Investimento em vinho supera relógios, carros e jóias em 2018

Esta é para quem recebe críticas ao comprar vinho, pois está desperdiçando dinheiro:

De acordo com o último “Índice de Investimento de Luxo”, da consultoria Knight Frank, os preços dos vinhos finos aumentaram 9% em 2018 e superaram o desempenho de relógios, carros, móveis, diamantes, selos e jóias durante o ano. Entre os artigos de luxo colecionáveis, itens como obras de arte igualaram a marca dos vinhos e apenas moedas e uísques a superaram, com aumentos de 12% e 40% respectivamente.

Nick Martin, da Wine Owners, a plataforma de negociação de vinhos que forneceu os dados do índice, afirmou: “Quando pensamos que os limites estavam sendo testados, 2018 viu uma rápida escalada de preços para a Borgonha, notadamente os principais Grands Crus, elevando nosso índice de Borgonha em 33%”.

Ele também destacou o desempenho dos vinhos da Califórnia (que aumentou 17,5% no ano) e um ressurgimento de “Riojas subvalorizados e acessíveis”, como os de Tondonia e CVNE.

No longo prazo, o índice de vinhos Knight Frank subiu 147% nos últimos 10 anos, ficando em sexto no ranking atrás do uísque (582%), moedas, arte, carros e selos.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/investimento-em-vinho-supera-relogios-carros-e-joias-em-2018_11707.html

Produtor de Chablis protesta contra instalação de turbinas eólicas em vinhedos

Um projeto para instalar turbinas eólicas em vinhedos de Chablis “estragará completamente” a paisagem, de acordo com um dos viticultores mais emblemáticos da região, Jean-Marc Brocard.

Ele acredita que as turbinas, planejadas para ficarem na vila de Préhy, a 6 km de Chablis, poderiam colocar em risco a economia de toda a região, que atualmente está vendo um aumento no turismo.

“Essas turbinas eólicas estragarão completamente o campo… O tamanho monstruoso dessas máquinas irá desfigurar tudo. Uma série de máquinas colossais, visíveis de todos os diferentes locais que compõem nossa herança cultural, exige oposição radical à sua escala gigantesca e à sua incongruência. Deve o panorama magnífico dos vinhedos Grand Cru ser reduzido à visão de turbinas eólicas circundando as colinas com mastros que sobem a 150 metros?”, questionou.

Nós aqui, acreditamos que a pergunta é válida, mas em tempos em que a energia alternativa é tão necessária e o aquecimento global é uma ameaça cada vez mais concreta no mundo do vinho, talvez valha a pena o Monsieur Brocard repensar sua preocupação com o visual do seu vinhedo.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/produtor-de-chablis-protesta-contra-instalacao-de-turbinas-eolicas-em-vinhedos_11706.html

Adega sugere que vinhos eram guardados com temperatura controlada desde a antiguidade

Uma adega recentemente localizada em Tel Kom alTrogy, na província da Biheira, no delta do Nilo, norte do Cairo, não continha garrafas de vinho, mas os arqueólogos descobriram moedas da era ptolemaica, fragmentos de cerâmica e mosaicos, assim como verificaram um design arquitetônico sofisticado para controlar as temperaturas internas usando vários tipos e formas de pedras.

Mostafa Waziri, secretário-geral do conselho de antiguidades do Egito, descreveu um projeto arquitetônico com grossas paredes de tijolos de barro de várias profundidades, misturadas com blocos de calcário de formato irregular. Ele sugere que esses blocos poderiam ter sido inseridos para controlar a temperatura adequada para armazenar vinho.

Segundo Ayman Ashmawy, chefe do Ministério de Antiguidades do Egito, a região era conhecida por produzir alguns dos melhores vinhos durante o período greco-romano, que abrangeu desde o século 4 a.C. até a chegada do Islã no século VII. Ashmawy apontou que fragmentos com gesso colorido, que uma vez cobriram as paredes de um prédio, foram encontrados junto com partes de uma camada de mosaico que pode ter sido usada para cobrir o chão. Esses elementos, segundo ele, indicam que há outro prédio na área que provavelmente foi usado pelos supervisores e pelos funcionários da vinícola.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/adega-sugere-que-vinhos-eram-guardados-com-temperatura-controlada-desde-antiguidade_11712.html

Pesquisadora espanhola consegue reduzir o grau de álcool do vinho sem afetar suas propriedades sensoriais

O aquecimento global está afetando a vitivinicultura por todo o globo e, segundo estudos, uma das consequências mais notáveis é o aumento do volume de álcool dos vinhos. Por isso, diversos pesquisadores estão buscando soluções para baixar o teor alcoólico sem prejudicar outras propriedades da bebida. Recentemente, um grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Vinha e do Vinho (ICVV) em Rioja, Espanha, apresentou uma proposta de redução do teor alcoólico dos vinhos sem diminuir as suas propriedades sensoriais. A técnica atinge reduções de até 3 e 4 graus no laboratório (microvinificações) e entre 1 e 2 graus em maior escala (tanques de 30 litros).

