Arquivo da categoria: Enoturismo

Vindima no Dão / Winemaking in Dão

Que rufem os tambores!
Chegou o post sobre o tão esperado roteiro de Vindimas no Dão. Um convite para conhecer a fundo um dos segredos mais bem guardados de Portugal: o Dão, uma DOP que produz alguns dos mais elegantes Touriga Nacional do país.

No nosso mais tradicional roteiro oferecemos gastronomia, história e convivência na aldeia com o conhecimento aprofundado da elaboração do vinho, desde a vindima até a adega, em produtores artesanais, de médio e grande porte. Uma verdadeira imersão no mundo do vinho.

DSC_0998.JPG

Partiremos do ponto de encontro no Porto com destino à frequesia da Ínsua no conselho de Penalva do Castelo. Penalva possui uma das maiores concentrações de monumentos históricos de Portugal: sítios pré-históricos, romanos e medievais.

Já a Casa da Ínsua, uma das 4 casas que delimitam a região do Dão, foi construída na segunda metade do século XVIII. A quinta possuía a única fábrica de gelo na região, uma geradora hidroeléctrica, adegas e lagares. Tudo isso preservado com cuidados dignos de museu. Uma riqueza histórica marcante.

Dedicaremos todo um dia ao icônico Douro, berço do vinho do Porto e patrimônio mundial da humanidade. Desfrutaremos de um almoço nesta magnifíca paisagem, sua história marcante e degustaremos o mais conhecido dos vinhos portugueses: o Porto.

DSC_0265.JPG

Também dedicaremos um dia à Serra da Estrela, local da nascente do Rio Dão. Leve seu casaco, pois chegaremos ao ponto mais alto de Portugal, as Penhas Douradas.

Não deixaremos para tras o conhecido queijo da Serra, por isso vamos à premiada Queijaria de Germil a fim de compreender detalhadamente o rígido processo de elaboração do queijo da Serra da Estrela com direito a degustação.

Visitaremos uma oficina artesanal de cestaria, uma arte milenar cuja fabricação, decoração e utilização varia de acordo com cada país, região, povo, costumes, e tradição. Segundo a teoria de alguns pesquisadores existem muitas fontes sobre a origem da cestaria.

  • Origem Indígena, na fabricação de cestos para transportar objetos ou para armazenagens de alimentos.
  • Origem nômade, na procura de soluções do armazenamento e transporte de alimentos e na antiguidade.
  • Origem Persa, alguns escudos utilizados no batalhão dos imortais foram feitos de cestaria.
  • Origem Ibérica, outros dizem que a Vila de Gonçalo, localizada be perto de onde estaremos, foi o berço da cestaria em Portugal e Espanha.

cestaria

E por último, mas não menos importante teremos oportunidade de participar de 2 dias de vindima. É diversão da colheita ao lagar e à pisa, mas não se preocupe, se você se cansar é só parar para comer alguma coisa e tomar um copinho de água. Ou vinho. Uma experiência comunitária emocionante e que proporciona aos enófilos uma aprendizagem incrível.

Teremos 6 degustações exclusivas em produtores com perfis totalmente diferentes, proporcionando uma visão completa da região do Dão.

Fecharemos nossa viagem em Viseu que foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques que teria nascido ali a 5 de agosto de 1109. Só para lembrar, D. Afonso Henriques é considerado ninguém menos que o pai de Portugal por ter unificado todas as regiões do agora país e mandado para casa os mouros que estavam por lá já há alguns séculos.

Voltando a Viseu, esta data da época dos celtiberos, prova disso é que encontraram num altar pagão datado do séc. I, as seguintes inscrições: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.” Com a Romanização, a cidade ganhou grande importância, devido ao entroncamento de estradas romanas, por isso Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região.

DSC_0179

E outra lenda bacana que inclusive está representada no brasão da cidade. O rei Ramiro II de Leão, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, e se apaixonou a tal ponto que raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro teria escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, D. Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, aprisionado e condenado à execução, pede para, como último desejo, morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria nas mãos dos soldados do rei Ramiro. Parabéns a D. Urraca e pena que D. Ramiro se saiu com a sua, mas assim é a história.

Viseu tem muita história, é uma cidade muito bonita (premiada várias vezes como a melhor cidade da Europa para se viver) e tem lojas, shoppings etc, para você poder levar além das lembranças, muita coisa bonita para casa.

Não perca tempo, como a hospedagem é em casa de proprietário rural (e que casa), as vagas são limitadas!

IMG-20170922-WA0032


Drums rolling!

The long-awaited post is finally here: Winemaking in Dão Tour. An invitation to know one of the best-kept secrets in Portugal: Dão, a DOP that produces some of the most elegant Touriga Nacional in the country.

In our most traditional itinerary, we offer gastronomy, history and living in a Portuguese village with in-depth knowledge of winemaking, from harvest to the winery, in small and medium-sized artisan producers. A true immersion in the world of wine.
DSC_0998
We will leave the meeting point in Porto to freguesía of Ínsua in Penalva do Castelo council. Penalva has one of the largest concentrations of historical monuments in Portugal: prehistoric, Roman and medieval sites.
Casa da Ínsua, 1 of the 4 houses that surround Dão, was built in the 2nd half of the 18th century. The “quinta” had the only ice factory in the region, a hydroelectric generator, wineries and mills preserved with museum-worthy care. An extraordinary historical richness.
We will dedicate a whole day to the iconic Douro, the cradle of Port wine and world heritage of humanity, enjoying lunch in this magnificent landscape, its remarkable history and tasting the best-known Portuguese wines: Porto.
DSC_0265
Likewise, we will dedicate one day to the Serra da Estrela, the source of the Rio Dão. Take your coat, because we will visit the highest point of Portugal, the Penhas Douradas.
We will not leave forget the well-known cheese from Serra, so we go to the award-winning cheese producer in Germil to understand the rigid handling of elaboration of the Serra da Estrela cheese. Tasting included.
We will visit a handmade basketwork workshop, an ancient art which manufacture, decoration and use vary according to each country, region, people, customs and tradition. As per researchers, the millenary art of basketry could have several origins:
  • Indigenous origin, manufacture of baskets for carrying objects or for storing food.
  • Nomad origin, in search of food storage and transport solutions.
  • Persian origin, the shields used in the battle of the immortals were made of basketry.
  • Iberian origin, others say the village of Gonçalo, near where we will be, was the cradle of basketry in Portugal and Spain.

