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Uva de vinho de garrafão ou não? Você sabe a diferença?

Se você é brasileiro e gosta de vinho, deve ter ouvido que existem Vitis Viníferas, ou seja, uvas próprias para se fazer vinho e Vitis Americanas, uvas impróprias para fazer vinho e que quando produzem vinhos, eles são muito criticados e chamados de vinhos “suaves”, “de mesa” ou “de garrafão”. A alegação é que estas são uvas de mesa, ou seja, uvas que servem apenas para serem consumidas ao natural e não para vinificação. Mas, por que?

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O vinho produzido nos países de qualquer das Américas podem ter sido elaborados com uvas viníferas ou com uvas americanas que possuem este nome justamente porque não existem , naturalmente, no continente Europeu. Porém, a maior parte dos vinhos produzidos em todo o continente provém das vinhas européias, as Vitis Viníferas. A origem das V. Viníferas têm suas raízes no antigo Cáucaso (hoje a região onde ficam a Geórgia, Armênia, Azerbaijão) – acredite, por lá já se fazia vinho há 7.000 anos mais ou menos – e incluem os vinhos mais populares do mundo: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. Se quiser saber mais sobre este tema leia: Georgia, o berço do vinho.

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As uvas viníferas têm sido estudadas extensivamente. Elas são o que se pode chamar de elegantes e malvadas, pense O Diabo Veste Prada. Estas uvas são menores, têm sementes duras, suas peles são grossas e também oferecem maior conteúdo de suco vs. polpa. Além disso, elas são sensíveis, difíceis de transportar e quando você morde uma uva vinífera, ela se dissolve, deixando sementes amargas, resistentes e uma casca “chicletosa” na boca. Antipáticas…

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Uma doçura de Touriga Nacional.

O segredo delas é o seu alto teor de açúcar que deixa mãos e dedos pegajosos ao toque. As uvas viníferas, portanto, fazem vinhos melhores e se conservam muito mais tempo após a colheita. Assim, elas também têm uma maior variedade de sabores, que são mais delicados, mais ricos, com um aroma mais agradável, raramente ácido e nunca exalam o peculiar odor desagradável, rançoso e parecido com o aroma de cachorro molhado de muitas variedades americanas . O açúcar, ao fermentar, produz álcool e muitos compostos responsáveis pelos deliciosos aromas do vinho. Para sabe mais sobre aromas, você pode ler nossos artigos Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? e também Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira?

Os vinhos e seus deliciosos aromas.

A pouca utilização das Vitis Americanas na vinificação não se deve à falta de matéria-prima, pois todo o continente americano sempre esteve coberto de videiras. Tanto que em 985, um viking chamado Bjarni Herjolfsson avistou a América, depois que seu navio foi desviado do curso no caminho da Islândia para a Groenlândia. E em 1001, Leif Ericsson, o filho de Eric, o Vermelho, navegou para o oeste para encontrar esta nova terra. Leif e seus homens foram os primeiros europeus conhecidos a ter desembarcado na América. Eles passaram o inverno em um lugar que eles chamaram de “Vinland” (Wineland), justamente pela abundância de videiras no local.

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Os rolezinhos dos Vikings.

A compreensão das uvas de vinho nativas da América não é lá essas coisas. Elas são muito diferentes das viníferas em termos de como e onde crescem, que compostos aromáticos produzem e das técnicas de vinificação especiais devem ser praticadas a fim de que produzam vinhos mais complexos. Infelizmente, por razões comerciais, há pouco incentivo para estudá-las. Das centenas de variedades nativas que foram identificadas nos últimos 200 anos, pouquíssimas estão em cultivo.

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Diversidade de belas e suculentas uvas de mesa.

O que se sabe é que as uvas de mesa são mais bonitas e suculentas, pois são cultivadas de forma a tornarem-se mais desejáveis para o consumo ao natural. As mais modernas não têm nem sementes, têm polpa mais espessa e pele mais fina para fazer aquele delicioso ‘pop’ quando você as saboreia. Aliás, as uvas sem sementes são obviamente mais fáceis de comer, mas saiba que são menos saborosas do que as antigas variedades de uvas de mesa, semeadas.

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Um vistoso cacho de uva Niágara.

Alguns consumidores de vinho de mesa se queixam de uma adstringência desagradável em alguns vinhos de Vitis Viníferas, especialmente nos monovarietais e de que outros não têm caráter de sabor definido.  As uvas americanas, por outro lado, são mais refrescantes e o seu suco não fermentado faz uma bebida deliciosa, carregada de propriedades benéficas à saúde (resvetrarol) sem o prejuízo do álcool.

