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Sobre Portugal com Alma

Portugal com Alma é turismo rural com paixão ainda pela terra do nosso coração. Roteiros com vindimas, festas medievais, aldeias misteriosas, herança celta, roteiros de águas termais. História, gastronomia e a vivência das aldeias de Portugal!

Não perca: Feira Medieval de Pinhel (Guarda) – A Cidade do Falcão

Pinhel irá promover mais uma edição de sua Feira Medieval, que irá decorrer de 01 a 04 de junho no centro histórico do município.
Uma verdadeira viagem no tempo, re(a)vivando a sua história e as suas memórias, enchendo de vida e cor o centro da cidade com a 4ª edição da Feira Medieval – A Cidade do Falcão – “Guarda-Mor do Reino e Senhorios de Portugal”.
Pinhel fica a 2 horas da cidade do Porto. Se estiver pelo norte Portugal, não perca os manjares, cortejos, torneios, teatros, música, dança e animação de rua desta linda festa.

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Pinhel will promote another edition of its Medieval Fair, which will run from 01 to 04 June in the historic center of the municipality.
A true journey through time, re living history and its memories, filling the city’s historical center with life and color during the 4th edition of the Medieval Fair – The City of the Falcon – “Guardian of the Kingdom and Landlords of Portugal”.
Pinhel is 2 hours from Porto, if you are in northern Portugal, do not miss the delicacies, processions, tournaments, theaters, music, dance and street entertainment of this awesome party.

Olha só o vídeo. / Check the video.

Festa Medieval de Pinhel

Vindima no Dão / Winemaking in Dão

Que rufem os tambores!
Chegou o post sobre o tão esperado roteiro de Vindimas no Dão. Um convite para conhecer a fundo um dos segredos mais bem guardados de Portugal: o Dão, uma DOP que produz alguns dos mais elegantes Touriga Nacional do país.

No nosso mais tradicional roteiro oferecemos gastronomia, história e convivência na aldeia com o conhecimento aprofundado da elaboração do vinho, desde a vindima até a adega, em produtores artesanais, de médio e grande porte. Uma verdadeira imersão no mundo do vinho.

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Partiremos do ponto de encontro no Porto com destino à frequesia da Ínsua no conselho de Penalva do Castelo. Penalva possui uma das maiores concentrações de monumentos históricos de Portugal: sítios pré-históricos, romanos e medievais.

Já a Casa da Ínsua, uma das 4 casas que delimitam a região do Dão, foi construída na segunda metade do século XVIII. A quinta possuía a única fábrica de gelo na região, uma geradora hidroeléctrica, adegas e lagares. Tudo isso preservado com cuidados dignos de museu. Uma riqueza histórica marcante.

Dedicaremos todo um dia ao icônico Douro, berço do vinho do Porto e patrimônio mundial da humanidade. Desfrutaremos de um almoço nesta magnifíca paisagem, sua história marcante e degustaremos o mais conhecido dos vinhos portugueses: o Porto.

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Também dedicaremos um dia à Serra da Estrela, local da nascente do Rio Dão. Leve seu casaco, pois chegaremos ao ponto mais alto de Portugal, as Penhas Douradas.

Não deixaremos para tras o conhecido queijo da Serra, por isso vamos à premiada Queijaria de Germil a fim de compreender detalhadamente o rígido processo de elaboração do queijo da Serra da Estrela com direito a degustação.

Visitaremos uma oficina artesanal de cestaria, uma arte milenar cuja fabricação, decoração e utilização varia de acordo com cada país, região, povo, costumes, e tradição. Segundo a teoria de alguns pesquisadores existem muitas fontes sobre a origem da cestaria.

  • Origem Indígena, na fabricação de cestos para transportar objetos ou para armazenagens de alimentos.
  • Origem nômade, na procura de soluções do armazenamento e transporte de alimentos e na antiguidade.
  • Origem Persa, alguns escudos utilizados no batalhão dos imortais foram feitos de cestaria.
  • Origem Ibérica, outros dizem que a Vila de Gonçalo, localizada be perto de onde estaremos, foi o berço da cestaria em Portugal e Espanha.

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E por último, mas não menos importante teremos oportunidade de participar de 2 dias de vindima. É diversão da colheita ao lagar e à pisa, mas não se preocupe, se você se cansar é só parar para comer alguma coisa e tomar um copinho de água. Ou vinho. Uma experiência comunitária emocionante e que proporciona aos enófilos uma aprendizagem incrível.

Teremos 6 degustações exclusivas em produtores com perfis totalmente diferentes, proporcionando uma visão completa da região do Dão.

Fecharemos nossa viagem em Viseu que foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques que teria nascido ali a 5 de agosto de 1109. Só para lembrar, D. Afonso Henriques é considerado ninguém menos que o pai de Portugal por ter unificado todas as regiões do agora país e mandado para casa os mouros que estavam por lá já há alguns séculos.

Voltando a Viseu, esta data da época dos celtiberos, prova disso é que encontraram num altar pagão datado do séc. I, as seguintes inscrições: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.” Com a Romanização, a cidade ganhou grande importância, devido ao entroncamento de estradas romanas, por isso Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região.

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E outra lenda bacana que inclusive está representada no brasão da cidade. O rei Ramiro II de Leão, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, e se apaixonou a tal ponto que raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro teria escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, D. Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, aprisionado e condenado à execução, pede para, como último desejo, morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria nas mãos dos soldados do rei Ramiro. Parabéns a D. Urraca e pena que D. Ramiro se saiu com a sua, mas assim é a história.

Viseu tem muita história, é uma cidade muito bonita (premiada várias vezes como a melhor cidade da Europa para se viver) e tem lojas, shoppings etc, para você poder levar além das lembranças, muita coisa bonita para casa.

Não perca tempo, como a hospedagem é em casa de proprietário rural (e que casa), as vagas são limitadas!

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Drums rolling!

The long-awaited post is finally here: Winemaking in Dão Tour. An invitation to know one of the best-kept secrets in Portugal: Dão, a DOP that produces some of the most elegant Touriga Nacional in the country.

In our most traditional itinerary, we offer gastronomy, history and living in a Portuguese village with in-depth knowledge of winemaking, from harvest to the winery, in small and medium-sized artisan producers. A true immersion in the world of wine.
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We will leave the meeting point in Porto to freguesía of Ínsua in Penalva do Castelo council. Penalva has one of the largest concentrations of historical monuments in Portugal: prehistoric, Roman and medieval sites.
Casa da Ínsua, 1 of the 4 houses that surround Dão, was built in the 2nd half of the 18th century. The “quinta” had the only ice factory in the region, a hydroelectric generator, wineries and mills preserved with museum-worthy care. An extraordinary historical richness.
We will dedicate a whole day to the iconic Douro, the cradle of Port wine and world heritage of humanity, enjoying lunch in this magnificent landscape, its remarkable history and tasting the best-known Portuguese wines: Porto.
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Likewise, we will dedicate one day to the Serra da Estrela, the source of the Rio Dão. Take your coat, because we will visit the highest point of Portugal, the Penhas Douradas.
We will not leave forget the well-known cheese from Serra, so we go to the award-winning cheese producer in Germil to understand the rigid handling of elaboration of the Serra da Estrela cheese. Tasting included.
We will visit a handmade basketwork workshop, an ancient art which manufacture, decoration and use vary according to each country, region, people, customs and tradition. As per researchers, the millenary art of basketry could have several origins:
  • Indigenous origin, manufacture of baskets for carrying objects or for storing food.
  • Nomad origin, in search of food storage and transport solutions.
  • Persian origin, the shields used in the battle of the immortals were made of basketry.
  • Iberian origin, others say the village of Gonçalo, near where we will be, was the cradle of basketry in Portugal and Spain.