cestaria

And last but not least we will participate in 2 days of harvest. It’s fun to harvest and drink, but do not worry, if you get bored or tired, just stop and have something to eat, drink a glass of water. Or maybe wine. An exciting community experience that gives oenophiles incredible learning.
We will have 6 exclusive tastings in producers with different profiles, providing a complete view of Dão.
We will finish our trip in Viseu that was a residence by counts D. Teresa and D. Henrique, parents of D. Afonso Henriques who was born there August 5th, 1109. Just as a reminder, D. Afonso Henriques is none other than the father of Portugal for having unified all regions of the now country and sending home the Moors who were there for several centuries.
Back to Viseu, that dates from the time of the Celtiberians, proof of this is they found on a pagan altar dated from the first century the following inscriptions: “To the Goddesses and the Gods Vissaieigenses. Albino, son of Quensas, fulfilled the vote willingly and deservedly”. With the Romanization, the city gained great importance, due to the intersection of Roman roads, so Viseu is linked with the figure of Viriato since the Lusitanian hero may have been born in this region.
DSC_0179
Another nice legend is represented in the coat of arms of the city: King Ramiro II of Leon, on a journey abroad, met Sara, the sister of Alboazar, king of the castle of Gaia, and fell so much in love he kidnapped Sara. On learning what had happened, Sara’s brother took avenge by kidnapping the king’s wife, D. Urraca. Wounded in pride, D. Ramiro chose in Viseu his best warriors, sneaked alone into the castle, and left his warriors nearby. While Alboazar was hunting, D. Ramiro found D. Urraca, who, knowing of her husband’s betrayal, refused to go with him. When Alboazar returned from hunting, D. Urraca took revenge on her husband by showing him the abductor. Ramiro, imprisoned and sentenced to execution, asks as his last wish to die at the sound of his horn, which was the signal for his soldiers to invade the castle. At the end of the sixth ring, the soldiers at once surround the castle, setting it on fire. Alboazar died at the hands of King Ramiro’s soldiers. Cuddles to D. Urraca and sorry that D. Ramiro could escape, but such is history.
Viseu historic heritage is vast, a delightful city (awarded several times as the best city to live in Europe) and it has shops, malls etc, so you can take not only memories but still something lovely home.
Lose no time, because accommodations are in a village house (and what a house, wow), spots are limited!
IMG-20170922-WA0032

Festas Medievais em Portugal / Medieval Festivals in Portugal

Sendo brasileira, mesmo tendo oportunidade de ir para o exterior algumas vezes, nunca uma festa medieval me chamou a atenção. Porém, um belo dia, estava com um grupo muito animado (como são todos os nossos grupos) participando de uma vindima e decidimos ir a um mercado medieval. Foi amor, não, não, foi paixão à primeira vista. Depois disto, as festas medievais se tornaram um vício.

Achei que como todos os vícios, era muito pessoal, então em 2017, indo novamente a Portugal com minha filha e meus sogros, resolvi testar a minha teoria. Comprovado: festas medievais são viciantes para todos, em qualquer idade. A atmosfera, a música, a ambientação, o clima, tudo é elaborado para transportar cada um dos participantes através de um encantador túnel do tempo. Fazem com que a gente se sinta carregado pela história.

20170722_195515_Fotor

Por isso, em 2018, resolvemos abrir o percurso de Festas Medievais em Portugal aos nosso amigos e clientes. Partiremos da cidade do Lisboa, indo até Montalegre na fronteira Norte de Portugal, ou seja, vamos percorrer o Centro-Norte de Portugal, visitando algumas das cidades mais antigas do país e curtindo festas medievais.

Visitaremos Tomar, famosa por sua Festa Templária. A cidade é vigiada por uma fortificação defensiva datada de 1160, que protegia o acesso à Coimbra, então capital do reino. Duas décadas mais tarde, o califa Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur atacou Tomar que resistiu durante 6 dias defendida pelos Templários. Nesta ocasião, os mouros forçaram a porta do Sul e a defesa dos Templários foi tão violenta que a tal porta ficou conhecida como Porta do Sangue. O Castelo fica ao ladinho do Convento de Cristo cuja construção começou na mesma época, 1160.

DSC08576_Fotor

Já o Aqueduto dos Pegões que foi construído com a finalidade de abastecer de água o Convento de Cristo teve sua construção iniciada em 1593. A impressionante estrutura conta com 6 km de comprimento, altura máxima de 30 metros e 58 arcos de volta inteira.

Ali pertinho fica o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha que foi construído em 1386 pelo rei D. João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória contra os castelhanos na batalha de Aljubarrota. Este mosteiro foi construído ao longo de 2 séculos até cerca de 1563, durante o reinado de 7 reis de Portugal! No Mosteiro da Batalha estão sepultados vários reis e rainhas de Portugal.

DSC06551_Fotor

Seguindo viagem, parada no Palácio do Bussaco, na Mata Nacional do Buçaco (é assim mesmo, se escreve diferente…). O edifício do atual hotel, um dos mais bonitos do mundo, é de estilo neomanuelino e está decorado com painéis de azulejos alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses.

Já bem ao norte, paramos em Chaves, a romana Aqua Flavea. À época da invasão romana da Península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue esta cidade e construíram fortificações, aproveitando alguns dos castros existentes. Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de município no ano 79 d.C. quando dominava Tito Flávio Vespasiano. Daqui advém o nome Aquae Flaviae da atual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico: flaviense.

20170928_130726_Fotor

Pausa no Parque Natural de Pedras Salgadas cujas águas foram descobertas pelos locais logo cedo, especialmente dos que sofriam dos males do aparelho digestivo.

Uma bela caminhada até o mosteiro de Santa Maria das Júnias que remonta a um eremitério pré-românico, do século IX, no concelho de Montalegre. Encontra-se num vale estreito, afastado de tudo, abrigava monges pastores beneditinos, fato que acentuou o carácter humilde e ascético daqueles moradores. Justo ao lado do mosteiro está a bela Cascata de Pitões das Júnias, uma queda de águas que devido aos desníveis do terreno se desenvolve por vários patamares, sendo que o primeiro tem cerca de 30 metros de altura.

A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão. Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.  Fonte de algumas lendas arrepiantes, a verdade é que a construção é muito bonita e surpreende seus visitantes.

Outro edifício histórco: o Palácio ou Solar de Mateus que foi mandado construir na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão. A casa foi sempre administrada pela família Sousa Botelho. O Palácio é constituído pela casa principal, pelos jardins, adega e capela. No interior da casa encontra-se uma biblioteca com 6000 volumes, onde se destaca a célebre edição ilustrada dos Lusíadas de Luís de Camões de 1816!

20160907_181634_Fotor

E então um pouco mais de água: Vidago é conhecida pelas suas águas gasocarbónicas, especialmente as da nascente n.º 1, são de uma alcalinidade superior a qualquer água portuguesa, excedem também em alcalinidade a de Vichy. Na Europa só há outra estância, onde se dão injecções de água viva: Uriage (França). Há quem diga que Vidago foi uma estância termal no tempo dos Romanos, que ali iam fazer as suas curas e tanto bebiam como lavavam os seus corpos nas santas águas, para curar os seus males.

