Há Pão – O Nascimento do Primeiro Vinho Engarrafado dos Cardoso

Vinho é cultura, é raiz, é origem, é família. E para entender o que realmente é o vinho, nós fomos a Portugal fazer vinho do Dão com a família Cardoso, em Urgueirinho.

Chegamos bem perto da data da colheita. É uma época de muita ansiedade, pois cada enólogo e vitivinicultor está atento ao tempo: a quantidade de chuva, sol e calor determinam a proporção de água e açúcar na uva, características super importantes para o fundamental processo de fermentação do vinho. Qualquer nuvem no céu provoca uma corrida ao computador mais próximo para uma consulta à previsão do tempo. Pois é, nem tudo é sempre tão rural…

Vamos que vamos!
Vamos que vamos!

Definida a data exata da colheita, toca conferir com os vizinhos quem está disponível para ajudar, pois a colheita é trabalho, celebração, festa e portanto uma atividade que envolve a comunidade. O dia começa cedo. Colhemos cacho a cacho debaixo de sol, depositando-os nos balseiros ao longo das vinhas e depois levando os mesmos até o trator. O dia todo. A rotina só é quebrada nas paradas para o lanche e pela música cantada pelo pessoal da aldeia.

Preparar. Apontar. Fogo!
Preparar. Apontar. Fogo!
Olha aí a criança feliz!
Olha aí a criança feliz!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No fim da tarde, as costas e pernas reclamam da atividade física exaustiva, porém a satisfação de ver dezenas de balseiros cheios de uvas maduras se dirigirem à adega é enorme. Mas o trabalho está apenas começando e o primeiro passo na chegada é o desengaçe para depositar a fruta no lagar. Seguida da primeira pisada. Não tive a experiência mítica dos tambores marcando ritmo, nem do abraço comunitário, muito menos das 8 horas ininterruptas do trabalho. É um lagar pequeno. Autêntico vinho de garagem. Agora, o trabalho é duro e quando terminou o dia, juro, eu estava zonza de cansaço.

Balseiros cheios no trator. Hora de procurar um lagar.
Balseiros cheios no trator. Hora de procurar um lagar.
A primeira pisa a gente nunca esquece.
A primeira pisa a gente nunca esquece.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia seguinte, adivinha o primeiro pensamento quando abri os olhos: como está o vinho? Verdade. Logo corri para o lagar e vi que estava lá. Quietinho, misterioso. As uvas esmagadas guardando sua química, ocultando seu segredo. No fim da tarde, mais uma pisada. Quanto tempo? Bom, isso é uma decisão desse pessoal que cresceu fazendo vinho… Eu só pisava. Feliz da vida, pisava e pisava.

Caprichando na extração!
Caprichando na extração!
Pisa e pisa.
Pisa e pisa.

 

 

 

 

 

E assim fizemos por 7 dias. Na verdade 7 noites. À tardinha era hora de pôr o uniforme (sim, vinho mancha) e pisar por meia horinha, mais ou menos. Pela manhã sempre a mesma expectativa: qual a mágica aconteceu durante a noite? Tem aroma distinto? A aparência mudou? E sim, a cada dia as cascas afinam e sobem, o líquido vai se separando por baixo e engrossando, a temperatura sobe com a atividade frenética das leveduras e os aromas se intensificam. Era a magia do vinho acontecendo bem na minha frente. E incrível, tudo isso você pode literalmente sentir na pele, na pisa cuidadosa e paciente. Por isso os portugueses são ferrenhos defensores deste método artesanal e caro.

Marcas na pele.
Marcas na pele. Olha aas manchas dos pezinhos no pano lá do fundo.
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Chapéu formado. O que você está escondendo aí?

 

 

 

 

 

 

Finalmente, chega o dia! Hora de interromper a maceração. Tudo muito artesanal. Pegamos um tubo, encaixamos no local próprio, no fundo do lagar e dá-lhe uma bomba para levar o precioso líquido para o inox. Um processo que exige paciência. Aliás como tudo o mais no vinho.

Chega de maceração. Bora pro tanque.
Chega de maceração. Bora pro tanque.

Quando a extração do líquido terminou, estava na hora do trabalho realmente duro: a extração do vinho de prensa. Toca a juntar tudo o que sobrou no lagar e colocar na … prensa.

Vem, meu precioso mosto, vem.
Vem, meu precioso mosto, vem.
E depois, é hora do aperto. Foooorça.
E depois, é hora do aperto. Foooorça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O vinho de prensa, dá origem a um vinho mais simples, extraído “na marra”. É vinificado separadamente daquele que ficou na cuba de inox.

Aliás, foi lá a ultima vez que o vi. Fui embora e ele lá ficou esperando seus taninos arredondarem e seus aromas e sabores se intensificarem.

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Tem alguém aí? Tá tudo bem? Fala comigo….

Até que um dia recebi notícias dele. Direto lá da terrinha. Tá lindo, né? Gostaram do rótulo? A gente que fez com o apoio do super Take do Studio Mugen: takashi20@gmail.com!

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Há Pão – Tá bonito! Posando no seu próprio terroir.

Agora não vejo a hora de revê-lo pessoalmente. E você? Quer ver e VIver? Então vem com a gente na Experiência Vindimar!

Vem viver!
Vem viver!

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