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And last but not least we will participate in 2 days of harvest. It’s fun to harvest and drink, but do not worry, if you get bored or tired, just stop and have something to eat, drink a glass of water. Or maybe wine. An exciting community experience that gives oenophiles incredible learning.
We will have 6 exclusive tastings in producers with different profiles, providing a complete view of Dão.
We will finish our trip in Viseu that was a residence by counts D. Teresa and D. Henrique, parents of D. Afonso Henriques who was born there August 5th, 1109. Just as a reminder, D. Afonso Henriques is none other than the father of Portugal for having unified all regions of the now country and sending home the Moors who were there for several centuries.
Back to Viseu, that dates from the time of the Celtiberians, proof of this is they found on a pagan altar dated from the first century the following inscriptions: “To the Goddesses and the Gods Vissaieigenses. Albino, son of Quensas, fulfilled the vote willingly and deservedly”. With the Romanization, the city gained great importance, due to the intersection of Roman roads, so Viseu is linked with the figure of Viriato since the Lusitanian hero may have been born in this region.
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Another nice legend is represented in the coat of arms of the city: King Ramiro II of Leon, on a journey abroad, met Sara, the sister of Alboazar, king of the castle of Gaia, and fell so much in love he kidnapped Sara. On learning what had happened, Sara’s brother took avenge by kidnapping the king’s wife, D. Urraca. Wounded in pride, D. Ramiro chose in Viseu his best warriors, sneaked alone into the castle, and left his warriors nearby. While Alboazar was hunting, D. Ramiro found D. Urraca, who, knowing of her husband’s betrayal, refused to go with him. When Alboazar returned from hunting, D. Urraca took revenge on her husband by showing him the abductor. Ramiro, imprisoned and sentenced to execution, asks as his last wish to die at the sound of his horn, which was the signal for his soldiers to invade the castle. At the end of the sixth ring, the soldiers at once surround the castle, setting it on fire. Alboazar died at the hands of King Ramiro’s soldiers. Cuddles to D. Urraca and sorry that D. Ramiro could escape, but such is history.
Viseu historic heritage is vast, a delightful city (awarded several times as the best city to live in Europe) and it has shops, malls etc, so you can take not only memories but still something lovely home.
Lose no time, because accommodations are in a village house (and what a house, wow), spots are limited!
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Notícia boa: setor vinícola encerra 2017 com alta de 5,6%. Só que não. / Good news: Brazilian wine sector closes 2017 growing 5.6%. But not really.​

Segundo informações divulgadas pela Ibravin, o setor vitivinícola brasileiro teve uma retomada iniciada no 3. trimestre e que ganhou fôlego nos últimos três meses do ano, terminando 2017 com dados positivos e apresentando crescimento de 5,6% nas vendas no mercado interno. Só que não.

Aos números, ainda segundo a Ibravin.

Dados de destaque:

– No mercado interno o setor vitivinícola ampliou as vendas em 5,6%.
– Na categoria de vinhos tranquilos, que ficou com alta de 2,1% no ano, a retomada da comercialização ocorreu no último trimestre. Entre outubro e dezembro as vendas cresceram 32% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
– A participação de mercado dos rótulos nacionais de vinhos tranquilos ficou em 61,5%.

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Fonte: Assessoria de Imprensa Ibravin

A verdade é que diante de um crescimento estimado de 0,89% do PIB brasileiro, os números acima são interessantes. O que me incomoda é que colocaram os sucos junto com os vinhos.  

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Os 2 produtos não são de maneira alguma intercambiáveis, então um crescimento na venda dos sucos de uva é ótimo para a saúde da população (segundo os médicos) e para os agricultores que plantam uva americana, mas não tem nada a ver com oportunidades no mercado do vinho.

Temos excelentes notícias em relação à ST já retirada dos estados da Bahia, Pernambuco, Goiás, Maranhão e Pará e além disso, os números acima são boas notícias, mas não precisamos dourar a pílula, misturando dados que devem ser analisados separadamente para que possamos realmente buscar alternativas para o crescimento.

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According to information released by Ibravin, the Brazilian wine sector reignited in the third quarter. It gained momentum during the last 3 months of the year, ending 2017 with positive data and presenting a growth of 5.6% in sales in the domestic market. But not really.

To the numbers, still according to Ibravin.

Highlights:

– In the domestic market, the wine sector increased sales by 5.6%.
– In the category of still wines, which was up 2.1% in the year, the resumption of commercialization occurred in the last quarter. Between October and December, sales grew 32% compared to the same period last year.
– The market share of the national labels of still wines was 61.5%.

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Source: Ibravin Press Office

Given the estimated growth of 0.89% of Brazilian GDP, the above figures are interesting. What bothers me is that they put the juices along with the wines.

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The 2 products are not interchangeable, so a growth in the sales of grape juice is great for the health of the population (according to doctors) and for farmers who grow indigenous grapes, but it has nothing to do with opportunities in the wine market.

We have excellent news on ST (tax surplus) withdrawn from the states of Bahia, Pernambuco, Goiás, Maranhão and Pará. All the above numbers are good news, but we need not to sugar coat the pill by mixing up data that should be analyzed separately so we can actually look for ways to grow the Brazilian wine market.

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No topo da Serra da Estrela / At the top of Serra da E​​strela

Desde os tempos de Viriato, lendário herói português, a região da Serra da Estrela encerra segredos e mistérios em sua história. Mas não para nós. Neste roteiro, vamos conhecer tudo sobre a produção do queijo, dos artigos de lã, do azeite e da história desta belíssima região com 8 das 12 Aldeias Históricas de Portugal.

Uma viagem perfeita para as férias com crianças!

Partiremos da cidade do Porto em direção à Beira Interior, e nossa primeira parada é Trancoso e seu castelo fundado nos sécs. VIII-IX em terra de fronteira, palco de diversas lutas e batalhas marcantes para a formação e independência do reino português. Foi aqui que D. Dinis celebrou suas bodas com a Rainha Santa, D. Isabel de Aragão, em 1282.

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Ali pertinho conheceremos o Castelo de Penedono e a Lenda das Duas Pedras Brancas: durante o século XI, o castelo pertençeu a uma bela moura, muito rica. Conta a lenda que as duas pedras brancas ao lado direito da fachada, são as tampas de duas caixinhas misteriosas, aí deixadas pela bela moura, para esconder a sua fortuna. A fim de que ninguém lhe roubasse, ela colocou numa caixa todos os seus tesouros e na outra a peste que causaria a morte imediata de quem se atrevesse a abrir. Como ninguém sabe em qual das caixas se escondia o tesouro, ninguém até hoje, se atreveu a tentar abrí-las, porque, quem remover a pedra errada libertará a peste que matará todos os habitantes da região. Melhor seguir viagem, né?

Já perto da fronteira com a Espanha, visitaremos Castelo Mendo, uma aldeia de características medievais, constituída por 2 núcleos amuralhados, a Cidadela e a Barbacã que foram de suma importância na defesa fronteiriça contra o reino de Leão e Castela.
A estrutura de defesa nesta região se une a Almeida cuja origem credita-se a celtiberos, dominados em 61 a.C. pelos romanos e depois pelos árabes que a chamaram de Al-Mêda (a Mesa, por sua localização), Talmeyda ou Almeydan e que aí construíram um pequeno castelo (séc. VIII- IX) cujas proporções aumentaram “um pouco” com o tempo.

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Historicamente, nenhuma povoação de fronteira exerceu por tanto tempo, um lugar tão relevante nas relações Luso-Castelhanas e na defesa do território português quanto Figueira de Castelo Rodrigo um autêntico espaço monumental que conserva importantes referências no plano medieval. Estando numa das várias rotas de peregrinos a Santiago de Compostela, aqui se ergueu a Igreja de N. Sra. de Rocamador, fundada por uma confraria de frades hospitaleiros vindos de França no séc. XIII. Em compensação, por ter tomado partido de Castela na crise de 1383-85, D. João I castigou Castelo Rodrigo, mandando que o seu brasão ficasse com as armas reais invertidas. Porém vamos ver que este muda de Portugal a Espanha e vice-versa não era nada incomum para os castelos de fronteira.