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Os benefícios do vinho tinto estão igualmente presentes no suco de uva.

Sabe-se também que as uvas de mesa têm menos acidez e menos açúcar do que as uvas viníferas. As uvas de mesa padrão têm um nível Brix de 17-19, enquanto as uvas viníferas têm um nível mais perto de 24-26 Brix na colheita. Brix é a escala utilizada para medir a porcentagem de açúcar em um líquido, algo muito importante no processo de fermentação do suco de uva para vinho.

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Refratrômetro medindo nível de açúcar.

A poda das videiras de mesa e das viníferas é igualmente importante, pois menos uvas equivale a sabores mais concentrados, ou seja, é igual a melhor vinho. Uma videira excessivamente vigorosa vai produzir um montão de uvas de qualidade fraca. Uma videira de menor vigor produzirá menos uvas muito mais concentradas. Uma única  videira de uvas de mesa como a Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) pode produzir 7 -14 kg. Uma Zinfandel (Vitis vinifera) produz cerca de 4-6 kg de uvas por videira. Taí a razão porque o vinho de uva de mesa é bem mais barato.

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Vitis vinífera bem podadinha para concentrar aromas e sabores.

Os agrônomos tentam unir por hibridização o lado bom da Vitis Vinífera com melhor das Vitis Americanas, buscando variedades fortes, saborosas e aromáticas como por exemplo a Goethe, mencionada em Aposto que desta uva você nunca ouviu falar. No entanto, apesar dos esforços dos produtores, poucos destes híbridos têm valor comercial. Como a gente já viu, a natureza, até agora tem feito um trabalho melhor. Mas isto todo mundo sabe, né?

Fonte: The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grapes

Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira? Alguém colocou tudo isto lá? Descubra aqui o segredo para esta pergunta que não quer calar.

Existem bem mais de 100 compostos aromáticos individuais no vinho que interagem uns com os outros para criar milhares de aromas potenciais. Ainda assim, apesar do que você possa ter ouvido, não importa se você é um super provador ou aquele tipo de cara que gira a taça e cheira em desespero sem sentir absolutamente nada, quase todo mundo pode melhorar o seu olfato, aprendendo a identificar diferentes aromas no vinho. Isso soa complicado, mas se resume simplesmente a praticar e prestar muita atenção – e é claro que anotar umas dicas do Master Sommelier Matt Stamp, não vai fazer mal para ninguém.

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Aroma pra caramba!

Se você já detectou aromas distintos no vinho, provavelmente você está a caminho de aprender a identificar diferentes classes de aromas. Por exemplo, você pode ter encontrado uma nota de pimentão verde, grama recém cortada ou até mesmo cheiro de gasolina. Por mais complexa que seja a ciência dos aromas, existem algumas classes  de compostos muito conhecidos, referidos como compostos de impacto, que são prevalentes em certos vinhos. Estes compostos de impacto são como indicadores muito relevantes, apontando para um varietal e não outro, o que significa que aprender a identificá-los pode desbloquear habilidades sobrenaturais de degustação tipo o Masters da vida. Da próxima vez que você provar um vinho, tente identificar o seguinte:

1.Pirazinas (metoxipirazina)
Aromas de pimentão, grama cortada fresca, pimentão verde, aspargos, ervilha e terra.
Vinhos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carménère, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
As pirazinas são mais associadas com variedades de Bordeaux. Em vinhos tintos, é muitas vezes um toque mais difícil de sentir e às vezes pode ser associada com aroma de chocolate amargo. A maioria dos enófilos adoram estes aromas nos seus brancos, mas o tomam com reserva nos tintos. Curiosamente, à medida que os vinhos tintos envelhecem, a pirazina modifica-se, revelando cereja e chocolate.
Existem 3 metoxipirazinas primárias que contribuem com aromas “vegetais”:
. 2-metoxi-3-isobutil-pirazina (IBMP) = aromas de pimentão, terra, grama e herbáceos;
. 2-metoxi-3-isopropilpirazina (IPMP) = aromas de aspargos, ervilhas e terra;
. 2-metoxi-3-alquilpirazina = aromas de noz e defumados.

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2. Monoterpeno
Aromas de rosas, flores, frutas doces, mexerica, coentro e especiarias doces.
Vinhos: Gewürztraminer, Viognier, Riesling, Albariño, Muscat Blanc e Torrontés.
Os monoterpenos mais pronunciados incluem os compostos de Linalol, Geraniol e Nerol. Estes são os mesmos compostos aromáticos utilizados para criar perfumes, sabonetes e xampus com aromas doces por isso não é nenhuma surpresa que algumas pessoas possam descrever estes vinhos como tendo um cheiro de sabonete. O que é interessante sobre estes aromas é que ao contrário dos outros compostos, você pode senti-los nas frutas, ou seja, eles independem da vinificação.