Alda João Sousa Rodrigues, biotecnologia geneticista, lidera grupo de pesquisa do Instituto de Ciências da Vinha e do Vinho e é responsável pela tese de doutorado “Características fisiológicas da Saccharomyces cerevisiae e espécies alternativas de levedura em relação à redução do teor de álcool de vinho”, um trabalho que o grupo “MicroWine” do ICVV continuará a investigar. “As perspectivas de sua aplicação prática na indústria vinícola são muito interessantes. Identificamos três genes de levedura cuja eliminação reduz significativamente a produção de ácido acético e já temos duas cepas muito promissoras”, afirmou a pesquisadora.

Alda diz que foram feitas provas dos vinhos resultantes e eles não têm mostrado “perda significativa de qualidade ou características organolépticas, assim a porta está aberta para começar a trabalhar com vinificações em nível industrial”.

Embora já existam técnicas e máquinas para tirar o álcool dos vinhos, a proposta é muito menos agressiva e ajuda a manter conceitos importantes como o terroir ou o próprio perfil do vinho original: “É preciso ser desenvolvida, mas é uma técnica disponível para praticamente todos, não tem impacto econômico, então acredito que pode ter resultados importantes”, afirmou Alda.

Fonte: https://revistaadega.uol.com.br/artigo/pesquisadora-espanhola-consegue-reduzir-o-grau-de-alcool-do-vinho-sem-afetar-suas-propriedades-sensoriais_11718.html

APAS SHOW 2019

A APAS Show 2019 aconteceu em São Paulo, na segunda semana de maio e foi um evento de tamanho e propósito impressionantes. A feira reuniu nos seus enormes 5 pavilhões do Expo Center Norte, 100.000 visitantes, um crescimento de 23% em relação a 2018.

A APAS Show que vem se firmando como uma das mais importantes feiras no cenário mundial, contou com a participação de cerca de 13.600 empresas e, segundo seus organizadores, movimentou o número record de US$ 330 milhões em negócios internacionais.

Todo este tamanho não deixa de supreender, especialmente se considerarmos que a economia ainda gira lenta no Brasil, desapontando quem apostava numa guinada em 2019.

Os números da APAS SHOW não só surprendem, mas também, representam esperança de que finalmente a tão esperada guinada venha e ainda chamam a atenção para o nosso assunto preferido: o vinho. Dos cerca de 700 expositores, 11% eram empresas relacionadas ao mundo do vinho!

As empresas do mundo do vinho se refugiaram na APAS Show após ficarem sem teto com a extinção da Expovinis. Nossa opinião é que a confusa Expovinis já foi tarde. A APAS Show é, sem dúvida nenhuma, um solo muito mais fértil para o mundo dos négocios e só tem a estimular este segmento tão promissor em nosso país. Seu público é muito mais profissional e objetivo, afastando a multidão que frequentava a Expovinis achando que participava de uma enorme, gratuita e desenfreada happy-hour.

Também ficamos muito felizes em ver tanto que Portugal brilhou na feira com inúmeros expositores do setor de alimentos e bebidas quanto em verificar que além do impactante stand da Vinhos de Portugal, muitas outras vinícolas estiveram presentes no evento, prometendo mais e melhores rótulos para o futuro, vindos da querida terrinha.

Por isso, pessoal do Rio de Janeiro e de São Paulo, não percam a última etapa do roadshow da Vinhos de Portugal aqui no Brasil, de 31.05 a 02.06 no CasaShopping do Rio e de 07 a 09.06 no JK Iguatemi de São Paulo. Só coisa boa!

The APAS Show 2019 was held in São Paulo in the second week of May and was an event of impressive size and purpose. The trade fair gathered in its enormous 5 pavilions of Expo Center North, 100,000 visitors, a growth of 23% compared to 2018.

The APAS Show, which has established itself as one of the most important trade fairs around the world, had the participation of around 13,600 companies and, according to its organizers, handled the record number of US$ 330 million in international business.

All these numbers are surprising, especially considering that the economy is still slow in Brazil, disappointing who was betting on a turn around in 2019.

The numbers of the APAS SHOW are not only surprising but they also represent hope that finally the long awaited turn around will come and they still draw attention to our favorite subject: wine. Of the approximately 700 exhibitors, 11% were companies related to the wine world!

Wine companies have taken refuge in the APAS Show after being left homeless with the extinction of Expovinis. Our opinion is that the confusing Expovinis was gone too late. The APAS Show is undoubtedly a soil much more fertile for the world of business and it can only stimulate this segment which is so promising in our country. The trade fair audience is much more professional and objective, pushing away the crowd that went to Expovinis thinking that it was a huge, free and rampant happy-hour.

We were also thrilled to see that Portugal shone at the fair with many exhibitors from the food and beverage sector and to verify that besides the impressive stand of the Wines of Portugal, many other wineries were present at the event, promising more and better labels for the future, from the dear land.

Therefore, Rio de Janeiro and São Paulo, do not miss the last stage of the Wines of Portugal roadshow here in Brazil from 31.05 to 02.06 at CasaShopping in Rio and from 07 to 09.06 at JK Iguatemi in São Paulo. Only good stuff!

Fonte / Source: http://apasshow.com.br/blog/index.php/2019/05/10/balanco-apas-show-2019-evento-movimenta-us-330-milhoes-em-negocios-internacionais/

https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/um-brasil/post/8172785/a-economia-brasileira-em-2019-nova-decepcao

http://www.winesofportugal.com/br/news-and-events/news/vinhos-de-portugal-na-apas-2019/

https://oglobo.globo.com/projetos/vinhosdeportugal/sp.html

Rosé wine: a new habit for a new planet. / Vinho rosé: um novo hábito para um novo planeta.