Diz a tradição que o nome Belmonte provém do lugar onde a vila se ergue (monte belo ou belo monte). Porém, há quem lhe atribua a origem de “belli monte” – monte de guerra. A história de Belmonte surge associada à história aos judeus, pois é a terra portuguesa onde a presença dos judeus é mais forte, destacando-se por ter sido um caso singular, no território peninsular, de permanência da cultura e da tradição hebraicas desde o início do século XVI até aos dias de hoje. Há um museu homenageando a comunidade que, durante séculos, resistiu aos éditos de expulsão dos reis católicos, ao decreto de expulsão ou conversão de D. Manuel I, ao olhar vigilante da Santa Inquisição e às penas do seu tribunal. Peças da Idade Média ao séc. XX, utilizadas por judeus e cristãos-novos no quotidiano ou nas práticas religiosas, encontram-se neste espaço museológico. A história de Belmonte também é associada à história dos Cabrais. Eles mesmo, pois é a terra natal de Pedro Álvares Cabral, o navegador, que no ano de 1500 comandou a segunda armada à India, durante a qual se descobriu oficialmente o Brasil. Então tem o Museu do Descobrimento, a estátua do Cabral, a casa do Cabral, a escola do Cabral, enfim…

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Próxima aldeia: Sortelha, uma das mais belas e antigas vilas portuguesas que de tão bem preservada, possibilita ao visitante recuar aos séculos passados, no castelo do séc. XIII, por entre as sepulturas medievais, junto ao pelourinho manuelino ou defronte igreja renascentista. Muita história mesmo.

Piódão é uma das aldeias mais pitorescas de Portugal, ao mesmo tempo escondidade e majestosa ao revelar-se. Suas casas distribuem-se em redor de socalcos, nas quais pontuam o azul e o xisto, por entre sinuosas ruelas. Uma graça mesmo.

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Falando de Serra da Estrela, não podemos esquecer do seu ponto mais alto, as Penhas Douradas, da lã típica da região e do famoso queijo.

Para fechar o circuito de aldeias, veremos a aldeia medieval do séc. XII, Linhares da Beira que possui uma diversidade arquitetônica ímpar, fruto do legado de várias épocas. Região que antigamente era muito próspera em comércio, contava também com uma importante comunidade judaica, minoria étnica e religiosa obrigada a viver apartada da comunidade cristã e cujo bairro – denominado judiaria.

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Fecharemos nossa viagem em Viseu que foi várias vezes residência dos condes D. Teresa e D. Henrique, pais de D. Afonso Henriques que teria nascido ali a 5 de agosto de 1109. Só para lembrar, D. Afonso Henriques é considerado ninguém menos que o pai de Portugal por ter unificado todas as regiões do agora país e mandado para casa os mouros que estavam por lá já há alguns séculos.

Voltando a Viseu, esta data da época dos celtiberos, prova disso é que encontraram num altar pagão datado do séc. I, as seguintes inscrições: “Às deusas e deuses vissaieigenses. Albino, filho de Quéreas, cumpriu o voto de bom grado e merecidamente.” Com a Romanização, a cidade ganhou grande importância, devido ao entroncamento de estradas romanas, por isso Viseu está associada à figura de Viriato, já que se pensa que este herói lusitano tenha talvez nascido nesta região.

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E outra lenda bacana que inclusive está representada no brasão da cidade. O rei Ramiro II de Leão, em viagem para outras terras, conheceu Sara, a irmã de Alboazar, rei do castelo de Gaia, e se apaixonou a tal ponto que raptou Sara. Ao saber do sucedido, o irmão de Sara vingou-se raptando a esposa do rei, D. Urraca. Ferido no orgulho, D. Ramiro teria escolhido em Viseu alguns dos seus melhores guerreiros para o acompanharem, penetrando sorrateiramente no castelo, e deixando os guerreiros nas proximidades. Enquanto Alboazar caçava, D. Ramiro conseguiu entrar no castelo e encontrar D. Urraca que, sabendo da traição do marido, recusou-se a acompanhá-lo. Quando Alboazar regressou da caça, D. Urraca decide vingar-se do marido mostrando-o ao raptor. Ramiro, aprisionado e condenado à execução, pede para, como último desejo, morrer ao som da sua buzina, que era o sinal que tinha combinado com os soldados para entrarem no castelo. Ao final do sexto toque, os soldados cercam imediatamente o castelo, incendiando-o. Alboazar morreria nas mãos dos soldados do rei Ramiro. Parabéns a D. Urraca e pena que D. Ramiro se saiu com a sua, mas assim é a história.

Viseu tem muita história, é uma cidade muito bonita (premiada várias vezes como a melhor cidade da Europa para se viver) e tem lojas, shoppings etc, para você poder levar além das lembranças, muita coisa bonita para casa.

Vem com a gente, vem!

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Since the days of Viriato, the legendary Portuguese hero, the region of Serra da Estrela holds secrets and mysteries. But not for us. In this tour, we will know the production of cheese, woollen articles, olive oil and the history of the splendid region with 8 of the 12 Historical Villages of Portugal.