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3. Sotolona
Aromas de curry, xarope de bordo (o famoso maple syrup), feno-grego, nozes e melaço.
Vinhos: oxidados como Madeira, Vin Jaune, Jerez, Sauternes e alguns tintos ou Chardonnays bem antigos.
Este é o principal composto de sabor encontrado no feno-grego. No vinho, provém da oxidação e é mais prevalente em vinhos fortificados como o Jerez e o Madeira. Você também pode prová-lo se você envelhecer um vinho branco por cerca de 7 a 10 anos, este aroma é intrigante e fundamental para identificar vinhos antigos.

 

Maple Syrup: aproveite para provar fora do Brasil. Taí um aroma difícil para nós. Feno-grego é mais fácil de encontrar. Vire um rato de feiras, supermercados e floriculturas.

4. Rotundona
Aromas de pimenta preta, manjerona, couro, cacau em pó e ervas.
Vinhos: Syrah ou Shiraz, Grenache, Zinfandel, Petite Sirah, Grüner Veltliner e Mourvèdre.
Este composto é o ingrediente chave nas pimentas preta e branca e é cerca de 10.000 vezes menos prevalente no vinho. Ainda assim, a sensibilidade humana a este composto é muito elevada, por isso desempenha um papel importante nos perfis de sabor dos vinhos que o contêm.

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5. Compostos de Enxofre
Podem ser o segredo da super discutida origem da mineralidade no vinho.
Vinhos: Chablis e Champagne
Alguns compostos de enxofre têm notas fantásticas, como o aroma de giz num excelente Chablis. Outros são bem ruins, como cheiro de lã molhada,  considerado uma falha no vinho causada pela exposição à luz solar.

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6. TDN (1,1,6, -trimetil-1,2-di-hidronaftaleno)
Aromas de querosene, petróleo e diesel.
Vinhos: possivelmente em Sauvignon Blanc e Chardonnay, mas é mais perceptível (e amado) no Riesling.
Este aroma é um dos poucos compostos que quase inexistem em uvas ao natural e se desenvolvem nos vinhos à medida que envelhecem. Os vinhos com notas mais pronunciadas de gasolina vêm de vinhedos mais quentes porque este composto se desenvolve com uvas expostas à forte luz solar.

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7. Diacetil
Aromas de manteiga e creme de leite.
Vinhos que sofreram fermentação maloláctica.
Este composto é muito mais pronunciado em vinhos brancos, mas acrescenta um aspecto muitas vezes descrito como cremoso ou aveludado ao vinho tinto. O diacetil se origina no processo de pós-fermentação chamada fermentação maloláctica que envolve bactérias que consomem o ácido málico e o transformam em ácido láctico. O resultado é um vinho incrível com aroma e textura cremosos e amanteigados . Pouquíssimos vinhos brancos passam por este processo é esta uma das principais razões para que tenham um sabor muito diferente dos vinhos tintos.

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Creme e manteiga. Uma delícia fora e nos vinhos.

Além da maravilha que o vinho como ser vivo representa, através de sua riqueza de compostos, fermentação e envelhecimento, teoriza-se que a videira desenvolveu estes compostos de aroma como um avanço evolutivo para atrair insetos e animais para auxiliar na polinização e dispersão de sementes. Não vamos desapontá-las, não é mesmo?

Créditos fotos: internet.

Fonte: a sempre brilhante http://winefolly.com/tutorial/impact-compound-aromas/

Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida?

Você já reparou que ao adicionar água ao uísque, que reduz sua porcentagem de álcool, se revelam novos e sutis sabores? Ou que uma taça de vinho tinto tem menos sabor frutado do que suco de uva sem álcool? 

Já que nosso assunto principal é vinho, comecemos por inalar profundamente o vinho que está na sua taça para compreender este processo. Você pode descrever os aromas que detecta? Frutas secas, frutas frescas, flores, grama, madeira e/ou especiarias? Esqueça os caríssimos kits atopetados de aromas artificiais tipo morango de xarope ou cereja de balinha. Ou vice-versa. Uma boa maneira de treinar seu cérebro e aumentar a sua memória olfativa é treinar em feiras, jardins, floricultura e lojinhas de temperos.

 

 

 

 

Esta lojinha de temperos pode ser um banquete de aromas.