Yesterday in the capital of the state of São Paulo – Brasil, thermometers recorded an incredible 32ºC (90ºF) in August and we are still ahead 21 days of spring. 30 years ago I would be in 2 pajamas and still wrapped in 3 blankets.

But this is the reality of climate change on our planet and the important thing is to adapt. Whether through the reuse, recycling or the reassessment of our attitudes.

One of the good adaptations I saw in the Brazilian wine market is its approach to rosé wine. This is a worldwide trend, but Brazilians in general have an insane attachment to red wine and still believe rosé wine is mixture of bad white wine with bad red wine. Now, the most you can achieve with this process is a bad wine of various pink colors.

 

However, since this summer the Brazilian wineries have been exploring wines in different shades of rosé, produced with the most different techniques and grapes. The techniques are different and this is subject to another post. But here’s an invitation: how about trying a rosé wine this weekend? Well, except for the gaúchos (people from the South of Brasil) who will be the only ones to suffer with radical dropping temperatures this weekend even though they provide the most part of Brazilian delicious wines. Oops! Sorry guys. 😬

20180204_153549


 

Ontem  na capital de São Paulo, os termômetros registraram incríveis 32ºC em pleno agosto, ou seja ainda faltam 21 dias para a primavera. Há 30 anos eu estaria vestindo 2 pijamas e enrolada em 3 cobertores.

Porém esta é a realidade das mudanças climáticas em nosso planeta e o importante é se adaptar. Seja através do reuso, reciclagem ou da reavaliação de nossas atitudes.

Uma das boas adaptações que vi no mercado brasileiro, é sua aproximação ao vinho rosé. Esta é uma tendência mundial, mas o brasileiro em geral tem um apego insano pelo vinho tinto e ainda acredita que vinho rosé é feito de vinho branco ruim misturado com vinho tinto ruim. Ora, o máximo que se consegue assim seria um vinho ruim de cores variadas.

Porém, desde o verão as vinícolas brasileiras vêem explorando vinhos em tonalidades diferentes de rosado, produzidas com as mais diferentes técnicas. As técnicas são diferentes e isso é assunto para outro post. Porém aqui fica o convite: que tal provar um vinho rosé neste fim de semana?  Bom exceto pelos próprios gaúchos, justamente os que fornecem boa parte destes delicosos vinhos e que serão os únicos a sofrer com a entrada de uma forte frente fria. Ups! 😬 Desculpa aí…

20180204_153549

2 histórias se cruzam por um instante e 4 séculos: Solar de Mateus e Mateus Rosé

Portugal tem muitas marcas de vinhos populares ao redor do mundo, por exemplo, Casal Mendes, Periquita, Calamares, Casal Garcia e o Mateus Rosé, para mencionar alguns. Curiosamente, o Mateus Rosé não é muito popular por aqui, porém foi a primeira marca portuguesa de vinho apreciada mundialmente, estando presente em 125 países, há várias décadas.

vinho_mateus_rose

A história do Mateus Rosé começa em 1942, quando Fernando Van Zeller Guedes, o fundador da gigante de vinhos portuguesa, Sogrape, criou um conceito distinto, apresentado numa garrafa inovadora. A garrafa foi inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O tal vinho era diferente: cor-de-rosa, adocicado, refrescante e com uma efervescência ligeira. O rótulo foi uma homenagem ao grandioso património histórico português.

s-l1000
Antiga garrafa de Mateus à venda no eBay.

O vinho especialmente concebido para os mercados norte-americano e do norte da Europa, cresceu rapidamente nas décadas de 1950 e 1960 e, no final da década de 80, junto com a versão de branco, representou quase 40% da exportação total de vinho de mesa de Portugal.

No início dos anos 70, Mateus Rosé era o vinho mais popular do mundo. A Rainha Elizabeth está até hoje entre suas fiéis consumidoras. Diz a lenda que a Rainha ficou insatisfeita com a selecção de vinhos oferecida em uma festa privada no Hotel Savoy em Londres no início dos anos 60 e pediu ao maitre que lhe trouxesse Mateus.

d856ff330e7f79256cea4cd4853f1258
Jimmy Hendrix curtindo um Mateus.

Hoje, o vinho perdeu um pouco de sua popularidade internacional, mas mesmo assim milhares  de estrangeiros (70% dos 80.000 visitantes anuais) buscam o edifício que corre o mundo no rótulo do Mateus Rosé. O Palácio ou Solar de Mateus está situado na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, Distrito de Vila Real e foi construído na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão para substituir a casa da família, já existente no local, desde o início do século XVII.

20160907_183336
Um Solar para chamar de seu.

Segundo especialistas, a construção da casa, ou pelo menos de sua fachada central e decoração, é atribuída ao artista, decorador e arquiteto italiano Nicolau Nasoni (Toscana, 2 de Junho de 1691 – Porto, 30 de Agosto de 1773), considerado um dos mais significativos arquitetos da cidade do Porto durante o século XVIII.