Na sequência, uma cidade que eu gosto muito: Bragança. Os celtas batizaram a cidade, fundada no século II a.C., com o nome de Brigância, que se foi latinizando até passar a ser “Bragança”. Este nome é a origem do gentílico mais comum: brigantino. Aqui vamos conhecer os caretos. Acredita-se que a tradição dos Caretos tenha raízes célticas, de um período pré-romano. Um ancestral do Carnaval.

Finalmente, Montalegre e a festa das bruxas que se realiza apenas às sextas-feiras 13. Quem lá vai, procura descobrir e viver o imaginário de um território cujo isolamento ajudou a preservar uma identidade muito própria e tradições diretamente ligadas à herança celta, ao sobrenatural e à ideia de que as bruxas, chamadas “mulheres de virtude” teriam poderes curativos.

20170824_172440_Fotor

A festa mostra a luta entre o bem e o mal, diante de uma multidão que lota o espaço entre o castelo e o palco. As mal compreendidas bruxas, exiladas durante séculos numa dimensão oculta são libertadas por …. um padre em busca do conhecimento ancestral destas guardiãs da sabedoria popular. Mais não conto porque chega de spoilers.

Pegando o caminho de volta, paramos em Óbidos, uma típica vila da Idade Média. Foi recuperada dos Mouros em 1148 e fez parte do dote de inúmeras rainhas de Portugal. Foi de Óbidos que nasceu o concelho de Caldas da Rainha, anteriormente chamado de Caldas de Óbidos (o nome mudou devido às temporadas que aí passou a rainha D. Leonor).

DSC05612_Fotor

São 10 dias com muita história, lendas e diversão para a família. Vem com a gente, vem!


Medieval festivals never particularly caught my attention. However, one fine day, I was with a very lively group (as all our groups are) harvesting in a winemaking tour and decided to go to a medieval market. It was love, no, no, it was passion at first sight. After this, the medieval festivals became an addiction.

I thought that like all the addictions, it was very personal, so in 2017, going again to Portugal with my daughter and my in-laws, I decided to test my theory. It was clear: Medieval feasts are addictive to everyone, at any age. The atmosphere, the music, the ambience, everything is designed to transport visitors through a charming time tunnel. We are swept off our feet by history.

20170722_195515_Fotor

Therefore, in 2018, we decided to open the Medieval Festivals in Portugal to our friends and clients. We will depart the city of Lisbon, going to Montalegre on the northern border of Portugal, that is, we will cross the Center-North of Portugal, visiting some of the oldest cities in the country and enjoying medieval festivals.

We will visit Tomar, famous for its Templar Festival. The city is guarded by a defensive fortification dating from 1160, which protected the access to Coimbra, which as the capital of the kingdom at the time. Two decades later, the caliph Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur attacked Tomar which resisted for 6 days defended by the Templars. On this occasion, the Moors forced the southern door and the defence of the Templars was so violent that the door is now known as the Bloody Door. The Castle is located near the Convent of Christ which construction began also by 1160.

DSC08576_Fotor

Pegões Aqueduct was built to supply water to the Convent of Christ. Its construction started in 1593. The impressive structure is 6 km long with a maximum height of 30 meters and 58 arches.

Nearby is the Monastery of Santa Maria da Vitoria, better known as the Monastery of Batalha was built in 1386 by King João I of Portugal as an offering to the Virgin Mary for the victory against the Castilians in the battle of Aljubarrota. This monastery was built over 2 centuries until around 1563, during the reign of 7 kings of Portugal! In the Monastery of Batalha are buried several kings and queens of Portugal.

DSC06551_Fotor

Next stop: the Bussaco Palace, in the Buçaco National Forest (that’s the way it is written, in different spellings …). The building of the current hotel, one of the most beautiful in the world, is neomanuelino style and decorated with panels of tiles alluding to the epic of the Portuguese Discoveries.

Towards the north, we will stop at Chaves, the Roman Aqua Flavea. At the time of the Roman invasion of the Iberian Peninsula, the Romans settled in the valley of the river Tâmega, where today stands this city and built fortifications, in order to take advantage of some of the existing castro. Such was the importance of this urban nucleus that it was elevated to the category of municipality in 79 C.E. when it ruled by Tito Flávio Vespasiano. That is the origin of the name Aquae Flaviae of the present city of Chaves, as well as the designation of their citizens: flavienses.

20170928_130726_Fotor

Pause in the Natural Park of Pedras Salgadas. These waters were discovered by the locals in the early days, especially by those who suffered from digestion issues.

A beautiful walk to the monastery of Santa Maria das Júnias which dates back to a 9th-century pre-Roman hermitage in the Montalegre county. It is located in a narrow valley, away from everything, sheltering Benedictine shepherd monks, a fact that accentuated the humble and ascetic character of their inhabitants. Just next to the monastery is the beautiful Cascatas de Pitões das Júnias, a waterfall that due to the unevenness of the terrain cascades by several levels, the first one being about 30 meters high.

The Bridge of the Mizarela (Devil’s Bridge) is located on the river Rabagão, set in the bottom of a steep ravine and being supported by a single arc about 13 meters of span. It was erected in the Middle Ages and rebuilt in the early 19th century. Source of some creepy legends, the truth is that the bridge is beautiful and surprises its visitors.

Another historic building: the Palace or Manor of Mateus that was built in the first half of the 18th century by the 3rd Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão. The house was always managed by the Sousa Botelho family. The Palace consists of the main house, gardens, wine cellar and a chapel. Inside the house, there is a library with 6000 volumes. Its highlight is the famously illustrated edition of Lusíadas by Luís de Camões from 1816!

20160907_181634_Fotor

And then a little more water: Vidago is known for its gas-rich waters, especially those of spring number 1. Their alkalinity being superior to any Portuguese water also exceeds the alkalinity of Vichy. In Europe, there is only another resort, where there are injections of living water: Uriage (France). Some say that I Vidago was a spa in the time of the Romans, who went there to look for their healing powers.

Next, a city that I like very much: Bragança. The Celts named the city Brigantia when they founded it in the second century C.E. The name later became “Bragança.”  It is said that the local tradition of Caretos has Celtic roots, from a pre-Roman period. An ancestor of Brazilian Carnaval.

Finally, Montalegre and the festival of the witches that takes place only on Fridays 13. Whoever visits the region during this time, seeks to discover and live the imaginary of a territory so isolated that it preserved its very own identity and traditions directly linked to the Celtic heritage. The supernatural and the idea that witches, called “women of virtue” would have curative powers. The party shows the struggle between good and evil, in front of a crowd that occupies the space between the castle and the stage. The misunderstood witches, exiled for centuries in a hidden dimension are liberated by … a priest in search of the ancestral knowledge of these guardians of the popular wisdom. We do not tell anymore to avoid spoilers.