A perfect trip for the holidays with children!
We will leave the city of Porto towards Beira Interior, and our first stop is Trancoso and its castle founded in the 18th century. Stage of many fights and striking battles for the formation and independence of the Portuguese kingdom. It was here that D. Dinis celebrated his wedding with the Holy Queen, D. Isabel de Aragão, in 1282.
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Nearby we find Castle of Penedono and the Legend of the Two White Stones: during the eleventh century, the castle belonged to a graceful, rich Moor-woman. Legend tells that the two white stones on the right side of the facade are the covers of two mysterious little boxes, left there by the Moor, to hide her fortune. So that no one robbed her, she placed her treasures in one of the boxes and in the other the plague that causes the immediate death of those who dared to open it. Since no one knows in which of the boxes, the treasure was hidden, no one dared to open them, because whoever removes the wrong stone will free the plague that will kill all the inhabitants of the region. Better to move on with our trip, huh?
Closer to Spain, we will visit Castelo Mendo. A village of medieval characteristics made up of 2 walled nuclei, the Cidadela and Barbacã, which were of great importance in the frontier defence against the kingdom of Leon and Castile. 
The defense system of this region likewise counts with Almeida which origin is credited to Celtiberians, dominated in 61 BC by the Romans and then by the Arabs who called it Al-Mêda (the table, for its location), Talmeyda or Almeydan and that there was built a small castle (8th-9th century) whose proportions increased “a bit” over time.
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No frontier settlement has existed for so long and so relevant in Luso-Castelhanas relations and in the defence of Portuguese territory as Figueira de Castelo Rodrigo. An authentic monumental space that preserves important references in the medieval plan. 
Located on one of the several routes of pilgrims to Santiago de Compostela, the Church of Our Lady of Rocamadour was founded here by a confraternity of hospitable friars coming from France in the 19th century. By taking the protection of Castile in the crisis of 1383-85, D. João I punished Castelo Rodrigo, ordering his coat of arms to have the royal arms upside down. But, we see that this change from Portugal to Spain and vice versa was common for a border castle.
Tradition says the name Belmonte comes from the place where the village rises (beautiful hill or mount) but, some attribute it to the origin of “belli monte” – the mound of war. 
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Belmonte’s history is associated with the Jews because where the presence of the Jews stands out. It was a singular case in the peninsular territory of the permanence of the Hebrew culture and tradition from the 16th century to the present day. 
There is a museum honouring the community that for centuries resisted the edict of expulsion from Catholic kings, the decree of expulsion or conversion of King Manuel I, the watchful eye of the Holy Inquisition and the penalties of its court. Objects from the Middle Ages to the XX century, used by Jews and New Christians in daily life or religious practices are found in this museum. 
Belmonte is further linked to the Cabrais. Yes, they themselves. Because it is the birthplace of Pedro Álvares Cabral, the navigator, who in the year 1500 commanded the second armada to India when Brazil was officially discovered. Then there is the Discovery Museum, the statue of Cabral, the house of Cabral, the school of Cabral, you get the picture …
Next village: Sortelha, one of the most fascinating and old villages so well preserved that it takes the visitor back for centuries, in the castle of the XIII century, close to the medieval graves, next to the Manueline pillory or in front of the Renaissance church. A lot of history.
Piódão is a charming village, at once hidden and majestic when it unveils itself. Their houses are distributed around terraces, in which they punctuate the blue and the schist, among sinuous alleys. A real delight.
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Speaking of Serra da Estrela, we can not forget its highest point, Penhas Douradas, the typical wool of the region and the famous cheese.
To close the circuit of villages, we will see a medieval village of the XII century. Linhares da Beira has a unique architectonic diversity, the legacy of several centuries. A very prosperous region in commerce in their days, it too had an important Jewish community, an ethnic and religious minority forced to live separated from the Christians in their neighbourhood – denominated judiaria.
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We will finish our trip in Viseu that was used as a residence by counts D. Teresa and D. Henrique, parents of D. Afonso Henriques who was born there August 5th, 1109. Just as a reminder, D. Afonso Henriques is none other than the father of Portugal for having unified all regions of the now country and sending home the Moors who were there for several centuries. 
Back to Viseu, that dates from the time of the Celtiberians, proof of this is they found on a pagan altar dated from the first century the following inscriptions: “To the Goddesses and the Gods Vissaieigenses. Albino, son of Quensas, fulfilled the vote willingly and deservedly”. With the Romanization, the city gained great importance, due to the intersection of Roman roads, so Viseu is linked with the figure of Viriato since it is thought that the Lusitanian hero may have been born in this region.
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Another nice legend is represented in the coat of arms of the city: King Ramiro II of Leon, on a journey abroad, met Sara, the sister of Alboazar, king of the castle of Gaia, and fell so much in love he kidnapped Sara. On learning what had happened, Sara’s brother took avenge by kidnapping the king’s wife, D. Urraca. Wounded in pride, D. Ramiro chose in Viseu his best warriors, sneaked alone into the castle, and left his warriors nearby. While Alboazar was hunting, D. Ramiro found D. Urraca, who, knowing of her husband’s betrayal, refused to go with him. When Alboazar returned from hunting, D. Urraca took revenge on her husband by showing him the abductor. Ramiro, imprisoned and sentenced to execution, asks as his last wish to die at the sound of his horn, which was the signal for his soldiers to invade the castle. At the end of the sixth ring, the soldiers at once surround the castle, setting it on fire. Alboazar died at the hands of King Ramiro’s soldiers. Cuddles to D. Urraca and sorry that D. Ramiro was able to escape, but such is history.
Viseu historic heritage is vast, a delightful city (awarded several times as the best city to live in Europe) and it has shops, malls etc, so you can take not only memories but still something beautiful home.
 Come with us!
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Festas Medievais em Portugal / Medieval Festivals in Portugal

Sendo brasileira, mesmo tendo oportunidade de ir para o exterior algumas vezes, nunca uma festa medieval me chamou a atenção. Porém, um belo dia, estava com um grupo muito animado (como são todos os nossos grupos) participando de uma vindima e decidimos ir a um mercado medieval. Foi amor, não, não, foi paixão à primeira vista. Depois disto, as festas medievais se tornaram um vício.

Achei que como todos os vícios, era muito pessoal, então em 2017, indo novamente a Portugal com minha filha e meus sogros, resolvi testar a minha teoria. Comprovado: festas medievais são viciantes para todos, em qualquer idade. A atmosfera, a música, a ambientação, o clima, tudo é elaborado para transportar cada um dos participantes através de um encantador túnel do tempo. Fazem com que a gente se sinta carregado pela história.

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Por isso, em 2018, resolvemos abrir o percurso de Festas Medievais em Portugal aos nosso amigos e clientes. Partiremos da cidade do Lisboa, indo até Montalegre na fronteira Norte de Portugal, ou seja, vamos percorrer o Centro-Norte de Portugal, visitando algumas das cidades mais antigas do país e curtindo festas medievais.

Visitaremos Tomar, famosa por sua Festa Templária. A cidade é vigiada por uma fortificação defensiva datada de 1160, que protegia o acesso à Coimbra, então capital do reino. Duas décadas mais tarde, o califa Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur atacou Tomar que resistiu durante 6 dias defendida pelos Templários. Nesta ocasião, os mouros forçaram a porta do Sul e a defesa dos Templários foi tão violenta que a tal porta ficou conhecida como Porta do Sangue. O Castelo fica ao ladinho do Convento de Cristo cuja construção começou na mesma época, 1160.

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Já o Aqueduto dos Pegões que foi construído com a finalidade de abastecer de água o Convento de Cristo teve sua construção iniciada em 1593. A impressionante estrutura conta com 6 km de comprimento, altura máxima de 30 metros e 58 arcos de volta inteira.

Ali pertinho fica o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha que foi construído em 1386 pelo rei D. João I de Portugal como agradecimento à Virgem Maria pela vitória contra os castelhanos na batalha de Aljubarrota. Este mosteiro foi construído ao longo de 2 séculos até cerca de 1563, durante o reinado de 7 reis de Portugal! No Mosteiro da Batalha estão sepultados vários reis e rainhas de Portugal.

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Seguindo viagem, parada no Palácio do Bussaco, na Mata Nacional do Buçaco (é assim mesmo, se escreve diferente…). O edifício do atual hotel, um dos mais bonitos do mundo, é de estilo neomanuelino e está decorado com painéis de azulejos alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses.

Já bem ao norte, paramos em Chaves, a romana Aqua Flavea. À época da invasão romana da Península Ibérica, os romanos instalaram-se no vale do rio Tâmega, onde hoje se ergue esta cidade e construíram fortificações, aproveitando alguns dos castros existentes. Tal era a importância desse núcleo urbano, que foi elevado à categoria de município no ano 79 d.C. quando dominava Tito Flávio Vespasiano. Daqui advém o nome Aquae Flaviae da atual cidade de Chaves, bem como o seu gentílico: flaviense.

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Pausa no Parque Natural de Pedras Salgadas cujas águas foram descobertas pelos locais logo cedo, especialmente dos que sofriam dos males do aparelho digestivo.

Uma bela caminhada até o mosteiro de Santa Maria das Júnias que remonta a um eremitério pré-românico, do século IX, no concelho de Montalegre. Encontra-se num vale estreito, afastado de tudo, abrigava monges pastores beneditinos, fato que acentuou o carácter humilde e ascético daqueles moradores. Justo ao lado do mosteiro está a bela Cascata de Pitões das Júnias, uma queda de águas que devido aos desníveis do terreno se desenvolve por vários patamares, sendo que o primeiro tem cerca de 30 metros de altura.

A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão. Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.  Fonte de algumas lendas arrepiantes, a verdade é que a construção é muito bonita e surpreende seus visitantes.

Outro edifício histórco: o Palácio ou Solar de Mateus que foi mandado construir na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão. A casa foi sempre administrada pela família Sousa Botelho. O Palácio é constituído pela casa principal, pelos jardins, adega e capela. No interior da casa encontra-se uma biblioteca com 6000 volumes, onde se destaca a célebre edição ilustrada dos Lusíadas de Luís de Camões de 1816!