Graças ao nosso sentido do olfato,  podemos detectar até 10.000 odores diferentes, embora não possamos identificar todos eles. Isto acontece por causa do “limite de detecção” que é a concentração mínima de um aroma que deve estar presente para que possamos percebê-lo. Agora, atenção que isto é importante:

  1. Os aromas, também chamados de cheiros, odores e fragrâncias, consistem em uma ou mais moléculas de aroma. Os aromas são voláteis e atingem o nosso olfato através do intervalo entre os mesmos, ou seja, o espaço aéreo diretamente acima da superfície do líquido que vai eventualmente terminar nas nossas narinas.

2. Nós percebemos os aromas através do nariz (oronasal), bem como através da boca (retronasal). Cada vez que engolimos, a língua detecta os sabores (esse é outro papo) e os aromas sobem através pela parte traseira de nossa garganta e pela passagem nasal. Isto explica porque degustamos vinho usando uma técnica um tanto bizarra – fazendo ruído para movimentar e sacudir e arejar o vinho (e portanto, os aromas). Desta forma, não há necessidade de engolir o álcool, mas pode-se detectar melhor as moléculas de aromas voláteis do vinho.

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3. Muitos fatores influenciam os odores que podemos detectar durante uma degustação, inclusive o mecanismo de deglutição e o cérebro, porém o importante aqui é que cada molécula de aroma se comporta de forma diferente em distintos solventes, dependendo de suas propriedades físicas. As moléculas de aroma hidrofóbicas são adversas à água. Elas tendem a fugir quando cercadas por moléculas de água, subindo para o tal intervalo, onde é mais fácil serem detectadas pelo nosso olfato.

4. Por outro lado, as moléculas de aroma hidrofílico têm afinidade com moléculas de água e preferem permanecer em líquidos. O álcool (etanol) tem propriedades parcialmente hidrofóbicas. Isto explica porque as moléculas hidrofóbicas dos aromas encontrados em bebidas alcoólicas ainda permanecem em seu vinho apesar da presença do álcool.

5. A proporção de líquidos – água x álcool – determina quais aromas são mais fáceis de detectar do que outros: quanto mais álcool houver em sua bebida, os aromas mais hidrofílicos escaparão para o intervalo. Por outro lado, quanto maior o volume de água, mais aromas hidrofóbicos você terá escapando do líquido e se movendo para o intervalo.

Aqui vemos o Prof. Pedro detectando aromas no tal intervalo.

Na sua próxima degustação você pode ter certeza que o prazer da riqueza de aromas percebidos é devido também a este equilíbrio muito delicado de água x álcool. Graças à presença dele, conseguimos apreciar os sabores sutis dos nossos vinhos e bebidas alcoólicas favoritas e especialmente harmonizá-los com a comida!

 

 

 

 

 

Deguste os mesmos pratos com um vinho branco ou rosé (normalmente menos alcoólico) e com um tinto (tradicionalmente mais alcoólico) e tire suas próprias conclusões.

Fonte: O álcool e os aromas no vinho de Bernard Lahousse

BiBs. 4 razões porque eles são bem legais.

Semana passada falamos sobre como conservar seu vinho de maneira a preservar da melhor maneira possível suas características no 4 Erros ao Armazenar seu Vinho Aberto.

E não é que de todas as pessoas, justo a Rô teve uma duvida sobre o seu consumo? Explico porque estou perplexa: porque a Rô além de ser minha irmã é uma grande enófila, assim como meu cunhado. Depois fiquei pensando, será que muita gente tem a mesma dúvida da Rô? Então aqui vai a resposta.

Obviamente os vinhos em garrafa contém toda tradição, ritual e charme que o caracteriza há décadas. E tem que ser assim para vinhos premium e super premium, cujo preço é bem mais alto porque são elaborados de maneira mais custosa do que os vinhos do dia-a-dia. Porém, veja bem, o Bib (Bag in Box, uma caixinha como esta aí em cima) permite que você:

  1. beba seu vinho com moderação. Eles têm entre 3 e 5 litros, então não tem aquela história de “não vou deixar só este golinho” e tomar a garrafa toda.
  2. economize. O litro do vinho em BiB custa cerca de 30% menos do que o vinho em garrafa.
  3. proteja a natureza. Os Bibs são mais baratos e fáceis de transportar e sua matéria-prima é mais fácil de reciclar que o vidro.
  4.  E óbvio, graças à tecnologia do Bag-in-Box, quando você se serve, o ar não é capaz de entrar. Isso significa que cada taça retirada da caixa é praticamente uma garrafa recém-aberta.