A fachada do palácio se destaca pela dupla escadaria que conduz à porta principal, sobre a qual aparece o escudo familiar flanqueado por duas estátuas. No interior,  pode-se visitar uma biblioteca que abriga livros do século XVI, valiosos móveis, porcelanas e quadros e um pequeno museu onde se encontra 1 edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, da qual só se produziram 200 exemplares. Parte da casa é fechada à visitação, pois ainda é habitada pela família.

20160907_181627

O palácio encontra-se rodeado por um lindo jardim cravado de belas estátuas. Chama a atenção, uma escultura de 1981, de João Cutileiro – Dorme no Lago. E muitas vinhas. Porém, o vinho rosado das garrafinhas bojudas não é feito aqui. O Palácio produz um vinho sim, mas o Porto Quinta da Costa das Aguaneiras. Exatamente, tudo que os 2 têm em comum é a fachada da mansão no rótulo mundialmente famoso e nada mais.

Em 1911, o Palácio de Mateus foi classificado como Monumento Nacional. Acima de tudo, a Casa de Mateus é hoje uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o patrimônio histórico e fomentar a atividade cultural.

E mesmo que estas 2 histórias se cruzem por um momento muito mais breve do que eu poderia esperar, recomendo tanto a visita ao Palácio quanto uma boa garrafa de Mateus.

Fonte: Vinho Mateus Rosé e Casa de Mateus

Uva de vinho de garrafão ou não? Você sabe a diferença? / Do you the distinction between indigenous and wine grapes?

Se você é brasileiro e gosta de vinho, deve ter ouvido que existem Vitis Viníferas, ou seja, uvas próprias para se fazer vinho e Vitis Americanas, uvas impróprias para fazer vinho e que quando produzem vinhos, eles são muito criticados e chamados de vinhos “suaves”, “de mesa” ou “de garrafão”. A alegação é que estas são uvas de mesa, ou seja, uvas que servem apenas para serem consumidas ao natural e não para vinificação. Mas, por que?

IMG_20160519_185709

O vinho produzido nos países de qualquer das Américas podem ter sido elaborados com uvas viníferas ou com uvas americanas que possuem este nome justamente porque não existem , naturalmente, no continente Europeu. Porém, a maior parte dos vinhos produzidos em todo o continente provém das vinhas européias, as Vitis Viníferas. A origem das V. Viníferas têm suas raízes no antigo Cáucaso (hoje a região onde ficam a Geórgia, Armênia, Azerbaijão) – acredite, por lá já se fazia vinho há 7.000 anos mais ou menos – e incluem os vinhos mais populares do mundo: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. Se quiser saber mais sobre este tema leia: Georgia, o berço do vinho.

1200px-Caucasus-political_pt.svg

As uvas viníferas têm sido estudadas extensivamente. Elas são o que se pode chamar de elegantes e malvadas, pense O Diabo Veste Prada. Estas uvas são menores, têm sementes duras, suas peles são grossas e também oferecem maior conteúdo de suco vs. polpa. Além disso, elas são sensíveis, difíceis de transportar e quando você morde uma uva vinífera, ela se dissolve, deixando sementes amargas, resistentes e uma casca “chicletosa” na boca. Antipáticas…

15780557_MWZVA

Uma doçura de Touriga Nacional.

O segredo delas é o seu alto teor de açúcar que deixa mãos e dedos pegajosos ao toque. As uvas viníferas, portanto, fazem vinhos melhores e se conservam muito mais tempo após a colheita. Assim, elas também têm uma maior variedade de sabores, que são mais delicados, mais ricos, com um aroma mais agradável, raramente ácido e nunca exalam o peculiar odor desagradável, rançoso e parecido com o aroma de cachorro molhado de muitas variedades americanas . O açúcar, ao fermentar, produz álcool e muitos compostos responsáveis pelos deliciosos aromas do vinho. Para sabe mais sobre aromas, você pode ler nossos artigos Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? e também Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira?

Os vinhos e seus deliciosos aromas.

A pouca utilização das Vitis Americanas na vinificação não se deve à falta de matéria-prima, pois todo o continente americano sempre esteve coberto de videiras. Tanto que em 985, um viking chamado Bjarni Herjolfsson avistou a América, depois que seu navio foi desviado do curso no caminho da Islândia para a Groenlândia. E em 1001, Leif Ericsson, o filho de Eric, o Vermelho, navegou para o oeste para encontrar esta nova terra. Leif e seus homens foram os primeiros europeus conhecidos a ter desembarcado na América. Eles passaram o inverno em um lugar que eles chamaram de “Vinland” (Wineland), justamente pela abundância de videiras no local.

vikings_map

Os rolezinhos dos Vikings.

A compreensão das uvas de vinho nativas da América não é lá essas coisas. Elas são muito diferentes das viníferas em termos de como e onde crescem, que compostos aromáticos produzem e das técnicas de vinificação especiais devem ser praticadas a fim de que produzam vinhos mais complexos. Infelizmente, por razões comerciais, há pouco incentivo para estudá-las. Das centenas de variedades nativas que foram identificadas nos últimos 200 anos, pouquíssimas estão em cultivo.

tipos-de-uva

Diversidade de belas e suculentas uvas de mesa.