20170824_172440_Fotor

On the way back to Lisbon, our last stop in Óbidos, a typical village of the Middle Ages. It was recovered from the Moors in 1148 and was part of the dowry of countless queens of Portugal. It was from Óbidos that the county of Caldas da Rainha was named, previously called Caldas de Óbidos (the name changed due to the seasons that the queen D. Leonor spent there).

DSC05612_Fotor

These are 10 days with lots of history, legends and fun for the whole family. Come with us!

Afinal para que mudar? / Why do we have to Change?

Durante uma transição de carreira eu conheci o mundo do vinho e imediatamente me apaixonei. E como toda apaixonada, meu amor não via limites, só oportunidades. Eram feiras e congressos, vinhos nacionais ou importados, viagens, palestras, blogs, posts, lojas, restaurantes, importadoras, representações, países, castas e métodos de vinificação distintos, enfim, um mundo sem fronteiras a explorar.

Meu encanto com todas estas opções vagarosamente, foi sendo cerceado pela realidade de uma micro-empresária no Brasil. O dilema entre o que eu queria fazer e o que eu podia fazer. O processo foi vagaroso porque sempre fui persistente (ahan teimosa) e focada em resultados (ahan super teimosa). Eu me esticava daqui, puxava dali e achava que ía conseguir conciliar inúmeros projetos, afinal, gerenciamento de projetos também era algo que eu mandava bem.

Porém eu estava acostumada com o mundo corporativo. Foram quase duas décadas trabalhando em estruturas que acomodavam inúmeros projetos, equipes diretas, indiretas etc. Agora era só eu. E estava na cara que eu não estava dando conta. Não quis aceitar. Afinal, pequenos empreendedores que querem ser grandes falam sempre de como trabalhavam muito. Só que tem um momento de dizer chega.

É terrível este momento. Doído demais. Porém necessário, convida a reflexão, à auto-avaliação e finalmente àquele abismo assustador: a mudança necessária. Porque tem a mudança desejada: você pinta a casa, muda a decoração, de romântica para gótica, pinta o cabelo preto de ruivo, sei lá, mas é fruto de sua criatividade, e não necessidade.

Enfim,  deste momento casulo, em que me fechei, me ausentei e refleti, a Eu Levo Vinho deu espaço para a Portugal com Alma. Neste processo, abri mão de muitas atividades com clientes queridos, mas eu precisava dar foco naquilo que durante uma rígida análise é evidentemente a minha maior paixão: Portugal.

O outro lado da moeda é que a Portugal com Alma já nasceu assim: amada, desejada e querida por quem a conheceu na barriga, ainda como a Eu Levo Vinho.

E como criança muito esperada nasceu espoleta, cheia de novidades, alegrias e com mais paixão ainda pela terra do meu coração. Novos roteiros, festas medievais, aldeias misteriosas, herança celta, roteiros de águas termais. Gente, muita coisa boa. E mais facilidades nos pagamentos!

O vinho não foi esquecido, claro que não. Nem as viagens por outros países. Vem mais posts por aí. No entanto, de hoje em diante, somos Portugal com Alma, porque para ser Portugal tem que ter muita alma e amor no coração.


During a career transition, I got to know the world of wine and immediately fell in love with it. Exactly like all other lovers, my passion saw no limits, only opportunities. It comprised all and everything: national and imported wines, fairs and congresses, trips, lectures, blogs, posts, shops, restaurants, importers, exporters, countries, varieties and different vinification methods. A world without limits to explore.

My infatuation was slowly being curtailed by the reality of a micro-businesswoman in Brazil. The dilemma between what I wanted to do and what I could do. The process was slow because I was always persistent (ahan stubborn) and focused on results (ahan super stubborn). I would stretch out from here, pull from there and think that I could reconcile countless projects, after all, project management was also something that I did well.

But I was used to the corporate world. Almost two decades working on structures that accommodated countless projects, direct and indirect teams, etc. However, it was just me now. And it was obvious that I couldn’t do it all. I did not want to accept it. After all, small entrepreneurs who want to grow to be the big guys always talk about how they worked sooo hard. But, there is a moment you got to say enough is enough.

This moment is terrible. Awful. But necessary. It invites reflection, self-evaluation, and finally that frightening abyss: the necessary change. Because you have the desired change: you refurbish your house, change the decoration, you change your look from romantic to gothic, dye your black hair red, whatever, but it is the result of your creativity, not a necessity.

Finally, after this cocooning period, in which I closed myself and reflected, Eu Levo Vinho gave space to Portugal com Alma.

In this process, I gave up many activities with dear clients, but I needed to focus on what is obviously my greatest passion: Portugal.

The other side of the coin is that Portugal com Alma was born this way: loved, wanted and loved by those who knew her as an embryo, Eu Levo Vinho.

And as a very expected child, Portugal com Alma was born full of energy, full of news, joy and with more passion for the country of my heart. New tours, medieval festivals, mysterious villages, Celtic heritage, thermal water fonts. Guys, lots of good stuff. And a plus: easier payment methods!

The wine was not forgotten, of course not. Neither the trips to other countries. More posts out to come soon. However, from now on, we are Portugal com Alma, because to be Portugal you have to have a lot of soul and love in your heart.

Receita de Canelé Bordelais. E sim, tem tudo a ver com vinho.

Este docinho simples e simpático, típico da região vinhateira de Bordeaux, na França, seduz há séculos. Um pouquinho de história e a receita desta delícia estão bem aqui!

IMG_1573

A associação da canelé com o vinho é simples: os produtores de vinho adicionam claras de ovo ao mosto do vinho, num processo conhecido como clarificação, que retira o excesso de sedimentos do vinho e deixa-o mais suave. Há alternativas modernas ao processo, porém, as claras de ovos ainda são usadas por muitas vinícolas de pequeno porte.

Historicamente, as gemas de ovo oriundas deste processo viraram doces encantadores pelo mundo, e na França, mais especificamente em Bordeaux, foram utilizados para criar os primeiros canelés. Se você estiver em Bordeaux, as canelés são muito fáceis de achar e segundo o povo de lá mesmo, as da Baillardran são as melhores. Se não for o caso, segue a receita.

Nossa receita exige bem poucos ingredientes e eu acho até bem simples de fazer, para tanto sabor. Rende de 12 a 16 porções, dependendo do tamanho da sua forma.

2  detalhes importantes:
. As canelés devem ser preparadas de véspera.
. Deve-se usar a forma própria. Além da questão estética, eu notei que as que eu preparei nas formas de cupcake, ficaram parecidas com queijadinhas, murcharam mais e ficaram mais torradas e secas. A forma tradicional é de cobre, quase impossível de achar até na França. A minha, eu trouxe de lá, mas é de silicone. Ótima. Por aqui, eu já vi em boas casas do ramo.