Aí vem a pergunta do milhão: como saber se um BiB é bom? Resposta simples: provando o vinho dentro dele. Uma boa idéia é escolher um vinho de uma garrafa que você provou e se gostar, leve um BiB para casa.

Eu tenho um exemplo bem prático sobre isto. Provei estes dias o Vinho Arbo Cabernet Sauvignon produzido pela Casa Perini no Vale Trentino no Berço da Imigração Italiana (Caxias do Sul / Serra Gaúcha), ou seja uma região respeitada pela qualidade de seus vinhos e uma das maiores vinícolas do país.

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Este é um vinho simples, jovem, sem compromisso com o envelhecimento. Mostra uma linda cor vermelho-rubi e tanto no nariz quanto na boca entrega uma fruta madura muito saborosa.Vai arrasar com sua pizza, com uma boa macarronada e enfrenta sem medo um bife de picanha.

Tem graduação alcoólica de 11,5%, o que um dos indícios que seja realmente um Cabernet mais leve, para ser consumido jovem.

De novo e sempre, este blog é independente. A defesa do Bib é pelo meio-ambiente que deixaremos para nossos filhos e a Casa Perini um dentre centenas de exemplos. E agora, está mais confiante em provar um BiB?

 

 

 

8 Acessórios Especiais (e úteis) para Quem Ama Vinho

Quando começamos a beber vinho, tudo o que precisamos é uma garrafa cheia deste líquido precioso, algo para abrí-la e um copo.  Ao longo do tempo é provável que nosso gosto pelo vinho fique mais sofisticado e com ele nossa necessidade de acessórios para desfrutá-lo. Alguns destes itens vão melhorar a experiência de beber vinho. Sim, ela pode realmente ficar melhor. Vamos por ordem de importância e utilidade.

1. Sacolinha apropriada para transportar vinho

Começando do princípio: tenha uma sacolinha específica para carregar suas garrafas de vinho. Você pode usar a sacolinha para levar vinho às festas com seus amigos ou ao nas compras de reabastecimento da adega. Pense bem, a maioria dos supermercados dá sacolas de papelão na compra de vinhos ou coloca umas redes de um material que obviamente representa um risco ao meio ambiente. Por favor, use sempre sua sacolinha, seja para 2, 4 ou 12 garrafas, que é super útil no caso de viagens e protege o meio ambiente.

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2. Saca-Rolhas

Dahhnnn, jura? Juro. Deixa este negócio de abrir vinho com sapato e maçarico para youtubers sem amor ao vinho e aos próprios dedos. Existem dezenas de modelos de saca-rolhas, só eu tenho 3 tipos em casa. Um que ganhamos de presente e é muito sofisticado, o outro que está no logotipo da Eu levo Vinho, o de 2 bracinhos e que provavelmente você tem em casa (mas com este você precisará de um corta cápsula)  e o profissional ou de garçom como é conhecido. Este é o que recomendamos, depois que você pega o jeito ele é mais simples, rápido e dá a oportunidade de você se exibir para a família e amigos.

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3. Termômetro

Um basicão, deste de encaixar na garrafa já completa o serviço para você. A utilidade dele é esclarecer aquela dúvida que temos quando o vinho ainda está “fechado”, ou seja você não sente gosto nem cheiro de nada. Isso pode se dever à temperatura errada ou porque ele é ruim mesmo.

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4. Uma “manga” para manter a temperatura dos vinhos.

Este é um elemento essencial, prático e barato para os amantes de vinho branco e espumantes (embora possa ser muito útil para os tintos em algumas partes do Brasil).

A manga é mantida na geladeira (no congelador, ela resseca e pode estragar) e você usa na hora que precisar. É muito mais barata e prática que várias opções de manter a temperatura do seu vinho. O balde de gelo destrói o rótulo e encharca tudo ao seu redor. Os coolers realmente bons são difíceis de encontrar, alguns são ruidosos ou não mantém a temperatura correta, além de serem comparativamente caros.

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5. Corta gotas

Não é apenas uma afetação, não. Quem serve muito vinho para os amigos, sabe bem como é difícil para encher taças e taças e evitar que as irritantes e no caso dos profissionais, humilhantes, gotas caiam em toalhas de mesa ou pior, na pessoa que está sendo servida. Eles têm vários formatos: pequenos discos descartáveis (ou não) de alumínio maleável e bicos de acrílico. Os dois vão deixar você fazer bonito.