O que se sabe é que as uvas de mesa são mais bonitas e suculentas, pois são cultivadas de forma a tornarem-se mais desejáveis para o consumo ao natural. As mais modernas não têm nem sementes, têm polpa mais espessa e pele mais fina para fazer aquele delicioso ‘pop’ quando você as saboreia. Aliás, as uvas sem sementes são obviamente mais fáceis de comer, mas saiba que são menos saborosas do que as antigas variedades de uvas de mesa, semeadas.

uva-niagara-sv-1

Um vistoso cacho de uva Niágara.

Alguns consumidores de vinho de mesa se queixam de uma adstringência desagradável em alguns vinhos de Vitis Viníferas, especialmente nos monovarietais e de que outros não têm caráter de sabor definido.  As uvas americanas, por outro lado, são mais refrescantes e o seu suco não fermentado faz uma bebida deliciosa, carregada de propriedades benéficas à saúde (resvetrarol) sem o prejuízo do álcool.

Suco-uva-beneficios

Os benefícios do vinho tinto estão igualmente presentes no suco de uva.

Sabe-se também que as uvas de mesa têm menos acidez e menos açúcar do que as uvas viníferas. As uvas de mesa padrão têm um nível Brix de 17-19, enquanto as uvas viníferas têm um nível mais perto de 24-26 Brix na colheita. Brix é a escala utilizada para medir a porcentagem de açúcar em um líquido, algo muito importante no processo de fermentação do suco de uva para vinho.

refrac2

Refratrômetro medindo nível de açúcar.

A poda das videiras de mesa e das viníferas é igualmente importante, pois menos uvas equivale a sabores mais concentrados, ou seja, é igual a melhor vinho. Uma videira excessivamente vigorosa vai produzir um montão de uvas de qualidade fraca. Uma videira de menor vigor produzirá menos uvas muito mais concentradas. Uma única  videira de uvas de mesa como a Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) pode produzir 7 -14 kg. Uma Zinfandel (Vitis vinifera) produz cerca de 4-6 kg de uvas por videira. Taí a razão porque o vinho de uva de mesa é bem mais barato.

IMG_8124

Vitis vinífera bem podadinha para concentrar aromas e sabores.

Os agrônomos tentam unir por hibridização o lado bom da Vitis Vinífera com melhor das Vitis Americanas, buscando variedades fortes, saborosas e aromáticas como por exemplo a Goethe, mencionada em Aposto que desta uva você nunca ouviu falar. No entanto, apesar dos esforços dos produtores, poucos destes híbridos têm valor comercial. Como a gente já viu, a natureza, até agora tem feito um trabalho melhor. Mas isto todo mundo sabe, né?

Fonte: The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape


If you are Brazilian and you enjoy wine, you must have heard that there is a Vitis vinifera (wine grape), grapes suitable for making wine and a Vitis Americana (indigenous grapes), grapes unfit for winemaking.

Wines produced with indigenous grapes are much criticized and called “soft” or “table” wines. The claim is that these are table grapes, only used for consumption in natura and not for winemaking.
IMG_20160519_185709
Most of the wines produced in America come from wine grapes, Vitis Vinifera. The origin of V. Vinifera has its roots in the ancient Caucasus (where Georgia, Armenia, Azerbaijan are) – wine was produced in this region 7,000 years ago or more – and include the most popular wine grape varieties: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. If you want to learn more about this, read: Georgia, the cradle of wine.
1200px-Caucasus-political_pt.svg
Wine grapes have been thoroughly investigated. They are what you can call elegant and evil, think The Devil Wears Prada. These grapes are smaller, have hard seeds, their skins are thick and offer higher content of juice. In addition, they are sensitive, difficult to transport and when you bite a grape, it dissolves, leaving bitter, hardy seeds and a “chewing” ladle in the mouth.
15780557_MWZVA
Their secret is a high sugar content that leaves hands and fingers sticky to the touch. Fermented sugar produces alcohol and many compounds responsible for the delicious aromas of a wine.
Wine grapes produce better wines and last for much longer after harvest. They have a greater variety of flavours, more delicate, richer, with a pleasant, acidic aroma. Rarely or never smelling unpleasantly like mould or a wet dog as many indigenous grape varieties do. To learn more about aromas, you can read our articles: You knew alcohol affects a lot, but do you realize how it changes the feel of your drink? And still Why wine has the aroma of pineapple, cinnamon or wood?
The little use of American Vitis in the production of wine is not due to the lack of raw material because the whole American continent was always covered with vines. So much so that in 985, a Viking named Bjarni Herjolfsson sighted America, after his ship was diverted from the course on the way from Iceland to Greenland. In 1001, Leif Ericsson, the son of Eric the Red, sailed west to find this new land. Leif and his men were the first known Europeans to land in America. They spent the winter in a place they called “Vinland” (Wineland), precisely because of the abundance of vines.
vikings_map
Research on indigenous grapes native to America is not particularly developed. They are noticeably different from wine grapes in how and where they grow, what aromatic compounds they produce, and special winemaking techniques practised to produce more complex wines.  Unfortunately, for commercial reasons, there is little incentive to study them. Few of the hundreds of native varieties that have been identified in the last 200 years are grown.

tipos-de-uva

The diversity of exquisite and juicy table grapes.

Table grapes are graceful and juicy because they are grown to become desirable for natural consumption. Modern ones have no seeds, thicker flesh and thinner skin to make that delicious ‘pop’ when you eat them. For the rest, seedless grapes are obviously easier to eat but are less palatable than the old varieties of seeded table grapes.

uva-niagara-sv-1

A colourful bunch of Niagara Grape.