Ingredientes:
. 1/2 litro de leite
. 2 ovos inteiros
. mais 2 gemas de ovo batidas
. 1/2 fava de baunilha ou 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
. 3 colheres de sopa de rum
. 1 xícara de farinha de trigo
. 1 xícara de açúcar mascavo
. 2 colheres de sopa de manteiga
. Manteiga para untar a forma
. Açúcar branco para polvilhar a forma

Instruções:
No dia anterior:
. Ferva o leite com a baunilha e a manteiga. Retire o fogo, deixe esfriar só um pouco.
. À parte, misture a farinha com o açúcar, em seguida, adicione os ovos e as gemas de ovo à essa mistura.
. Depois, despeje esta mistura no leite morno.
. Misture tudo suavemente para obter uma mistura fluída e suave, tipo massa de panqueca. E se achar que errou: não, não errou, a massa fica quase líquida.
. Deixe esfriar e adicione o rum. Pode não usar rum? Pode, mas não é igual e não esqueça que o álcool evapora no forno.
. Leve à geladeira por 24 horas a 48 horas no máximo, a fim de hidratar bem a farinha de trigo.
Para assar as canelés:
. Pré-aqueça o forno a 250ºC.
. Unte a forma própria com manteiga e, em seguida, polvilhe com um pouco de açúcar.
. Despeje a massa apenas até estarem 3/4 cheios – NÃO mais. Parece inacreditável, mas elas crescem no forno e se você encher demais vai ser um rolo.
. Apoie a forma de silicone numa assadeira, e leve ao forno em temperatura alta por 5 minutos, em seguida, baixe a temperatura para 175ºC e continue a cozinhar por 1 hora mais ou menos.
. Os canelés estarão prontos quando sua adorável e quase crocante cobertura estiverem com uma leve crosta marrom, e eles ainda estiverem úmidos, quase como um pudim, por dentro, mas sem soltar sedimentos quando espetados com palito.
. Desenforme com cuidado enquanto ainda mornos.

As minhas ficaram ótimas em relação ao sabor e textura, mas preciso fazê-las mais uniformes, pois as cores estavam muito diferentes e entender também porque murcharam tanto. Diz a lenda que é porque não usei ovos frescos. Onde achar ovos frescos em São Paulo é que é o desafio…

IMG_1574

Você pode servir as canelés com chá ou café, ou desfrutá-las numa versão mais ousada, com vinho do Porto ou conhaque. Aliás é ótima para servir em festas, você prepara na véspera e só põe no forno na hora que for adequada. Bon appetit!

2 histórias se cruzam por um instante e 4 séculos: Solar de Mateus e Mateus Rosé

Portugal tem muitas marcas de vinhos populares ao redor do mundo, por exemplo, Casal Mendes, Periquita, Calamares, Casal Garcia e o Mateus Rosé, para mencionar alguns. Curiosamente, o Mateus Rosé não é muito popular por aqui, porém foi a primeira marca portuguesa de vinho apreciada mundialmente, estando presente em 125 países, há várias décadas.

vinho_mateus_rose

A história do Mateus Rosé começa em 1942, quando Fernando Van Zeller Guedes, o fundador da gigante de vinhos portuguesa, Sogrape, criou um conceito distinto, apresentado numa garrafa inovadora. A garrafa foi inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O tal vinho era diferente: cor-de-rosa, adocicado, refrescante e com uma efervescência ligeira. O rótulo foi uma homenagem ao grandioso património histórico português.

s-l1000
Antiga garrafa de Mateus à venda no eBay.

O vinho especialmente concebido para os mercados norte-americano e do norte da Europa, cresceu rapidamente nas décadas de 1950 e 1960 e, no final da década de 80, junto com a versão de branco, representou quase 40% da exportação total de vinho de mesa de Portugal.

No início dos anos 70, Mateus Rosé era o vinho mais popular do mundo. A Rainha Elizabeth está até hoje entre suas fiéis consumidoras. Diz a lenda que a Rainha ficou insatisfeita com a selecção de vinhos oferecida em uma festa privada no Hotel Savoy em Londres no início dos anos 60 e pediu ao maitre que lhe trouxesse Mateus.

d856ff330e7f79256cea4cd4853f1258
Jimmy Hendrix curtindo um Mateus.

Hoje, o vinho perdeu um pouco de sua popularidade internacional, mas mesmo assim milhares  de estrangeiros (70% dos 80.000 visitantes anuais) buscam o edifício que corre o mundo no rótulo do Mateus Rosé. O Palácio ou Solar de Mateus está situado na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, Distrito de Vila Real e foi construído na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão para substituir a casa da família, já existente no local, desde o início do século XVII.

20160907_183336
Um Solar para chamar de seu.

Segundo especialistas, a construção da casa, ou pelo menos de sua fachada central e decoração, é atribuída ao artista, decorador e arquiteto italiano Nicolau Nasoni (Toscana, 2 de Junho de 1691 – Porto, 30 de Agosto de 1773), considerado um dos mais significativos arquitetos da cidade do Porto durante o século XVIII.

A fachada do palácio se destaca pela dupla escadaria que conduz à porta principal, sobre a qual aparece o escudo familiar flanqueado por duas estátuas. No interior,  pode-se visitar uma biblioteca que abriga livros do século XVI, valiosos móveis, porcelanas e quadros e um pequeno museu onde se encontra 1 edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, da qual só se produziram 200 exemplares. Parte da casa é fechada à visitação, pois ainda é habitada pela família.

20160907_181627

O palácio encontra-se rodeado por um lindo jardim cravado de belas estátuas. Chama a atenção, uma escultura de 1981, de João Cutileiro – Dorme no Lago. E muitas vinhas. Porém, o vinho rosado das garrafinhas bojudas não é feito aqui. O Palácio produz um vinho sim, mas o Porto Quinta da Costa das Aguaneiras. Exatamente, tudo que os 2 têm em comum é a fachada da mansão no rótulo mundialmente famoso e nada mais.

Em 1911, o Palácio de Mateus foi classificado como Monumento Nacional. Acima de tudo, a Casa de Mateus é hoje uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o patrimônio histórico e fomentar a atividade cultural.

E mesmo que estas 2 histórias se cruzem por um momento muito mais breve do que eu poderia esperar, recomendo tanto a visita ao Palácio quanto uma boa garrafa de Mateus.

Fonte: Vinho Mateus Rosé e Casa de Mateus

Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira? Alguém colocou tudo isto lá? Descubra aqui o segredo para esta pergunta que não quer calar.

Existem bem mais de 100 compostos aromáticos individuais no vinho que interagem uns com os outros para criar milhares de aromas potenciais. Ainda assim, apesar do que você possa ter ouvido, não importa se você é um super provador ou aquele tipo de cara que gira a taça e cheira em desespero sem sentir absolutamente nada, quase todo mundo pode melhorar o seu olfato, aprendendo a identificar diferentes aromas no vinho. Isso soa complicado, mas se resume simplesmente a praticar e prestar muita atenção – e é claro que anotar umas dicas do Master Sommelier Matt Stamp, não vai fazer mal para ninguém.