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6. Uma tampa substituta para o vinho

Você retirou a rolha da garrafa, curtiu seu vinho, mas ainda tem metade para ser bebida em outra ocasião. Uma coisa é certa, se você não fechar a garrafa direito, você vai perder seu líquido. Então você busca a rolha e descobre que ela dilatou tanto que se recusa a regressar à garrafa ou pior, algum obsessivo por limpeza já jogou a rolha fora. Que fazer? Tenha sempre à mão um veda garrafas. De novo, existem inúmeros. Estes de metal, me deixam com a pulga atrás da orelha porque nunca se sabe a qualidade deles… A última coisa que queremos é consumir alumínio com nosso sagrado néctar. Existem os de rolha mesmo, mas que podem não vedar tão bem e os meus preferidos os de plásticos que são super difíceis de achar. Eles servem até para espumante, que vale dizer têm um substituto de tampa próprio que é difícil encaixar em todas as garrafas.

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7. Adega

Nada mais vai garantir que seus vinho envelheçam saudavelmente como uma boa adega. Ahhh, mas eu já tenho uma geladeira… Na adega não há aromas fortes que podem contaminar o vinho, nem alimentos ou outras bebidas que podem respingar sobre as garrafas e a temperatura não é a de serviço, a não ser no caso dos espumantes. Mas até que vale, pois mantêm as garrafas longe da luz, do calor e na horizontal.

8. Decanter

Raramente um vinho tem de ser decantado, mas alguns (incluindo vinhos brancos) podem beneficiar-se do procedimento.  A idéia é expor a maior superfície possível do vinho ao oxigênio, principalmente vinhos com uns 10 anos ou mais para que seus aromas e sabores se soltem com mais facilidade. Não se entusiasme e lembre da “falsiane”, o melhor amigo do vinho pode ser seu maior inimigo e você vai terminar com um horrível vinho oxidado mas mãos. Muita atenção, foco, calma e cuidado devem dar conta do recado. Isso sem contar que decanters são super charmoso e te fazem parecem muito descolado.

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A lista de brinquedos pode seguir em frente:

. marcador de taças que na verdade acho bem útil em reuniões, porque na segunda taça, por aqui ninguém mais lembra onde pôs o copo. Afffff

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. aerador. Faz exatamente o mesmo trabalho que o decanter, mas não detém as borras (sedimentos sólidos) comuns em vinhos mais velhos, portanto seria para “decantar” vinhos mais jovens. Não é tão descolado quanto o decanter, mas é bem bacana. O exemplo abaixo é de um aerador com filtro tipo peneira.

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. caderninho para anotações de degustação. Se não tiver, não ha problema, a Moleskine oferece um modelinho no seu site e em português.

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. Taças e mais taças.

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. garrafa pequena para armazenar vinhos sem deixar tanto ar como numa garrafa grande, mas cuidado, não vai esquecer de anotar o que tem dentro…

. Guia Básico de Vinho para consultar rapidinho e saber mais sobre a região ou uva que você está curtindo.

. tastevin que faz qualquer um parecer profissional.

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. etiquetas com notas sobre o vinho.

. sabre para abrir espumantes, mas por favor certifique-se de aprender com um profissional porque isso pode ser mesmo perigoso.

Viu como tem cacareco? Agora cabe a você, selecionar com cuidado o que realmente serve ou não no seu dia-a-dia.

4 Erros ao Armazenar seu Vinho Aberto

Se tem uma coisa boa no final de um dia agitado, trânsito e stress, é uma taça de vinho. Para alguns nem é um luxo, é essencial para a sobrevivência na montanha-russa da vida. Seja ele branco, tinto ou rosé, o vinho nos ajuda a desligar o 220 volts do dia e flutuar  para uma noite tranquila de paz e sono profundo. Mas há uma boa chance de que você não esteja tratando este ser bondoso como ele merece depois de abrir sua garrafa. Aqui estão os erros mais comuns e como evitá-los.

1. Seu vinho está mal fechado no balcão na cozinha

É uma ótima idéia. Abrir sua garrafa na segunda-feira e beber um copo cada noite até a sexta-feira, deixando sua garrafa ali mesmo no balcão, ao seu alcance. É prático, é relaxante, é econômico e é saudável. Porém deixar seu vinho mal fechado no balcão da cozinha é uma das maneiras mais seguras de garantir que até o final da semana, ele vá pro vinagre, literalmente. A exposição ao oxigênio e a proximidade a possíveis fontes de calor como o forno e fogão, irão assegurar que a degradação aconteça rapidamente e o resto da sua garrafa terminará no ralo da pia lá pela quarta ou quinta-feira.

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2. Vinho aberto na geladeira, só se for branco.