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E então um pouco mais de água: Vidago é conhecida pelas suas águas gasocarbónicas, especialmente as da nascente n.º 1, são de uma alcalinidade superior a qualquer água portuguesa, excedem também em alcalinidade a de Vichy. Na Europa só há outra estância, onde se dão injecções de água viva: Uriage (França). Há quem diga que Vidago foi uma estância termal no tempo dos Romanos, que ali iam fazer as suas curas e tanto bebiam como lavavam os seus corpos nas santas águas, para curar os seus males.

Na sequência, uma cidade que eu gosto muito: Bragança. Os celtas batizaram a cidade, fundada no século II a.C., com o nome de Brigância, que se foi latinizando até passar a ser “Bragança”. Este nome é a origem do gentílico mais comum: brigantino. Aqui vamos conhecer os caretos. Acredita-se que a tradição dos Caretos tenha raízes célticas, de um período pré-romano. Um ancestral do Carnaval.

Finalmente, Montalegre e a festa das bruxas que se realiza apenas às sextas-feiras 13. Quem lá vai, procura descobrir e viver o imaginário de um território cujo isolamento ajudou a preservar uma identidade muito própria e tradições diretamente ligadas à herança celta, ao sobrenatural e à ideia de que as bruxas, chamadas “mulheres de virtude” teriam poderes curativos.

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A festa mostra a luta entre o bem e o mal, diante de uma multidão que lota o espaço entre o castelo e o palco. As mal compreendidas bruxas, exiladas durante séculos numa dimensão oculta são libertadas por …. um padre em busca do conhecimento ancestral destas guardiãs da sabedoria popular. Mais não conto porque chega de spoilers.

Pegando o caminho de volta, paramos em Óbidos, uma típica vila da Idade Média. Foi recuperada dos Mouros em 1148 e fez parte do dote de inúmeras rainhas de Portugal. Foi de Óbidos que nasceu o concelho de Caldas da Rainha, anteriormente chamado de Caldas de Óbidos (o nome mudou devido às temporadas que aí passou a rainha D. Leonor).

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São 10 dias com muita história, lendas e diversão para a família. Vem com a gente, vem!


Medieval festivals never particularly caught my attention. However, one fine day, I was with a very lively group (as all our groups are) harvesting in a winemaking tour and decided to go to a medieval market. It was love, no, no, it was passion at first sight. After this, the medieval festivals became an addiction.

I thought that like all the addictions, it was very personal, so in 2017, going again to Portugal with my daughter and my in-laws, I decided to test my theory. It was clear: Medieval feasts are addictive to everyone, at any age. The atmosphere, the music, the ambience, everything is designed to transport visitors through a charming time tunnel. We are swept off our feet by history.

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Therefore, in 2018, we decided to open the Medieval Festivals in Portugal to our friends and clients. We will depart the city of Lisbon, going to Montalegre on the northern border of Portugal, that is, we will cross the Center-North of Portugal, visiting some of the oldest cities in the country and enjoying medieval festivals.

We will visit Tomar, famous for its Templar Festival. The city is guarded by a defensive fortification dating from 1160, which protected the access to Coimbra, which as the capital of the kingdom at the time. Two decades later, the caliph Abu Yusuf Ya’qub al-Mansur attacked Tomar which resisted for 6 days defended by the Templars. On this occasion, the Moors forced the southern door and the defence of the Templars was so violent that the door is now known as the Bloody Door. The Castle is located near the Convent of Christ which construction began also by 1160.

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Pegões Aqueduct was built to supply water to the Convent of Christ. Its construction started in 1593. The impressive structure is 6 km long with a maximum height of 30 meters and 58 arches.

Nearby is the Monastery of Santa Maria da Vitoria, better known as the Monastery of Batalha was built in 1386 by King João I of Portugal as an offering to the Virgin Mary for the victory against the Castilians in the battle of Aljubarrota. This monastery was built over 2 centuries until around 1563, during the reign of 7 kings of Portugal! In the Monastery of Batalha are buried several kings and queens of Portugal.

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Next stop: the Bussaco Palace, in the Buçaco National Forest (that’s the way it is written, in different spellings …). The building of the current hotel, one of the most beautiful in the world, is neomanuelino style and decorated with panels of tiles alluding to the epic of the Portuguese Discoveries.

Towards the north, we will stop at Chaves, the Roman Aqua Flavea. At the time of the Roman invasion of the Iberian Peninsula, the Romans settled in the valley of the river Tâmega, where today stands this city and built fortifications, in order to take advantage of some of the existing castro. Such was the importance of this urban nucleus that it was elevated to the category of municipality in 79 C.E. when it ruled by Tito Flávio Vespasiano. That is the origin of the name Aquae Flaviae of the present city of Chaves, as well as the designation of their citizens: flavienses.

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Pause in the Natural Park of Pedras Salgadas. These waters were discovered by the locals in the early days, especially by those who suffered from digestion issues.

A beautiful walk to the monastery of Santa Maria das Júnias which dates back to a 9th-century pre-Roman hermitage in the Montalegre county. It is located in a narrow valley, away from everything, sheltering Benedictine shepherd monks, a fact that accentuated the humble and ascetic character of their inhabitants. Just next to the monastery is the beautiful Cascatas de Pitões das Júnias, a waterfall that due to the unevenness of the terrain cascades by several levels, the first one being about 30 meters high.

The Bridge of the Mizarela (Devil’s Bridge) is located on the river Rabagão, set in the bottom of a steep ravine and being supported by a single arc about 13 meters of span. It was erected in the Middle Ages and rebuilt in the early 19th century. Source of some creepy legends, the truth is that the bridge is beautiful and surprises its visitors.

Another historic building: the Palace or Manor of Mateus that was built in the first half of the 18th century by the 3rd Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão. The house was always managed by the Sousa Botelho family. The Palace consists of the main house, gardens, wine cellar and a chapel. Inside the house, there is a library with 6000 volumes. Its highlight is the famously illustrated edition of Lusíadas by Luís de Camões from 1816!

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And then a little more water: Vidago is known for its gas-rich waters, especially those of spring number 1. Their alkalinity being superior to any Portuguese water also exceeds the alkalinity of Vichy. In Europe, there is only another resort, where there are injections of living water: Uriage (France). Some say that I Vidago was a spa in the time of the Romans, who went there to look for their healing powers.

Next, a city that I like very much: Bragança. The Celts named the city Brigantia when they founded it in the second century C.E. The name later became “Bragança.”  It is said that the local tradition of Caretos has Celtic roots, from a pre-Roman period. An ancestor of Brazilian Carnaval.

Finally, Montalegre and the festival of the witches that takes place only on Fridays 13. Whoever visits the region during this time, seeks to discover and live the imaginary of a territory so isolated that it preserved its very own identity and traditions directly linked to the Celtic heritage. The supernatural and the idea that witches, called “women of virtue” would have curative powers. The party shows the struggle between good and evil, in front of a crowd that occupies the space between the castle and the stage. The misunderstood witches, exiled for centuries in a hidden dimension are liberated by … a priest in search of the ancestral knowledge of these guardians of the popular wisdom. We do not tell anymore to avoid spoilers.

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On the way back to Lisbon, our last stop in Óbidos, a typical village of the Middle Ages. It was recovered from the Moors in 1148 and was part of the dowry of countless queens of Portugal. It was from Óbidos that the county of Caldas da Rainha was named, previously called Caldas de Óbidos (the name changed due to the seasons that the queen D. Leonor spent there).

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These are 10 days with lots of history, legends and fun for the whole family. Come with us!

Afinal para que mudar? / Why do we have to Change?

Durante uma transição de carreira eu conheci o mundo do vinho e imediatamente me apaixonei. E como toda apaixonada, meu amor não via limites, só oportunidades. Eram feiras e congressos, vinhos nacionais ou importados, viagens, palestras, blogs, posts, lojas, restaurantes, importadoras, representações, países, castas e métodos de vinificação distintos, enfim, um mundo sem fronteiras a explorar.