Indigenous grape wine consumers complain of an unpleasant astringency in Vitis Vinifera wines, especially in monovarietals, and that others do not show a definite flavor quality.  Indigenous American grapes, on the other hand, are more refreshing and their unfermented juice makes a delicious drink, loaded with health valuable properties (resvetrarol) without the alcohol.

Suco-uva-beneficios

The benefits of red wine are present in grape juice.

It is known American native grapes are less acid and less sugary than wine grapes. The standard indigenous grape presents a Brix level of 17-19, while the wine grape is closer to 24-26 Brix in the harvest. Brix is the scale used to measure the percentage of sugar in a liquid, essential in the fermentation process of wine grape juice.

refrac2

Refractometer measuring sugar level.

The pruning of native vines and grapes is equally important, as fewer grapes are equivalent to more concentrated flavours, to better wine. An overly vigorous vine will produce a heap of grapes of poor quality. A less vigorous vine will produce less concentrated grapes. A single native grapevine such as the Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) can produce 7 -14 kg. A Zinfandel (Vitis vinifera) produces around 4-6 kg of grapes per vine. That’s why table grape wine is much cheaper.

IMG_8124

Vitis vinifera well trimmed to concentrate aromas and flavours.

Agronomists try to hybridize the good side of Vitis Vinífera with the best of Vitis Americana, searching for strong, tasty and aromatic varieties such as Goethe, mentioned in I bet you never listened of this grape. However, despite the efforts of producers, few of these hybrids are of commercial value. As we saw, nature so far has done a better job. But everybody knows that, right?
Source:  The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape

Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira? Alguém colocou tudo isto lá? Descubra aqui o segredo para esta pergunta que não quer calar.

Existem bem mais de 100 compostos aromáticos individuais no vinho que interagem uns com os outros para criar milhares de aromas potenciais. Ainda assim, apesar do que você possa ter ouvido, não importa se você é um super provador ou aquele tipo de cara que gira a taça e cheira em desespero sem sentir absolutamente nada, quase todo mundo pode melhorar o seu olfato, aprendendo a identificar diferentes aromas no vinho. Isso soa complicado, mas se resume simplesmente a praticar e prestar muita atenção – e é claro que anotar umas dicas do Master Sommelier Matt Stamp, não vai fazer mal para ninguém.

Roda-dos-Aromas-do-Vinho.jpg

Aroma pra caramba!

Se você já detectou aromas distintos no vinho, provavelmente você está a caminho de aprender a identificar diferentes classes de aromas. Por exemplo, você pode ter encontrado uma nota de pimentão verde, grama recém cortada ou até mesmo cheiro de gasolina. Por mais complexa que seja a ciência dos aromas, existem algumas classes  de compostos muito conhecidos, referidos como compostos de impacto, que são prevalentes em certos vinhos. Estes compostos de impacto são como indicadores muito relevantes, apontando para um varietal e não outro, o que significa que aprender a identificá-los pode desbloquear habilidades sobrenaturais de degustação tipo o Masters da vida. Da próxima vez que você provar um vinho, tente identificar o seguinte:

1.Pirazinas (metoxipirazina)
Aromas de pimentão, grama cortada fresca, pimentão verde, aspargos, ervilha e terra.
Vinhos: Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Carménère, Sauvignon Blanc e Cabernet Franc.
As pirazinas são mais associadas com variedades de Bordeaux. Em vinhos tintos, é muitas vezes um toque mais difícil de sentir e às vezes pode ser associada com aroma de chocolate amargo. A maioria dos enófilos adoram estes aromas nos seus brancos, mas o tomam com reserva nos tintos. Curiosamente, à medida que os vinhos tintos envelhecem, a pirazina modifica-se, revelando cereja e chocolate.
Existem 3 metoxipirazinas primárias que contribuem com aromas “vegetais”:
. 2-metoxi-3-isobutil-pirazina (IBMP) = aromas de pimentão, terra, grama e herbáceos;
. 2-metoxi-3-isopropilpirazina (IPMP) = aromas de aspargos, ervilhas e terra;
. 2-metoxi-3-alquilpirazina = aromas de noz e defumados.

c3732f84674951540c46c633027e9ec5

2. Monoterpeno
Aromas de rosas, flores, frutas doces, mexerica, coentro e especiarias doces.
Vinhos: Gewürztraminer, Viognier, Riesling, Albariño, Muscat Blanc e Torrontés.
Os monoterpenos mais pronunciados incluem os compostos de Linalol, Geraniol e Nerol. Estes são os mesmos compostos aromáticos utilizados para criar perfumes, sabonetes e xampus com aromas doces por isso não é nenhuma surpresa que algumas pessoas possam descrever estes vinhos como tendo um cheiro de sabonete. O que é interessante sobre estes aromas é que ao contrário dos outros compostos, você pode senti-los nas frutas, ou seja, eles independem da vinificação.

c572ab20a56dced80936dcba8f0ea1d4

3. Sotolona
Aromas de curry, xarope de bordo (o famoso maple syrup), feno-grego, nozes e melaço.
Vinhos: oxidados como Madeira, Vin Jaune, Jerez, Sauternes e alguns tintos ou Chardonnays bem antigos.
Este é o principal composto de sabor encontrado no feno-grego. No vinho, provém da oxidação e é mais prevalente em vinhos fortificados como o Jerez e o Madeira. Você também pode prová-lo se você envelhecer um vinho branco por cerca de 7 a 10 anos, este aroma é intrigante e fundamental para identificar vinhos antigos.

