A Monção de uma brava heroína e sua história centenária

Anteriormente, falamos de Melgaço, uma das vilas que junto com Monção compõe a Região Demarcada dos Vinhos Verdes, uma das regiões vitícolas mais antigas de Portugal. Monção compartilha da magnífica beleza do anfiteatro natural que caracterizamos quando falamos de Melgaço.

As 2 vilas têm mais de 700 anos de história possuindo belos castelos, o Castelo de Melgaço que já vimos e o Castelo de Melgaço. Ambos defenderam este território fronteiriço desde a conquista da independência portuguesa.

Assim como Melgaço, Monção pertence ao Distrito de Viana do Castelo e tem cerca de 2.500 habitantes. O município é limitado a norte por Salvaterra do Minho e Arbo, ambas em Galicia e a leste por Melgaço.

Outro fato que compartilham é o terroir perfeito para o cultivo da Alvarinho. Aliás, o reconhecimento da qualidade do vinho de Monção e Melgaço vem do século XIV. Nessa época, o vinho desta região era extremamente procurado pelos ingleses que o trocavam por bacalhau.

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A beleza das águas do rio Minho.

Durante as guerras fernandinas (entre D. Fernando, rei de Portugal e D. Henrique de Castela, no séc. XIV) Castela impôs um duro cerco à vila de Monção. O cerco já durava muito tempo e a situação começou a ficar complicada dentro das muralhas. Foi aí que Deu-la-deu Martins, esposa do alcaide local, agiu. Mandou recolher a pouca farinha que restava e com ela fazer pães. Com os pães já cozidos nas mãos, a corajosa Deu-la-deu subiu à muralha e atirou-os gritando: “A vós, que não podendo conquistar-nos pela força das armas, nos haveis querido render pela fome, nós, mais humanos e porque, graças a Deus, nos achamos bem providos, vendo que não estais fartos, vos enviamos esse socorro e vos daremos mais, se pedirdes!”. O blefe funcionou, o inimigo acreditou que ainda havia muita fartura dentro das muralhas, levantou o cerco e se mandou. Foi assim que a corajosa Deu-la-deu salvou a cidade e ficou, para sempre, ligada à história de Monção.Mas estes tempos vão longe e hoje a fartura marca a gastronomia desta região.

Além da gastronomia, da beleza natural, e do deliciosos Alvarinho, aliás um dos meus preferidos se chama justamente Deu-la-deu, Monção conta com um recanto muito especial para quem quer se hospedar por lá ou a caminho de Santiago de Compostela: o Solar de Serrade. Esta casa armoriada de meados do século XVII, de arquitetura típica solarenga altominhota parou no tempo. Tudo remonta a séculos anteriores, desde o interior até a capela e o jardim romântico.

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O morgado de Serrade foi instituído pelo Padre Dr. Belchior Barbosa e os seus sucessores foram personalidades importantes que andaram por Moçambique e pelas Índias. A imponência do Solar já diz tudo.

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Em 1801, o Solar chegou a abrigar o Quartel General das forças de vigilância de fronteira, sob o comando do Marquês de la Rosière e desde então, tem recebido a visita de diversas personalidades.

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Tetos tradicionais em masseira e salões com lareira, são um convite à tranquilidade e ao lazer. Tudo está arrumado para quem você se sinta em casa e não um hóspede.


O Solar de Serrade é um bom exemplo da recuperação do património arquitetônico da região Altominhota. Os quartos são um capitulo a parte, desde as namoradeiras nas janelas, banheiras antigas e inclusive… penico! E ao contrário de alguns hotéis deste gênero, este tem um  preço bem acessível.

O Solar produz um delicioso Alvarinho que apesar da produção relativamente pequena, segue até para exportação devido à reconhecida qualidade.

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Estando por estas bandas, não deixe de conhecer o imponente Palácio da Brejoeira, suas vinhas bosques e jardins, localizado só a 6 quilômetros a sul de Monção. O Palácio foi erguido nos primeiros anos do século XIX, tendo as obras se prolongado até 1834. Incrivelmente, não pertenceu a ninguém da nobreza. Dá para acreditar?

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Espero que tenham gostado e até o próximo post.

Fontes: Solar de SerradeRota do Vinho Verde

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