“Atravessamos o deserto do Saara, o sol estava quente e queimou a nossa cara”… Mas a sede a gente matou com vinho.

“Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! Allah! Allah, meu bom Allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! Meu bom Allah”
Parece que apesar do pedido de água, os egípcios queriam mesmo era vinho.

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O rótulo é provavelmente a melhor fonte de informações sobre qualquer produto que você consuma, especialmente alimentos. E normalmente a mais ignorada. Milhares de ONGs se matam para consegui que as grandes empresas alimentícias coloquem em Arial 9 no canto direito do verso que o produto X contém um alergênico que pode matar alguém em minutos como, por exemplo, amendoim.

Provavelmente a falta de vontade de ler vem da quantidade enorme de informações que os rótulos contêm. Eu, pessoalmente, olho a data de validade e boa. Agora quando se fala de vinhos, todo mundo quer os detalhes picantes: vinícola? região? safra? casta?

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Obviamente, se você toma o exemplo de um vinhos francês o rótulo pode ser tão longo quanto um EBook, e provavelmente mais complexo do que muitos enigmas da humanidade.

Ainda assim,  sem o rótulo, não haveria maneira de identificar quais as uvas foram usadas para elaborar tal néctar, em quais das muitas regiões do mundo o vinho foi feito, qual dos grandes gênios da enologia moderna o elaborou, ou se sua safra foi seca, ensolarada, húmida, tardia, etc. E tudo isso parece meio sem graça para quem só quer uma vinhozinho para tomar com a pizza na sexta-feira, mas é uma informação fundamental para aqueles que põe preço nos vinhos. É exatamente por isso que os antigos egípcios inventaram o rótulo.

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Creia você ou não, entre 1.550 e 1.070 aC, o Egito dominava o comércio de vinho. Eles utilizaram pela primeira vez as ânforas, padronizando o transporte do vinho e tornando-o mais fácil, criando selos de canas e barro que protegiam o vinho enquanto ele rodava o mundo.

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Como o Egito se tornou o centro do mundo do vinho, o vinho rapidamente tornou-se a bebida prestígio entre nobreza. Os sumos sacerdotes e reis adotaram a bebida que não era nativa da região, mas acabou chegando por lá pelas rotas comerciais e foi adaptada ao terroir local. E não demorou para que os egípcios descobrissem o prazer de uma boa adega recheada de deliciosos vinhos para compartilhar com os amigos.

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Alguns deles até queriam levar suas ânforas preferidas consigo após a morte – caso do rei Tutancâmon que foi enterrado com mais de 26 ânforas cheias de diferentes vinhos – achando que valia garantir uma chegada animada no mundo pós-vida.

Os 26 vinhos descobertos no túmulo do rei Tutancâmon incluem exemplos como: “Ano 4. Vinho de muito boa qualidade da Casa-de-Aton do rio ocidental. Vinicultor chefe Khay “.

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Era por isso que eles queriam saber exatamente qual o vinho estava dentro de cada ânfora, portanto, um sistema de rotulagem foi adotado. O sistema foi extremamente específico, o ano, qual vinho foi elaborado, onde foi feito, quem o fez e até mesmo o estilo do vinho. Toda esta informação foi impressa na ânforas de barro enquanto elas secavam. Muitas vezes, também, os egípcios incluíam notas sobre o quanto de vinho as ânforas continham e se o vinho era bom, ótimo ou excelente – basicamente criando as primeiras avaliações do vinho.

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A safra, ao que parece, era a informação mais relevante para os antigos egípcios. Com base em escavações do túmulo de Tutancâmon, os pesquisadores descobriram que apenas vinhos produzidos em certas anos foram enterrados com o rei, levando-os a acreditar que até mesmo séculos atrás, esses amantes de vinho antigos estavam prestando atenção a que anos foram bons e quais eram ruins, estabelecendo padrões que seriam seguidos após milhares de anos!

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Fonte:The first wine label was invented in Egypt

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