 

Maple Syrup: aproveite para provar fora do Brasil. Taí um aroma difícil para nós. Feno-grego é mais fácil de encontrar. Vire um rato de feiras, supermercados e floriculturas.

4. Rotundona
Aromas de pimenta preta, manjerona, couro, cacau em pó e ervas.
Vinhos: Syrah ou Shiraz, Grenache, Zinfandel, Petite Sirah, Grüner Veltliner e Mourvèdre.
Este composto é o ingrediente chave nas pimentas preta e branca e é cerca de 10.000 vezes menos prevalente no vinho. Ainda assim, a sensibilidade humana a este composto é muito elevada, por isso desempenha um papel importante nos perfis de sabor dos vinhos que o contêm.

77ee1d8e607d624c4c92b7f584d871f2

5. Compostos de Enxofre
Podem ser o segredo da super discutida origem da mineralidade no vinho.
Vinhos: Chablis e Champagne
Alguns compostos de enxofre têm notas fantásticas, como o aroma de giz num excelente Chablis. Outros são bem ruins, como cheiro de lã molhada,  considerado uma falha no vinho causada pela exposição à luz solar.

chalk.gif

6. TDN (1,1,6, -trimetil-1,2-di-hidronaftaleno)
Aromas de querosene, petróleo e diesel.
Vinhos: possivelmente em Sauvignon Blanc e Chardonnay, mas é mais perceptível (e amado) no Riesling.
Este aroma é um dos poucos compostos que quase inexistem em uvas ao natural e se desenvolvem nos vinhos à medida que envelhecem. Os vinhos com notas mais pronunciadas de gasolina vêm de vinhedos mais quentes porque este composto se desenvolve com uvas expostas à forte luz solar.

5f07e92f3525a17e50f119379bad6093

7. Diacetil
Aromas de manteiga e creme de leite.
Vinhos que sofreram fermentação maloláctica.
Este composto é muito mais pronunciado em vinhos brancos, mas acrescenta um aspecto muitas vezes descrito como cremoso ou aveludado ao vinho tinto. O diacetil se origina no processo de pós-fermentação chamada fermentação maloláctica que envolve bactérias que consomem o ácido málico e o transformam em ácido láctico. O resultado é um vinho incrível com aroma e textura cremosos e amanteigados . Pouquíssimos vinhos brancos passam por este processo é esta uma das principais razões para que tenham um sabor muito diferente dos vinhos tintos.

making-butter-and-whipped-cream-top-web.jpg

Creme e manteiga. Uma delícia fora e nos vinhos.

Além da maravilha que o vinho como ser vivo representa, através de sua riqueza de compostos, fermentação e envelhecimento, teoriza-se que a videira desenvolveu estes compostos de aroma como um avanço evolutivo para atrair insetos e animais para auxiliar na polinização e dispersão de sementes. Não vamos desapontá-las, não é mesmo?

Créditos fotos: internet.

Fonte: a sempre brilhante http://winefolly.com/tutorial/impact-compound-aromas/

Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? / You already knew that alcohol affects a lot of things, but do you know how it changes the taste of your drink?

Você já reparou que ao adicionar água ao uísque, que reduz sua porcentagem de álcool, se revelam novos e sutis sabores? Ou que uma taça de vinho tinto tem menos sabor frutado do que suco de uva sem álcool? 

Já que nosso assunto principal é vinho, comecemos por inalar profundamente o vinho que está na sua taça para compreender este processo. Você pode descrever os aromas que detecta? Frutas secas, frutas frescas, flores, grama, madeira e/ou especiarias? Esqueça os caríssimos kits atopetados de aromas artificiais tipo morango de xarope ou cereja de balinha. Ou vice-versa. Uma boa maneira de treinar seu cérebro e aumentar a sua memória olfativa é treinar em feiras, jardins, floricultura e lojinhas de temperos.

 

 

 

 

Esta lojinha de temperos pode ser um banquete de aromas.

Graças ao nosso sentido do olfato,  podemos detectar até 10.000 odores diferentes, embora não possamos identificar todos eles. Isto acontece por causa do “limite de detecção” que é a concentração mínima de um aroma que deve estar presente para que possamos percebê-lo. Agora, atenção que isto é importante:

  1. Os aromas, também chamados de cheiros, odores e fragrâncias, consistem em uma ou mais moléculas de aroma. Os aromas são voláteis e atingem o nosso olfato através do intervalo entre os mesmos, ou seja, o espaço aéreo diretamente acima da superfície do líquido que vai eventualmente terminar nas nossas narinas.

2. Nós percebemos os aromas através do nariz (oronasal), bem como através da boca (retronasal). Cada vez que engolimos, a língua detecta os sabores (esse é outro papo) e os aromas sobem através pela parte traseira de nossa garganta e pela passagem nasal. Isto explica porque degustamos vinho usando uma técnica um tanto bizarra – fazendo ruído para movimentar e sacudir e arejar o vinho (e portanto, os aromas). Desta forma, não há necessidade de engolir o álcool, mas pode-se detectar melhor as moléculas de aromas voláteis do vinho.