Roda-dos-Aromas-do-Vinho.jpg
Aroma pra caramba!

Se você já detectou aromas distintos no vinho, provavelmente você está a caminho de aprender a identificar diferentes classes de aromas. Por exemplo, você pode ter encontrado uma nota de pimentão verde, grama recém cortada ou até mesmo cheiro de gasolina. Por mais complexa que seja a ciência dos aromas, existem algumas classes  de compostos muito conhecidos, referidos como compostos de impacto, que são prevalentes em certos vinhos. Estes compostos de impacto são como indicadores muito relevantes, apontando para um varietal e não outro, o que significa que aprender a identificá-los pode desbloquear habilidades sobrenaturais de degustação tipo o Masters da vida. Da próxima vez que você provar um vinho, tente identificar o seguinte:

1.Pirazinas (metoxipirazina)
Aromas de pimentão, grama cortada fresca, pimentão verde, aspargos, ervilha e terra.
Vinhos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carménère, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
As pirazinas são mais associadas com variedades de Bordeaux. Em vinhos tintos, é muitas vezes um toque mais difícil de sentir e às vezes pode ser associada com aroma de chocolate amargo. A maioria dos enófilos adoram estes aromas nos seus brancos, mas o tomam com reserva nos tintos. Curiosamente, à medida que os vinhos tintos envelhecem, a pirazina modifica-se, revelando cereja e chocolate.
Existem 3 metoxipirazinas primárias que contribuem com aromas “vegetais”:
. 2-metoxi-3-isobutil-pirazina (IBMP) = aromas de pimentão, terra, grama e herbáceos;
. 2-metoxi-3-isopropilpirazina (IPMP) = aromas de aspargos, ervilhas e terra;
. 2-metoxi-3-alquilpirazina = aromas de noz e defumados.

c3732f84674951540c46c633027e9ec5

2. Monoterpeno
Aromas de rosas, flores, frutas doces, mexerica, coentro e especiarias doces.
Vinhos: Gewürztraminer, Viognier, Riesling, Albariño, Muscat Blanc e Torrontés.
Os monoterpenos mais pronunciados incluem os compostos de Linalol, Geraniol e Nerol. Estes são os mesmos compostos aromáticos utilizados para criar perfumes, sabonetes e xampus com aromas doces por isso não é nenhuma surpresa que algumas pessoas possam descrever estes vinhos como tendo um cheiro de sabonete. O que é interessante sobre estes aromas é que ao contrário dos outros compostos, você pode senti-los nas frutas, ou seja, eles independem da vinificação.

c572ab20a56dced80936dcba8f0ea1d4

3. Sotolona
Aromas de curry, xarope de bordo (o famoso maple syrup), feno-grego, nozes e melaço.
Vinhos: oxidados como Madeira, Vin Jaune, Jerez, Sauternes e alguns tintos ou Chardonnays bem antigos.
Este é o principal composto de sabor encontrado no feno-grego. No vinho, provém da oxidação e é mais prevalente em vinhos fortificados como o Jerez e o Madeira. Você também pode prová-lo se você envelhecer um vinho branco por cerca de 7 a 10 anos, este aroma é intrigante e fundamental para identificar vinhos antigos.

 

Maple Syrup: aproveite para provar fora do Brasil. Taí um aroma difícil para nós. Feno-grego é mais fácil de encontrar. Vire um rato de feiras, supermercados e floriculturas.

4. Rotundona
Aromas de pimenta preta, manjerona, couro, cacau em pó e ervas.
Vinhos: Syrah ou Shiraz, Grenache, Zinfandel, Petite Sirah, Grüner Veltliner e Mourvèdre.
Este composto é o ingrediente chave nas pimentas preta e branca e é cerca de 10.000 vezes menos prevalente no vinho. Ainda assim, a sensibilidade humana a este composto é muito elevada, por isso desempenha um papel importante nos perfis de sabor dos vinhos que o contêm.

77ee1d8e607d624c4c92b7f584d871f2

5. Compostos de Enxofre
Podem ser o segredo da super discutida origem da mineralidade no vinho.
Vinhos: Chablis e Champagne
Alguns compostos de enxofre têm notas fantásticas, como o aroma de giz num excelente Chablis. Outros são bem ruins, como cheiro de lã molhada,  considerado uma falha no vinho causada pela exposição à luz solar.

chalk.gif

6. TDN (1,1,6, -trimetil-1,2-di-hidronaftaleno)
Aromas de querosene, petróleo e diesel.
Vinhos: possivelmente em Sauvignon Blanc e Chardonnay, mas é mais perceptível (e amado) no Riesling.
Este aroma é um dos poucos compostos que quase inexistem em uvas ao natural e se desenvolvem nos vinhos à medida que envelhecem. Os vinhos com notas mais pronunciadas de gasolina vêm de vinhedos mais quentes porque este composto se desenvolve com uvas expostas à forte luz solar.

5f07e92f3525a17e50f119379bad6093

7. Diacetil
Aromas de manteiga e creme de leite.
Vinhos que sofreram fermentação maloláctica.
Este composto é muito mais pronunciado em vinhos brancos, mas acrescenta um aspecto muitas vezes descrito como cremoso ou aveludado ao vinho tinto. O diacetil se origina no processo de pós-fermentação chamada fermentação maloláctica que envolve bactérias que consomem o ácido málico e o transformam em ácido láctico. O resultado é um vinho incrível com aroma e textura cremosos e amanteigados . Pouquíssimos vinhos brancos passam por este processo é esta uma das principais razões para que tenham um sabor muito diferente dos vinhos tintos.

making-butter-and-whipped-cream-top-web.jpg
Creme e manteiga. Uma delícia fora e nos vinhos.

Além da maravilha que o vinho como ser vivo representa, através de sua riqueza de compostos, fermentação e envelhecimento, teoriza-se que a videira desenvolveu estes compostos de aroma como um avanço evolutivo para atrair insetos e animais para auxiliar na polinização e dispersão de sementes. Não vamos desapontá-las, não é mesmo?

Créditos fotos: internet.

Fonte: a sempre brilhante http://winefolly.com/tutorial/impact-compound-aromas/

Aposto que desta uva você nunca ouviu falar.

A uva Goethe, também chamada de Rogers 1, é uma híbrida, ou seja, uma uva criada pela mistura com outras. No caso da Goethe, ela foi criada por um cientista americano, E. S. Rogers, e faz parte de um grupo de 45 variedades criadas por ele, em meados do séc. XIX em Massachusetts. O conjunto delas foi chamado de Roger’s Hybrids e em 1862 já aparecia em catálogos de plantas. Ela apareceu no Brasil a partir de 1877 durante colonização italiana. Ou seja, não é exatamente uma novidade. Novidade é o sucesso que ela vem fazendo no sul de Santa Catarina.
20_04-11-2013_07-36-39_6

A Goethe é a soma por polinização de 13% de Vitis Labrusca (uvas de mesa, não viníferas ou também chamadas americanas), no caso, a variedade Carter com 87% de 2 uvas viníferas (uvas europeias próprias para a elaboração de vinhos), neste caso as variedades Moscatel de Hamburgo e Chasellas branca.