Vinho branco e geladeira parecem ter uma conexão muito forte, desde o momento de servir, até o momento de conservar. Realmente, o serviço do vinho tinto, não requer geladeira, se você tiver adega, porém a conservação do vinho tinto na geladeira é essencial para sua duração. A nossa amiga geladeira vai proteger não só o seu vinho branco como o tinto das variações de temperatura.

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3. Você consome vinhos diariamente, mas se recusa a experimentar o bag-in-box. 

Eu sei, eu sei, a garrafa, a rolha, o ritual, é tudo um charme. Mas pensa bem no quanto você vai economizar com o bag-in-box. E não é só isso, é muito mais sustentável. Você bebe seu vinho com moderação, economiza e protege a natureza. Perfeito.

Mas não é só isso porque, graças à tecnologia do bag-in-box, quando você se serve, o ar não é capaz de entrar. Isso significa que cada taça retirada da caixa é praticamente uma garrafa recém-aberta. Dê uma chance ao BiB (para os íntimos), escolha um Bib de uma garrafa que você provou – no Brasil não são muito comuns, mas você encontra – e se gostar, leve para casa. Depois conta pra gente.

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4. Você não espera seu vinho chegar à temperatura correta.

A gente entende. Às vezes as mãos são mais rápidas que a razão e no impulso de degustar uma taça de vinho no fim do dia, a gente simplesmente não tem paciência de esperar.  O seu vinho guardado na geladeira pede muito pouco: cerca de 5 minutos para brancos e 10 minutos para os tintos, na taça, fora da geladeira serão suficientes. Isso permitirá que todos os sabores e aromas do vinho voltem à vida e você vai se divertir muito mais.

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Então você já tem bem claro, o oxigênio e a temperatura são as “falsianes” do mundo do vinho. Podem ser muito amigos ou ou piores inimigos. Logo, logo a gente vem com mais dicas do que você precisa para cuidar bem do seu vinho.

Não cheire a rolha!

Cena muito frequente em qualquer restaurante: você pede um vinho e o garçom (acho que um sommelier não faria isso) abre a garrafa, apresenta a rolha e você não tem idéia do que fazer com ela. A sabedoria popular diz que você deveria cheirar a rolha, um ritual que tem resistido com o passar dos anos ao redor de todo o mundo do vinho, alimentado a imagem esnobe da bebida por décadas. Agora a grande “novidade” é que quando você cheirar a rolha atentamente, você sentirá provavelmente 2 aromas: cortiça e vinho. Pouca surpresa, não?!

Observar a rolha é mais interessante que cheirá-la. Mas você pode pensar que uma rolha detonada quer dizer que  o vinho já era, quando na verdade, pode ser que só ela se danificou e o conteúdo interno ainda não envelheceu o suficiente para estragar.

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Certamente um vinho antigo, algumas notas de farmácia, verniz, esmalte, balsâmico, mas perfeitamente saudável, pois a rolha havia se deteriorado na parte externa e se mantido no contato com o vinho, protegendo-o.

Então, por que raios as pessoas cheiram a rolha?

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Para entender este costume, temos que voltar no tempo e buscar a época em que Bordeaux se tornou uma a região vinícola mais famosa do mundo. E já naquela época, começaram a aparecer as cópias baratas e falsificações de garrafas e rótulos dos chateaux mais famosos e conhecidos internacionalmente.

A fim de se proteger contra para os falsificadores e perder dinheiro para eles, a solução foi criar inscrições únicas sobre as rolhas no interior das garrafas. Se você fosse um cliente habitual do chateau, reconheceria facilmente sua inscrição única, e, olhando para a cortiça, você poderia confirmar ou não o vinho era um verdadeiro ou falso.

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Assim, quando um garçom apresenta-lhe a rolha, ele ou ela está apenas honrando uma antiga tradição. Sorria, agradeça e siga a análise visual, olfato gustativa que é o que realmente interessa. Lembra do nosso post: Como Ter Certeza que o Seu Vinho Estragou?

Fonte: dont-smell-cork

5 dicas para aproveitar sua degustação

Acho que não há nada mais divertido para um winelover do que uma boa sessão de degustação. Eu, pessoalmente, me sinto como uma criança numa loja de brinquedos. E isso é especialmente divertido quando você está de férias em algumas das várias regiões vinícolas do mundo saltando alegremente de vinícola em vinícola se achando munido de todos os poderes de Baco. Até porque o vinho faz você se sentir assim. Então para tirar o máximo desta fantástica oportunidade de aprendizagem prazerosa, nunca podemos esquecer que estamos falando de álcool e por isso temos 5 dicas poderosas para você fazer bonito nas suas degustações.