AAEAAQAAAAAAAAYkAAAAJDFiOTliMjQyLTk1YTEtNGJkMi05ZmMzLWJjMjAzZTJiZTY3OA.png

3. Muitos fatores influenciam os odores que podemos detectar durante uma degustação, inclusive o mecanismo de deglutição e o cérebro, porém o importante aqui é que cada molécula de aroma se comporta de forma diferente em distintos solventes, dependendo de suas propriedades físicas. As moléculas de aroma hidrofóbicas são adversas à água. Elas tendem a fugir quando cercadas por moléculas de água, subindo para o tal intervalo, onde é mais fácil serem detectadas pelo nosso olfato.

4. Por outro lado, as moléculas de aroma hidrofílico têm afinidade com moléculas de água e preferem permanecer em líquidos. O álcool (etanol) tem propriedades parcialmente hidrofóbicas. Isto explica porque as moléculas hidrofóbicas dos aromas encontrados em bebidas alcoólicas ainda permanecem em seu vinho apesar da presença do álcool.

5. A proporção de líquidos – água x álcool – determina quais aromas são mais fáceis de detectar do que outros: quanto mais álcool houver em sua bebida, os aromas mais hidrofílicos escaparão para o intervalo. Por outro lado, quanto maior o volume de água, mais aromas hidrofóbicos você terá escapando do líquido e se movendo para o intervalo.

Aqui vemos o Prof. Pedro detectando aromas no tal intervalo.

Na sua próxima degustação você pode ter certeza que o prazer da riqueza de aromas percebidos é devido também a este equilíbrio muito delicado de água x álcool. Graças à presença dele, conseguimos apreciar os sabores sutis dos nossos vinhos e bebidas alcoólicas favoritas e especialmente harmonizá-los com a comida!

 

 

 

 

 

Deguste os mesmos pratos com um vinho branco ou rosé (normalmente menos alcoólico) e com um tinto (tradicionalmente mais alcoólico) e tire suas próprias conclusões.

Fonte: O álcool e os aromas no vinho de Bernard Lahousse


english-language-button-7315218

Have you ever noticed that adding water to whiskey, which reduces alcohol percentage, reveals new and subtle flavours? Or that a glass of red wine has less fruity flavour than grape juice without any alcohol?

Since our main subject is wine, let us begin by inhaling deeply the wine which is in our glass to understand this process. Can you describe any aromas? Dried fruits, fresh fruits, flowers, grass, wood and/or spices? Forget about the expensive kits with artificial aromas of strawberry syrup or baloney cherry. A good way to train your brain and increase your olfactory memory is to train at fairs, gardens, flower and spice shops.

20170306_13013320170306_130138

 

 

 

 

 

 

This spice shop can be a feast of aromas.

Thanks to our sense of smell, we can detect up to 10,000 different odours, although we can not identify all of them. This is because of the “limit of detection” which is the minimum concentration of an aroma that must be present before we can perceive it. Now, note that this is important:

1. The aromas, also called scents, odours and fragrances, comprise one or more aroma molecules. The aromas are volatile and reach our nostrils through the gap between them. It is the airspace directly above the surface of the liquid that will eventually end up in our nostrils.

2. We perceive the aromas through our nose (oronasal) and through our mouth (retronasal). Each time we swallow, our tongue detects flavours (this is another different post) and the aromas rise through the back of our throat and through the nasal passage. This explains why we taste wine using a rather bizarre technique – making noise to move, shake and aerate wine (and therefore the aromas). In this way, there is no need to swallow alcohol, but one can better detect the molecules of volatile wine aromas.

AAEAAQAAAAAAAAYkAAAAJDFiOTliMjQyLTk1YTEtNGJkMi05ZmMzLWJjMjAzZTJiZTY3OA

3. Many factors influence odours we can detect during a tasting, including the swallowing mechanism and the brain, but the important thing here is that each aroma molecule behaves differently in different solvents, depending on its physical properties. Hydrophobic aroma molecules are averse to water. They flee when surrounded by water molecules, rising to such an interval where it is easier to be detected by our sense of smell.

4. On the other hand, hydrophilic flavour molecules have an affinity with water molecules and prefer to remain in liquids. Alcohol (ethanol) has partially hydrophobic properties. This explains why the hydrophobic molecules of the aromas found in alcoholic beverages remain in wine despite the alcohol.
5. The ratio of liquids – water to alcohol – determines which scents are easier to detect than others: the more alcohol in your drink, the more hydrophilic aromas will escape into the range. The higher the volume of water, the more hydrophobic scents you will have escaping from the liquid and moving into the range.

20160930_123009

Here we see Prof. Pedro detecting scents in such a range.

In your next tasting, notice the pleasure of the richness of perceived aromas is also due to this delicate balance of water vs. alcohol. Thanks to their presence, we have been able to enjoy the subtle flavours of our favourite wines and spirits and especially harmonize them with food!

Try the same dishes with a white or a rosé wine (usually less alcoholic) and a red wine (traditionally more alcoholic) and draw your own conclusions.

Source: Alcohol and aromas in the wine of Bernard Lahousse