A Moscatel de Hamburgo é muito aromática, agradável e dá vinhos bem frescos e frutados. A Chasellas é uma das principais variedades suíças (da denominação de origem Valais) e da região fronteiriça francesa que resulta em brancos com boa acidez, vinhos ótimos para fondue, por exemplo. E quando a gente fala de uvas brancas com boa acidez, logo lembramos de espumante, como este produzido com a Goethe.

casa-del-nonno-goethe-spumante-demi-sec

Esta uva se adaptou bem às condições climáticas e aos solos da região de Urussanga, no sul de Santa Catarina e foi amplamente difundida entre os colonos da região. O cultivo da uva Goethe é raro por que sua acidez limita um pouco sua utilização enológica e além disso ela pode ser sensível sob certas circunstâncias climáticas. Porém, o entusiasmo econômico gerado pela casta, nesta região foi tanto que o selo de indicação geográfica de procedência Vale das Uvas Goethe foi conquistado em 2011 e implatado em 2013.

foto_4935

 

IGP.001

O calcanhar de Aquiles de todo este sucesso é a utilização da uva americana Carter na formação da Goethe. Os híbridos são, por exemplo, proibidos na Europa e vêm sendo extirpados de várias partes do mundo, porque produzem aqueles vinhos com gostinho de vinho de garrafão. Aqui no Brasil, as uvas americanas ou de mesa são parte da cultura vitivinícola do país e bem aceitos pela maioria dos consumidores brasileiros.

E você, já parou para pensar na uva que compõe o seu vinho?

Fontes:  Vales da Uva GoetheProgoethe

O primeiro vinho cult do mundo, um escravo rebelde e nossa última história de 2016.

Quem acompanha a gente no Instagram, deve ter notado o nosso interesse pela série Spartacus. Spartacus foi um trácio (a Trácia ficava mais ou menos onde hoje é a Turquia) e de aliado dos romanos ele rapidamente se transformou em escravo deles, gladiador e líder da maior revolta de escravos durante o Império Romano (mais ou menos no ano 73 a.C.).

20130421-150706

A série, que eu assisti no Netflix,  é muito interessante para quem gosta de história, pois mostra vários elementos da vida romana na época. Um deles, é claro, é o vinho. Todo mundo sabe que os gregos trouxeram as videiras para a Itália e gostaram tanto do vinho resultante que chamaram esta terra de Enotria (terra das vinhas). Não demorou para que os romanos também adorassem seu vinho e o consumissem frequentemente.

lucy

Os romanos achavam que deviam “popularizar” o consumo de vinho. Por isso, incentivavam o populacho a consumi-lo. Por exemplo, os escravos bebiam a  lora, feita com a imersão do mosto das uvas prensadas 2 vezes em água por um dia e então prensada uma terceira vez. O exército romano bebia a posca, uma mistura de água e um vinho quase tão ácido como o vinagre que fazia parte de sua ração, já que possuía níveis de álcool mais baixos. Não era à toa que o vinho era misturado à água do mar, mel, especiarias e ervas. O vinho do povão era feito com uvas tintas, pois a nobreza romana bebia vinho branco. E adorava o vinho de Falerno.

bldlddycyaadxwj

O vinho de Falerno era produzido com uvas Aglianico (e possivelmente Greco também ) nas colinas do Monte Falernus, perto da fronteira do Lácio e da Campânia, onde se tornou o vinho mais famoso produzido na Roma antiga. Considerado o primeiro “vinho cult”, foi frequentemente mencionado na literatura romana, mas desde então desapareceu. Havia 3 vinhedos (ou denominações) reconhecidos pelos romanos: Caucinian Falernian das vinhas nas encostas mais altas do Monte Falernus; Faustian Falernian, o mais famoso, da terra nas inclinações centrais que correspondem às áreas montanhosas atuais da cidade de Falciano del Massico e Carinola di Casanova, propriedade de Fausto, filho do ditador romano Sila.

Glaber_and_Marcus.png

O Falerno era um vinho branco com um índice relativamente alto do álcool, possivelmente  15%, por isso frequentemente pegava fogo se aproximada à chama de uma vela. O vinho era produzido a partir de uvas colhidas tardiamente após um breve congelamento ou uma série de geadas, era envelhecido por 15 a 20 anos em ânforas de argila e por isso possuía uma cor âmbar quase castanho escuro. Havia 3 variedades: Seco (Latino austerum), doce (Dulce) e leve (Tenue).

A qualidade e preço diferente para os vinhos romanos fica clara nesta antiga inscrição encontrada numa parede em ruínas de um bar em Pompéia.

foto02foto05

Invicto Castrense que seus 3 deuses sejam favoráveis e assim também seja para o leitor.

Viva Edoné! Boa saúde para o leitor.

Edoné diz:

Aqui você bebe por 1. Mas se você me der 2, você vai beber vinhos melhores e se você me der 4, eu vou fazer você beber um Falerno.

Vida longa a Castrense.

Exatamente, para os romanos, o vinho nobre era o branco. Muita gente tem reservas com este tipo de vinho, mas eu proponho que em nosso verão de 42 graus, você se abra e prove o vinho branco, seja o tranquilo, o espumante e inclusive o vinho verde português. Atreva-se a combiná-lo com nosso pratos de fim de ano: salmão, bacalhau, pernil, peru e claro o nosso tradicional churrasco do dia 1º. Tudo depende do grau de doçura e açúcar para combinar bem.

Provavelmente este será nosso último post em 2016, já que estamos na praia curtindo a preguiça de final de ano. Um maravilhoso 2017 com mais histórias e vinhos!

gannicus-dustin-clare-33489396-1280-720

Receita fácil para o fim do ano. Com história e vinho é claro!

Durante as minhas andanças, eu acabo encontrando por aí estruturas cujo uso eu desconheço. Um bom exemplo disso é o super tradicional espigueiro, usado principalmente no norte de Portugal para armazenar o milho durante o inverno. Ele tem estas perninhas para não entrar em contato com a humidade do solo e afastá-lo dos roedores. Ao mesmo tempo tem estas fissuras nas parede para manter o milho ventilado.

dsc03884

Quem segue o blog sabe que eu já andei bastante por aí e conheci muita coisa. Mas a gente nunca pára de aprender, então, não é que numa visita ao território português de Trás-os-Montes, dei de cara com isto:

dsc04090

Esta estrutura arredondada às vezes bem no meio das casas, às vezes no meio do nada. Parecia algo para armazenar água já que é uma região bem árida, pertinho da fronteira com a Espanha, mas não fazia sentido. Estavam bem detonadas, ou seja era algo antigo. Que poderia ser??

dsc04094

Não controlei a minha curiosidade e assim que parei num barzinho, perguntei o que era aquilo e me disseram que era um pombal. Congelei por alguns segundos tentando imaginar com a minha mente brasileira e urbana porque alguém ía construir uma casa para pombos? Discreta como sou, descongelei e gritei: juraaaaaa? porque? O entrevistado me olhou com cara de pena por tanta ignorância e disse: para comer.

i-junho-2
ECA!