Meu encanto com todas estas opções vagarosamente, foi sendo cerceado pela realidade de uma micro-empresária no Brasil. O dilema entre o que eu queria fazer e o que eu podia fazer. O processo foi vagaroso porque sempre fui persistente (ahan teimosa) e focada em resultados (ahan super teimosa). Eu me esticava daqui, puxava dali e achava que ía conseguir conciliar inúmeros projetos, afinal, gerenciamento de projetos também era algo que eu mandava bem.

Porém eu estava acostumada com o mundo corporativo. Foram quase duas décadas trabalhando em estruturas que acomodavam inúmeros projetos, equipes diretas, indiretas etc. Agora era só eu. E estava na cara que eu não estava dando conta. Não quis aceitar. Afinal, pequenos empreendedores que querem ser grandes falam sempre de como trabalhavam muito. Só que tem um momento de dizer chega.

É terrível este momento. Doído demais. Porém necessário, convida a reflexão, à auto-avaliação e finalmente àquele abismo assustador: a mudança necessária. Porque tem a mudança desejada: você pinta a casa, muda a decoração, de romântica para gótica, pinta o cabelo preto de ruivo, sei lá, mas é fruto de sua criatividade, e não necessidade.

Enfim,  deste momento casulo, em que me fechei, me ausentei e refleti, a Eu Levo Vinho deu espaço para a Portugal com Alma. Neste processo, abri mão de muitas atividades com clientes queridos, mas eu precisava dar foco naquilo que durante uma rígida análise é evidentemente a minha maior paixão: Portugal.

O outro lado da moeda é que a Portugal com Alma já nasceu assim: amada, desejada e querida por quem a conheceu na barriga, ainda como a Eu Levo Vinho.

E como criança muito esperada nasceu espoleta, cheia de novidades, alegrias e com mais paixão ainda pela terra do meu coração. Novos roteiros, festas medievais, aldeias misteriosas, herança celta, roteiros de águas termais. Gente, muita coisa boa. E mais facilidades nos pagamentos!

O vinho não foi esquecido, claro que não. Nem as viagens por outros países. Vem mais posts por aí. No entanto, de hoje em diante, somos Portugal com Alma, porque para ser Portugal tem que ter muita alma e amor no coração.


During a career transition, I got to know the world of wine and immediately fell in love with it. Exactly like all other lovers, my passion saw no limits, only opportunities. It comprised all and everything: national and imported wines, fairs and congresses, trips, lectures, blogs, posts, shops, restaurants, importers, exporters, countries, varieties and different vinification methods. A world without limits to explore.

My infatuation was slowly being curtailed by the reality of a micro-businesswoman in Brazil. The dilemma between what I wanted to do and what I could do. The process was slow because I was always persistent (ahan stubborn) and focused on results (ahan super stubborn). I would stretch out from here, pull from there and think that I could reconcile countless projects, after all, project management was also something that I did well.

But I was used to the corporate world. Almost two decades working on structures that accommodated countless projects, direct and indirect teams, etc. However, it was just me now. And it was obvious that I couldn’t do it all. I did not want to accept it. After all, small entrepreneurs who want to grow to be the big guys always talk about how they worked sooo hard. But, there is a moment you got to say enough is enough.

This moment is terrible. Awful. But necessary. It invites reflection, self-evaluation, and finally that frightening abyss: the necessary change. Because you have the desired change: you refurbish your house, change the decoration, you change your look from romantic to gothic, dye your black hair red, whatever, but it is the result of your creativity, not a necessity.

Finally, after this cocooning period, in which I closed myself and reflected, Eu Levo Vinho gave space to Portugal com Alma.

In this process, I gave up many activities with dear clients, but I needed to focus on what is obviously my greatest passion: Portugal.

The other side of the coin is that Portugal com Alma was born this way: loved, wanted and loved by those who knew her as an embryo, Eu Levo Vinho.

And as a very expected child, Portugal com Alma was born full of energy, full of news, joy and with more passion for the country of my heart. New tours, medieval festivals, mysterious villages, Celtic heritage, thermal water fonts. Guys, lots of good stuff. And a plus: easier payment methods!

The wine was not forgotten, of course not. Neither the trips to other countries. More posts out to come soon. However, from now on, we are Portugal com Alma, because to be Portugal you have to have a lot of soul and love in your heart.

Receita de Canelé Bordelais. E sim, tem tudo a ver com vinho.

Este docinho simples e simpático, típico da região vinhateira de Bordeaux, na França, seduz há séculos. Um pouquinho de história e a receita desta delícia estão bem aqui!

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A associação da canelé com o vinho é simples: os produtores de vinho adicionam claras de ovo ao mosto do vinho, num processo conhecido como clarificação, que retira o excesso de sedimentos do vinho e deixa-o mais suave. Há alternativas modernas ao processo, porém, as claras de ovos ainda são usadas por muitas vinícolas de pequeno porte.

Historicamente, as gemas de ovo oriundas deste processo viraram doces encantadores pelo mundo, e na França, mais especificamente em Bordeaux, foram utilizados para criar os primeiros canelés. Se você estiver em Bordeaux, as canelés são muito fáceis de achar e segundo o povo de lá mesmo, as da Baillardran são as melhores. Se não for o caso, segue a receita.

Nossa receita exige bem poucos ingredientes e eu acho até bem simples de fazer, para tanto sabor. Rende de 12 a 16 porções, dependendo do tamanho da sua forma.

2  detalhes importantes:
. As canelés devem ser preparadas de véspera.
. Deve-se usar a forma própria. Além da questão estética, eu notei que as que eu preparei nas formas de cupcake, ficaram parecidas com queijadinhas, murcharam mais e ficaram mais torradas e secas. A forma tradicional é de cobre, quase impossível de achar até na França. A minha, eu trouxe de lá, mas é de silicone. Ótima. Por aqui, eu já vi em boas casas do ramo.

Ingredientes:
. 1/2 litro de leite
. 2 ovos inteiros
. mais 2 gemas de ovo batidas
. 1/2 fava de baunilha ou 1/2 colher de chá de extrato de baunilha
. 3 colheres de sopa de rum
. 1 xícara de farinha de trigo
. 1 xícara de açúcar mascavo
. 2 colheres de sopa de manteiga
. Manteiga para untar a forma
. Açúcar branco para polvilhar a forma

Instruções:
No dia anterior:
. Ferva o leite com a baunilha e a manteiga. Retire o fogo, deixe esfriar só um pouco.
. À parte, misture a farinha com o açúcar, em seguida, adicione os ovos e as gemas de ovo à essa mistura.
. Depois, despeje esta mistura no leite morno.
. Misture tudo suavemente para obter uma mistura fluída e suave, tipo massa de panqueca. E se achar que errou: não, não errou, a massa fica quase líquida.
. Deixe esfriar e adicione o rum. Pode não usar rum? Pode, mas não é igual e não esqueça que o álcool evapora no forno.
. Leve à geladeira por 24 horas a 48 horas no máximo, a fim de hidratar bem a farinha de trigo.
Para assar as canelés:
. Pré-aqueça o forno a 250ºC.
. Unte a forma própria com manteiga e, em seguida, polvilhe com um pouco de açúcar.
. Despeje a massa apenas até estarem 3/4 cheios – NÃO mais. Parece inacreditável, mas elas crescem no forno e se você encher demais vai ser um rolo.
. Apoie a forma de silicone numa assadeira, e leve ao forno em temperatura alta por 5 minutos, em seguida, baixe a temperatura para 175ºC e continue a cozinhar por 1 hora mais ou menos.
. Os canelés estarão prontos quando sua adorável e quase crocante cobertura estiverem com uma leve crosta marrom, e eles ainda estiverem úmidos, quase como um pudim, por dentro, mas sem soltar sedimentos quando espetados com palito.
. Desenforme com cuidado enquanto ainda mornos.

