua versão.

Alguns países do Velho Mundo se sobressaíram durante este período. Mas quem cresceu mesmo, ganhando e abrindo mercados internos e internacionais foram americanos, sul- americanos e australianos. Os bons representantes do Novo Mundo do vinho com suas regras simples, seus rótulos limpos e sua escolha de 1 casta para propiciar melhor entendimento àquele que havia sido confundido durante tanto tempo pela complexidade dos vinhos mais famosos do mundo – o consumidor.

Os famosos "Cabs" californianos.
Os famosos “Cabs” californianos.

É nesta época de turbulência que nós da Eu levo Vinho convidamos você a refletir também sobre a maneira como você está administrando seu negócio. Esperamos que não seja com esta saída à francesa, certo?

Quer saber mais sobre vinhos da Califórnia agora mesmo? Tem curso dia 28 lá na Smartbuy Wines. Quer conhecer de perto estas preciosidades que mudaram a história do vinho? Vem com a gente em junho para a Califórnia.  Precisa fortalecer seu plano de negócios? Entra em contato com a gente.

Gastronomia de classe internacional? Tem!
Gastronomia de classe internacional? Tem!