Na hora, imaginei as pombas da Praça da Sé em meio ao lixo e restos de alimentos numa panela. Impossível. Hora da pesquisa. O pombo em questão é o pombo selvagem de uma espécie específica, caçada em determinadas regiões da Europa.

348
Pombo selvagem

Há registros de pombais na China antiga e na civilização egípcia. Na Idade Média eles eram tão valorizados que possuí-los era uma prerrogativa dos barões donos das terras. Além de intocáveis, tinham até o direito de comer os grãos da vassalagem.

dscf0243
Pombo King

Nas Américas, este tipo de animal não existe, mas algumas avícolas dos EUA criam o pombo King para abate, eles são branquinhos, possuem  mais massa corporal e, especialmente,  peito carnudo. Estas aves eram consumidas em tortas, guisadas ou ao forno.

tuscan

Vai uma receitinha de pombo aí para ficar com água na boca? É claro que leva vinho!

Ingredientes:
2 pombos depenados e eviscerados
Ervas como tomilho, sálvia e alecrim a gosto
4 dentes de alho picadinhos
2 colheres de sopa de azeite
25g de manteiga
2 fatias grossas de pão tipo italiano
150ml de vinho tinto
Sal e pimenta a gosto

  1. Aqueça o forno a 220C / 200C.
  2. Tempere as aves com sal e pimenta a gosto, inclusive por dentro e coloque ervas e azeite nas cavidades de cada uma.
  3. Aqueça o azeite e a manteiga em uma panela rasa para forno, e doure as aves por 5 minutos em todos os lados. Retire os pombos e frite o pão de um lado até ficar crocante e dourado, adicionando mais manteiga à panela se precisar.
  4. Vire o pão e coloque um pombo em cada fatia de pão. Espalhe as ervas e o alho restantes na panela, e despeje o vinho. Leve ao forno por 20 minutos, em seguida, retire e deixe descansar por 10 minutos. Sirva o pombo diretamente na panela com o pão. Acompanhe com arroz e batatas se achar legal.

Até onde eu pesquisei, não existe criação de pombo comestível no Brasil, portanto antes de comprar, cuidado para não levar gato por lebre. Ou qualquer outra coisa…

E nem imagine em sair correndo pela pracinha pegando qualquer bicho que esteja meio cochilando nos bancos.

Resista e tente a receita com carnes como a perdiz, o galeto ou mesmo o bom e velho frango. Combine com Cabernet, Tannat ou um Sangiovese, qualquer tinto que seja bem encorpado para enfrentar esta carne de caça com temperos fortes. Bom apetite.

20161028_141014

 

Que terror! Vai entender: dia das Bruxas, dia de Todos os Santos, dia dos Mortos … e seu vinho perfeito.

Se você, como eu, está confuso com o que é Dia das Bruxas, Dia de Todos os Santos e Dia dos Mortos, prepare-se porque este post vai esclarecer todas as suas dúvidas.

31 de outubro – Dia das Bruxas

O tal do Halloween é celebrado em grande parte dos países ocidentais, porém é mais presente nos (filmes de terror dos) Estados Unidos. O costume foi introduzido neste país, pelos imigrantes irlandeses em meados do séc. XIX.

A história desta data comemorativa tem mais de 2500 anos. Surgiu entre os celtas, que acreditavam que no último dia do verão (31 de outubro), os espíritos saiam dos cemitérios para tomar posse dos corpos dos vivos. Para assustar estes fantasmas, os celtas colocavam nas casas, objetos assustadores como, por exemplo, caveiras, ossos decorados, abóboras enfeitadas entre outros.

Por ser uma festa pagã foi condenada na Europa durante a Idade Média, quando passou a ser chamada de Dia das Bruxas. Por que não comemoramos este dia? Bem, porque os celtas não nos deram o prazer de sua companhia em tempos de outrora e por que a Inquisição da Igreja Católica para acabar com este fuá, começou a perseguir e condenar à fogueira quem ficava de graça por aí neste dia. Quando os europeus chegaram aqui, meio que não havia mais (leia-se, já eram) tanta gente interessada no costume.

img_1151
Os notórios excessos do Halloween…

1º de Novembro – Dia de Todos os Santos

Segundo os católicos, o Dia de Todos os Santos é uma festa em “honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos”. Santo Desconhecido? Ué? Mais confuso? Eu também. Voltemos as origens da celebração, ou seja ao fim do séc. II, quando os cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por sua fé e, acreditando que eles já estavam com Cristo no céu, oravam a eles para que intercedessem a seu favor. A comemoração regular começou em 13 de maio de 609 ou 610, quando o então Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (o templo romano em honra a todos os deuses) à Maria e a todos os mártires. Maio? Agora que achei que havia entendido….

O ponto é que a data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741) dedicou uma capela em Roma a Todos os Santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1.° de novembro. Assim, sem mais nem menos. Talvez, porque o “Samhain” continuava a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha e a Igreja Britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos, acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do “Samhain”. Daí o resto virou história.

img_3281

2 de novembro – Dia dos Mortos (Finados)

Para o pessoal que insistia em infernizar a vida da Igreja, com o perdão do trocadilho, com o tal Halloween, Samhain ou seja lá o que fosse, criou-se, além do dia de Todos os Santos o Dia de Finados, tentando assim  diminuir as influências pagãs na Europa Medieval.

O que fica claro é que o fim do verão era uma data muito pertinente para os celtas que habitaram a Península Ibérica por um bom tempinho, vindos da Irlanda, tanto que a cidade de Bragança, ao norte de Portugal, possuía o nome celta de Brigância. Esta cidade localizada em Trás-os-Montes abrigava um povo duro, acostumado a uma vida de comida escassa e temperaturas extremas, principalmente no inverno.

O que não impediu que em 1808 os franceses invadissem a região levando o povo transmontano a esconder todos os bens que haviam obtido a duríssimas custas. Seu vinho, por exemplo, enterram embaixo da terra, nas adegas e lagares. Quando os invasores se foram e os trasmontanos puderam recuperar seus bens, pensaram que o vinho estivesse estragado, porém ao experimentá-lo, tiveram uma bela surpresa: com o tempo passado sob o solo vinho havia adquirido novas propriedades e estava muito melhor. Pronto, daí nascia o Vinho dos Mortos, perfeito para brindar sem espanto este final de semana.