Uma tarde na Praia do Rosa: pescadores, surfistas, artesãos e vinho. Adivinha de que tipo?

Durante nossas férias em Florianópolis, resolvemos explorar mais a região e rumamos para a Praia do Rosa, considerada uma das 30 baías mais belas do mundo, localizada a cerca de 1 hora ao sul de Floripa, logo ali, entre Garopaba e Imbituba.

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A natureza selvagem da Praia do Rosa.

Esta antiga vila de pescadores subsistia da pesca artesanal da tainha, delícia típica desta região, cuja temporada vai de maio a junho, quando o tradicional carro de boi é o meio utilizado para transportá-las pelas apertadas estradas de terra. Você pode não acreditar em mim agora, mas vai saber do que estou falando quando ver as aldeias indígenas à margem da rodovia. Taí uma região que ainda luta para manter suas raízes.

Este paraíso natural também é conhecido por propiciar no período de agosto a novembro a observação da baleia Franca, já que esta elegeu este local como seu berçário natural. Aqui ela alimenta seus filhotes nos seus primeiros meses de vida para daí partir para viagens mais longas. A vila possui uma meia dúzia de praias diferentes e 2 lagoas, a do Peri e a da Ibiraquera, onde a pesca do camarão é a grande atração nas noites de lua cheia.

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As águas mansas da Lagoa do Peri. Não confunda com a de mesmo nome em Floripa…

É isso aí, bicho…. Além da fauna e da beleza natural, esta vila, descoberta por surfistas na década de 70, é conhecida pela concentração de artistas e artesãos que buscaram refúgio em suas areias, fazendo com que o centrinho da cidade seja um colorido e animado conjunto de pequenas lojas interessantes. Isso sem contar um sem número de restaurantes diferentes.

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Logotipo da Dominio Vicari feito em cerâmica.

Foi este ambiente que atraiu a ceramista Lizete Vicari há mais de 20 anos. No entanto, esta gaúcha de Bento Gonçalves, não conseguiu, nem mesmo neste paraíso abandonar a antiga paixão pelo vinho que corre em suas veias.

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Detalhe em cerâmica no Domínio Vicari.

A família Vicari é produtora de uvas viníferas de qualidade que abastecem renomadas vinícolas da Serra Gaúcha há décadas, mas nenhum de seus membros havia se aventurado a vinificar até que Lizete e o filho José Augusto, enólogo, resolveram assumir o projeto.

Dona de sorriso largo, olhos vivazes, irrequieta mesmo quando está parada, a gente sente a energia criativa dela brotando em várias dimensões. Aí já vi que era bom me preparar pra coisa boa.

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Lizete: simpatia, consciência ecológica e vinhos muito especiais.

Para se encaixar em seu estilo de vida, o vinho tinha que oferecer algo a mais. Ou a menos. Adepta de um estilo de vida sustentável, Lizete optou por vinhos orgânicos, de vinhedos localizados em Bento Gonçalves e Urubici (planalto catarinense). As uvas são escolhidas criteriosamente, trazidas em caminhões refrigerados e vinificadas ali mesmo, pertinho da praia. Tem coisa mais especial? O processo é totalmente artesanal e natural, com influência mínima da mão humana. Desde a maceração por gravidade até o engarrafamento manual, tudo ocorre de maneira para que a uva realmente possa expressar suas características, sem interferência.

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Roldanas para o processo de maceração por gravidade.

As castas variam das conhecidas Merlot e Cabernet Sauvignon nas tintas ou das tradicionais Sauvignon Blanc e Riesling Itálico nas brancas até as menos conhecidas Ribolla Gialla, Grechetto e Petit Manseng. Mas apesar de toda esta variadade, como toda produção artesanal, de produtos orgânicos, a da Vicari é muito restrita e não espere encontrar estes vinhos por toda parte.

Eu tive o prazer de degustar um Sauvignon Blanc que não é nada tradicional. Fica claro o herbáceo desta casta, mas não senti  o maracujá típico. Acredito que numa degustação às cegas enganaria até os mais experientes. Percebi algo de palha seca muito interessante. Um vinho mineral, com boa acidez e bom de beber. Ficou ótimo com um ceviche.

Só pela cor do Sauvignon da Lizete já dá pra ver que ele vai trazer surpresas.
Só pela cor do Sauvignon da Lizete já dá pra ver que ele vai trazer surpresas.

Deu água na boca? Você pode pedir os vinhos direto com a Domínio Vicari, ou degustá-los em 4 lugares muito especiais.

  1. BH –Trindade Bar e Restaurante
  2. RJ – Restraurante Aprazível
  3. SP – Enoteca Saint Vin Saint
  4. SP – Ovo e Uva

Normalmente os Vicari vinificam monovarietais, mas pela primeira vez, no ano passado, produziram um corte da aromática Malvasia de Candia com a Petit Manseng, normalmente utilizada em vinhos doces, de colheita tardia no Sudoeste da França.

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E nesta safra vem mais novidade por aí. O Domínio Vicari vai produzir vinhos de talha pela primeira vez. Esta eu não quero perder mesmo.

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Para chegar até a Praia do Rosa, é bem fácil, basta entrar no Trevo de Garopaba, Km 274 da BR-101.  Aproveite e também dê uma passadinha em Garopaba mesmo, a 20km dali. Esta antiga vila açoriana é um charme com suas casas em estilo típico da época da colonização.

E vem mais sobre os arredores de Floripa por aí. Aguarde!

2 comentários sobre “Uma tarde na Praia do Rosa: pescadores, surfistas, artesãos e vinho. Adivinha de que tipo?

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