As minhas ficaram ótimas em relação ao sabor e textura, mas preciso fazê-las mais uniformes, pois as cores estavam muito diferentes e entender também porque murcharam tanto. Diz a lenda que é porque não usei ovos frescos. Onde achar ovos frescos em São Paulo é que é o desafio…

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Você pode servir as canelés com chá ou café, ou desfrutá-las numa versão mais ousada, com vinho do Porto ou conhaque. Aliás é ótima para servir em festas, você prepara na véspera e só põe no forno na hora que for adequada. Bon appetit!

2 histórias se cruzam por um instante e 4 séculos: Solar de Mateus e Mateus Rosé

Portugal tem muitas marcas de vinhos populares ao redor do mundo, por exemplo, Casal Mendes, Periquita, Calamares, Casal Garcia e o Mateus Rosé, para mencionar alguns. Curiosamente, o Mateus Rosé não é muito popular por aqui, porém foi a primeira marca portuguesa de vinho apreciada mundialmente, estando presente em 125 países, há várias décadas.

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A história do Mateus Rosé começa em 1942, quando Fernando Van Zeller Guedes, o fundador da gigante de vinhos portuguesa, Sogrape, criou um conceito distinto, apresentado numa garrafa inovadora. A garrafa foi inspirada nos cantis usados pelos soldados na Primeira Guerra Mundial. O tal vinho era diferente: cor-de-rosa, adocicado, refrescante e com uma efervescência ligeira. O rótulo foi uma homenagem ao grandioso património histórico português.

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Antiga garrafa de Mateus à venda no eBay.

O vinho especialmente concebido para os mercados norte-americano e do norte da Europa, cresceu rapidamente nas décadas de 1950 e 1960 e, no final da década de 80, junto com a versão de branco, representou quase 40% da exportação total de vinho de mesa de Portugal.

No início dos anos 70, Mateus Rosé era o vinho mais popular do mundo. A Rainha Elizabeth está até hoje entre suas fiéis consumidoras. Diz a lenda que a Rainha ficou insatisfeita com a selecção de vinhos oferecida em uma festa privada no Hotel Savoy em Londres no início dos anos 60 e pediu ao maitre que lhe trouxesse Mateus.

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Jimmy Hendrix curtindo um Mateus.

Hoje, o vinho perdeu um pouco de sua popularidade internacional, mas mesmo assim milhares  de estrangeiros (70% dos 80.000 visitantes anuais) buscam o edifício que corre o mundo no rótulo do Mateus Rosé. O Palácio ou Solar de Mateus está situado na freguesia de Mateus, concelho de Vila Real, Distrito de Vila Real e foi construído na primeira metade do século XVIII pelo 3º Morgado de Mateus, António José Botelho Mourão para substituir a casa da família, já existente no local, desde o início do século XVII.

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Um Solar para chamar de seu.

Segundo especialistas, a construção da casa, ou pelo menos de sua fachada central e decoração, é atribuída ao artista, decorador e arquiteto italiano Nicolau Nasoni (Toscana, 2 de Junho de 1691 – Porto, 30 de Agosto de 1773), considerado um dos mais significativos arquitetos da cidade do Porto durante o século XVIII.

A fachada do palácio se destaca pela dupla escadaria que conduz à porta principal, sobre a qual aparece o escudo familiar flanqueado por duas estátuas. No interior,  pode-se visitar uma biblioteca que abriga livros do século XVI, valiosos móveis, porcelanas e quadros e um pequeno museu onde se encontra 1 edição de “Os Lusíadas” de Luís de Camões, da qual só se produziram 200 exemplares. Parte da casa é fechada à visitação, pois ainda é habitada pela família.

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O palácio encontra-se rodeado por um lindo jardim cravado de belas estátuas. Chama a atenção, uma escultura de 1981, de João Cutileiro – Dorme no Lago. E muitas vinhas. Porém, o vinho rosado das garrafinhas bojudas não é feito aqui. O Palácio produz um vinho sim, mas o Porto Quinta da Costa das Aguaneiras. Exatamente, tudo que os 2 têm em comum é a fachada da mansão no rótulo mundialmente famoso e nada mais.

Em 1911, o Palácio de Mateus foi classificado como Monumento Nacional. Acima de tudo, a Casa de Mateus é hoje uma fundação privada, criada para proteger e divulgar o patrimônio histórico e fomentar a atividade cultural.

E mesmo que estas 2 histórias se cruzem por um momento muito mais breve do que eu poderia esperar, recomendo tanto a visita ao Palácio quanto uma boa garrafa de Mateus.

Fonte: Vinho Mateus Rosé e Casa de Mateus

Uva de vinho de garrafão ou não? Você sabe a diferença? / Do you the distinction between indigenous and wine grapes?

Se você é brasileiro e gosta de vinho, deve ter ouvido que existem Vitis Viníferas, ou seja, uvas próprias para se fazer vinho e Vitis Americanas, uvas impróprias para fazer vinho e que quando produzem vinhos, eles são muito criticados e chamados de vinhos “suaves”, “de mesa” ou “de garrafão”. A alegação é que estas são uvas de mesa, ou seja, uvas que servem apenas para serem consumidas ao natural e não para vinificação. Mas, por que?

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O vinho produzido nos países de qualquer das Américas podem ter sido elaborados com uvas viníferas ou com uvas americanas que possuem este nome justamente porque não existem , naturalmente, no continente Europeu. Porém, a maior parte dos vinhos produzidos em todo o continente provém das vinhas européias, as Vitis Viníferas. A origem das V. Viníferas têm suas raízes no antigo Cáucaso (hoje a região onde ficam a Geórgia, Armênia, Azerbaijão) – acredite, por lá já se fazia vinho há 7.000 anos mais ou menos – e incluem os vinhos mais populares do mundo: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. Se quiser saber mais sobre este tema leia: Georgia, o berço do vinho.

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As uvas viníferas têm sido estudadas extensivamente. Elas são o que se pode chamar de elegantes e malvadas, pense O Diabo Veste Prada. Estas uvas são menores, têm sementes duras, suas peles são grossas e também oferecem maior conteúdo de suco vs. polpa. Além disso, elas são sensíveis, difíceis de transportar e quando você morde uma uva vinífera, ela se dissolve, deixando sementes amargas, resistentes e uma casca “chicletosa” na boca. Antipáticas…

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Uma doçura de Touriga Nacional.

O segredo delas é o seu alto teor de açúcar que deixa mãos e dedos pegajosos ao toque. As uvas viníferas, portanto, fazem vinhos melhores e se conservam muito mais tempo após a colheita. Assim, elas também têm uma maior variedade de sabores, que são mais delicados, mais ricos, com um aroma mais agradável, raramente ácido e nunca exalam o peculiar odor desagradável, rançoso e parecido com o aroma de cachorro molhado de muitas variedades americanas . O açúcar, ao fermentar, produz álcool e muitos compostos responsáveis pelos deliciosos aromas do vinho. Para sabe mais sobre aromas, você pode ler nossos artigos Que o álcool afeta muita coisa você já sabia, mas sabe como ele altera o sabor da sua bebida? e também Por que vinho tem aroma de abacaxi, canela ou madeira?

Os vinhos e seus deliciosos aromas.

A pouca utilização das Vitis Americanas na vinificação não se deve à falta de matéria-prima, pois todo o continente americano sempre esteve coberto de videiras. Tanto que em 985, um viking chamado Bjarni Herjolfsson avistou a América, depois que seu navio foi desviado do curso no caminho da Islândia para a Groenlândia. E em 1001, Leif Ericsson, o filho de Eric, o Vermelho, navegou para o oeste para encontrar esta nova terra. Leif e seus homens foram os primeiros europeus conhecidos a ter desembarcado na América. Eles passaram o inverno em um lugar que eles chamaram de “Vinland” (Wineland), justamente pela abundância de videiras no local.

