Os Ananás de São Miguel dos Açores

O nosso abacaxi de todo dia (Ananas Comosus), em Portugal é mais conhecido como ananás. Porém, nosso assunto de hoje é o Ananás de São Miguel dos Açores, uma fruta única em vários aspectos. Mas, para ter certeza que você está provando o Ananás de São Miguel dos Açores verdadeiro, vamos contar algumas histórias.

dsc05102

A literatura fala dele como o rei dos frutos e a ciência descobriu uma quantidade de bromelina,  a desejada enzima que ajuda a digestão e a queimar gorduras – bem maior do que a que tem o seu rival abacaxi.

dsc05126

A cultura do Ananás foi introduzida em meados do século XIX em São Miguel, e como tudo neste arquipélago, adquiriu um modo bem incomum de se desenvolver, demorando cerca de 2 anos desde a plantação até à colheita do fruto, cujas qualidades de aroma e sabor são consideradas únicas.

dsc05116

O Ananás (Ananassa Sativus Lindl), ou seja, uma variedade distinta das mais comuns, é cultivado em estufas de vidro na ilha e é originário da América Central. Chegou no arquipélago português como planta ornamental em meados do século XIX, tornando-se um produto comercial a partir da década de 60.

dsc05110
Uma típica estufa de Ananás (Ananassa Sativus Lindl) em São Miguel dos Açores. Visão interna.

thumb-php

 

Em 2013, oMcDonald´s lançou um sundae edição especial com a badalada frutinha.

A primeira particularidade é que as frutas são plantadas em estufas. Estas estufas possuem janelas que servem para regular a temperatura e o arejamento dentro delas. A primeira fase da cultura começa num estufim (uma estufa menor) onde se plantam as tocas, os bolbos escolhidos das plantas que já deram frutos.

dsc05128
As estufas onde são cultivados os Ananás de São Miguel dos Açores. Visão externa. 

 

dsc05109
As pequenas tocas.

Depois de 1 mês, despontam os brolhos que serão transplantados nas estufas onde serão cuidados com temperatura e humidade controlada durante mais uns 4 meses. Aí vem o diferencial: o processo chamado fumo. Este processo meio que descoberto ao acaso, consiste numa intoxicação da planta, que obriga a todas a florescerem ao mesmo tempo, permitindo uma colheita mais homogênea. No fim do dia, queimam-se aparas e verduras de modo a produzir um espesso fumo que invade a estufa. No dia seguintes, as janelas são abertas para permitirem o arejamento. Esta operação dura cerca de 8 dias, conforme a estação do ano.

 

dsc05115
Jovem brolho
dsc05108
Prontos para serem submetidos ao processo do fumo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mais interessante é como o processo foi descoberto ao acaso. Como a plantinha chegou aos Açores como uma variedade ornamental e acabou nas salas dos grandes proprietários de terras do local que gostavam muito de apreciar um charuto com o vinho vindo do Porto. Aos poucos, observaram que a planta reagia diferente quando exposta à fumaça destes charutos e criaram, naturalmente, uma variedade de abacaxi DOP, que custa entre entre 5 a 6 vezes o que custa o abacaxi normal e é o queridinho de muitos gourmets pelo mundo. Mas não se deixe enganar, busque o selo DOP e certifique-se do que compra, porque mesmo em Portugal continental você corre o risco de levar gato por lebre.

_dsc0007dsc05114

Um comentário sobre “Os Ananás de São Miguel dos Açores

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s