A beleza tranquila de Melgaço e um Alvarinho muito diferente

Adoro o norte de Portugal. Além das raízes de parte da família, o Minho, região que faz fronteira com a Espanha, é terra de gente amável, de paisagens verdejantes e da magnífica Alvarinho. E foi ali, no distrito de Viana do Castelo, que fui buscar Melgaço, uma vila de cerca de 1.500 habitantes, limitada a norte e leste pela Espanha e a oeste por outra jóia do Minho, a vila de Monção. É claro que o GPS aprontou das suas e eu acabei numa estradinha minúscula. Na Espanha!

Parece que este é o melhor caminho mesmo, mas com os mapas velhos do GPS e já bem dentro da Espanha, não consegui ativar o Waze que funciona com operadora de Portugal para checar o caminho. Então o jeito foi ir em frente. Normalmente eu não gosto de dirigir, mas confesso que esta paisagem é tão bonita que eu até curti.

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Lindas paisagens pontuadas pelos típicos espigueiros.

Foi assim que Melgaço se revelou: como uma verdadeira rainha da beleza minhota, desfilando numa espécie de palco, cercada por montanhas que deslumbram e que parecem formar uma platéia de onde se pode em troca, contemplar o charme ancestral da cidadezinha.

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Cheguei por lá na hora do almoço e minha reunião só estava agendada para a tarde. Um momento tranquilo, numa vila já muito tranquila. Aproveitei para almoçar no parque, percorrer as ruelas e visitar os principais pontos turísticos. Veja só minhas companhias…

 

Hora do almoço + cidade pequena = tudo fechado. Gostaria de ter visitado o Solar do Alvarinho, mas não foi possível. É uma construção linda e vai ficar para a próxima com certeza. Veja por você mesmo: Solar do Alvarinho – Melgaço

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Outra visita que vale a pena são as 2 igrejas. Tudo muito pertinho num percurso que você faz a pé. Bem rapidinho, mas deixe tempo para desfrutar da beleza exterior e interior.

Outro ponto de visita imperdível é o Castelo de Melgaço, principal ponto de defesa fronteiriça do Alto Minho no século XII, localizado quase às margens do rio Minho cujas ruínas vigiam até os dias de hoje a travessia para a Galícia.

 

Mas já era hora de interromper o passeio e trabalhar. Então, rumei para a Soalheiro.

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A Quinta de Soalheiro está localizada bem pertinho do centro de Melgaço e também desfruta da beleza privilegiada da região, cercada por um conjunto de serras que além do visual fantástico, criam as condições de pluviosidade, temperatura e horas de sol necessárias à melhor maturação das uvas da casta Alvarinho. Este incrível terroir foi cuidadosamente composto pela natureza assim:

  • pluviosidade: regulada pelo Rio Minho que separa Portugal de Espanha.
  • temperatura: as colinas proporcionam as encostas que protegem e aquecem o vale, barrando o frio do norte ou do Oceano.

Esta peculiaridade se estende à cidade de Monção logo ali ao lado e o perfil do Alvarinho da sub-região de Monção e Melgaço é reconhecidamente diferente. Aqui, apesar das condições favoráveis ao desenvolvimento de todo o potencial da Alvarinho, o custo de produção é bastante alto e o quilo da uva custa em média o triplo do que se paga no resto da região, devido às características do relevo e ao tamanho das propriedade.

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Mas voltando à Soalheiro, a quinta foi plantada em 1774 por João António Cerdeira que lançou em 1982, a primeira marca de Alvarinho de Melgaço, a Soalheiro. Hoje, uma área significativa das vinhas se encontra em produção biológica, promovendo a biodiversidade da fauna e flora local. É exclusivamente destas vinhas que nascem as uvas que vão dar origem ao Soalheiro Primeiras Vinhas e ao Soalheiro Reserva.

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Uma característica interessante da Soalheiro é a maneira como utilizam a madeira em seus vinhos. Como exercício de degustação, é super legal perceber como um vinho branco, em especial feito de uva Alvarinho pode manter sua fruta e frescor e crescer com o uso da madeira. Este é um trabalho feito por poucos, pois qualquer equívoco pode arruinar o vinho e produzir algo parecido com “chá de madeira”. Na região do Minho existem apenas 3 ou 4 produtores que usam madeira com a devida maestria.

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Outros 2 vinhos que você não pode perder são os espumantes Rosé (feito com Alvarilhão e Touriga Nacional) e o de Alvarinho.

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Acho que são importados pela Mistral, e lembrando sempre que este blog é independente, convido vocês a conhecerem os vinhos da Soalheiro que vão proporcionar uma experiência fantástica e bem distinta quando você pensar em vinhos verde. Saúde!

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2 comentários sobre “A beleza tranquila de Melgaço e um Alvarinho muito diferente

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