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Os rolezinhos dos Vikings.

A compreensão das uvas de vinho nativas da América não é lá essas coisas. Elas são muito diferentes das viníferas em termos de como e onde crescem, que compostos aromáticos produzem e das técnicas de vinificação especiais devem ser praticadas a fim de que produzam vinhos mais complexos. Infelizmente, por razões comerciais, há pouco incentivo para estudá-las. Das centenas de variedades nativas que foram identificadas nos últimos 200 anos, pouquíssimas estão em cultivo.

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Diversidade de belas e suculentas uvas de mesa.

O que se sabe é que as uvas de mesa são mais bonitas e suculentas, pois são cultivadas de forma a tornarem-se mais desejáveis para o consumo ao natural. As mais modernas não têm nem sementes, têm polpa mais espessa e pele mais fina para fazer aquele delicioso ‘pop’ quando você as saboreia. Aliás, as uvas sem sementes são obviamente mais fáceis de comer, mas saiba que são menos saborosas do que as antigas variedades de uvas de mesa, semeadas.

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Um vistoso cacho de uva Niágara.

Alguns consumidores de vinho de mesa se queixam de uma adstringência desagradável em alguns vinhos de Vitis Viníferas, especialmente nos monovarietais e de que outros não têm caráter de sabor definido.  As uvas americanas, por outro lado, são mais refrescantes e o seu suco não fermentado faz uma bebida deliciosa, carregada de propriedades benéficas à saúde (resvetrarol) sem o prejuízo do álcool.

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Os benefícios do vinho tinto estão igualmente presentes no suco de uva.

Sabe-se também que as uvas de mesa têm menos acidez e menos açúcar do que as uvas viníferas. As uvas de mesa padrão têm um nível Brix de 17-19, enquanto as uvas viníferas têm um nível mais perto de 24-26 Brix na colheita. Brix é a escala utilizada para medir a porcentagem de açúcar em um líquido, algo muito importante no processo de fermentação do suco de uva para vinho.

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Refratrômetro medindo nível de açúcar.

A poda das videiras de mesa e das viníferas é igualmente importante, pois menos uvas equivale a sabores mais concentrados, ou seja, é igual a melhor vinho. Uma videira excessivamente vigorosa vai produzir um montão de uvas de qualidade fraca. Uma videira de menor vigor produzirá menos uvas muito mais concentradas. Uma única  videira de uvas de mesa como a Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) pode produzir 7 -14 kg. Uma Zinfandel (Vitis vinifera) produz cerca de 4-6 kg de uvas por videira. Taí a razão porque o vinho de uva de mesa é bem mais barato.

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Vitis vinífera bem podadinha para concentrar aromas e sabores.

Os agrônomos tentam unir por hibridização o lado bom da Vitis Vinífera com melhor das Vitis Americanas, buscando variedades fortes, saborosas e aromáticas como por exemplo a Goethe, mencionada em Aposto que desta uva você nunca ouviu falar. No entanto, apesar dos esforços dos produtores, poucos destes híbridos têm valor comercial. Como a gente já viu, a natureza, até agora tem feito um trabalho melhor. Mas isto todo mundo sabe, né?

Fonte: The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape


If you are Brazilian and you enjoy wine, you must have heard that there is a Vitis vinifera (wine grape), grapes suitable for making wine and a Vitis Americana (indigenous grapes), grapes unfit for winemaking.

Wines produced with indigenous grapes are much criticized and called “soft” or “table” wines. The claim is that these are table grapes, only used for consumption in natura and not for winemaking.
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Most of the wines produced in America come from wine grapes, Vitis Vinifera. The origin of V. Vinifera has its roots in the ancient Caucasus (where Georgia, Armenia, Azerbaijan are) – wine was produced in this region 7,000 years ago or more – and include the most popular wine grape varieties: Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay, etc. If you want to learn more about this, read: Georgia, the cradle of wine.
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Wine grapes have been thoroughly investigated. They are what you can call elegant and evil, think The Devil Wears Prada. These grapes are smaller, have hard seeds, their skins are thick and offer higher content of juice. In addition, they are sensitive, difficult to transport and when you bite a grape, it dissolves, leaving bitter, hardy seeds and a “chewing” ladle in the mouth.
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Their secret is a high sugar content that leaves hands and fingers sticky to the touch. Fermented sugar produces alcohol and many compounds responsible for the delicious aromas of a wine.
Wine grapes produce better wines and last for much longer after harvest. They have a greater variety of flavours, more delicate, richer, with a pleasant, acidic aroma. Rarely or never smelling unpleasantly like mould or a wet dog as many indigenous grape varieties do. To learn more about aromas, you can read our articles: You knew alcohol affects a lot, but do you realize how it changes the feel of your drink? And still Why wine has the aroma of pineapple, cinnamon or wood?
The little use of American Vitis in the production of wine is not due to the lack of raw material because the whole American continent was always covered with vines. So much so that in 985, a Viking named Bjarni Herjolfsson sighted America, after his ship was diverted from the course on the way from Iceland to Greenland. In 1001, Leif Ericsson, the son of Eric the Red, sailed west to find this new land. Leif and his men were the first known Europeans to land in America. They spent the winter in a place they called “Vinland” (Wineland), precisely because of the abundance of vines.
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Research on indigenous grapes native to America is not particularly developed. They are noticeably different from wine grapes in how and where they grow, what aromatic compounds they produce, and special winemaking techniques practised to produce more complex wines.  Unfortunately, for commercial reasons, there is little incentive to study them. Few of the hundreds of native varieties that have been identified in the last 200 years are grown.
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The diversity of exquisite and juicy table grapes.
Table grapes are graceful and juicy because they are grown to become desirable for natural consumption. Modern ones have no seeds, thicker flesh and thinner skin to make that delicious ‘pop’ when you eat them. For the rest, seedless grapes are obviously easier to eat but are less palatable than the old varieties of seeded table grapes.
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A colourful bunch of Niagara Grape.
Indigenous grape wine consumers complain of an unpleasant astringency in Vitis Vinifera wines, especially in monovarietals, and that others do not show a definite flavor quality.  Indigenous American grapes, on the other hand, are more refreshing and their unfermented juice makes a delicious drink, loaded with health valuable properties (resvetrarol) without the alcohol.
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The benefits of red wine are present in grape juice.
It is known American native grapes are less acid and less sugary than wine grapes. The standard indigenous grape presents a Brix level of 17-19, while the wine grape is closer to 24-26 Brix in the harvest. Brix is the scale used to measure the percentage of sugar in a liquid, essential in the fermentation process of wine grape juice.
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Refractometer measuring sugar level.
The pruning of native vines and grapes is equally important, as fewer grapes are equivalent to more concentrated flavours, to better wine. An overly vigorous vine will produce a heap of grapes of poor quality. A less vigorous vine will produce less concentrated grapes. A single native grapevine such as the Cowart Muscadine (Vitis rotundifolia) can produce 7 -14 kg. A Zinfandel (Vitis vinifera) produces around 4-6 kg of grapes per vine. That’s why table grape wine is much cheaper.
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Vitis vinifera well trimmed to concentrate aromas and flavours.
Agronomists try to hybridize the good side of Vitis Vinífera with the best of Vitis Americana, searching for strong, tasty and aromatic varieties such as Goethe, mentioned in I bet you never listened of this grape. However, despite the efforts of producers, few of these hybrids are of commercial value. As we saw, nature so far has done a better job. But everybody knows that, right?
Source:  The Domestication of American Grapes  by Professor U. P. HEDRICK e Table Grapes x Wine Grape