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Tá se achando “O” Baco.
  1. Note bem: uma sala de degustação não é um bar.

Você vai num bar e paga para desfrutar de momentos especiais com amigos. Você vai a uma degustação para aprender sobre vinhos e escutar sobre eles diretamente de quem os produz ou os importa. São lugares diferentes que requerem comportamentos distintos. Portanto:

  • Não se pendure na mesa do produtor / importador. Rode a sala, busque a mesa menos atribulada e espere um momento mais adequado. Sua experiência será muito melhor.
  • Não tente chamar a atenção do sommelier falando alto ou sacudindo seu copo freneticamente. Ele é um profissional, está acostumado com estes eventos, com certeza já lhe viu e vai lhe atender oportunamente.
  • Junte-se a uma conversa para aprender sobre o vinho, mas não a interrompa. Pergunte e se interesse pelo produto, garanto que quem está lhe servindo o vinho vai se sentir recompensado. Não é hora de timidez. Pergunte mesmo.
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Tranquilidade e atenção trazem o melhor na degustação.

2. Nunca se embriague. Nunca, nunca mesmo.

Se você gosta de embriagar-se, lembre-se que há um lugar e um momento para isso. E acredite, não é numa degustação. O álcool é uma tentação. Numa sala onde você tem todo o vinho do mundo a sua disposição, a tentação de ultrapassar limites pode ser muito grande para alguns. Não ceda. Você vai pagar com sua imagem e com sua saúde. Por isso, cuspa a maior parte das vezes no recipiente adequado (as cuspideiras). Eu sei que no começo a gente fica envergonhado, mas com o tempo e a prática você pega o jeito, prova mais vinhos do que se engolisse todos, sai com sua reputação intacta e dribla a ressaca do dia seguinte. Dica: tenha sempre um guardanapinho na mão para casos de acidentes e beba a água normalmente fornecidas nestes eventos.

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3. Não leve seus 49 melhores amigos sem aviso prévio ao organizador do evento / vinícola.

Seja num evento ou numa vinícola, tenha certeza que aqueles que vão lhe recepcionar estão preparados para a quantidade de pessoas e o objetivo delas (profissionais ou enófilos?). O serviço será muito melhor e vocês aproveitarão muito mais.

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4. Seja muito elegante: compre 1 ou 2 garrafas.

Com os preços altos do vinho no Brasil, é bastante normal que em alguns eventos as empresas vendam alguns vinhos para tentar equilibrar as contas. Nas vinícolas isso é obviamente, praxe. Então seja uma pessoa bacana e compre 1 garrafa daquele que você mais gostou. Assim todo mundo fica feliz!

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Uma garrafinha só!

5. Não dirija. 

Sem fotinho, nem brincadeira. Não é exatamente novidade, mas vamos reforçar. Você pode até argumentar que cuspiu a maior parte dos vinhos, mas não vale a pena arriscar a sua vida ou a dos outros. Fora que se for pego numa blitz vai ter uma dor de cabeça imensa. E não será do vinho….

Fonte: 9 mistakes you are making at a tasting room

Workshop sobre vinho espumante Brasileiro

Numa OUTRA iniciativa muito bacana a Livraria Cultura, a Revista Adega e o Ibravin promoverão uma degustação GRATUITA de vinhos ESPUMANTES que foram destaque no Guia Adega Vinhos do Brasil 2105/2016.

Dia: 10 de março

Horário: 20:00

Local: Auditório da Livraria Cultura no Shopping Villa Lobos – Av. das Nações Unidas, 4777 – São Paulo – SP

A degustação será comandada por Eduardo Milan (Degustador e Editor de Vinhos da Revista ADEGA).

A inscrição é gratuita, mas obrigatória.

Segue o link: Link para inscrição – vinhos espumantes

Workshop sobre vinho tinho Brasileiro

Numa iniciativa muito bacana a Livraria Cultura, a Revista Adega e o Ibravin promoverão uma degustação  GRATUITA de vinhos que foram destaque no Guia Adega Vinhos do Brasil 2105/2016.

Dia: 03 de março

Horário: 20:00

Local: Auditório da Livraria Cultura no Shopping Villa Lobos – Av. das Nações Unidas, 4777 – São Paulo – SP

A degustação será comandada por Eduardo Milan (Degustador e Editor de Vinhos da Revista ADEGA).

A inscrição é gratuita, mas obrigatória.

Segue o link: Link para inscrição – vinhos tintos