Tudo o que você precisa saber sobre vinhos orgânicos e biodinâmicos para ampliar seu leque de opções

Hoje nós vamos explicar direitinho para você o que são 2 tendências mundiais que vêm ganhando cada vez mais força: a dos vinhos orgânicos e biodinâmicos. Não podemos nunca esquecer a origem agrícola deste produto que muitas vezes é elitizado e glamurizado nas prateleiras de supermercados e empórios, tão longe das terras e vinhas que lhe deram vida. Portanto para entender estes vinhos, vamos primeiro falar de agricultura.

Buscando melhorar a produtividade da atividade agrícola e abastecer uma sociedade que se tornava cada vez mais urbana e industrial, os fertilizantes artificiais foram criados durante o século 18, justamente a época da Revolução Industrial e do êxodo rural. Inicialmente tinham como base os superfosfatos  e em seguida, o amoníaco. Estes fertilizantes eram baratos, poderosos e fáceis de transportar. Porém, a utilização deles ganhou terreno na década de 1940, no pós guerra, conhecida como a “era do pesticida”. Estas novas técnicas agrícolas traziam benefícios no curto prazo, mas provocavam efeitos secundários graves a longo prazo, como por exemplo:

  • a compactação e a erosão do solo;
  • o declínio na fertilidade do solo;
  • os danos à saúde devido a produtos químicos tóxicos que entram no abastecimento alimentar.

E não demorou para alguns agricultores perceberem a degeneração de suas plantações e a perda de fecundidade de suas terras e recorrerem a um cara chamado Rudolf Steiner. Este cientista austríaco tinha vários interesses, entre eles a agricultura. Junto deste grupo de agricultores, ele buscou novas técnicas de plantio e em 1924 apresentou um ciclo de conferências destinadas a cientistas, veterinários e agricultores e estabeleceu a base da agricultura biodinâmica.

Outra iniciativa ocorreu entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1940 através de Sir Albert Howard e de sua esposa, Gabrielle Howard, ambos botânicos, que desenvolveram a agricultura orgânica. Os Howards foram influenciados por suas experiências com os métodos tradicionais de cultivo na Índia, pela biodinâmica e pela sua educação científica formal. Sir Albert Howard é considerado o “pai da agricultura biológica” porque ele foi o primeiro a aplicar o conhecimento científico nestes métodos tradicionais e mais naturais.

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A joaninha é o símbolo da agricultura orgânica, também chamada de biológica. Fique de olho!

A agricultura orgânica utiliza fertilizantes e pesticidas (que incluem herbicidas, inseticidas e fungicidas), se forem considerados naturais (tais como farinha de ossos de animais ou piretrina das flores), mas exclui ou limita o uso de:

  • fertilizantes sintéticos;
  • pesticidas petroquímicos;
  • reguladores de crescimento de plantas, tais como hormônios;
  • uso de antibióticos na criação de animais,
  • organismos geneticamente modificados (este item é um pouco polêmico, pois alguns acreditam que os OGMs podem apresentar vantagens);
  • lodo de esgoto humano

por razões de sustentabilidade, transparência, independência, saúde e segurança.

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Muitas organizações certificam as plantações e a produção de vinhos para garantirem ao consumidor final a adequação do produto às suas regras.

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A agricultura biológica é uma forma de agricultura que se baseia em técnicas como:

  • a rotação de culturas;
  • adubação verde;
  • compostagem e;
  • controle biológico de pragas.
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As regras para a produção de vinho orgânico são claras.

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A diferença entre a agricultura orgânica ou biológica e a biodinâmica é que, além de basicamente adotar todas as regras da agricultura orgânica, a biodinâmica trabalha também com o conhecimento do ciclo cósmico, pois para os agricultores biodinâmicos, o reino vegetal não se emancipou das forças cósmicas, sendo um reflexo do que se passa no Cosmo. É um pouco mais filosófica e mais complicada que a orgânica porém se baseia nesta em seus preceitos básicos.

O aumento da conscientização ambiental na população em geral, especialmente na Europa,  transformou o movimento orgânico originalmente centrado na oferta para uma estratégia orientada pela demanda. A prática de preços premium e de subsídios do governo também atraíram produtores.

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Mas calcula-se que a partir de 2011, aproximadamente 37 milhões de hectares em todo o mundo foram cultivados organicamente, o que representa apenas cerca de 0,9% da superfície agrícola total mundial. Ou seja ainda há muito o que fazer e muitas cabeças a mudar para que a agricultura orgânica seja padrão, não exceção.

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O vinho orgânico é feito de uvas cultivadas de acordo a práticas da agricultura orgânica, ou seja, produzidas sem pesticidas sintetizados quimicamente, sem fertilizantes químicos e sem herbicidas. Além disso existem limitações no uso do que vai na vinha, a proibição de certos processos de vinificação e a redução dos níveis de sulfito autorizados.

Vinhos sem sulfito
O vinho orgânico utiliza menos sulfito, um conservante, na sua produção, e alguns vinhos são produzidos totalmente sem sulfito.

E nas vinhas, a situação não é diferente. A videira é uma planta bastante delicada e sensível às pragas, especialmente as advindas da humidade. Por isso, não é de espantar que, por exemplo, os vinhedos franceses representem menos de 4% das terras dedicadas à agricultura, mas usem 14% dos pesticidas. (Fonte: INRA 2010)

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Degustação livre de vinhos orgânicos na Vinexpo. É só chegar, degustar e tem material de apoio também.

Agora vamos aos vinhos cuja variedade impressionou.

Um rosé do Domaine des Carabiniers da região de Tavel apresentou-se muito frutado, mas levemente cozido o que lhe tirou um pouco do frescor.

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Este Sancerre da Le Tournebride apresentou-se cítrico, fresco, aromático com notas florais lembrando jasmim.

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O outro Domanie des Carabiniers da região de Lirac mostrou-se herbáceo e fresco.

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O Château Fougas é um vinho poderoso cheio de frutas vermelhas, taninos afinados e muito frescor. Este declara ser um vinho orgânico no rótulo.

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O Château La Roque é um vinho interessante com frutas vermelhas e notas de menta. Leva a designação biologique que significa orgânico no rótulo.

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Um delicioso Merlot do Domaine Émile Grelier que também leva a designação de orgânico no rótulo.

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O branquinho da Vignoble des 2 Lunes é floral, delicado e um pouco açucarado.

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Foi possível ver que os vinhos orgânicos além de cuidarem melhor do planeta, apresentam uma variedade muito interessante. Nos próximos posts nós vamos continuar a contar para vocês sobre vinícolas que praticam a agricultura orgânica e produzem vinhos imperdíveis.

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